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19 11 07
Até o `Galinho` é freguês.

Cruzeiro 2 x 0 Flamengo (RJ)

26/11/1989

Foram poucas as fases vitoriosas da história do Clube de Regatas Flamengo. Uma delas, coincidiu com a entressafra de títulos do Cruzeiro, nos fatídicos anos 80, única década desde a construção do Mineirão que o Cruzeiro não ganhou nenhum título de expressão.


Para os cruzeirenses, havia a simpatia pelo rubro-negro carioca pois foi o time que inaugurou o Estádio Barro Preto na década de 20 e nos aliviou de alguns contratempos ao manter a escrita de não deixar nenhum outro clube de minas ganhar títulos importantes no início da década.


Liderados por Zico e Júnior, a equipe flamenguista conquistou 4 quatro Brasileiros, uma Libertadores e um Mundial Interclubes justamente nos anos de glória de nosso maior rival, que limitou-se a comemorar alguns vices campeonatos.


Como os deuses do futebol são justos, e o verdadeiro vingador foi criado no Barro Preto, naqueles anos de penitência coube ao Cruzeiro ser o maior carrasco do time carioca e do "Galinho de Quintino". Ate o jogo de 1989, o meia Zico nunca havia marcado contra o Cruzeiro um gol sequer.


Naquele Nacional, jogando no Mineirão, mais uma vez Cruzeiro e Flamengo se enfrentariam. Mal sabiam os jogadores que aquela seria a ultima partida de Zico nos gramados do segundo maior estádio coberto do mundo.


O final da década de 80 já indicava que o time recomeçava a formar bons times, nacionalmente, e a revelar jogadores para a Seleção Brasileiro. O time celeste tinha os excepcionais Careca e Ademir no meio campo, além do esforçado Balú na lateral direita. Era um time que comandado pela "raposa" Ênio Andrade, jogava sério e honrava as tradições da camisa com cinco estrelas no peito.


Para apimentar ainda mais o clássico nacional daquele ano, o meia atacante Careca prometera responder as criticas da imprensa carioca. O jogador cruzeirense era muito criticado sendo até rotulado de peladeiro, a mídia não aceitava a suas poucas convocações para a Seleção e isto o incomodava muito.


A partida começou com domínio total dos locais, a torcida apoiava e empurrava o time para frente acuando os cariocas. Logo aos 4 minutos Heyder passou por Leandro e tocou na área para Careca, o meia atacante deu um drible desmoralizante em Júnior, que caiu sentado. Na seqüência, Careca mandou uma bomba que passou raspando a trave. Aos 17, novamente numa bela arrancada de Heyder, avançou e chutou forte para difícil defesa de Zé Carlos. Só dava Cruzeiro e o gol não ia demorar, um minuto depois da bela jogada de Heyder coube a Ademir receber uma bola no meio de campo e fazer lançamento primoroso para Édson. O ponteiro avançou e ao driblar o goleiro foi derrubado. Pênalti bem marcado pelo árbitro. Porém, o próprio Édson cobrou para fora na seqüência, perdendo a chance de abrir o placar.


O primeiro tempo foi todo celeste, na metade, Careca quase cumpriu sua promessa de antes do jogo de calar a imprensa carioca quando saiu sozinho na frente do gol mas justo quando invadia a área foi ao chão em dores. Ele acabava de sofrer uma seria lesão muscular e fora obrigado a deixar a partida para a entrada do júnior Luís Gustavo. Foi assim que terminou a primeira etapa, com total pressão do time celeste enquanto Zico, Júnior e compania eram obrigados a jogar para não perder.


O esquema que a "velha raposa" Ênio Andrade tinha treinado surtira efeito no primeiro tempo mesmo com o placar em branco. O Cruzeiro voltou com a mesma pegada e, na segunda etapa, o gol haveria de sair. Foi então que, numa boa tabela de Édson e Eduardo, o ponteiro cruzou na área, o jovem Luis Gustavo fez o corta-luz e Heyder entrou firme para abrir o placar da partida.


