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29 02 08
Seu time tem mêdo de ser campeão?

Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG

14/07/96

Em toda sua história, o Cruzeiro Esporte Clube teve, em várias oportunidades, sua valentia testada e, em 1996, não seria diferente.


Nossa história foi construída sempre com luta e conquistas, sempre levamos o nome de Minas mais alto que qualquer outro clube do estado, batalhar pela vitória até o último minuto é um sinônimo de nossa grandeza.


Mas tudo isto parecia ter sido esquecido pela imprensa mineira em 1996, nosso time não vinha bem no campeonato rural. Tínhamos sido derrotados no primeiro clássico regional e faltando apenas quatro jogos para o final do campeonato a vantagem do rival era de seis pontos.


Para irritar ainda mais a torcida celeste o ex-lateral cruzeirense, Paulo Roberto, à época atuando pelo rival, declarou ao final da primeira partida: ´´Já estive do lado de lá, e sei do medo que eles tem quando enfrenta esta camisa``.

Em toda sua história, quem tem vários exemplos de amarelar em decisões é justamente nosso rival. Porém, a parcial imprensa mineira, mais uma vez, esqueceu disto. Após a vitória atleticana sobre o América o jornal Diário da Tarde estampou em sua manchete “Este titulo esta no papo!”. O jornal ainda concluiu que o Atlético poderia reservar em sua sala de troféus um espaço já para o troféu de campeão mineiro. O adversário contribuiu e mandou fazer os posteres da conquista, antes de conquistá-la.


Como os deuses do futebol são justos, começara ali a maior amarelada da história de todos os campeonatos estaduais que o torcedor mineiro presenciara. Enquanto no campo o Cruzeiro bateu a Caldense, em Poços de Caldas, por 2 a 1 o rival teve seu primeiro tropeço contra o Villa Nova empatando sem gols em Nova Lima. A diferença então cairia para 4 pontos e o clássico se tornara decisivo, uma vitória atleticana daria o titulo com duas rodadas de antecedência, já uma vitória celeste colocaria fogo no campeonato e passaria toda a pressão para que o rival ganhasse as duas partidas seguintes.


O lateral atleticano Lira contrariando as instruções do técnico Procópio de não fazer declarações polemicas antes do clássico, afirmou que não conseguia nem dormir já sonhando com o titulo ao final da partida. Mais uma vez o Diário da Tarde provocou e no dia do clássico estampou a manchete “Galo pronto para a volta olímpica!”. Pobres atleticanos mais uma vez seria provado que quem morre na véspera da festa são as aves e não as raposas.


Com uma raça fora do comum e conscientes que iriam mais uma vez calar a boca da imprensa mineira o time celeste começou a partida indo com tudo para cima. Acuado coube ao time atleticano recuar enquanto das arquibancadas a torcida celeste empurrava o imortal time azul para frente. Logo aos 11 minutos Roberto Gaúcho cobrou um escanteio, Marcelo Ramos cabeceou com força e Tafarrel não segurou soltando a bola nos pés de Gelson que fuzilou o gol abrindo o marcador.


A torcida celeste comemorando sem parar cantou então provocando “EL, EL, EL SAI QUE É SUA FRANGARELL”.


O lateral Lira aquele mesmo que “sonhara” com o titulo mostrou a diferença de espírito de cada time. Logo após o gol pos a mão na coxa e pediu para sair sendo substituído por Daniel, seria mesmo os atletas cruzeirenses que tinham medo?


O Cruzeiro continuou dominando e a dupla Palhinha e Marcelo Ramos levava ao terror a defesa atleticana, apenas aos 30 minutos o rival teve uma chance de gol em um lance que Doriva tabelou com Clayton com William Andem saiu providencialmente abafando a jogada.


No segundo tempo, o jogo começou morno com o Cruzeiro recuado tentando aproveitar os contra ataques, o rival tentava atacar mas pouco perigo levava ao gol do goleiro Camaronês.


Aos 20 minutos, Palhinha foi lançado e antes de marcar o segundo gol celeste foi abafado por Tafarell, aos 28 minutos foi a vez de Euller invadir a área celeste e William Andem praticou perfeita defesa.


Aos 34, o golpe de misericórdia, Ailton entrou pela direita, livrou-se dos seus marcadores e rolou para Cleisson que chutou com raiva marcando op segundo gol celeste. A partir daí a festa foi completa, o Cruzeiro mais uma vez fizera seu papel, tirou mais três pontos do adversário.


