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29 04 08
Calando a Bombonera

Cruzeiro 2 x 1Boca Jrs    6/4/94

Calando a Bombonera

 

            Durante a campanha da Copa Libertadores de 1994, o Cruzeiro teria que enfrentar a torcida mais temida do hemisfério Sul. O duelo seria contra o Boca Junior, no estádio de La Bombonera! Vários times brasileiros, durante anos, haviam sofrido derrotas vexatórias nesse templo do futebol mundial, um estádio em que as arquibancadas são praticamente na horizontal, dando a impressão aos atletas de que a torcida adversária está literalmente em cima deles, fazendo pressão durante o jogo todo. O estádio é chamado pelos argentinos de La Bombonera por se assemelhar a uma caixa de bombons, sendo que o campo de jogo é separado das arquibancadas por uma grade em que os torcedores boquenses sobem para comemorar os gols do seu time, o que gera a impressão de que vão invadir o campo e, literalmente, linchar os adversários.

            O time do Cruzeiro, no começo da década de 90, vinha participando de vários torneios internacionais e estava acostumado à pressão adversária nos estádios sul-americanos. Além disso, tinha no seu ataque o menino Ronaldinho, que, com apenas 16 anos, já encantava a todos com seus gols. Mais tarde, depois de conquistar o mundo, ele ficaria conhecido como Ronaldo Fenômeno. Esse time do Cruzeiro não seria vencido no grito, e nem intimidado por ameaças fora do campo; afinal, era, como os sul-americanos apelidaram, um time copeiro.

            Na entrada do estádio, a torcida do Boca cantava sem parar nem para pegar fôlego. Era um espetáculo à parte ver que cada passo da história do clube e que cada jogador tinha sua própria música, entoada a plenos pulmões pelos fanáticos torcedores. A vaia com que o time mineiro foi recebido era ensurdecedora, mas os jogadores não se abalaram. Quando o árbitro apitou o início do jogo, os argentinos partiram para cima, empurrados pela sua torcida. Foram 20 minutos iniciais de pressão total, mas, para azar dos argentinos, eles havia no gol cruzeirense um deus de ébano, chamado Dida, que defendia até pensamento.

            A defesa cruzeirense falhava muito, mostrando-se nervosa no início. Carranza não aproveitou a falha de Ademir e chutou para fora; mais alguns minutos e Martinez chutou para cima outra boa chance. Os argentinos não deixavam o Cruzeiro respirar e o gol parecia questão de tempo. Em um cruzamento, Mancuso ficou cara a cara com Dida, que milagrosamente defendeu um chute a queima-roupa. Logo depois o arqueiro cruzeirense fez outra bela defesa em chute de Da Silva pela esquerda! O Boca não dava espaços e, em uma bobeira, o lateral Paulo Roberto facilitou para o ataque, Martinez aproveitou bem e bateu. Dida mais uma vez evitou o gol, defendendo com o pé direito, e no rebote Carranza tocou por cima do gol! Os cantos da torcida do Boca só aumentavam, com vários torcedores pulando sem parar enquanto cantavam.

            Finalmente o Cruzeiro conseguiu sair para o ataque, aliviando para a defesa. Macalé avançou bem pela lateral e cruzou para Ronaldo, que perdeu o gol; no lance, Macalé sentiu uma contusão muscular e pediu a substituição. Em um contra-ataque, Ronaldo arrancou driblando vários adversários, e quando ia marcar, foi claramente derrubado dentro da área, em um pênalti evidente, que só o árbitro da partida não viu. O Cruzeiro se animou com o lance e começou a tomar as rédeas da partida, e até o final do primeiro tempo o Boca não levou mais perigo ao gol de Dida.

            Na volta para a segunda etapa, a torcida da Argentina começou a demonstrar preocupação, já que o gol não saía e o Boca precisava da vitória de todo jeito, mas Dida, mais uma vez, estava em noite inspirada. O Cruzeiro voltou atacando mais e levando perigo com as arrancadas do menino Ronaldo, que a cada vez que recebia a bola levava terror aos zagueiros argentinos, que precisavam apelar para a violência, na inútil tentativa de detê-lo. Em um desses lances, aos 14 minutos do segundo tempo, Ronaldo foi derrubado perto da área; Paulo Roberto ajeitou a bola e bateu na gaveta de Navarro Montoya, que saltou inutilmente. Gol do Cruzeiro calando os cantos do estádio!