Com a vantagem no marcador, o time azul continuou dominando, onde o adversário praticamente não jogava e era pela lateral direita que Balú fazia a festa. O segundo gol teria que sair daquele lado do gramado. Aos 36 minutos, Paulo Isidoro ganhou uma dividida de Júnior e rolou para Balu. O lateral, com um corte sêco, limpou dois marcadores e bateu firme para ampliar a vantagem celeste.


Com o 2 a 0 garantido o final do jogo foi uma festa. Zico na saída de campo declarou, “o Flamengo não suportou o ritmo e o Cruzeiro foi mais time, mereceu vencer”, mal o craque imaginava que aquela seria a última vez que jogaria contra o Cruzeiro. Em sua carreira o craque enfrentou o grande campeão mineiro seis vezes, venceu uma, empatou outra, e perdeu quatro. Não marcou nenhum gol. Talvez fato inédito na carreira do jogador contra uma equipe que teve tantos confrontos.


Encerrou sua carreira contra o Cruzeiro da mesma forma que havia iniciado em 1973 com derrota. Mesmo atuando na pior década de nossa história, Zico só deu alegrias à torcida celeste, tanto por sempre sair derrotado jogando contra o Cruzeiro, quanto pelas várias e significativas vitórias contra o rival local.

Ficha Técnica
Cruzeiro 2 x 0 Flamengo (RJ)
Mineirão - Belo Horizonte (MG)
Público - 36.992/
Renda - NCz$ 604.950
Árbitro - Renato Marsiglia (RS)
Gols: Heyder aos 21min e Balu aos 38min do segundo tempo (Édson perdeu penâlti aos 20min do primeiro tempo).

Cruzeiro : Paulo César Borges; Balu, Gílson Jáder, Adílson e Eduardo; Ademir, Paulo Isidoro e Careca (Betinho); Heyder, Hamilton (Luiz Gustavo) e Édson. Técnico: Ênio Andrade.

Flamengo (RJ) : Zé Carlos; Uidemar, Rogério, Júnior e Leonardo (Leandro); Renato Carioca (Borghi), Aílton e Zico; Luís Carlos, Nando e Zinho. Técnico: Valdir Espinosa.


Dedicatória.

Muitos agradecimentos só são realizados após descobrirmos que injustiças são cometidas no calor das disputas futebolísticas. Um dos jogadores cujas atuações eram alvo de grandes polêmicas era o lateral Balu. Numa década de poucos ídolos e muitos jogadores de qualidade técnica duvidosa, Balu era um jogador acima da média e reforçada com uma aplicação incomum que lembava o antigo ídolo Pedro Paulo.
Naquela aridez de jogadores, grande parte da torcida pediu a sua convocação para Seleção Brasileira. Fosse nos dias de hoje teria convocação garantida além de espaço em muitos times europeus.
Esta página é dedicada ao incansável e raçudo Balu.
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12 11 07
Uma Derrota Imortal

Cruzeiro 0 x 2 Real Madrid (ESP)

15/08/1976

Um dia o Real Madrid, este mesmo que é conhecido atualmente como celeiro de galáticos, apelou para vencer o Cruzeiro. São assim as nossas derrotas, imortais e muitas delas vergonhosas para os adversários.

Alguns leitores deste blog são meus amigos, torcedores do nosso rival citadino, e passam por aqui para saber o que significa Páginas Imortais e para deixar seus recados malcriados. Um destes recados questiona porque só escrevo Páginas Imortais e Heróicas narrando vitórias. Não é bem assim e o livro Jogos Imortais narra derrotas, mas eles não devem ter lido. Como nem só de vitórias um time constrói suas Páginas Heróicas mostraremos que o Cruzeiro é tão grande que até empates e derrotas merecem ser lembradas e imortalizadas.

Escolhi uma derrota para o Real Madrid, pois é no exemplo desta grande equipe que devemos nos espelhar para objetivos futuros. Eles só começaram a crescer e tornar-se um time do mundo quando abandonaram a rivalidade local e passaram a ignorar o adversário que, por acaso, tem o mesmo nome de nosso adversário rural.