No finalzinho, o jogo quase virou uma goleada, Roberto Gaúcho cabeceou a queima roupa e Tafarell fez bela defesa.


O jogo acabou. O zagueiro Gelson disparou “o pessoal do lado de la falou demais, ética nunca faz mal a ninguém, com humildade vamos buscar o titulo.”.


Cleisson perguntava aos repórteres quem era que tremia mesmo , numa alusão as declarações de Paulo Roberto no primeiro clássico.


Nas duas rodadas finais o que se viu foi a maior amarelada da história, a diretoria atleticana ofereceu uma bonificação aos jogadores Uberlandenses para que eles vencessem o Cruzeiro e facilitassem a vida do rival. Na última rodada, a situação se inverteu e foi a vez do diretor de futebol do Cruzeiro, o ex-zagueiro Moraes, viajar com a mala preta para Uberlândia. O time trinagulino endureceu o jogo e segurou o empate sem gols. Enquanto isso, no Mineirão, o Cruzeiro venceu o América por
1 a 0 conquistando o titulo.


Este seria apenas mais um campeonato mineiro, título de pouca importância para o Cruzeiro Esporte Clube. Na verdade ele só valeu mesmo para provar que, historicamente, quem treme em decisões não é o clube celeste das Minas Gerais e sim o clube fanfarrão que veste preto e branco e que em 100 anos conquistou apenas um título importante.

Ficha Técnica
Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG
Competição - Campeonato Mineiro (Finais)
Estádio -Mineirão
- Belo Horizonte-MG
Público - 35.904 / Renda - R$327.012,50
Árbitro - Dacildo Mourão (CE)
Gols: Gelson
aos 11' do 1º tempo e Cleisson aos 33' do 2º tempo

Cruzeiro : Willian Andem; Vítor (Marcos Teixeira), Célio Lúcio, Gelson e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Cleisson e Palhinha (Aílton); Marcelo Ramos (Donizete) e Roberto Gaúcho . Técnico: Levir Culpi.

Atlético (MG) : Tafarell; Paulo Roberto Costa, Rogério Pinheiro, Alexandre e Lira (Daniel); Doriva, Fábio Augusto, Bruno e Cleiton (Leandro); Euller e Renaldo (Ézio). Técnico: Procópio Cardoso.

Cartão vermelho: Daniel (ATL-MG) e Aílton (CRU)

Dedicatória.

Se a diretoria do Cruzeiro, em determinado momento de alucinação, pensou em homenagear o ex-lateral do Cruzeiro, Paulo Roberto Costa, sobre o que teria dito. Fica nossa homenagem pois tem que ter coragem para falar bobagem e sustentar. Recentemente o jogador, querendo agradar alguém, afirmou que suas palavras não foram bem interpretadas e que ele queria é dar um incentivo adicional ao clássico. Só que quem ficou com medo pois equipe dele e os colegas dele. Perderam um campeonato praticamente ganho. O que aconteceu? Tiveram MÊDO? Vai ficar, para sempre, marcado pela "amarelada" que tiveram naquele 1996.

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26 02 08
Aberta a temporada de proibiçoes.

Esta coluna tambem pode ser lida no site radar celeste pelo link:

http://www.radarceleste.com/colunabruno.html

Aberta a temporada de proibições.

