Busca
ENQUETE Você acha que a transmissão de radio deve ser cobrada pelo cruzeiro?
  • Sim
  • Não
  • Somente para Radio Itatiaia




19 09 07
Meu jogo Imortal - Fabricio Reis

Cruzeiro 4 x 3 Atlético (MG)

16/09/2007

Publicamos, excepcionalmente, este POST repetido de um jogo já destacado para dar a oportunidade ao cruzeirense Fabrício Reis, que participou da promoção "Cronista por um dia" de jornal de circulação estadual.

No referido texto, pareceu que o autor condena o lance protagonizado pelo Kérlon e conhecido como o "drible da Foca", quando na realidade é o contrário


Kérlon e o brilho da arte


Retificando o que ficou constando em meu texto de “Cronista por um dia” da segunda-feira, onde ficou expresso, devido a problemas de comunicação, a minha condenação ao lance da foca.


Na verdade, reputo o ato como brilhante, louvável, e digno de admiração. É a vitória do futebol-arte em detrimento da truculência e do futebol marcador.


Entendo que, se o Kerlon usasse da sua habilidade para desdenhar ou provocar adversários, seria digno de censura. Contudo, observamos que o garoto usa de toda a sua habilidade com um propósito definido e claro: o de buscar o gol com a bola dominada.


Daí, não interessa se o placar é favorável ou adverso para o Cruzeiro, se o jogo é de clássico contra o Atlético ou contra adversários inexpressivos, o fato é que a jogada genial tem o objetivo de buscar o gol, e isso jamais pode ser condenado no futebol.


Está até na regra!


Aos atleticanos, sem essa de: “aqui não!” A arte não tem limites para ser expressada, desde que dentro do mais alto respeito, como verificado. Se o entedimento não for este, jamais poderíamos ter de volta jogadores brilhantes como o foram Garrincha, Gérson, Tostão, Nelinho, Ronaldo "Fenômeno", Robinho e tantos outros, que exaustivamente nos encantaram com suas jogadas de efeito.


Viva o futebol! Abaixo a marcação e a ignorância!


Parabéns, Kérlon! Continue assim e incremente seu futebol em busca do gol usando de toda a sua habilidade, não se intimide e torne-se um dos maiores craques da história do Cruzeiro.


Para quem repetia a lenda de pé-de-coelho dá sorte, fica a certeza de que cabeça de foca sempre traz resultados melhores.


Fabrício Augusto Reis – Vice-Presidente da TFC (Fanaticruz).

(9) Comentários > Comentar

18 09 07
O Mágico e a Foca.

Cruzeiro 4 x 3 Atlético (MG)

16/09/2007

Todo clássico é especial, Cruzeiro versus Atlético-MG tem o poder de consagrar gênios, de fazer cabeças-de-bagre ficarem imortalizados pelas suas lambanças e, em alguns casos, meros figurantes viram heróis.


Provavelmente, o sonho de todos que foram ao estádio no dia 16 de setembro de 2007, especialmente os cruzeirenses acostumados a isso, era no sentido de que o clássico se transformasse em um jogo imortal.


O Cruzeiro vinha de derrota para o Flamengo em pleno Maracanã, de maneira incompreensível para a maioria dos torcedores e ainda perderao volante Ramires para o clássico, suspenso, pelo terceiro cartão amarelo. Para piorar, nos dias que antecederam ao confronto foi confirmada a ausência do artilheiro Alecsandro e do lateral direito titular Jonathan, que estava num crescente de produção e agradando a muitos.


A torcida celeste que não fugiria à luta e sabia que deveria empurrar nossos guerreiros rumo a vitória. Numa demonstração de força e confiança, mesmo com o mando de campo do rival e com ingressos absurdamente caros, nossa torcida esgotou sua cota de ingressos para arquibancada superior e começou a adquirir parcela do adversário.


Depois de varias más noticias, o Cruzeiro ganhou um grande reforço, o técnico Dorival Júnior foi absolvido pelo STJD e estava livre para comandar o clube da lateral do campo. Era nítido como o time celeste jogava melhor sendo regido pelo seu maestro do lado do campo.