            A torcida ainda tentou apoiar e, logo na saída de bola, o Boca quase empatou, mas Dida estava lá, mais uma vez. Desesperados, os jogadores argentinos partiram com tudo para o ataque, deixando a defesa desguarnecida para os contra-ataques. Num destes, o Cruzeiro ampliou, Luiz Fernando recebeu na entrada da área, fez o passe para Roberto Gaúcho penetrar e tocar no canto esquerdo de Navarro Montoya! Aos 28 minutos, o Cruzeiro vencia por 2 a 0, e agora, ao contrário do inÍcio da partida, o silêncio na Bombonera era impressionante.

            A vitória era certa e o Boca ameaçava apenas com cruzamentos na área, que eram bem cortados pelos zagueiros. Apenas no final do jogo, aos 45 minutos, o Boca fez o seu gol de honra. Martinez avançou pela direita e cruzou na área, o grandalhão Acosta subiu com Luizinho e testou para o fundo das redes.

            O Boca ainda tentou empatar, mas não havia mais tempo. O Cruzeiro tinha calado a Bombonera com uma vitória magistral, inscrevendo este jogo para sempre na gloriosa história do clube.

             Escalação:

Cruzeiro: Dida, Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho, Nonato, Douglas, Ademir, Macalé, Cleison, Luiz Fernando, Ronaldo, Roberto Gaúcho

 

Boca Jr.: Navarro Montoya, Sonora, Noriega, Giustini, Mac Allister, Peralta, Mancuso, Marcico, Carranza, Acosta, Martinez, Da Silva (Tapia)

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28 04 08
Resenha do Mixa - Cruzeiro5x0Atletico
Minha gente, que jogo!

Mais um para entrar para a história, dessa vez da prateleira de cima, daqueles
para você comentar com os amigos, ou contar para os filhos daqui a alguns
anos...

Há muito não se via um time do Cruzeiro tão comprometido com a disputa, como
esse grupo formado pelo Adílson Batista.

Como já havíamos comentado em resenhas passadas, a despeito de alguns desastres
passados que tiveram motivações específicas, a cara do time na temporada
é a fibra e comprometimento passada pelo treinador.

Claro que só isso não se ganha jogo, mas sem isso, da mesma forma, também
não se conquista nada, mesmo com os melhores craques.

O Cruzeiro foi impecável do goleiro ao último atacante. Aliás, gato escaldado
tem medo de água fria, e que partidaça do Fábio, dando segurança a todo o
time ao longo do jogo. Fez uma defesa importantíssima quando o jogo estava
equilibrado, próximo dos cinco, dez minutos, e depois fez outras boas intervenções
garantindo a solidez da defesa que contava com partida excelente do bom zagueiro
Espinosa, e também de Tiago Heleno.

Marquinhos Paraná, que embora tenha jogado com a camisa 2, não era lateral
direito, mas sim um volante que cobria o lado esquerdo e liberava o Jadílson
para criar as jogadas (lembram que eu alertei isso aqui na última resenha?)
foi um leão em campo, e só não foi o melhor em campo, porque Wagner fez uma
partida para reverenciá-lo!

Todo o time foi bem. A grata surpresa foi a volta do bom futebol de Charles,
e o comprometimento de Wagner que conseguiu unir produtividade de sua inegável
habilidade, com entrega ao jogo.

Marcelo Moreno foi bem, e Guilherme, pra variar, deixa sua marca com o contumaz
brilho. Tudo bem, que ele perdeu o quarto gol ainda no primeiro tempo chutando
sobre o goleiro Juninho que saiu bem em cima dele, mas o cara é fantástico...
além de fazer um gol com extrema categoria, de encher os olhos, construiu
a jogada do quinto, trombando com o marcador em seu próprio campo para ganhar
a posse da bola, arrancar em velocidade, atrair a marcação para si, e jogar
a bola na medida para o avanço de Leandro Domingues... a jogada é de cair
o queixo!

Não há muito o que falar de um jogo, onde o time enche os olhos. O time construiu
uma marca jamais produzida na era Mineirão em clássicos entre os dois rivais:
5x0 fruto de muita luta e determinação de todos os jogadores.

O time entrou mordendo, e novamente demonstrando que sabia o que queria:
ganhar o campeonato em um jogo para seguir a viagem para a Argentina com
o torneio estadual garantido. Resultado concretizado e com maestria.

