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30 08 07
Quem tem medo de quebrar tabus?

Palmeiras (SP) 2 x 3 Cruzeiro

31/08/1995

A partida era válida pelo Campeonato Brasileiro de 1995. Um destes tabus, que começava a incomodar parte da torcida celeste. O Cruzeiro não vencia o Palmeiras, no Estádio Palestra Itália, desde 17/09/1969, na vitória por 1 a 0, com um gol de Tostão, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Já eram passados mais de 25 anos. Aquele tinha sido a primeira, e única, vitória do Cruzeiro no domínio palmeirense. O período é muito longo mas o número de confrontos é pequeno, o que serve, de certa maneira, para minorar o tamanho do tabu. O confronto foi disputado cinco vezes no Estádio do Palestra com quatro vitórias do Palmeiras. Se consideradas as partidas disputadas no Pacaembu, no mesmo período, foram 11 jogos com 7 vitórias dos paulistas, o que elevava o tamanho do déficit. Até então nunca havia sido fácil bater o "Verdão" em seu gramado e a quebra do incomodo tabu era expectativa pela torcida celeste.

O Cruzeiro, 4º colocado no grupo A do campeonato, com 4 pontos em dois jogos; O Palmeiras era o 3º colocado com 6 pontos. Os lideres do grupo na época eram, respectivamente, o Paraná com 9 pontos em 3 jogos e o Botafogo com 7 pontos em 3 jogos.Tudo isto fazia a vitória fora de casa mais importante ainda. Contávamos com a "velha raposa", Ênio Andrade, que se preparou para um Palmeiras todo no ataque. A equipe paulista tinha na saída rápida de bola sua arma forte e somente o perfeito posicionamento do meio de campo celeste, principalmente a cobertura feita pelo volante Fabinho, garantiria um resultado positivo.

O Palmeiras era comandado pelo técnico Carlos Alberto Silva recém-saído do Cruzeiro e, para a diretoria celeste, a vitória tinha um sabor especial de conquista e jogo imortal, seria também, uma leve vingança, já que o técnico tinha abandonado o clube mineiro no meio de uma competição, para assumir a direção técnica do time paulista dando a entender que os times eram tão diferentes que não vaia a pena ficar em Minas.


No primeiro semestre, o Cruzeiro tinha feito fraca campanha ficando em terceiro no Campeonato Mineiro e ainda fora eliminado da Copa do Brasil. No segundo semestre, uma vitória fora de casa sobre a partida considerada uma decisão, formataria a esperança de novos ares vitoriosos. Por coincidência, seria o time com o qual disputaríamos a vaga na final para vencer o primeiro turno e irmos à final do Brasileiro.


O jogo começou, assim como a "velha raposa" esperava, o Palmeiras veio para cima e o Cruzeiro teve que se segurar nos primeiros 15 minutos de partida. O goleiro Dida era a muralha de sempre e a zaga celeste estava bem postada. Aos poucos o Cruzeiro foi tomando conta do jogo, dominando a meia cancha e empurrando o adversário contra seu próprio campo, dentro de seus próprios domínios. Foi então que aos 31 do primeiro tempo o Cruzeiro abriu o marcador, Roberto Gaúcho cruzou da lateral, o atacante Marcelo Ramos dominou, deu um corte no ex-cruzeirense Célio Lucio e rolou para Paulinho Mclaren empurrar livre ao gol.


Logo na saída de bola, o guerreiro Fabinho levou uma pancada criminosa do volante argentino Mancuso do Palmeiras. Enquanto Fabinho teve que deixar o campo contundido o volante palmeirense nem chegou a ser admoestado pelo árbitro, as arbitragens como sempre apoiando os times do eixo Rio-São Paulo. O Palmeiras cresceu e conseguiu o empate aos 38 minutos numa bola cruzada na área por Edílson, o centroavante Nilson subiu mais que Vanderci e igualou o marcador.


O Cruzeiro não se encolheu e após o empate retomou as rédeas da partida, Ênio Andrade concentrara os ataques pela ponta esquerda com Nonato e Roberto Gaúcho e não poderíamos ir para o intervalo com a derrota parcial. Aos 41 minutos o sempre eficiente Raimundo Nonato que lançou o ponteiro Roberto Gaúcho na corrida. O camisa 11 chutou e a zaga rebateu de qualquer maneira, Alberto de fora da área apanhou o rebote e com uma bomba desempatou a partida.


Assim o jogo foi para o intervalo com o Cruzeiro na frente e faltando só 45 minutos para a quebra do tabu. O segundo tempo iniciou-se de maneira idêntica ao primeiro, com pressão palmeirense, Müller e Edílson obrigaram Dida a fazer grandes defesas, porem nos contra-ataques o cruzeiro sempre era perigosíssimo. Aos 20 minutos, em outro cruzamento de Nonato, Paulinho Mclaren cabeceou e a bola raspou a trave palmeirense. Aos 25, em entrada criminosa em Alberto, o palmeirense Wagner foi para o chuveiro mais cedo, a partir daí só dava Cruzeiro na partida e tanto Alberto quanto Paulinho perderam grandes chances.