Da parte do rival, seus diretores mais uma vez pareciam influenciados por alguma substancia alucinógena, afinal mesmo estando no final da tabela e perto de um novo rebaixamento, ainda que tivessem a apenas um ano saído da segunda divisão nacional, faziam varias declarações de que eles iriam se reabilitar sobre o Cruzeiro e chegar a zona de classificação da Libertadores no ano do seu centenário. Fazendo piada disto existia uma faixa na torcida Máfia Azul escrito “Gaylo 100 anos - O importante é competir.” ironizando o centenário a ser comemorado pelo rival com apenas um titulo de reconhecida importância.


Ambos os times foram a campo debaixo de um sol escaldante e o Cruzeiro empurrado por sua torcida, em maior número, começou dominando a maioria dos lances. Logo no primeiro minuto de jogo, um lance mostrou o que seria a partida, Éder Luís recebeu na lateral do campo e o volante celeste Charles chegou rasgando fazendo a falta e jogando o adversário pela lateral. A partida já começara em ritmo alucinante com ambos os times atacando, porém, a qualidade técnica superior cruzeirense prevaleceria. Aos 11 minutos Coelho tentou o lançamento e Fernandinho interceptou puxando o contra ataque passando a Roni livre pela esquerda. O centroavante invadiu a área, olhou para Marcelo Moreno como se fosse cruzar e fuzilou o gol de Edson marcando o primeiro gol cruzeirense.

O Cruzeiro continuava avassalador. Aos 23 minutos Maicossuel entra driblando pela lateral da defesa rival, Thiago Feltri fez a falta quando o meia entrava na área e o árbitro mal colocado marcou a penalidade. Roni que não tinha nada a ver com isto, bateu e marcou o segundo gol celeste.


Prenúncio de uma goleada, afinal nem na metade do primeiro tempo havíamos chegado e já parecia que a partida estava decidida. Mas o rival era valente e lutou contra o placar adverso. Aos 31 minutos, Coelho bateu falta da intermediária e Fábio fez defesa parcial com a bola batendo na trave e sobrando livre para o volante Gérson diminuir.


O Cruzeiro sentiu o primeiro gol do rival e este viu que poderia empatar. Depois de perder boa chance aos 35, com Leandro Almeida, conseguiu o empate aos 37. Em batida de escanteio Marinho subiu mais que Fernandinho e empatou a partida.


O rival, animado pela superação, voltou no segundo tempo mais animado e esperando sua arma mortal. Logo no inicio da etapa final aos 4 minutos Fernandinho bateu falta e Roni cabecearia rente ao poste de Edson perdendo gol incrível.


O castigo viria a seguir, aos 11 minutos em uma falha na marcação, Thiago Feltri recuperou a bola de um escanteio e puxou o contra-ataque. O lateral passou ao ex-cruzeirense Marcinho que saiu na cara do goleiro Fabio que fechou o ângulo, o meia atleticano tentou o drible e se jogou. O árbitro, como que compensando o erro do primeiro tempo, novamente errou e marcou pênalti. Marinho cobrou e virou a partida de forma surpreendente para a maioria da torcida presente ao estádio.


Foi então que o técnico Dorival resolveu mudar na equipe. Colocou em campo o armador Kerlon e o atacante Guilherme, que vem se notabilizando por, entre outras coisas, marcar gols sobre o rival. Guilherme é um daqueles jogadores diferenciados e, não é àtoa que toda a nação cruzeirense presente no estádio gritava seu nome bem antes do técnico colocá-lo em campo.


Aos 17 minutos, enquanto a torcida rival comemorava, coube ao mágico receber passe de Kérlon, preparar e executar um chute de longa distância. Como que por encanto, o campo se abriu e Guilherme avançou e vislumbrando uma oportunidade, não teve medo de, mais uma vez ,escrever seu nome na historia do clássico. Soltou a bomba rasteira no canto do goleiro Édson que pulou sem chance, era o gol do empate. O gol do cala a boca, o gol que provava que o jogo ainda não tinha terminado, como imaginavam alguns torcedores do adversário.


A torcida celeste cresceu, seu jovem ídolo em campo decidira mais uma vez e havia tempo para a virada. O outro jovem talento celeste também já começara a aterrorizar a defesa emplumada, aos 31 minutos Kérlon deu drible desmoralizante em Vinícius e invadiu a área. O jovem craque levantou a cabeça e cruzou para Roni mas o lateral Coelho cortou antes que o centroavante pudesse receber.


Então, aos 32, o mágico apareceria de novo para decidir, Roni recebeu na área e girou mandando a bomba, Édson fez a defesa parcial e a bola procurou quem a melhor lhe tratava, foi parar no pé de Guilherme que fuzilou virando a partida e enlouquecendo de vez a torcida cruzeirense.


