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31 03 08
Resenha do Mixa - CruzeiroxIpatinga
Às vésperas das tão esperadas fases decisivas do primeiro semestre, o Cruzeiro
segue trilhando seu caminho dando mostras de que sabe o que quer.

Vimos de uma semana em que o time jogara na quinta-feira com todas as dificuldades
de se jogar na Fazendinha, o estádio do Ituiutaba, e por pouco não arrancar
a vitória de lá, mesmo sem ter tido muitos méritos pra isso, não fosse a
infelicidade da defesa em evitar o gol de empate do time da casa. Não vi
falha de nosso goleiro, como muitos defenderam. A meu ver, jogada difícil,
rápida, e que ele apenas não conseguira chegar a tempo pela velocidade da
jogada. Normal.

E pra hoje, Adílson prometera o time titular, pra dar mais ritmo ao grupo
frente às atuações irregulares que vem apresentando, e também para encarar
uma pequena pressão por resultado positivo, dadas as alucinógenas manchetes
dos jornais da capital de que o adversário poderia ser líder, mesmo que em
uma improvável combinação de resultados...

Pressão pequena, adversário frágil, time determinado. Embora não fosse o
titular completo, o Cruzeiro entrou com muitos jogadores que podem ser titulares
como a dupla de zaga de Tiagos, além de outros componentes da suplência como
Elicarlos, o estreante Fabinho, e Sandro Manoel.

As presenças de Wágner, Marcinho, e o atacante Guilherme seriam para dar
teor ofensivo a esse time mesclado. O time fez um bom primeiro tempo, e mesmo
com todas as dificuldades que encontrou para chegar na defesa adversária,
construiu 2x0 com belas jogadas.

No primeiro gol, o Guilherme serviu de pivô para colocar o estreante Fabinho
na cara do gol e concluir com tranquilidade na transversal rasteira na saída
do goleiro em velocidade.

No segundo, cobrança de falta junto à entrada da área, como em um córner,
o Guilherme faz jogada ensaiada com o Marcinho recuando a bola para a entrada
da grande área, e Marcinho dá à volta em toda a zaga de forma a receber a
bola livre, e tocar rasteiro para fazer o gol.

Guilherme e Marcinho jogaram bem, ainda que sem muito brilho. Guilherme teve
que sair após a recomposição tática do time pelo treinador, motivada pela
expulsão do zagueiro Tiago Gosling, que vinha fazendo bom jogo, e até arriscara
conclusão no travessão do goleiro, momentos antes.

O primeiro tempo poderia ser 3x0, se o árbitro não tivesse deixado de marcar
penalidade máxima clara sobre o Wágner, que foi puxado dentro da área, pelo
marcador do vale do aço.

No segundo tempo, mesmo com um jogador a menos, o Cruzeiro soube se defender,
e praticamente não teve chances de ampliar, limitando-se a conter as investidas
do Ipatinga. Em duas delas, Fábio confirmou a boa fase vivida promovendo
boas defesas que poderiam resultar em gols do adversário.

Fatura liquidada, não veio o brilho, mas vieram os 3 pontos, indispensáveis
a quem não quer dar chance pro azar, e jogara com aplicação.

Na quinta-feira o time terá jogo importantíssimo e muito difícil contra os
argentinos do San Lorenzo em Ipatinga, e o treinador agira bem em poupar
algumas peças importantes como o lutador Moreno e o ótimo zagueiro Espinoza
pra esse embate que pode definir a classificação ou o desespero do time para
a última rodada da fase de chave da Libertadores.

Do jogo de hoje, ficara a boa impressão de jogo de Sandro Manoel, a sempre
forte presença de Marquinhos Paraná, e a volta da qualidade de Guilherme
ao ataque do time.

O Cruzeiro jogou a conta do chá, e fica agora a esperança de um jogo de muita
luta, entrega, velocidade, e força na quinta-feira, que tem sido mais a cara
do time, que a de futebol muito técnico. Que o Cruzeiro honre sua tradição
na Libertadores, e massacre o San Lorenzo na quinta. Forza Azzura!






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25 03 08
Resenha do Mixa - Cruzeiro x Democrata-GV
FALTOU INSPIRAÇÃO

O jogo de sábado foi um jogo estranho. O Cruzeiro não jogou bem, e mesmo com um volume maior de jogo, não mostrou qualidade.

Pode-se explicar a má apresentação com vários fatores: ressaca de viagens longas, forte calor da região, o desespero do adversário frente a necessidade da vitória, e o gramado não lá dos melhores.

Ocorre, que a despeito de muitos dos fatores serem recíprocos para o Cruzeiro e adversário, o que importa para nós é o Cruzeiro, e mesmo eles não sendo determinantes, penso que isso explica mas não justifica a atuação apagada da equipe, que usava o time principal.

No primeiro tempo, em sua maioria com um jogador a mais, não conseguimos abrir os espaços necessários para triangular, e tocar a bola, forçando o adversário a errar.

O Cruzeiro seguia mal, sem conseguir ter chances efetivas de gols, e insistia em lances isolados de Marcelo Moreno, o eterno lutador, que tentava aos trancos e barrancos furar a defesa adversária em jogo sem brilho de Wágner e Marcinho, responsáveis pela criação das jogadas.

E foi numa delas, num ótimo cruzamento de Wágner, que em bela cabeçada de Moreno abrimos o placar apenas no final do primeiro tempo.

Pra quem pensava que o segundo tempo melhoraríamos, se enganou. Ficamos com dois jogadores a mais, com expulsão de um imprudente marcador do Democrata, e ao revés de o Cruzeiro se impor, a vantagem acabou causando efeito reverso: a soberba.