Melhor em campo indiscutivelmente, Wagner por todo o brilho, visão e entrega.
Colocou seus companheiros em todas as situações de gol do ataque por todas
as vezes que tocou na bola, e ainda atraía a marcação para si sem se intimidar.
Nota 10 para o camisa 10. Não teve pior em campo do lado azul, ninguém conseguiu
se destacar negativamente. Henrique foi bem, e Jadílson deu muita velocidade
e qualidade pelo lado esquerdo com a tranqüilidade das conteções do Atlético
com a partida perfeita de Marquinhos Paraná, que só não foi o melhor em campo
porque Wagner estava inspirado, e era o responsável pela criação das jogadas,
que em um jogo de 5x0 sempre fala mais alto.

BRAVO!

Que o time siga para a Argentina com o mesmo espírito de competitividade
que mostrou hoje, e que não repita o erro da altitude, quando o Cruzeiro
preocupou mais com o fenômeno do que com seu próprio futebol.

Daí, como sempre faço ao final de cada resenha, vai a minha sugestão: Cruzeiro,
não se preocupe com o fenômeno Bombonera, preocupe-se em jogar futebol, que
a vitória virá.

O time do Boca é bom, o estádio é místico, mas o Cruzeiro tem futebol de
qualidade para superar isso. E eu vou estar lá, em companhia da TFC e da
Máfia Azul que também se farão presente em grande número, para ver mais uma
página heróica imortal a se escrever no cenário internacional.

Força Cruzeiro!!!

 
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23 04 08
A volta do carrasco Niginho

Palestra 4 x 0 Atlético-MG

05/02/1939

Em se tratando de clássicos sempre a palavra "carrasco" é utilizada para o atacante que costuma marcar gols sobre o rival. Não precisa, na maioria dos casos que sejam mais de um gol por partida. Existem "carrascos" que fizeram não mais do que meia dúzia de gols em jogos diferentes e eram temidos. Bastava entrarem em campo que os rivais locais tremiam. Atualmente, basta apenas um jogador marcar de maneira duas partidas sejam decididas com gols seus, já se julga no direito de usar esta denominação. Porém, em toda a historia do maior clássico de Minas Gerais, ninguém foi mais carrasco que o imortal Niginho. Carrasco de verdade. Daqueles que fazem muitos gols numa partida e só de entrarem em campo provocava calafrios nos adversários.


Nosso herói, de família de futebolistas, surgiu nas divisões de base do Palestra em 1926 mas só  foi jogar sua primeira partida no time principal em 1929. Com a venda de Ninão e Nininho para a italiana Lazio, coube a Niginho assumir a posição de ídolo palestrino. Posto este que, provavelmente, ele nunca imaginara carregaria para toda eternidade, seria para sempre o carrasco que em sua primeira passagem pelo Palestra marcara 6 vezes em 11 classicos.


Transferiu-se para a Lazio em 1932 retornando ao futebol brasileiro em 1935, fugindo de uma convocação pelo exercito Italiano para lutar na guerra da Absinia. Na sua volta continuou sua saga de carrasco marcando mais dois gols contra o rival em onze confrontos até ser vendido ao cruzmaltino carioca e se consagrar também no Rio de Janeiro até merecer a convocação para uma Copa do Mundo onde seria o suplente do cracaço Leônidas da Silva.


Em 1939, nosso craque passava férias em sua Belo Horizonte quando fora convocado, seu amado Palestra precisava mais uma vez dele. Seu time de coração sofria um tabu de dez jogos sem bater o rival, num período de poucos confrontos isso significa quase dois anos sem triunfos. Era necesário, então, sua categoria, sua qualidade e sua fama para colocar as coisas em seu devido lugar. Foi atendendo a esta convocação que Niginho mais uma vez vestira a camiseta esmeralda e rubra.


Para o desespero do famoso e folclórico goleiro Kafunga, já no primeiro tempo da partida, as arrancadas de Niginho praticamente decidiram o resultado. Foram dois gols extremamente parecidos, com o "tanque palestrino" deixando deitados vários adversários. Niginho balançaria duas vezes as redes adversárias.


Na segunda etapa, o massacre continuaria com mais dois gols, um de Zezé e outro do artilheiro-matador, agora num cabeceio indefensável, mostrando as várias qualidades do atacante.


Depois da goleada a diretoria palestrina percebeu o quanto Niginho era importante para aquele jovem clube. Sócios e torcedores fizeram um esforço tremendo tirando dinheiro do próprio bolso trazendo o carrasco de volta ao clube que ele nunca deveria ter deixado.


Com Niginho o palestra foi campeão de 1940,1943,1944, e 1945, além dos títulos o atacante foi o maior artilheiro da historia de confrontos contra o rival com 25 gols.