A partir daí, o Cruzeiro dominava no gramado e nas arquibancadas. Aos 34 minutos, Charles lançou Guilherme, o mágico driblou o goleiro e quando ia finalizar deixou para Kérlon. O "Foca" chutou forte para o gol vazio, porém Gerson apareceu de carrinho para salvar aquele que seria o quinto gol celeste.


Foi então que o momento imortal fez a história do clássico para ser contada para filhos e netos. Kérlon recebe na lateral e fazendo justiça ao seu apelido de "Foca" coloca a bola equilibrada na cabeça e sai correndo em direção da área adversária. O lateral Coelho, totalmente descontrolado, vem como um louco e agride o jovem meia cruzeirense, uma confusão se forma e Coelho é expulso, provavelmente ninguém imaginava que ambos estavam a partir dali entrando para a historia do futebol. Kérlon como o malabarista que inventara uma jogada de habilidade, e Coelho como o mais novo joão-ninguém da história do futebol. Joões assim como Kanapkis foi ao ficar engatinhando atrás de Ronaldinho, Joões assim como Cincunegui foi ao ser deitado por Natal, Joões assim como Cerezo que devolveu o troféu de 1977 depois de duas derrotas para o matador Revétria. Todos uns joões, como eram denominados por Garrincha. Joões como todos os outros que fazem os 100 anos de vexame do rival.


O que mais impressiona é que no paralelo da historia da história dos dois clubes, enquanto o Cruzeiro é exemplo de superações e conquistas, nosso rival é apenas conhecido por derrotas humilhantes, vexames públicos e manchetes policiais.


Kerlon deve seguir sua promissora carreira, enquanto Coelho será, graças a ele, imortalizado ate que apareça o novo João vestido de preto e branco para nos alegrar ou seria o novo Kanapkis? Ou o novo Coelho?


Esta é a beleza do futebol, mesmo a partida tendo presenciado um mágico em campo chamado Guilherme, no dia seguinte só discutia-se, nacionalmente, sobre drible da foca, prova da beleza do esporte.


A partida recomeçou com tempo ainda para o próprio Kérlon perder mais dois gols cara a cara com o goleiro. O Cruzeiro sairia com a vitória e continuaria no encalço do São Paulo na briga pelo título nacional, ao rival coube apenas a derrota, o drible, e a preocupação de passar o ano de seu centenário novamente na segunda divisão.


Ficha Técnica
Cruzeiro 4 x 3 Atlético-MG
Campeonato Brasileiro - Mineirão - Belo Horizonte
Público -
40.697 / Renda - R$ 757.657,00
Árbitro - Evandro Rogério Roman (PR)
Gols: Roni aos 11min e 24min, Gérson aos 30min e Marinho aos 37min do primeiro tempo, Marinho aos 12min, Guilherme aos 16mine aos 32min do segundo tempo.

Cartões Amarelos: Vinícius, Danilinho, Éder Luís, Coelho (Atlético-MG);
Luís Alberto, Fábio (Cruzeiro).
Cartão Vermelho: Coelho (ATL).

Cruzeiro : Fábio; Mariano, Émerson, Thiago Heleno e Fernandinho; Luís Alberto, Charles, Maicosuel (Jardel) e Wágner (Kerlon); Roni e Marcelo Moreno (Guilherme). Técnico Dorival Júnior.

Atlético (MG) : Édson; Coelho (expulso), Lenadro Almeida, Vinícius e Thiago Feltri (Vanderlei); Thaigo Carpini, Gérson, Marcinho e Danilinho; Éder Luís (Lúcio) e Marinho. Técnico: Emérson Leão.

Dedicatória.

Este capítulo do Blog Jogos Imortais é dedicado a todos os atletas celestes que vestiram a camisa naquele jogo, honrando os que a vestiram antes e enchendo de orgulho uma nação por não ter jogadores no campo e sim guerreiros.
(17) Comentários > Comentar

15 09 07
Meu jogo imortal - Anisio Ciscotto

Cruzeiro 3 x 1 Atlético (MG)

09/10/1977

O jogo que mais marcou da minha vida é também da maioria de  cruzeirenses que pertencem à minha faixa etária. Talvez não seja nenhum jogo excepcional para muitos cruzeirense, especialmente para os da nova geração, mas é um jogo mais do que marcante, foi uma página heróica, um jogo imortal.