No início da década de 70, estopim da internacionalização do Cruzeiro era, por si só, uma vitória ter começado na condição de time de imigrantes italianos e que crescer muito além de um time de uma cidade, fazer excursões e disputar torneios na Europa. Torneios de verdade, daqueles que resultam em troféus e não coisas que se derretem e nem chegam ao Brasil. O Cruzeiro se tornara um grande vencedor, um patrimônio de Belo Horizonte, de Minas Gerais e do Brasil, sendo das primeiras equipes de futebol a receber reconhecimento da tradicionalíssima mídia esportiva nacional, para inveja de muito time fora do eixo RJ-SP.

Em 1975, o time celeste participou do "Torneio Teresa Herrera" tradicional e famoso torneio de verão na Espanha, na cidade de La Coruña e, mesmo tendo sido vice-campeão, ao perder a final nos pênaltis para o Penarol, apresentou futebol tão superior, que o foi convidado a jogar o torneio novamente no ano seguinte, independente da classificação no Campeonato Brasileiro, ou será que eles estava prevendo que aquele time não poderia fazer feio no brasileiro de 75? Mal sabiam, os dirigentes mineiros, que ao receber o convite que o torneio parecia já ter sido encomendado pelo dono do futebol espanhol naquela época.

Em 1976, de volta ao torneio, dividiria com o local Real Madrid, time do então ditador Franco, o uruguaio Penarol, campeão do ano anterior e o PSV, da Holanda, time que representava o futebol que encantou o mundo na Copa do Mundo de Seleções e 1974, o nosso Cruzeiro Esporte Clube, convidado especial e vice-campeão Brasileiro no ano anterior.

Na sexta feira, início do torneio o Madrid vencera o Peñarol por 5x2 , e no sábado coube ao Cruzeiro, numa belíssima apresentação, brindar os espanhóis com futebol de verdade e eliminar os holandeses por 2 a 0. O melhor estava porvir.

A final seria disputada no domingo e o time celeste não teve nem 24 horas para descansar antes de enfrentar o time madrileño. Para complicar a situação, o experiente Zezé Moreira não poderia contar com dois de seus principais jogadores: Nelinho e Palhinha. Os dois, contundidos na partida contra o PSV, não disputariam a final.

Aquele time era uma máquina de jogar futebol e, liderados pelo "Furacão" Jairzinho e pelo "Bailarino" Joãozinho, fizeram a partida começar com domínio sobre o adversário local. A academia jogava no 4-4-2 quando se defendia, com Jairzinho recuando para o meio. Quando atacava, o "Furacão" mudava de posição e o time partia para um 4-3-3.

O Madrid estava acuado e sua torcida, que lotara o estádio, estava calada, ao time do "Generalissimo" restava apelar para as faltas duras e desleais.

Aos 14 minutos, Jairzinho invade a área, em velocidade, se livrando dos marcadores, o ponteiro solta uma bomba que passa raspando a trave. Aos 20 minutos, em cobrança magistral de falta, Joãozinho obrigou o goleiro Miguel Angel a fazer um milagre.

Foi então que, aos 29 minutos, totalmente dominado, o poderoso Madrid apelou e começou a contar com a ajuda do árbitro para ter o título. Jairzinho fez grande jogada, driblando seus marcadores, e lançou Joãozinho, o "Bailarino" invadiu a área e quando ia finalizar foi empurrado por trás por Braitner, o árbitro apita e os cruzeirenses comemoram a marcação do pênalti mas são surpreendidos quando o mesmo indica que a falta seria cobrada em dois lance dentro da área madrileña. Acabara de ser criada uma regra no futebol que so estaria em vigor somente naquele jogo e para aqueles lances que beneficiassem os cruzeirenses.

No final do primeiro tempo, Joãozinho recebeu mais uma falta violenta que chegou a rasgar sua camisa. O ponteiro levantou e revidou a agressão. O juiz não fez nada, e mesmo depois que vários diretores de ambos os times invadiram o campo e agressões de parte a parte, o árbitro, impassível, encerrou o primeiro tempo.