Vencendo por 1x0, dois jogadores a mais, o time achou que tocaria bola até o fim do jogo. Mas. Mas esqueceram de avisar ao Democrata. O time teve muito brio, engrossou o caldo, e com dois a menos chegou ao empate em ótimo lance isolado, de contra-ataque, de chute forte, de fora da área de Ely Tadeu.

Lance defensável. Chute forte, de longa distância, de fora da área, o goleiro tem obrigação de defender. Ainda mais quando vai no seu próprio lado. Se fosse qualquer goleiro, passaria despercebido, mas com o histórico do Fábio em tomar esses mesmos gols, reascende a sombra da preocupação. Não vou render polêmica sobre o lance, porque o ano do Fábio apaga eventual falha, discutível no lance.

1 a 1 no placar, e o time, embora tivesse voluntariedade, não sabia usar a vantagem numérica, e ora usava a triangulação excessiva sem conseguir abrir os espaços, ora insistia em cruzamentos sem êxito, e parecia temer arriscar os desfechos a gol.

Fomos premiados com a vitória nos pés do lateral Apodi, que acertou um pombo sem asa na gaveta do goleiro, esse sim, sem chance pra defesa, já no final do jogo.

Vamos aos destaques. Positivos: Marcelo Moreno, a cada jogo mais encanta a torcida com a incansável luta. Apodi, movimentou o jogo inteiro, criou espaços, correu, cruzou, acertou, errou, e fez o gol da vitória.

Negativos: Marcinho, desta vez, foi merecedor de parte das críticas que lhe são dirigidas. Tentou, mas foi apagado. Até Wágner, participou mais do jogo que ele, usando da ala esquerda com proteção de Eli Carlos.

Esse jogo deve ser lembrado apenas como lição para que Adílson Batista cobre mais atenção e empenho dos jogadores em situações que exijam a pronta implementação da força que lhe é oportunizada, como na vantagem numérica em campo.

Não gostei, e talvez Adílson deva repensar algumas posturas táticas com o fraco poder ofensivo do time no jogo de ontem, praticamente o time titular, contra um faco adversário do campeonato regional.

Precisamos de força ofensiva, porque só a luta de Moreno, uma hora não vai ser suficiente para superar melhor técnica e postura adversárias. Precisamos de mais qualidade na frente, na meia ofensiva e na conclusão.

Vamos trabalhar enquanto há tempo, Cruzeiro!

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24 03 08
Passando um Centenário a Limpo

Cruzeiro 1 x 0 Atlético-MG

Um Centenário é um Centenário. Cem anos são Cem anos. Um Século é um Século. Passar a limpo uma história de cem anos não é fácil e muita coisa vira pó, cai no esquecimento é subtraída da história. Para  ajudar nossos adversários locais a não se esquecerem de nenhum detalhe, de nenhuma passagem, estamos aqui para ajudá-los a passar  a limpo esta história. Como somos protagonistas principais para eles (ou alguém já viu eles se preocuparem com algum outro time no mundo?), estamos aqui parabenizando-os e ajudando a construir a história real de um centenário.


Pasmem, no primeiro clássico do Mineirão, o rival fugiu.


Na década de 60, o futebol mineiro mudaria: num gesto de ousadia, o governo do Estado construíra o que, na época, seria o segundo maior estádio coberto do mundo, o Gigante da Pampulha, Estádio Governardor Magalhães Pinto ou, simplesmente, Mineirão.


Parecia um capricho dos deuses do futebol, já que aquele grande palco do esporte ficara pronto bem a tempo de ver a formação dos artistas da primeira academia celeste, o maior time de futebol que Minas Gerais veria jogar: o grande Cruzeiro da década de 60.


Na cidade, a torcida cruzeirense ainda era pequena, e tinha que engolir a maioria esmagadora de atleticanos. Mas em campo esta superioridade estava mudando. Um grupo de meninos pincelados de vários lugares pelo presidente Felício Brandi vinha demonstrando que, no Barro Preto, um grande time vinha se formando. Aquele clube de imigrantes italianos que, na época da Segunda Guerra Mundial, fora perseguido e obrigado a mudar de nome, estava se tornando uma verdadeira máquina de jogar futebol, um time que faria as crianças da cidade se recusarem a torcer pelo Atlético-MG, pois queriam ser felizes e comemorar as vitórias daqueles garotos; um time que faria aqueles italianos esquecerem o esquadrão palestrino do final da década de 20.


A expectativa em Belo Horizonte era muito grande para o primeiro clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG, no Mineirão. Esta seria a real inauguração do estádio: os times rivais se enfrentariam pela primeira vez, numa partida que marcaria a história do futebol mineiro. A maioria atleticana, mesmo cega em relação à superioridade técnica celeste, acreditava que escreveria na história do estádio as páginas da primeira vitória em um clássico; mal sabia ela que sua vitória em um clássico demoraria alguns longos anos.


O Cruzeiro liderava o Campeonato Mineiro, mostrando um futebol vistoso. Seu meio-de-campo era comandado por dois gênios, Tostão e Dirceu Lopes, e, na ponta-esquerda, o habilidoso Hílton Oliveira vinha infernizando as defesas adversárias. As mais de 60 mil pessoas que foram ver o clássico viram o jogo começar como esperaria qualquer pessoa que entendesse de futebol: com o domínio do melhor time, ou seja, o domínio cruzeirense.


Com Ílton Chaves jogando plantado, lançando seu xará Hílton Oliveira na ponta-esquerda aos 7 minutos do primeiro tempo, o time começava a mostrar suas armas. Hílton Oliveira driblou vários atacantes e só parou devido a um pontapé desleal e desesperado do atleticano Buglê. O ponta celeste demorou quase três minutos para ser atendido em campo.