Foi então que veio o castigo aos 30 da etapa final. Müller tabelou com Edílson e bateu sem defesa para Dida, era o gol do empate e a quebra do tabu parecia que não aconteceria. Logo na saída de bola, o Palmeiras ainda quase conseguiu a virada com linda finalização de Edílson e se não fosse Dida fazer um de seus costumeiros milagres o pior teria acontecido.

Foi então que, já nos acréscimos, aos 46 da etapa final a justiça da partida foi feita, Alberto lançou Belletti que tocou de cobertura sobre Velloso, o goleiro palmeirense fez a defesa parcial mas no rebote Paulinho, sempre ele, desempatou a partida e quebrou o incomodo tabu que durava um quarto de século.

Desde aquela vitória, a história mudou e nas décadas seguintes o Cruzeiro passou a dar sorte no Palestra Itália inclusive ganhando títulos la dentro. Sempre, quanto mais difícil, a esquadra celeste busca forças, não se sabe de onde, para buscar seus maiores triunfos, e assim todo jogador que veste nossa camisa tem este exemplo a seguir.

Ficha Técnica
Palmeiras (SP) 2 x 3 Cruzeiro
Campeonato Brasileiro - Palestra Itália - São Paulo
Público - 3.587 / Renda - R$39.990,00
Árbitro - Sidrack Marinho (SE)
Gols: Paulinho McLaren, 31min, Edílson 41min e Alberto aos 41min do
1º tempo, Müller aos 30min e Paulinho McLaren aos 45min do 2º tempo.

Cruzeiro : Dida, Paulo Roberto, Vanderci,Rogério e Nonato; Fabinho (Ademir), Beletti, Alberto e Marcelo Ramos (Luiz Fernando); Paulinho McLaren e Roberto Gaúcho. Técnico: Ênio Andrade.

Palmeiras (SP) : Velloso; Índio (Fred), Antônio Carlos, Célio Lúcio e Wágner; Mancuso, Amaral, Flávio Conceiçào e Nílson (Rogério); Edílson e Müller. Técnico: Carlos Alberto Silva.

Cartão Vermelho - Wagner (Palmeiras).

Dedicatória.

Uma página demorada, mais de um quarto de século, injusta que tivesse demorado tanto, e mais injusta ainda que tivesse sido longe da torcida do Cruzeiro.
Roberto Jusceli Weber, ponta-esquerda, daqueles "das antigas", jogou entre 1992 e 1997 pelo Cruzeiro. Neste período marcou 52 gols mas foi autor de dezenas de iniciativas, constituindo-se no 38o artilheiro da história do Cruzeiro. O Roberto "Gaúcho", como ficou conhecido pelo povão, nào fazia muitos gols mas, certamente, colocava alguns (muitos!),
nos pés, na cabeça de muito atacante que nunca deve ter agradecido a este atacante.

Fica o exemplo, sejam mais solidários, como era Roberto Gaúcho e não temam nenhuma armadilha ou tabu. Nossa homenagem é para este falso ponta esquerda, mas um grande homem, que enganava a todos para que vários ídolos fizessem seu nome/marca.

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28 08 07
Era para ser o último round da Tríplice Corôa

Paraná (PR) 1 x 3 Cruzeiro

23/11/2003

O Campeonato Brasileiro de 2003 vinha chegando ao final e o iminente título celeste, a cada rodada,materializava-se ainda mais. Era somente uma questão de tempo para que o grito de campeão ecoasse mais uma vez, por toda Minas Gerais, saindo da garganta de cada um dos milhões de cruzeirenses.


A partida contra o Paraná em Curitiba (PR) foi válida pela 43ª rodada, o Cruzeiro com seus 88 pontos não garantia o título, matematicamente, se somente vencesse o jogo. Ainda nesta rodada, torceria por uma derrota do Santos-SP contra o Fluminense-RJ na Vila Belmiro e, consumando-se a vitória sobre o Paraná, sagraria-se campeão com quatro rodadas de antecipação.


Em Belo Horizonte, a concentração era total, enquanto os rivais locais pareciam se esconder dentro de casa com seus pijamas, a cidade estava linda, toda azul e branca vibrando com seu grande campeão.


Mais uma vez era o Cruzeiro que levava o nome do estado para todo o Brasil e o mundo, a parcial imprensa paulista teimava em colocar o Santos com chances, pelo menos tinham chances teóricas. O Santos tinha, realmente, um belo time, tinha sido um adversário à altura. Porém, naquele momento, nenhum time no mundo superaria em tão poucas rodadas aquela terceira academia celeste, liderada pelo curitibano Alex.


O anfitrião, maestro do time naquela campanha, sonhara em conquistar o título em sua terra natal, seria mais um momento marcante daquela campanha. O técnico Luxemburgo concentrara a time para o jogo na quarta-feira para o jogo no domingo seguinte, dedicação total. Além disso, o comandante técnico relacionou todo o elenco para a viagem a capital paranaense. Eles tinham chegado aquela disputa juntos e seriam campeões todos unidos, esta era a intenção e expectativa do técnico.Na quarta a noite o elenco completo presenciou o jogo da Seleção Brasileira no mesmo Pinheirao, onde Alex e Leandro em ação e se concentrariam para a decisão logo a seguir. Além deles, se juntariam ao grupo mais quatro jogadores que defendiam a Seleção Pré-olímpica, quais sejam, Edu Dracena, Gomes, Wendell e Maicon. Efetivamente, aquele grupo celeste era mais do que uma constelação de estrelas.