O segundo tempo começou com o meio de campo madrileno sendo totalmente dominado pela maestria do capitão Wilson Piazza que, com classe e excepcional qualidade de futebol, desarmava todos ataques espanhóis. Já pelo lado contrario a classe não era uma das virtudes daquele time. Joãozinho, era literalmente caçado por todo o campo com a conivência do soprador de latinha. O domínio era total e, aos 15 minutos, Jairzinho chutou forte e quase marcou. Logo depois, aos 20, Joãozinho recebeu outra falta criminosa do zagueiro Benito, que fez com que todos os jogadores celestes partissem para cima do português que conduzia o prélio. Nem falta o árbitro marcou e mandou o jogo recomeçar. Uma vergonha que um time da grandeza do Real Madrid precisasse de ajuda desta natureza para ganhar torneios, afinal foram tantos.

Foi então que, aos 28 minutos, veio o troco celeste, Jairzinho acertou um soco certeiro no zagueiro Benito e, desta vez, foram os jogadores do Madrid que pressionaram o árbitro e este respondeu que não tinha visto nada. Com o zagueiro espanhol sangrando, o auxiliar espanhol denunciou Jair e o árbitro expulsou-o, mostrando que a regra só valia naquela partida para punir o Cruzeiro.

Com dez jogadore, o Cruzeiro seguia mostrando sua raça e acuando ainda mais o Real, Joãozinho e Zé Carlos perderam boas chances. Então, aos 35 minutos da etapa final, veio o castigo que o time celeste não merecia. Santilana recebeu livre na área e quando ia concluir foi derrubado por Moraes e Ozires. Pênalti que Pirri cobrou e marcou, fazendo o time celeste sofrer com o ditado popular de quem não faz o gol acaba levando.

O Real recuou todo o time e apenas Santilana ficou no ataque, aquilo valia um título e um precioso troféu. Joãozinho, aos 40, ainda faria um carnaval sobre a defesa adversária mas, depois de driblar meio time, concluiu para fora.

Não era mesmo nosso dia. Se fosse, o árbitro não deixaria que saíssemos da Espanha com o troféu. Aos 47, Jansen sofre falta de Moraes mais de um metro fora da área, o árbitro marcou a falta. Foi empurrado por jogadores do Real voltou atrás e assinalando outro pênalti. Guerini cobrou mesmo debaixo de uma chuva de protestos do time celeste e converteu para desespero dos heróicos cruzeirenses.

O time sairia batido em campo e com os jogadores entristecidos, afinal o melhor não tinha vencido graças a influência do árbitro. Mas a justiça divina fez com que aquele não fosse nunca lembrado pela torcida como o ano que o cruzeiro foi roubado pelo Real Madrid. Aquele ano estará, para sempre, em nossa história como o ano em que pelo primeira vez o Cruzeiro conquistou a América sendo campeão da Libertadores. Titulo este que desde 1960 muitos times brasileiros tentam mas nem perto chegam, inclusive outro time mineiro que o persegue e raramente este se classificar para disputá-lo.

Ficha Técnica
Cruzeiro 0 x 2 Real Madri (ESP)
XXXI Torneio Teresa Herrera (FINAL) - Riazor - La Coruña
Público - Não Informado/
Renda - Cr$ 2.600.000
Árbitro - Sedor Correio (POR)
Auxiliares - Petronelli (ESP) e Ermida (ESP)
Gols: Pirri (P) aos 35min e Guerini (P) aos 47 do segundo tempo.

Cartão Amarelo: Penido (MAD).
Cartão Vermelho: Jairzinho (CRU).

Cruzeiro : Raul; Isidoro, Moraes, Ozires e Vanderley; Piazza (Valdo), Zé Carlos, Eduardo, Ronaldo (Silva); Jairzinho e Joãozinho. Técnico: Zezé Moreira.

Real Madri (ESP) : Miguel Angel; Sol, Benito (Uris), Pirri e Camacho; Del Bosque, Jansen, Braitner e Santilana; Velásquez e Guerini. Técnico: Miljan Miljanic.


Dedicatória.

Esta Página Imortal é dedicada a um grande ídolo. Meu grande ídolo, Joãozinho! O maior ponta esquerda que já vestiu a camisa cruzeirense. Uma vez, conversando com ele, ele me perguntou por qual razãoeu estava desesperado pelo autógrafo já que eu tinha dito não me apegar a coisas como aquelas. Respondi sem pestanejar: Quantos torcedores no mundo tem o orgulho e oportunidade de apertar a mão de um ídolo que deu um título continental?
Saí com o aperto e mào e um autógrafo de nosso eterno "Bailarino da Toca" e neste dia vi um torcedor de nosso adversário rural pedir um autógrafo e uma foto para a filha dele. Será?
OBRIGADO JOÃOZINHO!!!
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06 11 07
Camarões versus Brasil - É barbada?