Ficha Técnica
Palestra 4 x 0 Atlético-MG
Competição - Amistoso
Estádio Berro Preto
- Belo Horizonte - MG
Público - Não disponível / Renda - Não disponível
Árbitro - Tristão Braga

Gols: Niginho (2) e Zezé no 1º tempo; Niginho no 2º tempo

Cruzeiro : Geraldo, Caieira, Canário, Souza, Juca, Caieirinha, Lodô, Carlos Alberto, Niginho, Geninho e Zezé. Técnico: Matturio Fabbi.

Atlético (MG) : Kafunga, Linthom, Quim, Cafifa, Alcindo, Alberto, Hélio (Elair), Selado, (Paulista), Itália, Nicola e Rezende. Técnico: Evandro Becker.

Dedicatória.

Que o "tanque" Niginho era o terror dos adversários do Palestra não há dúvida. Que o grande atacante poderia ter melhor sorte na Copa do Mundo de 38 era voz corrente. No seu retorno ao futebol mineiro, depois de voltar ao Brasil e jogar no futebol carioca, o atacante da família Fantoni não perdeu o costume, cuidou logo de mandar três balaços nas metas do famoso Kafunga e mostrar que o maior carrasco da história dos clássicos estava de volta, e em grande estilo iniciando a lenda dos artilheiros que fazem três gols nos rivais e tornam-se ídolos imortais.

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21 04 08
Resenha do Mixa - Cruzeiro x Ituiutaba
EFEITOS DA ATITUDE

O Cruzeiro conseguiu a vaga para a final hoje com uma virada pra cima do
Ituiutaba.

E sentiu, o que já havia sido dito na resenha da quarta, os efeitos da ?atitude?,
ou melhor, a falta dela no vexame da Bolívia.

Disse naquela ocasião: ?Quem temeria um adversário que é bizonhamente goleado
por um time de  quinta categoria como esse Real Potosi??.

E foi essa a estória do início do jogo de hoje. O Ituiutaba, que tem um time
organizado, e com destaques na marcação, se arriscou a partir para o jogo,
ignorando o respeito ao Cruzeiro.

Talvez pela necessidade única da vitória, talvez pelo moral do adversário
perdido em uma semana, ou talvez até um pouco das duas coisas juntas.

O fato é que iniciou o jogo pra cima, criou várias chances, e fez o seu gol
logo aos 22 minutos num lance estranho em que o jogador Moreno da equipe
do Pontal tentara chutar a gol e acabou cruzando a bola sob o goleiro Fábio
que ficou observando ela encobri-lo, torcendo para que não entrasse, e vendo
ela acertar o seu ângulo esquerdo sem qualquer reflexo ou esboço de tentativa
de defesa. Não entendi.

Gol no pior momento possível para o time da casa que vinha com a qualidade
questionada e cobrada pela própria torcida aos gritos de raça antes mesmo
da partida ser iniciada, e ver parte de sua maior torcida vaiá-lo nessa ocasião...

O adversário seguiu pressionando, tentando aumentar a vantagem, e não fosse
boa intervenção do goleiro Fábio, teria feito 2x0 logo em seguida. O Cruzeiro
seguia perdido, tentando empatar aos trancos e barrancos, demonstrando extrema
desorganizando na armação das jogadas e desequilíbrio emocional para seqüência
delas.

Ao fim do primeiro tempo, o time reclamou de uma não marcação de penalidade,
após investida de Charles na meia esquerda e chutar a bola em cima do braço
do zagueiro do Ituiutaba. Não havia razão para reclames, já que além de ter
sido bola na mão, e não um toque intencional que motivasse a marcação da
falta, lado outro o próprio Charles derrubara com a mão o primeiro marcador,
o que também deveria ter sido assinalado como falta de ataque.

Enfim, veio o segundo tempo, e após o pedido do treinador no vestiário de
organização de seu time, o Cruzeiro seguiu o início do segundo tempo ainda
intranqüilo, e somente aos poucos é que foi encontrando seu jogo.

Seguia pressionando com força e sem muita qualidade, e já aos cinco minutos,
aí sim, teria uma penalidade clara não marcada pelo árbitro em falta dentro
da área nítida sobre Ramirez. O árbitro não viu porque estava muito longe
do lance, e o bandeira que acompanhava exatamente aquela faixa do campo se
omitira.

Mas a justiça viria aos 12 minutos com gol do zagueiro Espinoza escorando
cruzamento rasteiro de Marcinho. Daí em diante, a tranqüilidade voltou ao
time que continuou pressionando, e com a vantagem do placar que lhe garantia
a classificação, começou a produzir futebol mais efetivo com apoio maciço
da torcida em todo o estádio.