Por: Bruno Vicintin
Revisado por: Bruno Silveira


Há anos as autoridades mineiras acreditam que proibindo as coisas vai se resolver algo. O primeiro culpado eleito pelas autoridades foram as bandeiras nos estádios, segundo a policia elas eram usadas como armas em confrontos e deviam ser proibidas. Meu deus existe coisa mais fácil do que se identificar quem esta “bandeirando” em um jogo? Proibi-las resolveu algo?
O segundo culpado foi a cerveja, ela mesmo, segundo as autoridades a maioria dos crimes eram cometidos por pessoas alcoolizadas. Realmente não entendo, já bebi muita cerveja na minha vida, porém porre nenhum me transformou em bandido? Por que será?
Agora a última pérola, querem me proibir de cantar algo que denigra a imagem do meu rival. Faço uma pergunta às autoridades, o Brasil é um pais livre? Nestes pais se respeita a constituição?
Durante o último clássico do ano passado, nosso Cruzeiro dominava o jogo e ganhava de 2 a 0, nosso rival reagiu e empatou, eu tenso com o jogo, fui ao bar comprar um refrigerante, pois a maldita cerveja poderia me transformar em um animal que começaria a espancar os outros e foi bem proibida pelas autoridades. Chegando lá encontro com um velho amigo meu de arquibancada que não vou falar o nome por motivos óbvios, ele como eu estava desolado em sofrermos o empate, mas surpreendente foi como a cabeça dele estava funcionando.
“Brunao eu vou parar de brigar pelo Cruzeiro, assim não dá, o time não colabora!” enquanto explanava como antes do jogo ele e outros haviam defendido a honra do Cruzeiro brigando contra vários torcedores do nosso rival. Ali pensei será que realmente ele acha que esta defendendo o Cruzeiro Esporte Clube brigando?
A minha conclusão foi que aquele menino foi educado assim, para ele brigar era defender a honra do Cruzeiro. Futebol não é a prioridade, é sim uma delas. Será que este TAC vai fazer este amigo meu e seus rivais do outro lado pararem de brigar? Será que se extinguirem as torcidas como foi feita no inicio a proposta vai resolver algo? Óbvio que não.
Sabe o que resolve, resolve as autoridades honrarem os seus salários que nós pessoas de bem pagamos quando pagamos esta carga tributaria abusiva e prender os marginais, separar o joio do trigo. Dos dois lados. Lugar de Marginal é na cadeia, me proibir de fazer parte da minha torcida organizada ou de tomar cerveja é fácil. Sou uma pessoa de bem e respeito as autoridades, difícil é prender os baderneiros que transformam jogos em batalhas campais, façam eles parte de organizadas ou não. E isto as proibições já provaram não resolvem em nada.
E você leitor aprova a proibição de cantos no Mineirão? Acha que vai diminuir a violência? (BV)

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24 02 08
Resenha do Mixa - CruzeiroxVilla Nova
CONFUSÃO E EMOÇÃO

Meus prezados amigos cruzeirenses, muito bom dia!

É com muito prazer que passo à partir dessa semana, a trazer à publicidade a Resenha do Mixa, que na verdade é uma resenha já existente, outrora fechada a alguns dos integrantes TFC por via eletrônica, e encabeçada pelo grande amigo Ricardo Banana que dava o ponta pé inicial do Paraná dos debates sobre os jogos do Cruzeiro, toda segunda-feira pela manhã.

Agora estamos aqui nesse espaço criado pelo amigo Bruno, para dividir com vocês os comentários sobre os jogos, sendo eu, Mixa (de Mixirica) o iniciante dos debates.

O jogo de domingo foi um jogo confuso sobrando enganos e emoções por toda
a partida...

Nosso time entrou meio desligado, e o Villa mordendo em cima. Mostramos hoje
parte do tamanho da falta que o xará Fabrício pode e certamente fará ao time titular no período de sua ausência.

Não tínhamos o combate do meio-de-campo e a cobertura da zaga que o xará
fazia com maestria nesse início de temporada. O Villa, se aproveitando desse hiato, e do desentendimento de nossa zaga, aproveitou e foi logo abrindo o placar em jogada rápida na nossa área, e toque na saída do Fábio, que já havia se machucad  momentos antes do lance do gol. Sem culpa o Fábio no lance, saiu certo, como sempre sai do gol, mas não teve sorte.

Arrancamos o empate a duras penas com o time ainda confuso e afoito, tanto atrás como na frente, para depois tomar o 1x2 basicamente com os mesmos erros de cobertura à zaga do primeiro combate, e novo desentendimento na zaga para nova jogada de velocidade e toque na saída do Fábio, que mais uma vez, fez tudo certo e não foi feliz na conclusão da defesa.

Continuamos com problemas. A lateral esquerda estava mal no apoio, e mal na cobertura. Marquinhos Paraná e Apodi não cobriam nem apoiavam tornando a lateral direita menos ou tão ineficiente que a esquerda.

A torcida, embalada pelo "dá-lhe ô" entoada pela TFC, fazia a sua parte e aos trancos e barrancos chegávamos ao gol adversário com algumas boas jogadas de Leandro Domingues e o meia Wágner.

O segundo tempo fez com que o Adílson tivesse que fazer mudanças, mandando
o goleiro Andrey a campo, que jogou com segurança e não comprometeu. Na base da voluntariedade, da raça, e da empolgação da Máfia Azul e do restante da torcida, conseguimos a virada com muita aplicação do sempre lutador Marcelo Moreno, e depois do atacante Marcel de penalti.