Estou me referindo ao jogo da decisão do Campeonato Mineiro de 1977. Aliás, há que se ressaltar que falo do terceiro jogo, pois na época As decisões poderiam ter um, dois, três e até quatro jogos seguidos entre os adversários numa overdose de clássicos.

O patético tinha o melhor time da história deles (que nunca ganhou nada de importante) e venceu o primeiro clássico por 1x0. Depois do jogo, os galináceos levaram a taça para seu vestiário e Cerezzo não teve papas na língua para dizer que "enquanto ele, Reinaldo , Marcelo e outros jogassem lá, o Cruzeiro não ganharia nada que eles disputassem".

Eles tinham um goleiro fantástico, o Ortiz, que jogava de bermudão, camisa laranjada e uma fita no enorme cabelo. Ao invés de pegar as bolas com as mãos, humillhava os adversários matava a bola no peito, fazia gols de pênalti, driblava os atacantes adversários sem necessidade. Era um Argentino que nos atormentava e para piorar ofuscava a supremacia do goleiro Raul que durava mais de uma década como o goleiro-atração do futebol mineiro.

Mas a diretoria do Cruzeiro teve uma indicação de ouro e importou o atacante uruguaio Revétria, que tinha sido algoz do goleiro Ortiz quando os dois jogavam no Uruguai (diziam as más línguas que Ortiz viera para BH fugindo dos muitos gols de havia levado de Revétria no país de origem dos dois).

Veio a segunda partida e vencemos por 3x2, três gols de Revétria, num jogo em que eles abriram o marcador logo aos 5 minutos de jogo assustando a torcida do Cruzeiro e levando à loucura a torcidinha deles. Viramos com três de Revétria e embora fôssemos em menor número, gritamos como se fôssemos dez e calamos a boca da cachorrada.

Tudo seria decidido num terceiro jogo e o discurso e empáfia deles não diminuía. Aos 35 da etapa inicial, Reinaldo, que havia feito o segundo gol da partida anterior, fez um gol e foi comemorar perto da nossa torcida, que mais uma vez estava em menor número que a torcida deles.

Foi o que bastou para as coisas mudarem de rumo.

Aos 25 do segundo tempo, ele, nosso "RE(I)VÉTRIA fez um belo gol e empatou a partida para desespero de Ortiz e companhia.

Revétria correu para nossa torcida, justamente perto de onde eu me encontrava e comemorou muito, fazendo com que a torcida comemorasse mais ainda e passasse a acreditar que o jogo anterior se repetiria. Acendeu a esperança de novo em todos nós.

A história se repetiria?

Eles ficaram com mêdo?

Aquele empate no terceiro jogo, levava a decisão para uma prorrogação, onde o adversário teria, mais uma vez, a vantagem de empatar para ser campeão. Na primeira etapa da prorrogação Lívio Damião (irmão gêmeo do lateral Luiz Cosme) marca o segundo e Joãozinho, de forma magistral aos 14 enterrou as esperanças galináceas.

Foi uma vitória da superação e da "Raposa" Felício Brandi que trouxe Revétria e desequilibrou emocionalmente o goleiro cabeludo. Revétria é daqueles ídolos que todos que viveram aqueles momentos mágicos se lembrarão. Um guerrreiro, um bravo que mesmo ficando pouco tempo no Cruzeiro estará na lembrança de todos.

Eu fui, a pé, do Mineirão até o Santo Antônio, onde eu morava, gritando com meus amigos: "REI, REI, REI! REIVÉTRIA É NOSSO REI!

Recentemente tive o prazer de encontrar Revétria, Joãozinho e Lívio e recordar tal jogo com eles. Aliás a foto com o Reivétria está no meu perfil do Orkut.

Forza Azzurra! Forza Palestra!

Este post foi escrito por Anísio Ciscotto Filho, 46 anos, Gerente Geral da Caixa Econômica Federal, natural de Aimorés-MG.

Ficha Técnica
Cruzeiro 3 x 1 Atlético-MG
Campeonato Mineiro- Mineirão - Belo Horizonte
Público - 122.534 / Renda - Cr$ 4.194.550,00
Árbitro - Márcio Campos Salles (SP)
Gols: Reinaldo aos 35'
do 1º tempo, Revétria aos 25' do 2º tempo, Livio aos 7' e Joãozinho aos 14' do 1º tempo da prorrogação.
Cartão Vermelho: Lívio (CRU).