As coisas foram facilitadas com expulsão infantil do lateral direito do Ituiutaba,
e à partir daí só deu Cruzeiro. O gol da virada veio de Leandro Domingues,
que 2 minuto após substituir Marcinho aos 24, acertou um belíssimo chute
encobrindo o goleiro. Belo gol e Cruzeiro na frente no placar.

Depois de mais alguns bons lances de ataque, e com o Ituiutaba abatido física
e emocionalmente, o Cruzeiro chega ao terceiro gol em mais um belo gol, agora
do garoto Guilherme escorando de voleio um cruzamento de Marcelo Moreno.
Ainda teria mais algumas boas chances como a bola na trave aos 40 e quase
gol de Marcelo Moreno.

O Cruzeiro recuperou a auto-estima, se reencontrou com a vitória, e apagou
um pouco a má impressão de uma semana cheia de fantasmas e de questionamentos
a tudo que foi produzido no ano apagado com as duas últimas partidas do período.

O melhor em campo, mais uma vez, pela eterna luta, a meu ver, foi Marcelo
Moreno, que joga 90 minutos, e mesmo sem muito brilho, participa de praticamente
todos os lances do jogo. O pior, difícil individualizar, mas a defesa não
foi bem, mostrando muita insegurança em várias jogadas, de forma coletiva.
Foi visível a instabilidade em vários lances, e até o bom zagueiro Espinoza,
que já comprometera no primeiro gol do ?grande? Potosi na quarta, quase apronta
uma lambança em uma saída de bola cruzada na frente da própria área, e roubada
pelo ataque do Ituiutaba, e que por pouco não resultou em gol, já ao fim
do jogo.

Bem, agora é o Atlético. O time tem que tomar algumas cautelas específicas.
O bom lateral Jadílson é eficiente no apoio, mas deixa muitos espaços na
cobertura, local em que joga o ágil Danilinho do adversário, que vive ótimo
momento. Que Adílson use um volante para reforçar o setor, já que Jadílson
foi execrado do São Paulo justamente por falhar na cobertura num jogo decisivo
de Libertadores contra o Inter.

No mais, é a defesa se encontrar, e ter muita, mas muita atenção, como de
resto todo o time. Jogo contra o Atlético é sempre diferente. Vale tudo.
O Cruzeiro passou anos levando desvantagem e alguns gols do Atlético por
desatenção onde eles sempre cobravam faltas rapidamente enquanto nossos jogadores
reclamavam com o Juiz...

No último jogo, enquanto nosso goleiro fitava o próprio gol dando as costas
para o campo, eles novamente repunham a bola em jogo, rapidamente, e desta
feita de forma irregular, mas eficaz, já que o árbitro, declaradamente atleticano,
validou a saída de bola e o gol que viera em seqüência. Não quero aqui ficar
crucificando o goleiro, porque o gol tomado foi em lance de falha coletiva
desde a saída de bola, e já passou. Quero sim, reforçar o entendimento de
alertar para o aprendizado com os erros, que no caso fora a falta de atenção,
que é o que desencandeou o lance.

Atenção é tudo nesse jogo. O time não pode dar bobeira, e tem tudo pra aumentar
a vantagem no domingo com a volta de Wagner, e possivelmente do xará Fabrício.
Ganha em qualidade na armação e na marcação. O time precisa mesmo disso.
Aposto em 2x0 com gols de Guilherme e Moreno.

Olho nos dois domingo, e que a defesa tome um longo capuccino para entendimentos
e eliminação de espaços ao Danilinho e ao Marques que se movimentam muito.
O Cruzeiro vai ser testado, e vai passar!    
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18 04 08
MKT esportivo, qual a sua funçao?

É com muito orgulho que, a partir de hoje, iniciamos nossa coluna no Blog Imortal.

Após o sensacional livro, o blog vem aumentando o número de leitores e conseqüentemente, de sucesso, trilhando os mesmos caminhos do livro.

Nós (Bruno Bechelany e Rafael Pena), a convite do escritor Bruno Vicintin, escreveremos quinzenalmente nossa coluna, abordando o marketing esportivo como tema principal, e, como bons cruzeirenses que somos, queremos sugerir e discutir com os blogueiros, ações adotadas pelo Cruzeiro, sugestões que poderão ser implantadas, iniciativas pioneiras, críticas construtivas, enfim, tudo que reputarmos como válido para contribuir para o crescimento, dentro e fora de campo, do nosso Guerreiro dos Gramados.