Cruzeiro 1 (5) x (3) 1 Atlético-MG

10/08/1995


Alguns jogos de futebol têm uma característica interessante. Se todos torcedores que dizem ter estado presentes, estivessem mesmo, o público não caberia no estádio. Este é um destes jogos. Decisão e um dos piores públicos da história dos clássicos com o rival local. Mesmo assim muita gente diz que se lembra e que esteve lá


Estávamos em meados dos anos 90 e eram freqüentes os duelos nos clássicos entre os grandes goleiros.


Pelo rival, quem defendia o gol era o titular da Seleção Brasileira, Cláudio Taffarel, campeão mundial, inclusive defendendo pênalti na final contra a Itália um ano antes.

Do lado barropretano, quem fazia historia era o goleiro da seleção de Camarões. Seu nome era William Andem, goleiro com boas atuações, e principalmente, com personalidade marcante, alegre e que cativara a todos. Era reserva de um jovem goleiro chamado e seria assim que passaria a maior parte de sua carreira no Cruzeiro.


Porém, queriam os deuses do futebol que, mesmo passando a maior parte do tempo no banco de reservas, o arqueiro William Andem escrevesse seu nome na historia celeste e numa decisão de título.


No final de 1995, devido a reformas no gramado do Mineirão, e disponibilidade no calendário, o Cruzeiro marcou um amistoso para o domingo no Estádio Independência, contra o Botafogo. Nosso rival local , tentando equilibrar frente ao amistoso celeste, marcou para o sábado anterior um amistoso no mesmo estádio contra o Fluminense, também carioca.


Posteriormente, ambas as diretorias, reuniram-se e adotaram a idéia de se fazer um torneio quadrangular em homenagem ao Governador do Estado de Minas Gerais, ambos os times cariocas não concordaram com a realização do torneio, pois alegaram que haviam vindo a Belo Horizonte somente para disputar um amistoso. De qualquer maneira tanto Cruzeiro quanto o rival venceram seus amistosos por 1 a 0, marcando para o meio da semana um clássico que decidiria um troféu em homenagem ao Governador.


Este seria mais um momento histórico do futebol mineiro já que eram decorridos 30 anos que o Estádio Independência não recebia o clássico local, o último tinha sido realizado em 1965 com vitória celeste por 3 a 1, quando o Mineirão não havia sido finalizado. Aquele jogo não acabara devido a uma pancadaria generalizada, aos 43 minutos do segundo tempo. Mais de meio século que que o "Gigantinho do Horto" presenciasse o "Clássico das Multidões".


A semana do clássico tinha sido tensa com o rival passando uma tremenda vergonha, o Fluminense retornou ao Rio reclamando que havia tomado um tremendo calote em sua cota do amistoso, coisa que na época vinha se tornando cada vez mais comum nas finanças do rival. Os cariocas ameaçavam retaliar debitando dos rivais a diferença quando estes fossem jogar no Rio de Janeiro, afinal, da cota de R$25mil acertada, o rival só pagara R$7mil.


Mesmo com esta noticia nos jornais, clássico era clássico, e o Cruzeiro estrearia vários reforços, como Paulinho Maclaren, Alberto e o paraguaio Sotelo. Do lado do rival o maior reforço era o ex-zagueiro celeste Paulão.


O jogo começou morno, com os dois times muito preocupados com a marcação, logo aos 17 minutos em uma bobeira o Atlético-MG abriu o marcador. Canela cobrou escanteio e Renaldo aproveitando falha do zagueiro Rogério e do goleiro Andem marcou o primeiro gol do clássico.


A partir do gol, o Cruzeiro lançou-se ao ataque enquanto o rival se fechou todo e procurava sair nos contra ataques. Rogério cobrou uma falta com muita violência, o goleiro Taffarel espalmou e Belleti não conseguiu aproveitar o rebote.