Vendo o jogo do estádio, reputei o lance da penalidade como inexistente. Na tv, me pareceu ainda forçação de barra de nosso atacante, mas deu pra notar que a zaga do Villa bobeou, e o zagueiro, de fato, tocou nele. Sem problemas, porque mais tarde teria, nova penalidade sofrida pelo Wágner, erroneamente não assinalada pelo árbitro.

Senti que a arbitragem estava muito insegura, e além de permitir o  anti-jogo da equipe do Villa, que não precisa disso pra ganhar dos outros (ou será que precisa?), se equivocou em várias passagens do jogo, invertendo faltas, deixando os jogadores nervosos (o que levou até ao desequilíbrio para subsequente do guerreiro Ramirez) além de não assinalar penais como esse do Wágner, e outro em Ramirez.

Ramirez esse que mais uma vez, a meu ver, foi um leão em campo, e na hora que o bicho pega, não se entrega. Foi dele a jogada do primeiro gol, colocando o atacante Marcel de frente para o goleiro para que chutasse em cima do goleiro, e marcássemos no rebote o gol.

O jogo, apesar das confusões de arbitragem, expulsão do Ramirez, que eu não
tenho como opinar, porque foi interpretação do árbitro, e anti-jogo e "chora-na-cama-que-é-lugar-quente" do Villa, foi muito emocionante, com muitas mexidas no placar, decorrente de um jogo muito aberto, proporcionada pela postura de marcações ineficientes das duas equipes.

Não dá pra criticar nada. O Adílson está fazendo certinho, e agora é mesmo a hora de tentar e testar todas as opções que temos, porque agora é a hora que "se pode perder". Não vamos fazer como o rival que critica o treinador até quando ele erra acertando, quando testava opções diferentes de seu time, sem o velho e experiente atacante Marques.

Adílson, com toda certeza, com essa seriedade e profissionalismo, está semeando uma cara de time hiper competitivo, receita essencial para conquista maior do ano que seria e será a taça Libertadores da América.

Vamos com fé. Abraço a todos, e parabéns ao Cruzeiro pela luta e entrega que não faltou hora nenhuma do jogo de hoje.

Fabrício Augusto Reis - Mixa
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23 02 08
Jogos Imortais em Números - Janeiro

Estatisticas Janeiro.


O Blog e o Site dos Jogos Imortais vem demonstrando um crescimento que muito nos satisfaz. Não é um crescimento repentino ou artificial, é consistente e reflete o aumento do interesse dos cruzeirenses pelo seu passado, pela sua história, pelas suas Páginas Heróicas Imortais.


Estaremos postando esta evolução, periodicamente, para que todos que nos prestigiam e participam de alguma forma, possam acompanhar este crescimento e ajudar-nos a crescer mais.


No mês de Janeiro, estabelecemos um recorde de acessos, foram ao todo 4,018 acessos sendo 5,826 paginas visualizadas, o que mostra que mais do que ler o post mais recente, parte dos visitantes se interessam por jogos e páginas publicadas.


A pagina mais visitada foi o jogo imortal no qual homenageamos o atual técnico, Adilson Baptista, com 1147 leituras, seguida pela homenagem ao ex-presidente celeste Carmine Furletti e ao jogo da Copa Ouro da velha raposa Ênio Andrade. Todos merecedores de nossas homenagens e nos quais repousa enorme interesse pela história dos mesmo no Cruzeiro.


A grande maioria de visitantes se conectaram aos Jogos Imortais através da Comunidade do Cruzeiro no Orkut, perfazendo um total de 2,367 visitas. Na seqüência, vieram 583 internautas através da página oficial do Cruzeiro; 531 por intermédio do mecanismo de busca Google; e através do Site Oficial da Torcida do Cruzeiro Cruzeiro.Org e seus serviços com 92 acessos.


Surpreendeu, mais uma vez, os acessos de fora do Brasil que totalizaram 66 dos Estados Unidos, 31 de Portugal, 30 da Turquia, 12 da Alemanha, 7 da Espanha, Itália e Canadá, 5 do Japão e 4 da Suíça.


Além destes paises ainda tivemos acessos ao Blog originados na Argentina, Peru, Colômbia, Angola, Austrália, Nova Zelândia, China, Japão, Republica Dominicana, Polônia, Lituânia, Yugoslávia, Irlanda, entre outros.