O jogo estava muito nervoso e, aos 19 minutos, Pedro Paulo e Viladonega se desentenderam e trocaram agressões. Era clara a tentativa dos atleticanos, mais experientes, de usar a artimanha da intimidação contra os garotos cruzeirenses. Mas estes não abaixaram a cabeça e, no campo, a partida quase descambara para a violência.


O Cruzeiro dominou o primeiro tempo e, apesar da violência, tomou conta da partida, muito organizado dentro de campo, com ótima atuação de meio-de-campo formado por Tostão, Hilton Chaves e Dirceu Lopes. O goleiro celeste Tonho era um reles coadjuvante, já que não tivera nenhum trabalho com o ataque rival, que não mostrava nenhuma objetividade. Hilton Oliveira continuava aprontando das suas e, aos 41 minutos, João Batista atingira o ponta sem bola – era o único recurso que faltava à defesa alvinegra.


No segundo tempo, o técnico atleticano, notando que Buião já não conseguia vencer a marcação rígida do lateral celeste Neco, mandou que o Atlético atacasse pelo lado de Noêmio, mas também não conseguiu um bom resultado porque Pedro Paulo anulou completamente as investidas pelo lado direito. Aos 17 minutos, o estádio comemorou um gol que não tinha acontecido: Marco Antônio, em bonita jogada, fintou vários jogadores e atirou forte. A bola, rasteira, ficou presa à rede pelo lado de fora, enganando a torcida celeste, que comemorara o gol.


Aos 25 minutos, Tostão fez tabelinha com Hilton e este cruzou. Wilson, que fechava pela ponta-direita, saltou e chutou de sem-pulo. A bola passou por Perez e foi se chocar contra o poste direito – a pressão celeste era terrível! Foi então que o jovem príncipe Dirceu Lopes carregou a bola na intermediária, levantou a cabeça e lançou em profundidade Hilton Oliveira, que foi à linha de fundo e cruzou para Marco Antônio, que se encontrava fora da área. O atacante dominou e, vendo a movimentação de Tostão, deu o passe. O craque veio na corrida e chutou forte, sem defesa para o goleiro atleticano: acontecia ali o primeiro gol em um Cruzeiro e Atlético no estádio do Mineirão.


Na arquibancada, a alegria era da torcida azul, e o time atleticano se desesperava, afinal, uma semana de preparativos para a vitória no primeiro clássico tinha iludido a todos. As agressões aos jogadores celestes aumentaram, e a torcida celeste não segurava mais os gritos de olés. Foi então que o vexame ocorreu: aos 34 minutos do segundo tempo, surgiu um pênalti de Décio Teixeira em Wilson Almeida. O juiz Juan de La Passion marcou com convicção e foi agredido várias vezes pelos jogadores do Atlético, inclusive pelo técnico Marão. Os policiais entraram em campo e se desentenderam com os “atletas” atleticanos. Alguns diretores do rival invadiram o campo, gritando que a falta tinha sido em cima da linha. Esqueceram-se de um pequeno detalhe: falta sobre a linha da grande área é pênalti! Desesperados e mostrando total covardia, o time atleticano abandonou o campo antes que o Cruzeiro cobrasse o pênalti. Mesmo depois de ser agredido o árbitro ainda esperou 25 minutos em campo, cercado por dirigentes, para que o pênalti pudesse ser cobrado. Como não foi possível fazer isso, ele foi obrigado a encerrar a partida e decretar o Cruzeiro vencedor.


Em 40 anos de estádio, ambos os times venceram vários clássicos, mas apenas uma vez um time fugiu de campo, envergonhando a sua história. O Cruzeiro fez sua parte: ganhou a partida no campo! Ao rival, coube a vergonha da fuga no primeiro clássico do Mineirão.


Escalação:

Cruzeiro: Tonho, Pedro Paulo, Willian, Vavá, Neco, Hilton Chaves, Tostão, Dirceu Lopes, Wilson Almeida, Marco Antônio e Hilton

Atlético: Luis Peres, João Batista, Vander, Bueno, Décio Teixeira, Bougleux, Viladonega, Buião, Toninho, Roberto Mauro, Noêmio

Dedicatória.

Este Jogo Imortal é dedicado a todo torcedor do adversário local, nesta passagem de seu primeiro e único centenário. Queremos tornar esta data inesquecível e motivo para que vocês revivam toda a sua história (e não somente aquela contada pelos estoriadores). Nossos parabéns pelo seu centenário, não seríamos muito do que somos se não fossem vocês e suas histórias.



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19 03 08
Resenha do Mixa

Nas rodadas de discussão do fim-de-semana indaguei meus amigos se não seria temerária a retórica de toda a comissão técnica, aí incluídos jogadores e treinador, no sentido da valia de um ponto na Venezuela.

E o meu temor se justificaria, já que desde que me entendo por expectador de futebol, que toda vez que uma equipe brada aos quatro cantos que vai jogar para empatar, invariavelmente perde.

Pois bem.

Justificaria se outra não fosse a postura do time em campo, que graças à Deus, não honrou a máxima do empate. É bem verdade que o time no jogo de ontem alternou posturas ofensivas e defensivas, mas credito mais às nuanças do jogo e de comportamento dos atletas, do que propriamente a "vontade de empatar" como posição tática, como eu temia.

A verdade é que o time entrou bem, marcando e procurando jogar, e não fosse o destaque negativo dos meias ofensivas Wágner e um pouco de Marcinho, poderíamos ter inclusive vencido a partida.