Este round não aconteceria sem a costumeira guerra de nervos, era claro que o Santos estava dando apoio e a famosa "mala preta" aos atletas paranistas era previsível. O armador Diego, do Santos, que estava na Seleção, em Curitiba, aproveitou e comprou uma camisa do Paraná declarando que havia se tornado um novo torcedor. A diretoria tricolor proibira o Cruzeiro de fazer o jogo-treino contra o Iraty no seu estádio. Era o momento de entrar em campo a tradicional astúcia da "raposa". Os dirigentes cruzeirenses agiram rápido e utilizaram uma velha tática para amolecer os adversários. Deixaram vazar para a imprensa que existia o interesse pela contratação de alguns jovens jogadores do Paraná que despontavam naquele esforçado time, os nomes dos jogadores Marquinhos e Fernandinho (que viria a ser lateral esquerdo do Cruzeiro em 2007), eram os alvos principais..


De Belo Horizonte a torcida celeste se programava em varias excursões para ir a Curitiba trazer a taça, a expectativa era enorme. Provavelmente, uma das histórias mais impressionantes era da pensionista Carmita Costa Silva que, com seus 78 anos, embarcou em um dos dezoito ônibus da caravana de cruzeirenses que rumaram para aquela decisão, tinham a esperança que aquele seria mais um jogo imortal, mais uma página heróica, mais um título nacional. A grande cruzeirense declarou na época “farra é comigo mesma, Não tenho esse negócio de ficar em casa vendo a vida passar. Os outros torcedores me respeitam, sou pé quente e vou trazer o título”, disse confiante.


E foi empurrado por estes guerreiros que o time estrelado entrou em campo em busca de mais uma vitória que poderia ser mais um marco histórico. O Paraná partiu para cima nos quinze minutos iniciais desperdiçando boa chance com Renaldo, apenas aos 16min o Cruzeiro conseguiu preocupar a meta do goleiro Flávio. Marcio Nobre lançara Alex que driblaria o goleiro. Porém, na finalização, a bola caprichosamente acertaria a trave. O jogo continuou no toma lá e dá cá com boas chances para as duas equipes, tanto que o goleiro Gomes e o adversário Flávio fizeram importantes e difíceis intervenções. Mas o Paraná não conseguiria segurar aquele time cruzeirense por muito tempo. Aos 37min, Alex bate falta rapidamente, cruza para cabeçada de Márcio Nobre e no rebote do goleiro Flávio, Aristizábal marca o 86° gol do Cruzeiro no Brasileiro e 21° do atacante.


Mesmo com a vantagem mínima, o título parecia próximo e o segundo tempo começou da mesma forma que o primeiro, com pressão do tricolor paranista. Aos 18 minutos Luxemburgo modificara o time, na esperança de reconquistar o domínio da partida e o suplantar o meio-campo adversário, sacou Felipe Melo e Aristizábal, colocando o tetracampeão mundial Zinho e o matador arretado Mota, que havia se transformado no xodó da torcida.


Wendell, como sempre, esteve perfeito, taticamente, e sofreu uma falta na entrada da área, logo aos 22 minutos. O talentoso Alex cobrou, no estilo que se tornou uma marca registrada naquele time mágico de 2003, Wendell antecipou-se a defesa, convertendo, de cabeça, o segundo gol celeste. A festa tomou conta do Pinheirao e

a torcida cruzeirense cantava e comemorava sem parar.


Depois do segundo gol, o domínio passou a ser todo cruzeirense, Maldonado aos 34 minutos mostraria que sua especialidade ia além de somente ser marcador, fez lindo lançamento a Márcio Nobre que na entrada da área matou no peito, invadiu a mesma livrando-se da marcação e marcou de perna esquerda no canto esquerdo do goleiro Flávio, o terceiro gol estrelado. O Paraná, imediatamente após, ainda descontaria com Éverton mas este seria apenas o gol de honra, pois os dois minutos de acréscimos não seriam suficientes para mudança do resultado final.


Com a vitória do Santos sobre o Fluminense, naquela rodada, o Cruzeiro fez a sua parte mas adiou o nocaute para o round seguinte. O elenco, a comissão técnica, a diretoria e, principalmente a torcida, teria que esperar mais um jogo para soltar o grito de ”É Campeão!”. Enquanto encerrava-se a rodada, torcedores cruzeirenses do Brasil inteiro se preparavam, como valorosa Carmita, para o último e derradeiro round. Tinha que ser no próximo. A historia seria merecia o final mais feliz imaginado. Um título destes merecia ser comemorado no Mineirão, a nossa casa, estádio este que somente assistira, desde a sua construção, a títulos de expressão nacionais ou internacionais, protagonizados pelo Cruzeiro. Deve-se considerar, pelos que entendem de futebol, que o único título, meritório de referência, conquistado pelo nosso rival, não fora obtido em domínios mineiros o que, diga-se de passagem, deve ser um sofrimento sem fim.