Isto com um Blog exclusivo no idioma Português demonstra a força indiscutível de um clube que a muito ultrapassou os limites da Serra do Curral, deixou de ser rural, é do mundo, tem torcedores em todos estes países e angaria a simpatia de torcedores de times em locais inimagináveis.


É assim que contribuímos para fazer crescer e consolidar a torcida do Cruzeiro como uma torcida que mais do que a maior e melhor em Minas Gerais faz do Cruzeiro ser reconhecido em todo o mundo.
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15 02 08
Libertadores é prá quem pode.

Cruzeiro 1 x 1 San Lorenzo-ARG

02/12/98


Dos grandes clubes argentinos, o San Lorenzo é o único que nunca ganhou um titulo internacional da magnitude de uma Libertadores da América, nem títulos com Sulamericana, Mercosul e outros menos expressivos. É um simpático time argentino, respeitado em todo o continente, mas que nunca teve o mesmo sucesso em competições internacionais como seus rivais locais. Apesar de sempre mostrar força em torneios nacionais, ser campeão doe algum certame continental é o sonho da sua torcida.


Provavelmente, uma das maiores chances de quebrar este tabu para o time centenário argentino, foi em 1998 durante a Copa Mercosul, um time forte portenho chegara a semifinal daquele torneio e enfrentaria o já famoso Bicampeão da América, o terror dos argentinos dentro dos seus domínios, o Cruzeiro Esporte Clube.


Aquele também vinha sendo um ano mágico para nós cruzeirenses, com uma equipe mesclando jovens e veteranos em igual proporção. Nosso time fazia uma brilhante campanha tanto na Copa Mercosul quanto no Campeonato Brasileiro disputando a semifinal contra a Portuguesa-SP.


Antes das duas decisões, uma grande especulação sobre o cansaço do time celeste e se o técnico Levir Culpi iria poupar algum titular na Copa Mercosul priorizando a competição nacional.


A discussão ganhava as arquibancadas quando os torcedores se dividiam entre dedicar a uma das competições ou ir com a força máxima nas duas. A decisão do comandante na época foi que o time do Cruzeiro não estava cansado e que iriam atrás dos dois títulos.



No primeiro jogo, tudo correu bem e o Cruzeiro bateu os argentinos no Mineirão, como tradicionalmente faz com argentinos e sulamericanos, por 1 a 0 com um gol do ponteiro Alex Alves. Os argentinos deixaram o "gigante da pampulha" comemorando a derrota, acreditavam que reverteriam a desvantagem em seus domínios.


O centroavante argentino Acosta declarara que a concentração era total rumo ao titulo enquanto o eterno capitão Wilson Gottardo questionava os argentinos que comemoravam não ter tomado uma goleada, imaginando que o time teria facilidades no Nuevo Gasômetro.


A situação do clube argentino era completamente diferente da cruzeirense, já sem chances no torneio apertura todas as forças estavam concentradas na copa continental. Inclusive, durante a semana, escalaram um time praticamente amador para jogar no torneio nacional empatando com o Belgrano em 2 a 2.


A torcida argentina foi convocada e compareceu em peso na esperança de ver o seu sonho realizado e que seu time finalmente conseguisse o sonhado título internacional. A pressão antes do jogo era grande, porém, o time celeste era muito experiente e começou a partida recuado segurando a pressão inicial que com certeza seria aplicada pelos donos da casa.


Os primeiros 20 minutos foram de total pressão argentina, aos 2 minutos, Esteves marcou mas o juiz segurando a pressão marcou corretamente falta em um lance anterior. O Cruzeiro deu o troco com um chute de Alex Alves, que bateu forte obrigando Passet a fazer bela defesa. Aos 17, novamente ataque portenho com Coudet cruzando e Acosta cabeceando para bela defesa de Paulo César Borges.


A partir daí, o Cruzeiro melhorou em campo e começou a levar perigo ao gol adversário. Fábio Júnior perderia duas boas chances aos 21 e 28, em jogos decisivos na casa do adversário não se pode perder oportunidades e o castigo veio minutos depois. Aos 38, Basavilbaso entrou nas costas do lateral Gustavo e recebendo passe de Coudet abriu o marcador. O estádio Nuevo Gasômetro quase veio a baixo de tanta comemoração.


Muller mostrava o melhor de seu futebol numa noite inspiradíssima e o setor defensivo do San Lorenzo conseguia segurar a vitória, a duras penas. O primeiro tempo acabou e este resultado não era bom para ninguém já que levava a decisão para os pênaltis.