Aproveitaremos para levantarmos ações de clubes nacionais e internacionais que repercutiram positivamente e prosperaram no cenário esportivo, donde, através da discussão interativa com os leitores e a partir do tema sugerido tentaremos contribuir nas ações do marketing do nosso clube.

Noutro passo, vale a pena ressaltar que não somos profissionais da área de marketing: Bruno Bechelany tem como origem a área de eventos e Rafael Pena atua como advogado. Muito embora não detenhamos origem na área de marketing, estamos há anos acompanhando o futebol nacional e internacional, donde procuraremos basear nossos argumentos em livros da área e conhecimento vivido por estes anos.

Para que possamos iniciar nosso trabalho, queremos introduzir, superficialmente, o que é Marketing e conseqüentemente o conceito de Marketing Esportivo. É importante destacar esta atuação do Marketing, para que nas próximas colunas vocês, blogueiros, possam emitir opiniões sensatas e pertinentes.

Pesquisando as diversas fontes de consulta (doutrina, sites, livros, periódicos) chegamos ao entendimento de que o marketing esportivo revela-se como importante instrumento de interação entre a marca – no caso o clube, a instituição esportiva – e o consumidor, que no caso seria o torcedor. No caso, o elo de ligação entre ambos reside justamente no quesito subjetivo, afeto à emoção, paixão gerado pela prática desportiva.

Por deter, entre os pólos torcedor-clube, como elo de ligação o fator subjetivo, a questão central do setor de marketing esportivo é justamente traduzir em números a forma pela qual a emoção se revela, friamente, fora das quatro linhas, seja no aumento da arrecadação de vendas de ingressos, na venda de produtos licenciados, na venda de espaços de divulgação de patrocinadores.

Para cada tipo de público-alvo, a utilização das ferramentas deve ser encarada de forma própria e particular.

Para um clube de futebol do âmbito do Cruzeiro e da dimensão que representa no Estado de Minas Gerais e no Brasil, antes de se proporem quaisquer estratégias de marketing esportivo, necessário se faz estabelecer quais são as prioridades de enfoque que o clube almeja encarar? O que e onde ele pretende crescer? Para que crescer?

Passou-se o tempo em que os clubes dependiam exclusivamente da venda de ingressos. Isso já se superou há tempos até mesmo em face dos altos salários que são pagos aos seus atletas e os conseqüentes altos custos que a máquina administrativa requer. Igualmente, não se pode admitir que os clubes possam depender exclusivamente da venda de jogadores.

Procurar meios alternativos e que possam fazer coro às antigas formas de arrecadação é que devem ser os pontos basilares e pelos quais deveriam originar as ações de marketing do clube.

Nos últimos tempos, o Cruzeiro passou a enveredar esforços nesse sentido, qual seja, na implementação de ações de marketing, tanto com o fito de aumentar a arrecadação de suas divisas, assim como na busca do aumento de sua torcida, muito embora seja provado numericamente e nas pesquisas recentes que somos a maior de Minas. O fato de ser um clube, atualmente, auto-suficiente e com a maior torcida mineira nos faz aceitar os fatos e não procurar outros meios de crescer? Com certeza que não.

Ações bem implantadas pelo marketing vem surtindo bons frutos, como por exemplo o Raposão, que é a alegria da meninada por onde passa, a comodidade e os benefícios do “Cartão 5 Estrelas”, a criação do Bar do Cruzeiro. Todavia, resta saber se estes produtos já alcançaram seu máximo ou se podem ser melhor explorados.

O espaço cedido pelo Bruno Vicintin, para a discussão sobre as ações de marketing através do blog vem justamente para apresentarmos sugestões, críticas, posicionamentos, mas, justamente e especialmente as discussões advindas com os leitores e blogueiros com o intuito de levar ao clube as leituras e visões de nós, que não participamos diretamente da administração e da implantação das diretrizes de marketing do clube, com única intenção: ajudar positivamente nosso Cruzeiro Esporte Clube.

Para as próximas colunas iremos tratar de temas específicos e afetos às ações de marketing aplicáveis ao nosso Cruzeiro Esporte Clube, até porque, após apresentarmos nossas propostas de discussão e o objetivo da mesma, iremos debater sobre o que fazer para crescermos ainda mais e cada que passe levar as cores celestes a lugares nunca dantes conhecidos (ainda que apenas por hipótese).

E para você leitor qual a sua opiniao sobre o MKT do cruzeiro?