Na verdade, Marcinho foi até bem, jogou com muita disposição e tentou criar algumas jogadas, ainda que sem sucesso. Agora, o Wágner, justificou todas as críticas que são direcionadas a ele, quando de suas apresentações "apagão"!

Ontem foi mais uma. Chega a dar nos nervos ver o Wágner atuar da forma como jogou ontem, onde chega a dar impressão de desinteresse na partida. Tenho certeza que não é isso, mas ele precisa demonstrar mais voluntariedade e luta às jogadas, como enche os olhos de todo torcedor as atuações do atacante Marcelo Moreno.

E olha que talvez, o boliviano nem tenha a técnica ou habilidade que aparenta Wágner desfrutar, entretanto compensa a possível diferenciação com muita busca, entrega, e incansável luta, desaguando em muita produtividade para o time.

Penso que Wágner deva se repensar sua postura, e aprender com o colega de ataque, já que foi justamente na sua posição, que o time pecou, mostrando um hiato entre ataque e defesa, e prejudicando rendimento melhor da equipe no jogo.

A quem insiste em criticar Adílson (incrível isso!) ontem mais uma vez teve que se curvar ao bom padrão de jogo e à boa formação tática escolhida. O lateral Jonathan, na função de cobertura e cerco aos avanços do meia Vargas da equipe Venezuela, foi quase perfeito, e ainda arriscou alguns apoios. Lembrando que a posição era de lateral, e não de ponta.

Os volantes de proteção à zaga, Ramirez, mais uma vez, impecável, Marquinhos Paraná, muito bem, e com ótima visão de jogo, deram boa proteção à zaga, que atuara também de forma precisa, à exeção de Tiago Martineli que a meu ver não justificara a boa atuação de seus companheiros.

Espinoza é de uma qualidade que chega a espantar se de fato joga tudo o que parece! Seu companheiro Fortunato também jogou com seriedade, sem comprometer.

Por fim, faço aqui dois destaques:

1) Mais uma excelente atuação do arqueiro Fábio, que vem fazendo a torcida esquecer o histórico não tão brilhante como o ano que vem cumprindo. Foi muito bem, seguro, e sem qualquer culpa no gol, já que quem acompanha futebol, sabe que a bola cruzada na área, em velocidade, e em cima do goleiro, é das jogadas mais difíceis de se marcar, podendo ser creditado algum erro ao marcador Martineli, que não acompanhou a marcação, o que é mesmo difícil, frise-se, mas não ao goleiro, que fica na cruel indecisão de sair em cima do atacante ou do defensor, ou de ficar no gol aguardando chance de defesa. Deu azar e o atacante ainda foi feliz de receber a bola em condição de forte e certeiro cabeceio, em cima dele e na fatal jogada de cima pra baixo. Sem chance de defesa.

2) Foi a muito boa atuação do lateral Apodi. Como venho falando há muito tempo, parte da nossa torcida tem que aprender a ter paciência, e fazer juízo de valor com mais tempo. Não quero dizer que Apodi é craque, mas sim colocar parte de nossa torcida a refletir se são justas as constantes vaias intempestivas, ao primeiro erro de jogador em campo. Como venho dizendo, jogadores como Apodi, que logicamente possui algumas deficiências em determinados fundamentos, como cruzamentos, poderão e serão muito úteis em jogos de Libertadores, compondo elenco, dada a extrema velocidade em que emprega nas jogadas. Na mesma linha vai o pedido de apoio a Marcinho, que também pode e será útil na composição de elenco, e fazer partidas boas ou até melhores que a de ontem, compensando atuações apagadas como as de Wágner em determinadas ocasiões.

Dito isso, peço que nosso povo não quebre a sinergia time-torcida, poupando nossos jogadores de críticas precipitadas, já que compensaremos todas as adversidades com o horizonte da provável e factível conquista do título.
Acreditem!

Mixa

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17 03 08
E os Venezuelanos nao viram Alex jogar!

Cruzeiro 3 x 2 Caracas-VEN

14/04/04

Depois de um ano espetacular em 2003 e um começo turbulento em 2004 o Cruzeiro vinha colocando a casa em ordem após a saída prematura do técnico Wanderley Luxemburgo.


A equipe disputava, simultâneamente, as finais do Campeonato Mineiro, vinha de vitória sobre o rival regional por 3 a 1, e a Copa Libertadores da América, onde figurava em segundo no grupo. O Cruzeiro precisava da vitória sobre a equipe do Caracas, fora de casa, e torcia por um tropeço do Santos Laguna do México contra o Universidad Concepcion do Chile para acabar em primeiro do grupo.


A equipe venezuelana já estava eliminada, porém vinha embalada por uma vitória de 3 a 0 sobre o Mineros e sua torcida compareceu ao estádio Brigido Iriarte para ver o Campeão Brasileiro comandado pelo meia Alex. Para a surpresa de todos o técnico PC Gusmão resolveu jogar a partida com uma equipe reserva priorizando a final do campeonato estadual. Dos titulares entraram em campo apenas o goleiro Gomes, o zagueiro Cris, o lateral Leandro, e o volante Maldonado enquanto os demais eram os reservas pouco utilizados ate então no ano.


E foi com este time reserva que o então campeão brasileiro entrou em campo, os adversários animados com o time reserva começaram a acreditar na vitória. Mas as esperanças venezuelanas duraram apenas alguns minutos, aos 12 do primeiro tempo Schwenck fez boa jogado e abriu para o volante Jardel que driblou o goleiro e completou para o gol. Mas antes que a bola cruzasse a linha o defensor venezuelano Pereira cortou em última instância.