O ponto decepcionante sófoi percebido e compreendido mais tarde. O cartão amarelo que o árbitro aplicara no craque Alex, o tiraria do confronto decisivo. Contra o Paysandu, o maior jogador da temporada não estaria jogando. Como e o que passa pela cabeça de um jogador quando percebe que, finalmente chegava o momento de comemorar o nocaute com a torcida e não poderia entrar em campo. Mas o papel estava definido e a vitória consolidou a possibilidade de definição matematica na próxima batalha.

Ficha Técnica
Paraná (PR) 1 x 3 Cruzeiro
Campeonato Brasileiro - Pinheirão - Curitiba
Público - 15.996 / Renda - R$187.629,00
Árbitro - Wagner Tardelli (Fifa-RJ)
Auxiliares - Manoel do Couto Ferreira Pires (RJ) e Carlos Henrique Alves Lima (RJ).
Gols: Aristizábal, 37min do
1º tempo, Wendel aos 22min, Márcio Nobre aos 38min e Éverton aos 39min do 2º tempo.

Cruzeiro : Gomes; Maurinho, Cris, Edu Dracena e Leandro; Maldonado, Felipe Melo (Zinho) Wendell (Sandro) e Alex; Aristizábal (Mota) e Márcio Nobre. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Paraná (PR) : Flávio; Valentim, Cristiano Ávalos e Ageu; Fabinho (Rodrigo Silva), Fernando Miguel, Pierre (Éverton), Marquinhos e Fernandinho; Caio e Renaldo. Técnico: Saulo de Freitas.

Cartões Amarelos - Ageu, Caio e Éverton (Paraná); Alex (Cruzeiro).

Dedicatória.

Uma página esperada, segundo capítulo de uma espera que se iniciou no confronto anterior, expectativa de ser campeão brasileiro, é dedicada ao atacante Márcio Nobre, de rápida passagem pelo Cruzeiro mas que viveu intensamente aquele momento e teve atuações decisivas para que o caminho fosse trilhado como estava escrito nas estrelas. Vitórias e bons resultados que culminariam na conquista máxima daquele ano.

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23 08 07
Nós pés de Palhinha & Cia - Um baile no Independência

Cruzeiro 4 x 0 Corínthians (SP)

24/04/96

Na Copa do Brasil de 1996, o Cruzeiro teria mais uma oportunidade de colocar em prática a sua verdadeira fama de vingador, afinal, o Corínthians, era a equipe que cinco anos antes tirara o time mineiro da Copa do Brasil e, mais uma vez, os dois rivais interestaduais voltavam a se encontrar. O motivo era a primeira partida das duas previstas para o mata-mata.

Todos já esperavam que a apaixonada torcida celeste lotaria o pequeno estádio do Horto tentando empurrar o seu time a classificação. O Cruzeiro vinha formando um time forte e raçudo com jogadores experientes e que agora buscavam glórias pelo time azul, era uma mudança de planos, afinal o presidente Zezé Perrela trocara, à época, dois jovens talentos e promessas, o volante Belletti e o lateral Serginho, por 5 jogadores experientes do São Paulo, sendo que o principal deles, sem dúvida nenhuma, era um mineiro que tinha o nome de um eterno ex-ídolo cruzeirense. Palhinha, o Jorge Ferreira da Silva, escreveria, pela segunda vez, este apelido no coração da torcida celeste.


Levir Culpi escalara dois volantes juntos como titulares. Esta foi uma das primeiras oportunidades que o carioca Fabinho e o prata da casa Ricardinho jogariam juntos tendo a obrigação de ganhar o domínio sobre o meio campo paulista.
Poucos imaginavam que os dois volantes ainda fariam muita historia no Cruzeiro, sempre jogando com muita raça e amor à camisa estrelada, deixando bem acostumada a torcida que, sempre viu volantes honrando a posição que já fora de Piazza e Zé Carlos.

Do lado rival, no banco de reservas, estava outra figura histórica para o time celeste. O técnico do time paulista era o ex-jogador, cruzeirense, Eduardo Amorim que, coincidentemente, chegava a seu jogo de numero 100 no comando do alvinegro paulistano, justo contra o time que o projetara como atleta para o futebol nacional.

O jogo começara com o Cruzeiro apresentando um futebol vistoso e envolvente, com toques rápidos e o adversário sendo envolvido.
Aos 20 minutos, Uéslei roubou uma bola e tocou rápido para Roberto Gaúcho, o ponteiro cruzou certeiro para Palhinha que dominou mas o chute saiu perigosamente raspando a trave de Maurício.

O Corínthians ameaçou dar o troco, aos 32 minutos, ainda na etapa inicial, Marcelinho "Paulista" mandou uma bomba; Willian Andem defendeu parcialmente e Marcelinho "Carioca" chutou logo de bate-pronto. Mais uma vez, o arqueiro camaronês estava lá para fazer a defesa.

Ainda no final do primeiro tempo, Marcelo Ramos perdera ótima
chance ao chutar um contra ataque nas mãos de Mauricio. E foi então que, no lance seguinte, a partida começou a ser decidida, Palhinha tomou a bola de Marcelinho "Paulista" e levou um ponta-pé. O árbitro deu o segundo cartão amarelo e expulsou o jogador corinthiano antes do intervalo. Se o time mineiro já tinha sido melhor no primeiro tempo com igualdade de jogadores o que esperar de um tempo inteiro, com um jogador a mais?