Cruzeiro : Raul; Nelinho, Zezinho Figueiroa, Darci Meneses e Vanderley; Flamarion, Valdo (Eli Carlos), Elivélton e Eduardo; Revétria (Lívio) e Joãozinho. Técnico: Procópio.

Atlético (MG) : Ortiz; Alves, Márcio, Vantuir e Dionísio; Toninho Cerezo, Danival (Heleno), Marinho, Reinaldo, Paulo Isidoro (Marcinho) e Marcelo. Técnico: Barbatana.

Dedicatória.

Artilheiro de poucos jogos e poucos gols, não figura nem na relação dos maiores artilheiros do Cruzeiro (com mais de 50 gols) e seria facilmente esquecido como tantos outros artilheiros que passaram por times do futebol brasileiro e mundial. Sua carreira poderia ser a de mais um que passou por aqui. NÃO É! Este jogo imortal é dedicado ao atacante Revétria. Poderia ser outro jogo? Sim. Poderia ser o jogo em que ele marcou três gols, mas queremos dedicar este pela sua bravura e por ter calado a bôca de quem deveria ficar eternamente calado.
(4) Comentários > Comentar

11 09 07
A arrancada para o primeiro tricampeonato

Palestra 5 x 2 Atlético-MG


24/11/29


Seja no passado, ou nos dias de hoje, vencer uma competição com 100% de aproveitamento não é coisa normal. Atualmente, nem ficar invicto tem sido algo comum de se presenciar. Mas aquele time de 1929 tem títulos, recordes, ídolos e muita História para contar. Ao contrário de certas equipes que tiveram suas taças de gelo perdidas à época.


Ate hoje, muito se fala sobre o lendário campeonato do gelo que os rivais regionais alardeavam como campeonato mundial. O rico time do Atlético-MG fizera excursão a Europa voltara para casa com a imprensa mineira declarando este título que aliás a taça nunca se viu em lugar nenhum (certamente no centenário deles alguém cuidará de nos apresentar referido troféu). Se ate hoje a imprensa mineira mantem estas lendas imaginem em 1929 aonde realmente nosso rival ate entao dominava o futebol regional.

Na decada de 20 e 30 o rival era liderado pelo habilidoso e excepcional atacante, Mário de Castro, e entendiam que aquele time dominaria facilmente a década. Ledo engano afinal o Palestra vinha formando calado o seu primeiro grande esquadrão que iria ser o primeiro grande time de futebol de Minas Gerais.


Para alegria palestrina uma família começaria ali a escrever seu nome na historia do clube, era a Família Fantoni que nos brindaria com três magistrais personagens. Eram os irmãos Niginho e Ninão e o primo Nininho, até hoje o maior artilheiro em confrontos contra nosso maior rival. Naquela época o então presidente da Federação Mineira de futebo,l Aníbal Matos, instituíra um belo troféu da Liga Mineira de Futebol, Aníbal era também presidente do nosso adversário na cidade, e alardeava na cidade toda como aquele bonito troféu enfeitaria sua sala de troféus no nobre bairro de Lourdes, afinal o clube que ganhasse a Liga três vezes seguidas ou cinco alternadamente, ficaria com ele definitivamente Nosso rival venceu em 1926 e 1927 e justo quando tudo parecia certo surge o Palestra para melar a festa ganhando o titulo de 1928 com amplo domínio sobre o rival.


Em 1929 o time foi 100%, ganhou tudo, aplicou goleadas homéricas, foi impiedoso com adversários fracos e os nobres de Lourdes viam seu troféu bater asas para o operário time do Barro Preto.


Liderados por Ninão e Nininho o Palestra chegara a final invicto aos jogos finais, já tendo aplicado uma goleada na primeira fase sobre o rival por 3 a 1 no campo de Lourdes. Agora a final seria no estádio do Barro Preto, estádio este construído com esforço e amor pelos rejeitados palestrinos que uma década antes eram impedidos de entrar nos nobres e ricos clubes da capital (apesar de hoje ser considerado chique ser europeu naquela época os imigrantes italianos eram segregados e vistos como pessoas de segunda classe pelas famílias quatrocentonas representantes das oligarquias e castas locais).