O gol não demoraria a sair e aos 21 minutos Martinez pela meia esquerda fez belo lançamento a Márcio que aproveitando a falha do zagueiro Rey chutou forte no ângulo marcando o primeiro gol celeste.


A torcida, à distância, não teve tempo de comemorar, logo no lance seguinte Schwenck recebeu cruzamento de Maurinho e lançou a Lima. O atabalhoado atacante, que viera como promessa do Paraná, dominou e chutou forte por debaixo das pernas do goleiro Venezuelano marcando o segundo gol celeste.


A partir daquele momento aconteceu um fato que se verificaria como normal naquele ano, o time celeste tinha apagões em campo dando chance ao rival para crescer. E foi aproveitando este branco na equipe cruzeirense que aos 31 minutos Castellin ganhou de Marcelo Batatais e cruzou para Comingues bater sem defesa para o goleiro Gomes.


Após o gol a equipe celeste acordou novamente na partida, no final do primeiro tempo os atacantes celeste abusaram de perder os gols. Antes do intervalo, novamente o Cruzeiro ampliou com Lima. O lateral Leandro cobrou lateral para Schwenck que de primeira deixou Lima livre para chutar alto e marcar o terceiro gol cruzeirense.


Ao final da primeira etapa, o Cruzeiro vencia fácil fora de casa por 3 a 1, na segunda etapa coube a equipe celeste cadenciar o jogo rodando a bola. Apenas aos 30 da etapa final Cris cometeu um pênalti em Rojas e o brasileiro Pereira cobrou bem diminuindo a vantagem celeste.


O Cruzeiro comemorava mais uma vitória fora de casa em uma Libertadores, alguns dias depois conquistaria o titulo estadual. Mas aquele seria um ano marcado pela transição de comando e pelas poucas felicidades que a equipe celeste daria a sua torcida.


De qualquer forma mesmo em um ano de poucas alegrias o Cruzeiro continuou levando seu nome por toda América Latina honrando Minas Gerais e o Brasil e nunca fugindo a luta assim como sempre fizera em toda a sua historia.

Ficha Técnica
Cruzeiro 3 x 2 Caracas-VEN
Competição - Copa Libertadores (1a. Fase)
Estádio - Brígido Iriart
e - Caracas-VEN
Público - 49.617 / Renda - R$563.640,00
Árbitro - Renê Ortubé (BOL)

Assistentes -Ivan Gamboa (BOL) e Oscar Sória (BOL)

Gols: Márcio aos 21', Lima 22', Comingues 31', Lima 46' do 1º tempo e Pereira (P) aos 31' do 2º tempo

Cruzeiro : Gomes; Maurinho, Cris, Marcelo Batatais e Leandro (Sandro); Jardel (Felipe Melo), Maldonado Martinez e Márcio; Lima (Bruno Quadros) e Schwenck. Técnico: Paulo César Gusmão.

Caracas (VEN) : Golindano; Valienilla, Rey, Rouga e Rivero; Pereira, Vitali, Rojas e Renteria (Guerra); Castellin e Comingues (Martinez). Técnico: Noel Sanvicente.

Dedicatória.

É uma página que dedicamos aos jogadores que eram titulares e com aqueles que esporádicamente entravam no time, se superaram e venceram o Caracas quando poucos esperavam o triunfo fora de casa. Que sirva de inspiração para os 15 (ou seriam 14) de Caracas que enfrentam mais um Jogo Imortal. Principalmente os defensores titulares: Gomes, Maurinho, Cris e Leandro. Fica o exemplo para nossos defensores mostrarem a garra necessária e motivarem os atacantes a ganharem o jogo desta edição de 2008 da Libertadores.


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16 03 08
Uma Vida Pelo Bem do Cruzeiro

Este espaço, vez por outra, além de falar de jogos atuais, na "Resenha do Mixa" enfrenta a necessidade de explicar algumas coisas, apresentar personagens e fazer resenhas que não são simplesmente a de narrar Jogos Imortais.

Uma destas necessidades é a de mostrar personagens que fizeram ou que fazem a história do Cruzeiro e que não são conhecidos da maioria da torcida do Cruzeiro. O personagem da vez é o "Dr. Lemos", partícipe ativo da nossa história há mais de 50 anos.

Colocaremos aqui um pouco do que ele ajudou a construir. José Francisco Lemos Filho foi o presidente mais novo da história do Cruzeiro Esporte Clube, e acreditem foi presidente pois, segundo ele mesmo, ninguém, à época, queria assumir o cargo de presidente daquele time de futebol, fato inimaginável nos dias de hoje.
O Cruzeiro era um time de pouco dinheiro em caixa e em 1954 ninguém queria assumir a responsabilidade de tocar nosso amado clube, coube ao jovem apaixonado chamar para si a responsabilidade.

Na nossa história, existem vários ídolos dentro do campo, porém, na minha opinião, não podemos nunca esquecer de lembrar a historia das pessoas que verdadeiramente construíram nosso clube. A historia de vida do Dr. Lemos esta diretamente envolvida com todas as fases da historia do clube, nunca ele teve a vaidade de querer comandar o show. Sempre trabalhou mineiramente nos bastidores, ajudando a construir nosso patrimônio, aconselhando jovens presidentes, lutando pela união e acima de tudo pelo bem da instituição.

Foram nomes como o Dr. Lemos, Carmine Furlleti, Benito Masci entre tantos outros que fizeram nossa grandeza, que engoliram muitos sapos de torcedores quase irracionais e que dificilmente dão o devido valor ao belíssimo trabalho feito por jogadores que ajudaram a construir paredes e dirigentes que sofreram como qualquer torcedor. Se hoje o Cruzeiro é um grande clube é porque homens como eles passaram por cima da vaidade, do tempo que estariam dedicando a família pelo bem acima de tudo da instituição. São estes os exemplos que temos que seguir hoje, independente de qualquer opinião ou interesse pessoal de trabalhar pelo bem do Cruzeiro.