O primeiro tempo acabou com pressão do Cruzeiro. O rival levando perigo e ameaçando ampliar e decidir a partida nos contra golpes.


Ênio Andrade, a velha raposa, mudou o time para o segundo tempo. Entrou o atacante Marcelo Ramos com a obrigação de decidir o clássico. Logo no começo, o matador mandou uma bola na trave, fazendo crescer a torcida celeste. Os minutos passavam e o jogo ia ficando dramático, a taça ia se aproximando do luxuoso bairro de Lourdes e mesmo com a pressão exercida pelo Cruzeiro, todas as tentativas celestes barravam ou nas mãos de Taffarel ou na trave, para piorar, o Cruzeiro ainda teve o zagueiro Rogério expulso.


Quando a torcida rival já comemorava o titulo, o meia Alberto recebeu de costas na entrada da área, no giro se livrou de Éder Lopes que, sem ter outra opção, derrubou o meia celeste. Pênalti marcado e que Marcelo Ramos executou com perfeição empatando o jogo mesmo com o Cruzeiro atuando com um jogador a menos.


O jogo acabou logo depois e a decisão do troféu ficou para os pênaltis.


Na cabine da Radio Itatiaia o comentarista-chefe soltou no ar que decisão nos pênaltis com Taffarel contra Andem seria covardia. Só deixou no ar para quem ia ser covardia.


No primeiro pênalti Nonato converteu.
O zagueiro atleticano Ronaldo se preparou para bater e chutou forte; William como que para calar a boca do comentarista voou para defender, o rebote que já não valia mais nada o zagueiro embicou a bola para o gol de raiva por ter perdido o pênalti. William mais uma vez ignorou o lance parado e pulou novamente para fazer a segunda defesa (pena que só uma valeu) a torcida celeste foi a loucura enquanto o camaronês comemorava.
Depois da defesa, Cruzeiro e Atlético alternaram pênaltis convertidos ate que sobrou para Marcelo Ramos decidir. Nosso oficial, mandou para as redes com confiança, marcando o gol do titulo e fazendo o Cruzeiro dar mais uma volta olímpica, 30 anos depois no mesmo estádio.

Ficha Técnica
Cruzeiro 1 (5) x (3) 1 Atlético-MG - (penâltis)
Troféu Governador do Estado - Independência - Belo Horizonte
Público - 6.498
/ Renda - R$ 89.270,00
Árbitro - Lincoln A. Bicalho (MG)
Auxiliares - José Eugênio (MG) e Valdir Nascimento (MG)

Gols: Renaldo aos 10min do primeiro tempo para o Atlético-MG e Marcelo Ramos (P) aos 8min e aos 37min do segundo tempo para o Cruzeiro.

Cartão Vermelho: Rogério (CRU)

Cruzeiro : Willian Andem; Paulo Roberto, Vanderci, Rogério e Nonato; Ademir, Beletti, Alberto e Sotelo (Marcelo Ramos); Paulinho MacLaren e Roberto Gaúcho. Técnico: Ênio Andrade.

Atlético-MG : Taffarel; Alcir, Paulão (Ademir), Ronaldo e Paulo Roberto Prestes; Éder Lopes, Gutemberg (Carlos), Canela e Ézio (Euller); Renaldo (Cairo), e Clayton. Técnico: Gaúcho.

Dedicatória.

Homenagear jogadores estrangeiros não é para qualquer time, seja no Brasil, na Argentina, na Europa ou em qualquer outro país/continente. Este jogo é dedicado ao folclórico Willian Andem (45jogos, 35 gols sofridos, atuou entre os anos de 1994 e 1996).
Brincalhão, alegre mas ao mesmo tempo extremamente profissional enquanto esteve no Cruzeiro. Cumpriu a sua missão de se colocar ao nível do goleiro Dida, foi além ao conseguir um título sobre o rival local numa disputa e ainda por cima sobre o goleiro campeão do mundo em decisão por penais.
O camarônes mais que deixou saudade pelos casos folclóricos e suas brincadeiras, deixou sua marca pela garra com a qual defendeu o time do Cruzeiro. Será lembrado eternamente pela torcida do Cruzeiro.
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