A torcida cruzeirense se animara,cantou o intervalo inteiro e animou-se mais ainda no início do segundo tempo. Mas logo no inicio, Uéslei, que já tinha o cartão amarelo, colocou a mão na bola e foi expulso, igualando o jogo, pelo menos em numero de jogadores.


Os deuses do futebol parecem, quase sempre, serem justos.Aos 17 minutos da etapa final, o ataque celeste perdeu duas chances seguidas, mas na terceira, a bola sobrou para Nonato chutar com raiva, mesmo prensado por Henrique, abrindo o placar para o time que se apresentava melhor até aquele momento.


A vantagem, embora mínima, deu tranqüilidade suficiente ao time para mostrar seu verdadeiro jogo. Ninguém esperava resultado diferente mas ainda estava porvir o melhor. O Cruzeiro continuou em cima buscando o segundo gol. Foi então que aos 27 minutos Nonato cobrou escanteio pelo lado esquerdo, a defesa adversárias falhou, Marcelo Ramos tocou de cabeça e a bola, caprichosamente, bateu na trave. Na volta, sobrou para o zagueiro Célio Lúcio que chutou forte e marcou o segundo gol cruzeirense. Trinta minutos e o placar construído por dois defensores. O ataque não ajudava, perdia várias chances e mais uma vez um defensor foi lá e resolveu, como elemento surpresa e salvador.


O Corínthians, depois do segundo gol, se perdeu por completo em campo e o Cruzeiro pressionou até fazer o terceiro. Já no final da partida, aos 43 minutos Cleisson, que acabara de entrar, como substituto de Marcelo Ramos, subiu mais alto que a defesa adversária escorando um tiro de canto cobrado por Ricardinho. A bola passou entre o goleiro e a trave e balançou, pela terceira vez, as redes  paulistanas.  A torcida  foi ao delirio pois o resultado parecia irreversível.


Enquanto a torcida corinthiana deixava o estádio, o Cruzeiro partia para cima, com a torcida e o time acreditando que ainda havia tempo para mais um gol e o fechamento do confronto com uma goleada histórica e grande vantagem para o jogo de volta. Nonato dominou a bola em seu campo, levantou a cabeça e fez o passe para Palhinha, que entrava livre pela meia direita. O craque dominou, caminhou para o gol e na saída do goleiro Maurício, tocou no canto direito, encerrando a goleada histórica com um gol do maestro do time.


Poucas vezes o Corínthians tinha sido dominado de tal forma em uma partida, contrariando toda a sua história de time valente e brigador. Mostrando um futebol envolvente o Cruzeiro abriu uma goleada para ser lembrada por gerações. Aquele meio de campo com Palhinha, Ricardinho, Fabinho e Cleisson faria história naquela competição e no Cruzeiro e muitas histórias começaram a ser escrita naquela noite fria, de muita vibração da torcida e de uma goleada no Independência para ficar na memória do torcedor cruzeirense e do amante de futebol de Minas Gerais como uma Página Heróica, Imortal e de vingança para o futebol mineiro.


Ficha Técnica
Cruzeiro 4 x 0 Corínthians (SP)
Copa do Brasil - Independência - BH
Público - 13.698 / Renda - R$132.327.000
Árbitro - Dacildo Mourão (CE)

Gols: Nonato 17', Célio Lúcio 27', Cleisson 43' e Palhinha 45' do segundo tempo

Cruzeiro : Willian Andem, Vítor (Marcos Teixeira), Jean, Célio Lúcio e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Uéslei e Palhinha; Marcelo Ramos (Cleisson), Roberto Gaúcho (Luis Fernando). Técnico: Levir Culpi.

Corínthians (SP) : Maurício; Carlos Roberto (Marquinhos), André Santos, Henrique e Silvinho; Bernardo, Marcelinho Paulista, Souza e Marcelinho Carioca (Tupãzinho); Edmundo e Leonardo (Júlio César). Técnico Eduardo Amorim.

Cartões Vermelhos: Marcelinho Paulista e Bernardo (COR), Uéslei (Cruzeiro).

Dedicatória.
Esta página heróica é um pedido de desculpas aos leitores e adquirentes do Livro "Jogos Imortais", constituindo-se numa errata das divergências publicadas no livro, relativas a esta partida.

Uma página heróica, dedicada ao capitão Raimundo Nonato, que defendeu, brilhantemente, e honrou a galeria dos imortais da camisa 6 do Cruzeiro e que, naquela partida, inaugurou o placar num campo apertado e que foi literalmente invadido pela torcida do Cruzeiro, tornando aquele confronto mais um jogo imortal.

P.S. Pedimos desculpas aos leitores que visualizaram este POST antes da liberação da edição final do mesmo.

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17 08 07
Freguêses e iludidos desde 1921

Cruzeiro 3 x 0 Atlético-MG

17/04/21

O dia 17 de abril de 1921, alguns meses após a fundação oficial, ficará, para sempre, marcado na história do futebol mineiro. Afinal, foi neste dia que, Cruzeiro e Atlético-MG realizaram o primeiro clássico citadino. Foi a primeira partida, de caráter amistoso, entre a recém surgida equipe palestrina e o time que já tinha quase duas décadas de existência.