Porque resolvi escrever esta breve coluna?

Primeiro para poder bater um papo com o Dr. Lemos sobre o passado do nosso clube que tanto me encanta. Falar sobre o "Tanque" Niginho, sobre as mudanças na história do clube, sobre  os craques como Tostão, Piazza, Dirceu Lopes. Hoje existem dentro de nossa torcida alguns torcedores profissionais, pessoas que tomam do Cruzeiro para beneficio próprio, só pensando em interesses particulares e obscuros. Sei que hoje isto é comum em todos os times brasileiros porém dificilmente aceitaremos calado ver estas pessoas tirarem proveito de coisas que não ajudam a construir, tirar proveito sem se doar e oferecer nada em troca. O Cruzeiro somos nós e ele depende de nós para viver, não o contrário.


Dr. Lemos

José Francisco Lemos foi presidente do Cruzeiro em 1954, viveu a construção do Barro Preto, da Toca da Raposa, do Centro Administrativo, da Toca 2 e de todas as reformas que vieram nestes 54 anos.
Foi engenheiro de sucesso e de carreira na CEMIG, viveu a construção do grande time da década de 60 e 70, deixou momentaneamente o clube pelas mesmas brigas internas que nos fizeram perder o domínio estadual nos anos 80, viu de longe também o ressurgimento do gigante com a família Masci e depois voltou junto com Zezé Perrella e Alvimar Oliveira Costa para ajudá-los a conquistarem tudo que um clube pode desejar e que muitos clubes centenários jamais sonham em conquistar. Para ele o nosso futuro é belíssimo, nossa torcida continua crescendo e as covardias que ele tanto viu nosso clube sofrer na mão dos rivais no passado não acontecem mais.

Que esta breve coluna sirva de exemplo aos torcedores profissionais e para quem pensa no Cruzeiro como forma de se promover, que a biografia deste e de vários outros ex-presidentes seja sempre respeitada e que eles sejam realmente tratados como merecem, como os ídolos que construíram nosso amado clube.
Abaixo um pouco da historia de uma das pessoas que mais ajudou na construção do nosso clube escrito por ele mesmo.


Decorria o ano de 1954, o Dr. José Greco que vinha exercendo a Presidência do Clube, por vários anos, manifestou o desejo de não continuar na Presidência do Cruzeiro.
Ficando vago, o cargo, o Conselho Deliberativo, através de seu Presidente, Sr. Jerônimo Corte Real, reuniu-se várias vezes, com o objetivo de eleger o novo Presidente. As reuniões de Conselho Deliberativo, eram realizadas no vestiário de Futebol do Barro Preto, pois o Cruzeiro não possuía Sede ou outro local adequado para essas reuniões. Consultados, vários Conselheiros, principalmente os mais antigos, nenhum deles aceitou a indicação.
Outras reuniões foram realizadas sem obter êxito de conseguir um Presidente. Em uma das reuniões, o Dr. Wellington Armaneli se prontificou a tornar-se Presidente, presidindo uma chapa da qual eu, José Francisco Lemos Filho, participava como um dos Vice-Presidentes.
Lamentavelmente, após pouco mais de uma semana, o Dr. Wellington Armanelli renunciou a Presidência. Voltava assim a estaca zero, e o cargo estava sem titular. Procurado e convencido principalmente pelos Srs. Jerônimo Corte Real, Miguel Morici, Bengala, Adil de Oliveira e outros, resolvi aceitar e tornei-me Presidente do Clube em 1954.
Estava terminando o último ano na escola de Engenharia, tinha pouco mais de 25 anos de idade. Naqueles momentos difíceis, havia até proposta de um dos grandes ex-Presidentes do Cruzeiro em acabar como futebol devido as dificuldades financeiras e técnicas.
Dentre as minhas metas como Presidente estavam presentes:

O incremento do esporte especializado.
O Governo do Estado de Minas Gerais, através da Diretoria de Esportes, assumia todas as despesas, como pagamento de técnico, materiais, etc. Assim ganhamos mais títulos de que qualquer outro Clube de Minas Gerais. Aqueles atletas que vencedores se tornaram cruzeirenses e participavam da vida social do Clube, e até da Diretoria.