No segundo tempo, os dois times teriam que buscar o gol e para surpresa de todos o Cruzeiro continuou melhor, com mais presença em campo e levando mais perigo. Aos 7 minutos, da etapa final, Alex Alves cruzou e Muller perdeu ótima chance.


Era o sinal para que o sonho dos argentinos começasse a virar pesadelo. Aos 20 minutos, Valdo cobra falta para Djair que solta a bomba e empata a partida calando o Nuevo Gasômetro. Após o gol celeste o time argentino foi com tudo ao ataque. Porém, todas as suas investidas paravam na forte defesa cruzeirense. Nos contra-ataques, era o Cruzeiro que chegava mais perto do gol e da vitória. Foi assim até os 44 minutos do segundo tempo quando o goleiro Paulo César foi expulso ao retardar uma cobrança de tiro de meta, para piorar o técnico celeste já tinha feito as substituições permitidas. Sempre, nestas circunstâncias, um jogador da linha teria que defender o gol. Coube ao matador Marcelo Ramos a ingrata posição. O árbitro anotou que daria quatro minutos de acréscimo e um gol levaria a disputa para os pênaltis. Foram quatro minutos de ataques incessantes durante os quais muitas bolas cruzadas na área celeste não levavam pergio direto mas rondavam a cidadela do arqueiro Marcelo Ramos. Se saísse um gol a disputa de penaltis seria até covardia. Porém , nossos zagueiros cresceram e naqueles eternos 4 minutos cortaram todas as bolas com a devida proteção ao arqueiro-artilheiro.


O até franzino atacante, Marcelo Ramos, parecia uma criança que veste uma camisa de adulto. Mesmo assim encontrou forças para salvar o time e não disputar penaltis. Aos 48 minutos do segundo tempo, quando em mais uma bola jogada na área nosso “goleiro” teve que sair do gol e antes Lussenholf marcasse fez arrojada defesa para um atacante.


Para desespero da torcida local o sonho acabara, como sempre em sua história. Os jogadores cruzeirenses foram guerreiros arrancando a classificação. Marcelo Ramos marcou sua carreira no Cruzeiro balançando as redes adversárias, porém, em uma vez, o matador teve que ser goleiro na Argentina e em um jogo decisivo. Como sempre fez em sua carreira, o bom baiano não decepcionou os torcedores celestes, nem como goleiro.


Ficha Técnica
Cruzeiro 1 x 1 San Lorenzo-ARG
Competição - Copa Mercosul (semifinal)
Estádio - Nuevo Gasômetro - Buenos Aires-ARG
Público - 41.000 / Renda - Não Disponível
Árbitro - Ubaldo Aquino (PAR)
Gols: Basasilbaso
aos 32' do 1º tempo e Djair aos 20' do 2º tempo

Cruzeiro : Paulo César Borges; Gustavo, Marcelo Djian, Gottardo e Gilberto; Marcos Paulo, Djair (Valdir), Valdo, Muller (Caio); Alex Alves e Fábio Júnior (Marcelo Ramos) . Técnico: Levir Culpi.

San Lorenzo (ARG) : Passet; Tuzzio, Ameli, Córdoba e Cloudet (Paredes); Rivadero (Borelli), Basavilbaso, Lusennhoff e Gorosito; Estévez (Biaggio) e Acosta. Técnico: Alfio Basile.

Cartão vermelho: Paulo César Borges (CRU)

Dedicatória.

No momento em que se discute a contratação de jogadores para o ataque cruzeirense e, passados dez anos desta partida, o atacante Marcelo Ramos segue fazendo seus golzinhos pelos campos de futebol, muito torcedor cruzeirense pede para que o jogador seja recontratado. A experiência do Cruzeiro em recontratar jogadores algum tempo depois que eles saem não tem se revelado profícua. Melhor lembrar partidas heróicas, melhor lembrar gols históricos e eternos. Esta página de Jogos Imortais é dedicada a um dos maiores artilheiros da história do Cruzeiro sem que retorne e corra o risco do torcedor de memória curta crucificá-lo por coisas que não faria mais da mesma forma. Esta partida é uma página heróica em que o artilheiro mostrou-se eficiente jogando no gol.
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11 02 08
Um novo Marcelo Ramos?

Um novo Marcelo Ramos?