Naquela época, O Cruzeiro tinha sido fundado com outro nome, era o Societá Sportiva Palestra Itália, formado em Belo Horizonte, basicamente integrado por atletas italianos ou da colônia italiana, que na época impossibilitados de atuar por outros clubes como América e Athlético, fundaram sua própria agremiação.


Mal suspeitavam os adversários que, aquele clube se tornaria um dos maiores times de futebol do mundo, ao contrário do imaginário deles que esperavam uma surra sobre o time recém fundado para "...colocar os italianos no devido lugar...". A transformação da Societá Sportiva Palestra Itália em Cruzeiro Esporte Clube deu-se por motivações absurdas como a intolerância e, talvez, isto tenha reforçado a tenacidade e luta dos oriundi mantidas até os dias de hoje. Para sempre seríamos o Cruzeiro, carregando o mesmo uniforme azul da Seleção Italiana, com as cinco estrelas do Cruzeiro do Sul e do brasão de República Federativa do Brasil no peito, coisa que raros times de futebol no mundo podem se orgulhar de ter.


Naquela época, nosso rival também tinha outro nome, era chamado de Athlético Mineiro e já era um clube grande da cidade, o seu passado e a história de seu uniforme são nebulosas, nunca se soube porque, sendo originados de um time que existia com o nome de Higiênicos, nunca reconheceram esta origem preferindo criarem histórias fantasiosas sobre o nome e o uniforme, dando a impressão que mudanças não era coisa que eles tinham feito.
Com sua sede em Lourdes o Athletico (ex-Higiênicos) era o clube dos ricos e abastados da cidade, fundado em 1908 e que, anos depois, mudaria, novamente, seu nome por estética. Para sempre isto diferenciaria os dois clubes, enquanto o Cruzeiro era obrigado a mudar de nome por questões persecutórias, nosso rival o fez por estética, para parecer mais bonito aos da época.


O primeiro clássico foi marcado pelo favoritismo do rival, afinal era o clube mais velho, com mais dinheiro, e com títulos, os quais o Cruzeiro não possuía. O Cruzeiro, à época Palestra, como sempre faria a partir daquele momento histórico, foi para o jogo disposto a superar adversidades, afinal vencer nunca foi nosso ideal sempre foi nossa meta, nossa obrigação, nosso destino.


Iniciada a partida, o Cruzeiro mostrou que o ataque e o futebol bem jogado seria a tônica da partida e daquele time. A marcação era forte, logo aos dois minutos, Attíllio avança em bela jogada e com um lindo chute marca o primeiro gol daquele que seria, dali em diante, o "Clássico das Multidões". Attílio era o nome do guerreiro que fez o primeiro gol no confronto direto com os ex-Higiênicos.


Aproveitando as falhas de Fernando, center-half do adversário, o Cruzeiro dominava inteiramente a partida, Nani, que tinha sido autor, dias antes, do primeiro gol do Cruzeiro, era quem comandava o centro da cancha. Attillio transformava-se na primeira dor-de-cabeça dos "ex-higiênicos", o que viria a ser uma constante para a defesa rival. Antes do final da primeira etapa o próprio Attílio balançaria novamente as redes adversárias, tornando-se também o primeiro atacante a fazer dois gols numa mesma partida no clássico. Os primeiros 45 minutos do clássico terminaram com vantagem cruzeirense de 2 a 0.


Na segunda etapa o baile de futebol apenas se confirmou, os novatos cruzeirenses marcariam mais uma vez agora com Nani (seu terceiro gol em duas partidas depois da fundação), em jogada individual, batendo o arqueiro Walter e dando números finais ao primeiro clássico.


O Cruzeiro começara ali sua gloriosa história, sempre lutando, contra tudo e contra todos. Esta página heróica, cantada à época pelo hino de Buzzacchi e Miraglia: "...fazendo desporto/ não temo em mira/ nem ódio, nem ira/ mas sim prosperar/..."


Atualmente, a torcida entoa vários cânticos como um dos que resgata este espírito heróico e guerreiro dos cruzeirenses do primeiro clássíco. Um deles, conhecido como "Guerreiro dos Gramados", explica, em poucos versos, explica essa paixão. Nela tem destaque e é cantada a plenos pulmões pelos torcedores: “... Zerôôô, sua história é tão bonita/ faz parte da minha vida/ pros meus filhos vou contar...", como excepcionalmente descreveu o Alexandre Pinheiro, vulgo "alemão" da TFC. Orgulhosos de sermos cruzeirenses, desde 1921, Palestrinos sem nenhum arrependimento ou omissão, sabedores da nossa história de conquistas e de glórias, somos o "guerreiro dos gramados", desde aquele 17 de abril de 1921.

Ficha Técnica
Cruzeiro 3 x 0 Atlético (MG)
Amistoso - Prado Mineiro - BH
Público - Não disponível / Renda - Não Disponível
Árbitro - Aleixanor Pereira (BH)

Gols: Attílio 2' e 31' do primeiro tempo e Nani aos 28' do segundo tempo

Cruzeiro: Scarpelli, Polenta e Ciccio; Checchino, Américo e Kalin; Lino, Spartaco, Nani, Henriqueto e Attílio.

Atlético (MG) : Walter, Furtado, Alvim, Fernando, Eduardo, Coutinho, Hernani, Zica, Amaral, Monotti e Márcio..