Saudações celestes.

Bruno Bechelany e Rafael Pena

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17 04 08
Resenha do Mixa - CruzeiroxReal Potosi
'VEXAME HISTÓRICO

Que Remo, que nada!

Hoje, o Cruzeiro se superou.

Conseguiu mais uma marca elástica, manchando seu currículo de glórias históricas na Libertadores, com uma goleada ridícula na Bolívia.

Informava o narrador da tv que a maior goleada já sofrida pelo time em Libertadores havia sido por 3x0 para o Independiente da Argentina.

E logo veio o comentarista: ? Mas o Independiente é um time de primeira linha, histórico na competição, ao passo que o Potosi não está nem no segundo escalão do futebol da América!?.

E tem razão. O time conseguiu, em uma semana, uma façanha incrível: colocar em xeque todo um ano, que se não era brilhante, era o mais eficiente  do Brasil.

O treinador, depois de assumir publicamente que inventou no sábado, ao  mexer de forma estranha na equipe e permitir a possibilidade de comprometimento do resultado, que se concretizara, voltou a errar, a meu ver.

Sacou o lateral Jadílson, e o Guilherme do time, começando o jogo com  quatro volantes, dois laterais direitos, apenas o Wagner na armação, e o Moreno isolado no ataque.

O time entrou em campo parecendo um pinguço, não tinha a menor noção  do que fazia, ou do que queria em campo. O papo de altitude, já incutira na  cabeça dos jogadores um medo de jogar, que resultou na completa abstinência ao jogo durante os 90 minutos.

Há muito tempo não via algo tão bizarro e patético como o jogo de hoje,  só comparável à derrota para o Remo, em se tratando de adversários inexpressivos, e que ainda assim tinha lá suas motivações de boicote à época...

A invenção do Adílson pode custar muito caro. Deu com os burros n´água  para a melhor campanha da Libertadores, comprometeu a possibilidade de enfrentar adversários mais fracos e jogar o segundo jogo em casa, e de quebra, colocou em questão a qualidade do time para a seqüência da própria Libertadores e também para o jogo decisivo do rural no domingo.

Quem temeria um adversário que é bizonhamente goleado por um time de  quinta categoria como esse Real Potosi?

Não sei como o nosso treinador vai sair dessa, mas é bom que ´invente`  algo positivo desta feita, porque o Cruzeiro vai ser cobrado e exigido em  dobro, à partir da dupla façanha da semana.

O Cruzeiro não conseguiu jogar contra um time que não perde por menos  de 5x0 da turma da pelada da TFC, fora de brincadeira! Todo o time abaixo da crítica.

Pior em campo foram todos os 9 jogadores, excetuando Wagner e Moreno  pela luta, ficando o prêmio da perna de pau do jogo para o goleiro Fábio, pelo conjunto da obra. Não que tenha havido um ´piru` tecnicamente falando mas pelo resultado, o todo apresentado, já que não dá pra explicar 5 gols num jogo sem apontar erros.

Lembro que ele tem uma ótima temporada, até sexta-feira passada, era seguramente um dos melhores jogadores do elenco no ano, mas vai confirmando o temor pertinente de torcedores que não confiam nele pelo histórico que mantém no clube nas fases decisivas, como eu próprio, ao falhar em pelo menos dois gols no jogo, como os eternos chutes de longa distância, inalcançáveis a ele.

Aos que vão questionar e novamente tentar explicar gols sofridos, fica  a observação de que foram 9 gols em dois jogos, e a lembrança de passado não tão longínquo assim no que toca aos gols de chutes de fora da área...

Esquecendo o Fábio, se é que dá pra fazê-lo numa hora dessas, Charles foi péssimo, repetindo a má atuação de sábado. Até Espinoza não se teve bem, acompanhado pelo Martineli que ainda não justificou a fama de bom futebol, e de Jonathan que não entrou em campo.

Difícil apontar tanta gente ruim num jogo bizarro como esse. Todo mundo  foi mal. Melhor do jogo, ou menos pior, foi o Wágner, que contrariou as críticas de desinteresse no jogo, e lutou o tempo inteiro para enfrentar a adversidade de todo o resto do time.

Triste a lambança de todo o elenco do Cruzeiro hoje, orquestrada pelos erros do treinador. Ele continua com o seu crédito, mas já queimou toda a gordura que tinha, e agora, nas fases decisivas, os resultados não perdoam.

Mais algumas invenções sem sucesso, e ele pode comprometer todo o ano em eliminação nos torneios mata-a-mata, e de quebra a imagem de bom treinador que vinha construindo.