O estádio do Barro Preto ficara entupido para a final, extrapolando a sua capacidade, na época a torcida palestrina já começava a crescer encantada pelos maravilhosos gols dos Fantonis. O fato mais engraçado da decisão de 29 foi o fato de o artilheiro Ninão ter virado a noite que antecedia ao clássico na jogatina, segundo consta a lenda levado por amigos atleticanos na esperança de que sua atuação não fosse decisiva na finalissima. Mas a estratégia não adiantou muito já que Ninão, além de vencer no carteado, teria papel fundamental na goleada daquele dia.


A final começara e o primeiro esquadrão Palestrino já iniciara destruidor. Logo aos 7 minutos, Piorra centraria a Ninão que de cabeça deixaria Armandinho livre para marcar. O jogo mal começara e o Palestra já abria o marcador com facilidade impressionante.


Logo depois na saída de bola o Palestra logo parte novamente ao ataque e agora, aos 12 minutos, mostraria a maior arma daquele time, o forte chute do artilheiro Ninão. O defensor adversário, Ewando fizera falta perto da área, sobre Carazo, Ninão soltaria a bomba e marcaria o segundo gol palestrino. O pobre goleiro Osvaldo nada pode fazer.


Depois do segundo gol o Atlético foi para o ataque já que a diferença no placar so tendia a aumentar, e para alegria da maioria de torcedores presentes no estádio aos 24 minutos Ivo bateria falta na cabeça de Mário de Castro que com lindo toque deixaria Orlando livre para diminuir. O gol enchera de esperança a torcida rival de que uma zebra aconteceria, porem antes do final do primeiro tempo mais uma vez Ninão, aos 40 minutos agora em belíssima arrancada invade a área, dribla o goleiro Osvaldo e marca o terceiro gol da final.


O Palestra iria para o intervalo com esta bela vantagem e o titulo já parecia perto, mas nosso rival era valente e venderia caro aquele titulo. Logo no inicio da segunda etapa Jairo de cabeça diminuiria a vantagem Palestrina.


Após o segundo gol do adversário, o Palestra cresce na partida e um bombardeio sobre o gol rival nosso ataque propiciou. O goleiro Oswaldo fez belas defesas, só depois dos trinta minutos é que o rival volta a ameaçar com Mário de Castro, parecia que, como os Palestrinos, dificuldade em definir a partida o rival crescera. Foi então que mais uma vez o ataque palestrino decidiu, com um gol e a vantagem aumentara com o tíulo definido.


Ainda sobrara tempo para um lance cômico, pressionado pela ofensiva Palestrina o zagueiro Binga atrasara bola para o goleiro Osvaldo e este não conseguiria defende-la. Seria então o 5 gol palestrino fechando a goleada. O titulo de 1929 era nosso e faltava apenas um para finalmente ficarmos em definitvo com o troféu.

Em 1930 novamente o time Palestrino se sairia imbatível e levara o tri campeonato, o campeonato havia se encerrado em agosto de 1930, mas até o mês de abril de 1931, o Cruzeiro não havia recebido o troféu e passou a pressionar o presidente da Federação Mineira, Aníbal Matos, que também era o presidente do Atlético. Diante da pirraça, a diretoria cruzeirense expôs uma bola na vitrine da sede do clube, na rua caetés, com a seguinte inscrição: Palestra 5, Athletico 2. Ate hoje esta bola esta na entrada da sede administrativa do cruzeiro! Dias depois o presidente da Federação marcou uma solenidade e fez a entrega do troféu, porem exposto mesmo ficou a bola, para sempre nosso maior símbolo da conquista.

Mas quem precisa de troféu quando temos tantos jogos imortais para narrar?


Ficha Técnica
Palestra 5 x 2 Atlético (MG)
Campeonato da Cidade - Estádio Barro Preto - Belo Horizonte-MG
Renda - Não disponível
Árbitro - Antônio Silva Pinto
Gols: Ninão (4 gols) e Carazo
Cruzeiro: Armando; Para-Raio, Rizzo, Bento, Pires e Nininho; Piorra, Ninão e Bengala; Carazo e Armandinho. Técnico: Matturio Fabbi.
Atlético (MG) :Oswaldo; Binga, Ewando, Cordeiro, Brant e Ivo; Dalmy, Orlando e Jairo; Mário de Castro e Cunha. Técnico: Marinetti.