Incremento na Sede Social
Naquela época o Estado destinou um financiamento aos três Clubes, Cruzeiro, Atlético-MG e América-MG, para que os mesmos construíssem as suas Sedes Sociais. O Cruzeiro tinha iniciado a obra, mas não prestou contas dos primeiros desembolsos, os outros beneficiários faziam coisas piores.
Era imprescindível, para saque das parcelas, prestação rígida de gastos realmente efetuados. Procurei três dos principais fornecedores de materiais de construção, Casa Falci, Othon de Carvalho e outro que não me lembro, e coloquei para os mesmos a situação, propondo para que recebessem que lhes era devido seria indispensável aumentar a dívida, de forma que a obra prosseguisse, e o órgão governamental liberasse as verbas.
Assim com conseguimos dar prosseguimento a obra que foi inaugurada no inicio da Gestão do Presidente Dr. Eduardo Bambirra, que me sucedeu.
A Sede Social, localizada no Barro Preto, foi o marco decisivo na evolução social e financeira do Cruzeiro Esporte Clube, de 200 sócios passamos para 2000, os aluguéis, festas, completavam a receita necessária ao equilíbrio financeiro do Clube. Na verdade foi a alavanca do desenvolvimento do Glorioso Cruzeiro Esporte Clube.
Evidentemente, como estava para iniciar a minha carreira de Engenheiro, não poderia ficar por longo tempo como Presidente. Promovi, juntamente com o Conselho Deliberativo, quando a situação administrativa e financeira estava sob controle, com salários em dia, inclusive do futebol, a eleição para Presidente.
Ocorreu uma eleição difícil com dois candidatos de peso. Saíram vitoriosos a chapa da situação, apoiada por nós, elegendo o Dr. Eduardo Bambirra.
Infelizmente, por vandalismo, negligência ou por ato obscuro, o livro de ata de Conselho com este evento, e outros de alta importância pra o Clube desapareceram. Principalmente para não aparecer os nomes dos membros, eleitos naquela época para Conselheiros Natos. Entretanto, existem jornais da época e atas de reuniões da Diretoria, que podem ajudar na confirmação desses fatos.
Estou certo e sem constrangimento, que fui escolhido para ser Presidente por falta de outra opção. Entretanto, também posso afirmar, que prestei um bom trabalho, evitando um provável, desastroso encerramento do Futebol do nosso Clube. Por outro lado, dei inicio a uma administração planejada, organizada, tirando proveito do disponível, que certamente evoluiu, cresceu e ajudou ao Cruzeiro tornar-se uma grande Potência de Clube Mineiro e Brasileiro.
Tendo sido a minha participação mais importante na Administração do Clube, tive a oportunidade de continuar servindo.
Fui Vice-Presidente, de 1959 a 1960, ocasião em que o Cruzeiro conquistou o Bi-Campeonato Mineiro de Futebol, após 14 anos sem Títulos.
Membro, Vice-Presidente e Presidente da Comissão de Obras, que administrou a construção da Sede Campestre, oportunidade que evitei o desvio de recursos financeiros destinada aquela finalidade. Como Conselheiro, lutamos para que o terreno do parque Esportivo do Barro Preto não fosse alienado como fizeram outros clubes e se aproveitaram de forma irregular da manutenção destes terrenos.
Presidente do Conselho Deliberativo, Vice-Presidente durante a gestão do Presidente Zezé Perrella e do 1º mandato do Alvimar de Oliveira Costa, participei como coordenador do projeto e construção da Toca II e da Sede Administrativa, revitalização do Barro Preto e melhoramento da Sede Campestre.
Ainda durante a gestão do Zezé Perrella, implantamos as normas administrativas e de gestão dos sócios do Clube

São muitas as atividades que considero como positivas para a construção desta história do Cruzeiro Esport Clube. Creio que o trabalho por mim realizado, sem falsa modéstia, vem ajudando durante todos estes anos a tornar o Cruzeiro uma potência como tem sido. Este relato é um pouco da vida que tenho dedicado pelo bem do Cruzeiro.

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13 03 08
O maior baile que Pelé levou na vida

Cruzeiro 6 x 2 Santos-SP

30/11/66


Chovia torrencialmente em Belo Horizonte naquela semana. A cidade vivia a emoção da disputa de um campeonato de expressão nacional, pela primeira vez, no Mineirão. O presidente do Cruzeiro, Felício Brandi, tentava não demonstrar, mas estava preocupadíssimo com a possibilidade de aquele time de toque de bola rápido e refinado jogar em um campo muito pesado, o que provavelmente favoreceria o Santos, adversário temido por todos os times do mundo e muito mais experiente do que os meninos do Barro Preto.


O Santos de Pelé era uma máquina de ganhar títulos. Nos cinco anos anteriores, ganhara
as cinco Taças do Brasil, duas Copas Libertadores da América e dois Campeonatos Mundiais Interclubes. Ninguém na imprensa bairrista paulistana conseguia imaginar que um time de garotos, saído de um Estado sem tradição de revelar grandes times podia fazer frente à esquadra comandada pelo "Rei do Futebol". Já em Minas Gerais, a expectativa era bem diferente. Havia mais de um ano e meio que aqueles garotos vinham encantando com apresentações maravilhosas, enchendo a todos de esperanças de trazer para Minas aquele título inédito.


No dia 30 de novembro de 1966 um sol maravilhoso nasceu na Serra do Curral, espantando as nuvens cinzentas que teimavam em escurecer o famoso horizonte mineiro. Para os supersticiosos, até São Pedro queria ver aquele espetáculo sem nada que obstruísse a sua visão. A drenagem do Mineirão era outro orgulho da engenharia de Minas Gerais, pois, na hora do jogo, o gramado do gigante da Pampulha estava em perfeitas condições.


Felício Brandi mostrava por que o Cruzeiro era a Raposa: antes de ir para o estádio, prometera um prêmio recorde pela vitória, além de colocar duzentos ônibus à disposição da torcida cruzeirense. No caminho para o estádio, duas cenas impressionantes: o comércio fechou mais cedo, e mais de 97 mil pessoas pagaram para ver o espetáculo, batendo o recorde de público brasileiro, estabelecido três anos antes
em um Fla x Flu. Todos se perguntavam como aquele time, até então inexpressivo no cenário nacional, podia encher um estádio com torcedores vestidos de azul e branco daquela forma.


O jogo começou e a bola foi lançada na ponta-esquerda do ataque do Cruzeiro. Hilton Oliveira recebeu e driblou o jovem lateral-direito Carlos Alberto, que mais tarde seria capitão da Seleção Brasileira. Na lateral, Hilton levantou a cabeça e cruzou na área; desesperado, o santista Zé Carlos entrou, na tentativa de cortar a bola, e empurrou para dentro, das próprias redes! O Mineirão explodiu,
quase 100 mil pessoas pulando e socando o ar enquanto Zito, capitão da esquadra santista, devolvia a bola para o meio-de-campo.