Com a cabeça inchada, e os nervos à flor da pele, continuo com fé, mas com as barbas de molho... as minhas, e as do Adílson, claro! Resta saber em qual a navalha pode chegar primeiro.

Adílson, fica esperto, que a hora decisiva está à sua porta, e não há mais tempo para inovações. Que fiquem as lições da necessidade de superação do quesito ´altitude` para que se possa entrar em campo, jogar algum futebol, no seqüência do torneio, caso encontremos adversário nessas condições, além da necessidade de adoção de uma postura mais comprometida, condizente com a tradição do Cruzeiro, como fora a cara do time ao longo do ano. Esse jogo de hoje, é pra esquecer pra sempre, se é que é possível.


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15 04 08
Sete Segundos

Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG

22/06/1950

Dedicatória.

Começaremos esta página heróica, que trata de um Jogo Imortal esquecido, de maneira diferente das demais. É uma dedicatória à Nonô, recentemente falecido e que é a prova inconteste de que nenhum jogador precisa de mais do que 7 segundos para se tornar um Imortal que construiu as páginas heróicas do Cruzeiro.

Que o nosso eterno Nonô II descanse em paz.

Em junho de 1949, chegou ao Cruzeiro um jovem atacante revelado na equipe amadora do Inconfidência de Belo Horizonte. O jogador tinha o apelido de Nonô e vibrava com a chance de seguir carreira profissional numa grande equipe.

No entanto, já havia um outro Nonô no time, um artilheiro conhecido em todo o estado, e para distinguir o desconhecido do famoso resolveram chamá-lo de Nonô Segundo.


O que o jovem garoto não podia imaginar é que, justamente, esse nome tomaria um outro sentido, ou seja, aquele que fraciona o minuto em sessenta partes, na sua curta trajetória nos clássicos.


Nonô Segundo ou Nonô II, como os jornais escreviam, marcou o gol mais rápido da história do confronto como nosso tradiconal rival local, antes que o ponteiro do relógio completasse a primeira volta.


Em junho de 1950, Belo Horizonte respirava um momento diferente: a Copa do Mundo. Foi a primeira e única vez que o maior evento do futebol foi disputado no Brasil. Os jornais da capital acompanhavam os treinos das seleções da Suíça, Iugoslávia, Estados Unidos, Inglaterra, Bolívia e Uruguai que disputaram jogos no Estádio Independência.


O Campeonato da Cidade teve o seu início adiado para o mês seguinte para não concorrer com os jogos da Copa.


Com o futebol da capital paralisado, as diretorias de Atlético e Cruzeiro resolveram armar dois clássicos para arrecadar dinheiro.


A primeira partida foi num domingo, no estádio de Lourdes, e o jovem time do Cruzeiro venceu por 3 a 1.


A revanche foi marcada para a quinta-feira à noite, dia 22 de junho, no Barro Preto. Nas arquibancadas estavam presentes as delegações da Suíça e da Iugoslávia que foram acompanhar de perto um dos grandes clássicos do futebol brasileiro.


O Cruzeiro, treinado pelo ex-lateral Souza, era conhecido pelo futebol rápido e produtivo, mas naquela noite exagerou. Na saída de bola, Guerino apanha um lançamento e passa a Nonô II que, na área, chuta forte. A bola toca na trave direita e entra.


Eram 7 segundos de jogo.


Um gol fulminante que ficou marcado como o mais rápido nos confrontos entre Atlético e Cruzeiro e que colocou o atacante no hall da fama dos clássicos.


Naquela noite, Nonô II ainda marcou mais um gol, aos 12 minutos do 2o tempo. Após um cruzamento de Sabu, disputa a bola com Oswaldo. Nonô II ajeita e marca sem dificuldades fazendo 2 a 0.


O placar não sofreu alterações e o Cruzeiro venceu o amistoso. Naquela época, o clube estava cheio de problemas e atravessava uma grave crise financeira que chegou às portas da falência. O regime profissional foi abandonado provisoriamente e os jogadores receberam passe livre. A maioria foi tentar a sorte nas equipes do futebol paulista e carioca. Muitos tornaram-se famosos, alguns mantiveram sua fama, e de outros nunca mais se ouviu falar, dentre eles, o Nonô... aquele dos 7 segundos.



Esta página dos Jogos Imortais foi escrita por Henrique Ribeiro, autor do Almanaque do Cruzeiro e, responsável por várias das pesquisas dos jogos escritos neste blog.



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