Dedicatória.
Este capítulo é dedicado a duas famílias que ajudaram a construir este gigante chamado Cruzeiro Esporte Clube, primeiro Palestra. São integrantes destas famílias que sempre arranjaram formas de construir; sempre estiveram presentes. Uma das família é a FANTONI, de grandes jogadores que desfilaram sua bravura pelo mundo agora. Outra família é dos Ianni, que desde que aqui aportaram souberam identificar suas origens e defender o Cruzeiro nas arquibancadas por gerações que só aumentam a paixão da torcida do Cruzeiro.

Obrigado Fantonis e Iannis!!!

(4) Comentários > Comentar

05 09 07
Prá variar, só o Cruzeiro honra o nome de Minas

Cruzeiro 5 x 0 Juventude (RS)

12/11/1998

A derrota do Cruzeiro para o Juventude, nos domínios do adversário, na mais recente rodada do Brasileiro, pareceu para muitos como uma vergonha, vexame ou determinante para que o Cruzeiro deixe de lado ambição de conquistar mais um brasileiro. Esta é a visão de quem só olha o resultado de uma partida. Esquecem-se que estamos numa competição por pontos corridos. Longa e difícil.

Aqui, retomamos uma página heróica, jogo imortal, dentre os vários do Campeonato Brasileiro de 1998 e que vinha chegando ao final da chamada temporada regular. A partir daquela rodada derradeira seriam os playoffs e com o primeiro colocado jogando contra o oitavo segundo contra o sétimo, terceiro contra o sexto e o quarto contra o quinto.

Aquela temporada chegara a última rodada com uma briga de vários clubes pelas últimas vagas nos playoffs. O Atlético Mineiro estava em 7º lugar com 35 pontos e o Cruzeiro em 8º lugar com 34 pontos. Em posições inferiores estavam Vasco, Flamengo e Grêmio: todos com 33 pontos ganhos. Em seguida o Internacional com 32 pontos. Enquanto o Cruzeiro decidiria sua sorte contra o Juventude, nosso rival rural teria que decidir contra a Ponte Preta em Campinas. O Juventude já estava eliminado da fase final. Grêmio, Internacional, Flamengo, Vasco e Atlético Mineiro tinham oferecido um prêmio aos jogadores gaúchos, a famosa "mala preta" caso vencessem o Cruzeiro e abrissem outra vaga nos playoffs.


Além destas circunstâncias, outras curiosidades cercavam o confronto. O garoto Fábio Júnior, sensação-revelação do Cruzeiro, na véspera deste ,raspara a cabeça, parecia querer pegar as boas energia de outro careca da época: O espetacular Ronaldo Nazário de Lima, também centroavante, nascido para o futebol no Cruzeiro e que era na época o melhor jogador do mundo eleito pela Fifa, ostentava careca semelhante. Outra curiosidade era que no Estádio Independência outro nosso rival estaria jogando uma partida de vida ou morte para se manter na primeira divisão do campeonato.


Logo na entrada do gramado o time azul estrelado já era saudado por sua torcida maravilhosa que cantando parecia que empurraria o time a classificação. Nestes momentos mais adversos que o Cruzeiro Esporte Clube, movido pela sua fanática torcida, cresce e conquista suas maiores vitórias e páginas mais heróicas que constroem e recheiam a sua historia de cheia de fatos assim. Cabe ressaltar que todas as partidas da última rodada foram realizadas no mesmo horário e iniciaram-se as 16 horas por conta dos direitos televisivos, além de ter errado FEIO quem achou que iria pouco público. Ainda com meia hora de jogo ainda chegavam torcedores cruzeirenses.


Nesta partida, a torcida não demoraria muito para tirar o grito de gol da garganta, logo aos 3 minutos o maestro Valdo cobra escanteio na cabeça de Gottardo que sobe alto e ajeita com açúcar para Marcelo Ramos abrir o marcador.


O que se viu depois foi um bombardeio celeste ao gol de Gilmar. Em um destes lances, Caio acertou forte chute rasteiro e só não aumentou o placar porque o goleiro gaúcho fez grande defesa. Mas a barreira adversária não iria segurar a pressão por muito tempo. Aos 28 minutos, novamente Valdo cobra escanteio da direita, e como se fosse um replay, Gottardo ganha de cabeça deixando novamente para Marcelo Ramos ampliar.


Era o segundo gol cruzeirense e a torcida já começava a esperar uma goleada, aos 34 minutos o terceiro gol saiu. Marcos Paulo tabelou com Marcelo Ramos e, da entrada da área, mandou a bomba indefensável. A torcida celeste dava espetáculo, cantava sem parar. Após o terceiro gol todo Mineirão cantava a pleno fôlego “...caiu na rede é peixe, eeeaaaaa, Cruzeirão vai golear...”.