O Santos tentou cadenciar a partida após o recomeço e recuou a bola para a sua própria intermediária em toques lentos. Como que à espreita da presa, o Cruzeiro adiantou a marcação, sufocando a defesa santista. Nesse momento, um dos muitos lances mágicos da partida: Pelé recuou até o meio-de-campo e pediu a bola, com o braço direito levantado. O "deus de ébano" do futebol recebeu a bola no mesmo instante, sentindo o marcador se aproximar por trás. O Rei gingou o corpo em um drible que, durante sua carreira, deixou 98% dos seus marcadores humilhados. Pelé mal conseguiu ver o vulto azul que passou sem praticamente tocá-lo, levando consigo a bola e puxando o contra-ataque. Sua majestade ficou parada, olhando Piazza se distanciar, sem ao menos tentar acompanhá-lo, tal era a surpresa de encontrar um marcador limpo, que jogava na bola. Piazza deixou o Rei para trás e passou para Dirceu Lopes, um baixinho camisa 10 que tinha as canelas tão finas que os zagueiros salivavam ao vê-las; mal sabiam eles que nunca conseguiriam acertá-las
. Dirceu Lopes dominou a tabela em velocidade com Evaldo, terminando a linha de passe com a bola nos pés de Natal, que, de frente para Gilmar, apenas escolheu o canto para balançar as redes. A torcida, que nem tinha acabado de comemorar o primeiro gol, pulou com entusiasmo. Em apenas 5 minutos, aqueles garotos desmantelaram o maior time do mundo, e o espetáculo estava só começando.

Aos 20 minutos, a defesa santista estava enlouquecida: se tentavam parar Tostão, a bola procurava Dirceu; se corriam atrás de Dirceu, ela teimava em procurar Natal, na ponta; se congestionavam a ponta, Tostão, já livre, pedia a bola. Nas poucas vezes em que o Santos conseguia a posse da bola, lá estava Piazza, parando o ataque mais temido do mundo. Em uma tabela rápida, Dirceu, que a esta altura já era chamado de Príncipe da Bola, recebeu de frente para o gol e, com um drible seco e um chute forte, ampliou! Cruzeiro 3 a 0.

Pouco tempo depois, outro lance histórico: o capitão do esquadrão santista era o Zito, naquela época, já bicampeão do mundo pela Seleção Brasileira, que, como de costume, assumiu a responsabilidade de parar o jovem Dirceu. Num lance espetacular, Dirceu recebeu novamente de frente para o gol e deu dois cortes rápidos e desconcertantes no capitão santista, um para a direita e outro para a esquerda, acertando uma bomba na gaveta do também bicampeão Gilmar que, no pulo desesperado para tentar a defesa, acertou a sua própria trave, caindo dentro do próprio gol.


Cruzeiro 4 a 0, fora o baile!


Nesse momento, já atordoados com aquele esquadrão, o Santos, numaa última tentativa de intimidar a jovem equipe celeste, começou a apelar para a violência. Isso complicou ainda mais sua situação, pois, após
Natal praticar um carnaval na defesa santista, foi derrubado dentro da área – pênalti que Tostão bateu com uma categoria incrível, fechando o placar do primeiro tempo.


Cruzeiro 5 x 0 Santos.  Sobre o imbatível Campeão Mundial Interclubes.


A torcida quase não tinha voz para gritar; os jogadores caminharam para o vestiário sob aplausos ensurdecedores. Na volta para o segundo tempo, logo nos primeiros minutos, mais uma vez o Rei pediu a bola. Quase que automaticamente, Piazza o desarmou, com incrível precisão. Já cansado de não conseguir fugir da marcação implacável de Piazza, pois não estava acostumado a ser marcado de forma limpa, o Rei, descontrolado, desceu do seu pedestal. Em um lance desleal, que não era de seu feitio, Pelé acertou Piazza, que ficou no gramado se contorcendo de dor. Vendo aquilo, o xerifão Procópio foi até o meio-de-campo e acertou uma peitada no Rei, para proteger o colega. Naquele momento, se escrevia mais um lance histórico: Procópio provou que, se eles não podiam vencer aquele time na bola, com certeza não iriam ganhar no grito, afinal, como todo o continente constataria mais tarde, ninguém nunca ganharia do Cruzeiro no grito.


Com Pelé e Procópio expulsos, o Santos esboçou uma reação, marcando dois gols em três minutos, com Toninho, mas isso não preocupou a torcida celeste. O Cruzeiro começou a tocar a bola e, num lançamento em profundidade, Evaldo dividiu com Gilmar e a bola saiu, como se procurasse os pés de alguém para parar.


Como diz o velho ditado do futebol, a bola procura quem a trata bem. Nesse momento, provando a verdade do ditado, ela parou manca nos pés do príncipe Dirceu Lopes, que, com o gol escancarado, só empurrou para as redes, selando o placar do embate! Cruzeiro 6 x 2 Santos.


O Cruzeiro Esporte Clube nascia para o Brasil, e nunca mais pararia de crescer, nem de encantar os apaixonados pelo esporte mais popular do mundo.


Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, Willian, Procópio e Neco, Piazza e Dirceu Lopes, Natal, Eraldo, Tostão e Hilton.

Santos: Pelé, Gilmar, Mauro, Carlos Alberto, Zito, Lima, Mengalvo e Pepe, Zé Carlos, Durval Oberdian e Toninho.

Está em boas mãos!

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