Dedicatória.
Esta página heróica é dedicada a todos os guerreiros que faziam de cada batalha uma página que, ganhando ou perdendo, se mostraria heróica. Uma dedicação especial ao jogador palestrino, Atílio, que não tinha a mínima noção do que estava iniciando naqueles longínquos anos 20 do século passado. Aquele confronto de caráter amistoso nos daria a dimensão do que é ser cruzeirense e daria a noção aos adversário do que vinha a ser sofrimento constante. A medalha de outro conquistada pelo Cruzeiro (ex-Palestra), contra o Atlético-MG (ex-Higiênicos e ex-Athletico) e ofertada pela Associação Mineira de Cronistas Desportivos (AMCD) ao vencedor do prélio, é virtualmente dedicada a Atílio, o guerreiro do primeiro clássico.

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08 08 07
A conquista da Recopa Sulamericana

Cruzeiro 3 x 0 River Plate-ARG

23/09/99

A falta de datas para a realização da Recopa Sulamericana era uma dor de cabeça para os cartolas brasileiros e argentinos, afinal Cruzeiro e River Plate teriam que se enfrentar para disputar mais uma decisão em 98. A falta de datas e de um patrocinador adiou a disputa para o ano de 1999.

O Cruzeiro como Campeão da Libertadores de 97 e o River Plate como o campeão da Supercopa dos Campeões da Libertadores do mesmo ano, disputariam a terceira edição daquela competição sendo também a terceira oportunidades que estes times se enfrentariam numa decisão de torneio no continente. Nas duas primeiras a Libertadores de 1976 e a Supercopa de 1991 o temido time mineiro tinha levado a melhor. Um detalhe, porém, fazia a diferença: seria a primeira vez que o jogo decisivo (a segunda partida de volta) seria na Argentina no Estádio Monumental de Nuñes, cancha na qual, raramente, um time brasileiro conseguia sair vitorioso.

Outro fato inusitado cercou a disputa. Os jogos que decidiriam o titulo da Recopa seriam os mesmos dos válidos pela 1ª fase da Copa Mercosul, com o consentimento da Confederação Sulamericana de Futebol - Conmebol, assim o resultado das duas partidas valeriam o título da Recopa e a classificação para a fase seguinte a Copa Mercosul.

No Mineirão, O cruzeiro jsaíra em vantagem ao vencer por 2 a 0 com gols de Muller e Geovanni. O jogo de Buenos Aires traria preocupações adicionais aos problemas de todas as partidas na Argentina. Os desfalques que o time celeste teria, por conta das contusões musculares, eram significativos. O volante Donizete seria poupado,e em seu lugar entraria Paulo Isidoro, além desta troca, Valdo e Djair sairiam para entrada de Ricardinho e Marcos Paulo. Com isto, o técnico Levir Culpi acreditava que o time ganhava em marcação e na saída rápida para o ataque, mas perdia na qualidade do passe e na posse de bola. Esta era a razão do técnico celeste preferir a experiência da dupla Djair e Valdo. A previsão era escalar Geovanni ao lado de Alex Alves, no ataque, para surpreender a defesa Argentina na base da velocidade já que, com os dois, os contra-ataques poderiam ser mortais.

Com este time bem mais avançado que o habitual, o Cruzeiro tomou os gramados do Monumental acreditando que poderia conquistar mais aquela taça, a sua sétima internacional. O empate favorecia os mineiros e o técnico do River Plate afirmava confiante: “Quantos gols temos que fazer para ganhar a Recopa? Três? Bom, então faremos três,” afirmou Ramón Diaz. O mesmo Ramón Diaz que já perdera em 1991 como jogador o título da Supercopa para o Cruzeiro, em condições muito semelhantes, o Cruzeiro precisa fazer três e fez. Oito anos depois, o argentino iria , mais uma vez, confirmar a fama de freguês de carteirinha de "la bestia negra".

Já o técnico cruzeirense acreditava que o jogo seria violento; “Vamos com espírito de decisão, pois o adversário é argentino”, avisou. No coletivo anterior ao jogo, aconteceram lances ríspidos e até um desentendimento entre o zagueiro paraguaio Espínola e o atacante Geovanni. “Deixei o pau quebrar, porque o que eles vão encontrar no jogo vai ser muito pior”, preconizava o treinador.

Mas o Cruzeiro tornou o jogo mais simples até do que o mais fanático cruzeirense imaginava. Logo no inicio, aos 18 minutos, Marcos Paulo lançou Geovanni, o atacante entrou livre na área e com um lindo toque encobriu o goleiro Bonano, que saltou chegando a tocar com a mão na bola mas não evitando o gol celeste.

Apenas dois minutos depois, em outra bela jogada, Ricardinho arranca pela direita e lança Geovanni, que chuta de primeira violentamente acertando a trave direita do goleiro Bonano O River Plate, assustado, conseguiu reagir e, aos 25 minutos, Cuevas acertara belo chute que explode no travessão do goleiro André. A partida vinha em ritmo alucinante e aos 36 minutos Alvarez entra na área pela esquerda e toca para o meio da área. Cardetti chuta, o "xerifão" Cris evita o gol e o goleiro André completou rebatendo com o pé, tirando a chance do empate portenho. No lance seguinte o árbitro,adotando claramente uma postura pró-anfitrião, marca sobrepasso discutível do goleiro celeste. Para sorte dos mineiros, Ramos cobra a falta de dentro da área por cima do gol. No contra ataque, em outra bela jogada de Giovanni, Paulo Isidoro acertara mais uma vez a trave argentina e assim o primeiro tempo acabou-se, com um belo futebol apresentado por ambas as equipes.