Por: Bruno Vicintin
Revisado por: Bruno Silveira

Esta coluna tambem pode ser lida no site Radar Celeste pelo link:

http://www.radarceleste.com/colunabruno.html

Pouca gente se lembra, porém o ataque do Cruzeiro que iniciou a disputa da Libertadores de 1997 não inspirava muito a torcida celeste. A briga pela camisa nove celeste (que já encantara a América com o primeiro Palhinha na década de 70) seria entre um jovem jogador vindo do América chamado Alex Mineiro e uma ex promessa do nosso rival o folclórico Reinaldinho (aquele mesmo que a imprensa mineira teimava em comparar com o fenômeno Ronaldo, em 97 Reinaldo ainda tentava se firmar enquanto Ronaldo já conquistara o mundo).

Começamos muito mal aquela Libertadores e se não fosse um gol salvador do meia Palhinha calando o Grêmio no Olímpico, o Cruzeiro não teria se classificado a segunda fase. Pensando em nada menos que o título o então presidente Zezé Perrela usando uma lei que poucos clubes até então utilizavam na competição (a lei que permitia substituir dois jogadores da lista que estava disputando a Libertadores, autorizando teoricamente dois novos reforços no meio da competição). Vieram por empréstimo nosso ex-centroavante Marcelo Ramos que estava no PSV da Holanda.

O resto da história todo mundo se lembra, apesar de não ter marcado o gol decisivo daquela Libertadores Marcelo foi importantíssimo para o titulo, já que sua presença na área fez um time até então muito defensivo aumentar em muito seu poder ofensivo. Além disto não podemos esquecer que foi de Marcelo Ramos o inesquecível gol da final do campeonato mineiro daquele ano contra o Villa Nova aonde a torcida celeste bateu o recorde imortal de maior publico da historia do mineirão mais de 132 mil pessoas!

Porque relembrar esta história que parece de pouca importância? Porque na minha opinião estamos muito perto de disputar com chances reais este título de 2008 e nossa diretoria assim como fiz em 97 precisa dar o último empurrão rumo a conquista, acho que não precisamos mais de quantidade e sim de mais um atacante que venha como Marcelo veio em 97 para ser o diferencial.

E para você o Cruzeiro com mais um reforço de peso estaria perto ou não da conquista da libertadores? (BV)

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01 02 08
Nem o Defensores del Chaco segura um Supercampeão!

Cruzeiro 1 x 0 Olímpia-PAR

04/11/92


Era o primeiro jogo da semifinal da Supercopa de 1992. O Cruzeiro viajara para Assunción, no Paraguai, para enfrentar o Olímpia – time mais tradicional daquele do país. Com uma bela campanha, o Cruzeiro chegara à semifinal eliminando o River Plate, em Buenos Aires; enquanto isso, do outro lado da chave, os paraguaios eliminavam o grande time do São Paulo, que, mais tarde, no mesmo ano, conquistaria o Mundial Interclubes.


Era óbvio que as duas equipes vinham motivadas ao máximo, e o primeiro jogo seria a chance de os paraguaios abrirem uma vantagem e segurarem o Cruzeiro no temido Mineirão. Alguns jornais paraguaios falavam até em goleada, desconhecendo o belo futebol que os mineiros vinham apresentando até então.


O jogo começou com os torcedores paraguaios cantando e empurrando o time, como era de se esperar. Era uma torcida que lotava o estádio, pequeno se comparado ao "Gigante da Pampulha", famosa pelo fanatismo e pelos atos de violência. A pequena torcida do Cruzeiro que se fez presente passou por apuros inimagináveis e até hoje desconhecidos pela maioria dos torcedores do Cruzeiro. Até da própria Polícia que era para cuidar dos torcedores cruzeirenses, os corajosos que lá estiveram buscaram maneiras de se proteger.


No início do jogo, o Cruzeiro abafou. Logo nos primeiros 5 minutos, mostrou que era o time mais copeiro do Brasil, sabia jogar com o regulamento "debaixo do braço", mesmo com as tentativas de finalização perdidas por Renato Gaúcho. Aos 15 minutos, o Cruzeiro dava um banho no Olímpia, parecia que jogava em casa: Paulo Roberto cobrou escanteio, Goycochea soltou a bola na coxa de Renato, que dominou e chutou forte. A bola bateu na trave, e , caprichosamente, voltou para o goleiro.