O Cruzeiro ainda perderia boas chances antes do final do primeiro tempo, com Fábio Júnior e o final da goleada teve que esperar o segundo tempo.


O técnico Levir Culpi, mesmo com o time jogando bem, resolveu colocar sua arma secreta do segundo tempo: o veloz Alex Alves. O ponteiro era muito rápido e o técnico esperava que nos contra ataques a goleada aumentasse, e foi assim aos 30 minutos quando Gustavo cruzou da direita e Alex Alves cabeceou o goleiro Gilmar fazendo uma defesa parcial, Vágner (volante defensivo) só teve o trabalho de empurrar para o fundo das redes, marcando o quarto gol celeste.

A torcida celeste fazia a festa na arquibancada e de repente começou a vibrar como se fosse outro gol, no alto falante do estádio anunciava que o rival tinha empatado com a Ponte Preta sem gols e que o Grêmio acabara de fazer 3 a 2 de virada sobre a Portuguesa tirando nosso rival do campeonato. Mais uma vez, como manda a tradição, eles morreriam na praia e para completar o Palmeiras marcara o gol de empate sobre o América-MG jogando outro tradicional rival para as divisões inferiores de onde ate hoje não saiu.

Para completar a festa ainda havia tempo para o quinto gol. Alex Alves, em brilhante arrancada, bateu dois marcadores e finalizou marcando o quinto gol celeste e encerrando a goleada com a garantia de classificação.


O Atlético Mineiro sofreria, naquela quinta-feira, uma dupla eliminação. Além do empate sem gols contra a Ponte Preta, em Campinas, que resultou na desclassificação para as quartas de final dentro de campo, o alvinegro também sofreu uma goleada no julgamento do TJD da CBF. Como é sua especialidade histórica, procura ganhar, fora das quatro linhas, em recursos pontos que nào ganha em campo. Há muito, protelava os pontos da partida contra o Santos, de 19/08/98, que terminou em 4 a 4. O clube alegava que o atacante santista Aristizabal não estava com a situação regularizada. No julgamento o Atlético foi derrotado por 6 a 1. também dando adeus ao campeonato no tapetão.


Fora uma quinta histórica mais uma vez provando que na hora da decisão enquanto o Cruzeiro goleia, com habitualidade impressionante no Mineirào, seus rivais ou são eliminados ou rebaixados a segunda divisão!

consolidou a possibilidade de definição matematica na próxima batalha.

Ficha Técnica
Cruzeiro 5 x 0 Juventude-RS
Campeonato Brasileiro - Mineirão - Belo Horizonte
Público - 36.258 / Renda - R$324.927,50
Árbitro - Paulo César de Oliveira (Fifa-SP)
Gols: Marcelo Ramos, 3min e 28min, Marcos Paulo 34 do
1º tempo, Vágner aos 30min e Alex Alves aos 43min do 2º tempo.

Cruzeiro : Dida; Gustavo, Gottardo, Marcelo Djian e GIlberto; Marcos Paulo, Djair (Vágner), Caio (Reginaldo) e Valdo; Marcelo Ramos e Fábio Júnior (Alex Alves) Técnico: Levir Culpi.

Juventude (RS) : Gilmar; Borges Neto, Capone, Índio e Silvan (Rogério); Marcão, Júlio César, Dênis e Wallace (Fábio Melo); Luiz Antônio e Rodrigo Gral (Marco Aurélio). Técnico: Cláudio Duarte.

Dedicatória.

Um jogo que poderia complicar a vida do Cruzeiro. Um confronto que poderia abreviar a participação naquela competição, poderia inclusive frustrar muitos torcedores que acreditavam no time e que proporcionaram um público fantástico para um jogo as 16 horas da tarde num dia de trabalho normal. A torcida compareceu em peso por estar ciente do seu papel de empurrar o time para a vitória e conquistas. Este jogo é dedicado ao jogador Marcos Paulo que simbolizou toda a reação cruzeirense naquele ano e que foi sacado do time de maneira muito estranha pelo treinador, barrando a escalada do Cruzeiro rumo ao título após a sua saída. Mais do que um dos gols da goleada, Marcos Paulo foi o diferencial daquelas partidas que levaram o Cruzeiro da zona de rebaixamento à classificação para os playoffs.

(2) Comentários > Comentar