No segundo tempo, infelizmente, a violência tomaria conta da partida. Após outra bola no travessão, desta vez chutada por Gancedo, este se desentendeu com o zagueiro Cris e o árbitro expulsou os dois. A bravura e raça do defensor cruzeirense não o deixava ninguém intimidá-lo e o jovem zagueiro celeste que já mostrava certa personalidade.

Logo após, aos 7 minutos, Trotta fez falta dura em Paulo Isidoro e também foi para o chuveiro mais cedo, agora jogando com 10 contra 9 a força da camisa celeste iria parecia prevalecer. O Cruzeiro perdera várias chances de ampliar o placar, o gol estava maduro no jargão dos boleiros, mas teimava em não acontecer. Coube ao goleador, Marcelo Ramos, que tinha acabado de entrar , balançar mais uma vez as redes adversárias, aos 38 minutos. O lateral/ala André Luiz cruza para a área e Paulo Isidoro é agarrado quando estava pronto para finalizar ao gol. O árbitro marca o pênalti, que o "Flecha Azul" cobra com muita qualidade marcando o segundo gol celeste.

A partir daí foi só festa com o cruzeiro já com a taça garantida procurando aumentar o placar, e aos 47minutos já no final da partida Paulo Isidoro lançara o lateral Gustavo que entrara livre para marcar o terceiro gol celeste e dar números finais ao placar.

Ao final da partida os jogadores permaneceram no gramado por três minutos à espera do troféu. Perceberam que não havia nenhum representante da Conmebol para entregar a taça. Foram avisados que a receberiam a bela taça no vestiário, sem nenhuma explicação lógica ou racional. O capitão Marcelo Djian, que saiu da partida com um corte no joelho direito, recebeu a taça das mãos do paraguaio Figueiredo Britez, secretário geral da Conmebol, e desabafou: “Isso é coisa de argentinos que não sabem perder”.

Mas até que era compreensível. O Cruzeiro tornava-se o primeiro time brasileiro e bater o River Plate no Monumental e o Boca na "Bombonera" e isto numa mesma década. Alem disto, era a terceira decisão continental em que os mineiros saiam vitoriosos sobre o escrete milionário riverplatense. Mais uma vez o Cruzeiro levava o nome de Minas Gerais mais alto para fora das fronteiras brasileiras, mais uma vez o Cruzeiro provava aos maiores clubes sulamericano a dificuldade que era enfrentar o "Gigante das Alterosas".

Enquanto isso, um pequeno grupo de torcedores, que não puderam estar em Buenos Aires, se preparavam para encontrar com o time que jogaria dias depois em Campinas, contra a Ponte Preta. A viagem foi árdua e outra batalha estaria sendo travada. Mas o prazer de tirar fotos com o troféu da Recopa, antes mesmo da chegada dele a Beagá foi garantido por aquele grupo de torcedores. Mas isso é parte de outra página imortal.


Ficha Técnica
Cruzeiro 3 x 0 River Plate (ARG)
Recopa S1998 / Mercosul (1a. Fase) - Monumental de Nuñes - Buenos Aires
Público - Não Disponível / Renda - US$41.217
Árbitro - Ubaldo Aquino (PAR)

Gols: Geovanni 18', Marcelo (P) 37' do 2o. tempo e Gustavo aos 45'

Cruzeiro: André; Gustavo, Cris, Marcelo Djian e André Luíz; Marcos Paulo, Donizete Amorim (Djair), Ricardinho e Paulo Isidoro; Geovanni (Marcelo Ramos) e Alex Alves (Espínola). Técnico: Levir Culpi.
River Plate (ARG) : .Bonano; Lombardi, Trotta, Ramos e Acosta; Escudero (Gómez), Pereyra (Garce), Gancedo e Álvarez (Castillo); Cuevas e Cardetti. Técnico: Ramón Diaz.

Cartões Vermelhos: Cris (CRU), Gancedo e Trotta (RIV)

Dedicatória.
Muitos torcedores do Cruzeiro cometem equívocos imortais. Estas páginas tentam mostrar que não importa se estes "alguns" torcedores estejam certos ou errados. Estas páginas mostram o que aconteceu, como cada torcedor se comporta e como deveria sempre se lembrar de páginas como esta. Este Jogo Imortal é dedicado ao jogador Geovanni, jovem à época, e que foi decisivo em ambas as partidas que deram o título ao Cruzeiro, ao contrário dos que falam que foi jogador de uma decisão somente. Nossa homenagem a este jogador de caráter e que será sempre ídolo dos cruzeirenses que sabem reconhecer os serviços presstados. Que sirva também para que os novos jogadores celestes saibam que é possível e factível defender as cores celestes com cinco estrelas e sem bem sucedido no futebol mineiro, brasileiro e mundial.

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