Aos 19 minutos do primeiro tempo, o Cruzeiro sofreu o primeiro ataque paraguaio, parecia que eles jogavam fora de casa. Amarilla puxou o contra-ataque e tocou para Caballero. O atacante ajeitou e mandou a bomba, mas Paulo César fez boa defesa.


O Cruzeiro dominava territorialmente e o gol não tardaria. Aos 33 minutos do primeiro tempo, Luis Fernando lançou, da direita, para Nonato, na esquerda. O lateral se aproximou da entrada da área e cruzou. Nervoso, o zagueiro Ayala furou, não conseguindo cortar o cruzamento, e Goycochea não saiu do gol – ficou parado, enquanto a bola cruzava a área. A bola passou também por Renato Gaúcho, mas não por Luis Fernando: o baixinho bom de bola fechou surpreendentemente, cabeceando para dentro do gol e calando todo o Defensores del Chaco. Começava a preocupação adicional para os cruzeirenses presentes no estádio. A garantia é que o jogo de volta seria em Belo Horizonte.


A reação paraguaia não tardou. Logo depois do gol cruzeirense, o Olímpia teve uma outra chance com Amarilla, que recebeu na entrada da área e, quando tinha dois companheiros livres, preferiu chutar, mandando a bola para a linha de fundo. Era o sinal de que eles não se davam por vencidos e sabiam que uma derrota em casa era a condenação a serem eliminados na semifinal.


O técnico Jair Pereira amarrou o Olímpia no primeiro tempo com um esquema tático muito seguro. Mas, no segundo tempo, o ex-zagueiro celeste Roberto Perfumo, que era o técnico do Olímpia, mudou seu esquema de jogo e criou problemas para o Cruzeiro. O Olímpia voltou com três atacantes e seu meio-campo bem mais avançado.


Nos primeiros 20 minutos, o Olímpia sufocou, mas o experiente volante Douglas era uma rocha à frente da zaga celeste. Aos 19 minutos da etapa final, o Olímpia teve sua melhor chance de empatar, mas Nonato salvou em cima da linha do gol.


Depois dos 30 minutos, o Olímpia cansado, pelo esforço e pressão feitas naquele segundo tempo alucinante, fez com que permitisse  e o Cruzeiro voltasse a assumir o controle da partida. Renato Gaúcho ainda perdeu mais duas chances e o jogo terminou com uma bela vitória celeste por 1 a 0.


O Defensores del Chaco estava mudo. A festa era do Cruzeiro e de um grupo de torcedores que saíra de ônibus de Belo Horizonte para ver o jogo no Paraguai. Aquele era um passo decisivo rumo ao  sonhado SuperBiCampeonato.

Ficha Técnica
Cruzeiro 1 x 0 Olímpia-PAR
Competição - Supercopa da Libertadores (semifinal)
Estádio - Defensores del Chaco - Assunción-PAR
Público - 23.677 / Renda - G 169.567.000
Árbitro - Jorge Orellana (EQU)
Gols: Luis Fernando
aos 32' do 1º tempo

Cruzeiro : Paulo César Borges; Paulo Roberto, Célio Lúcio, Arley Álvares e Nonato; Douglas, Rogério Lage, Luis Fernando (Édson) e Betinho; Renato Gaúcho e Roberto Gaúcho. Técnico: Jair Pereira.

Olímpia (PAR) : Goycochea; Cáceres, Ayala (Miguel Sanabria), Ramirez e Suarez; Adolfo Jará, Sanabria, Romerito e Gonzales; Amarilla e Caballero (Samaniego). Técnico: Roberto Perfumo.

Dedicatória.

O "baixinho bom de bola" participou de jornadas memoráveis envergando a camisa do Cruzeiro. Jogou com verdadeiros craques e sempre se mostrou solícito, um garçon da melhor estirpe, sem vaidades ou senões. Um guerreiro que "carregava pianos como ninguém". Este jogador, vez por outra, desequilibrava e colocava tudo nos eixos. O relato desta vitória é dedicada ao Luiz Fernando que, ainda hoje, atua com futebol das categoria de base e ao marcar um gol no "caldeirão" do Defensores del Chaco mostrou que não é impossível o Cruzeiro vencer onde quer que seja, quanto mais nos classificarmos. Homenageamos este belo jogador de futebol e que ele sirva de exemplo para aqueles que lutarão contra o Cerro Porteño. Que esta história sirva de inspiração para homenagearmos outros guerreiros no futuro.

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