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Até amistoso é prá ganhar

Cruzeiro 2 x 1 Botafogo-RJ

02/02/1957

Na década de 50, do século passado, o escrete botafoguense era considerado uma seleção de futebol, que serviria de base para as conquistas de 58 e 62 da Seleção Brasileira, e o Cruzeiro deveria fazer as honras da casa e lhes dar boas vindas.

A Seleção Brasileira, depois dos fracassos das copas de 50 e 54, seguia buscando a formação de sua base para o mundial que seria disputado na Suécia em 58. Para formar o time o técnico Feola armara um conjunto com base nos melhores times do Brasil na época: o Botafogo e o Santos. Os velhos rivais dos torneios Rio-São Paulo da época dividiam a hegemonia no futebol brasileiro e a preferência da mídia. Infelizmente, os times mineiros na época tinham pouca visibilidade pois só disputavam torneios regionais e apenas em amistosos podiam medir forças contra as maiores equipes do Brasil.


Em 1957, o Cruzeiro envidou esforços e entendeu-se com o Botafogo para sua vinda, com todos os seus titulares, a Belo Horizonte. Aquilo seria um acontecimento.


Os cariocas vinham de um bom resultado internacional ao vencer o AIK da Suécia por 5 a 1. Ambas as diretorias acertaram um amistoso para um sábado de gala, à noite, no Estádio do Barro Preto.


Neste amistoso, o Botafogo destinaria sua cota na renda em benefício do zagueiro Gérson, que havia retornado do alvinegro carioca para o Cruzeiro. Também ficou combinado um amistoso contra do time carioca, aproveitando a visita à cidade, contra o rival local cruzeirense, no domingo, a tarde, no Independência, como parte do pagamento do passe do jogador Paulinho, que o time da estrela solitária comprara do alvinegro mineiro.


Para esta partida, aguardada por todos em Belo Horizonte, o Cruzeiro jogaria desfalcado, já que o atacante Nilo estava servindo a Seleção Mineira e ainda o clube celeste procurava um treinador sendo que neste jogo seria comandado pelo técnico dos aspirantes.


Mesmo assim, a equipe barropretana era brava e enfrentaria o clube botafoguense com toda força na esperança de bater o melhor time do Brasil na época.


No primeiro tempo, um ponteiro de pernas tortas, dribalava a tudo e a todos de forma até cômica, seu nome já conhecido pelo Brasil era Garrincha. Aquele craque mal sabia que seria dali a alguns anos se transformaria num ídolo nacional eterno. Nem tinha a idéia de que no final de carreira vestiria a camisa mais gloriosa das Minas Gerais num outro amistoso.


No meio campo, desfilava sua classe, um negro esguio e clássico, Didi, um gênio que dava efeitos magníficos na bola e batia faltas como ninguém que, no ano seguinte, também bém viraria ídolo eterno do futebol Brasileiro.


Na lateral esquerda do escrete carioca, o magistral Nilton Santos que apoiava o ataque mais do que os modernos alas e sempre levando perigo à meta dos adversários.


Foi assim que terminou o primeiro tempo com o jovem time mineiro batalhando com raça, enquanto os botafoguenses dominavam a partida.


Foi então que, no inicio do segundo tempo, ocorreu o que a torcida mineira temia.


Aos 17 minutos do segundo tempo Didi bate Nozinho , sensacionalmente, com um drible e, dentro da área, fulmina as redes guarnecidas por Mussula, era o gol botafoguense.


O jovem time cruzeirense não se abateu e lutando mais do que antes buscava uma virada que seria espetacular dadas as circunstâncias e o adversário.


Mostrando que aquela camisa celeste nunca se abateria nem mesmo contra o mais forte adversário. O atacante Gilberto seria o destaque da partida, primeiro aos 33 minutos aproveitando rebote de Natero para empatar a partida. E então, a virada, no finalzinho, aos 44 minutos do segundo tempo, novamente com Gilberto arriscando um chute na entrada da área e desta vez o goleiro paraguaio Pereira Natero levando um frango histórico.


O Cruzeiro batia o melhor time do Brasil de virada para desespero da torcida alvinegra e personalidades que assistiam o jogo das arquibancadas do Estádio do Barro Preto.


No dia seguinte, mordidos pela derrota, os alvinegros cariocas descontaram com uma goleada sobre o rival local do Cruzeiro, em inapeláveis 3 a 1.


Infelizmente, os cruzeirenses não veriam mais aqueles ídolos desfilando seu futebol contra o Cruzeiro em Minas. Apenas Garrincha, já em final de carreira, vestiria a camisa celeste em um jogo comemorativo, mas naquele sábado de 57. O jovem time cruzeirense honrara, mais uma vez, sua historia e tradição.


Ficha Técnica
Cruzeiro 2 x 1 Botafogo-RJ
Amistoso - Estádio Barro Preto - Belo Horizonte
Renda - Cr$56.160
Árbitro - Honver Bilate (RJ)
Auxiliares - Manoel do Couto Ferreira Pires (RJ) e Carlos Henrique Alves Lima (RJ).
Gols: Didi, 17min do
2º tempo, Gilberto aos 33min e aos 44min do 2º tempo.

Cruzeiro : Mussula; Nozinho, Gérson, Adelino e Lazarotti; Pireco (Salvador), Raimundinho, Gilberto e Pelau; Cabelinho e Airton. Técnico (interino): Colombo.

Botafogo (RJ) : Amauri (Pereira Natero); Orlando Maia, Bob Dr, Nilton Santos, Bob, Pampolini, Juvenal, Neivaldo, Didi, Gato (Paulinho), Garrincha e Gainete . Técnico: Não informado.

Dedicatória.

Este capítulo é dedicado a uma dupla muito vibrante. Alberto Rodrigues e Carlos Cesar "Pingüim". Ambos, desde a minha adolescência, formavam uma dupla espetacular nas narrações do rádio. Cresci ouvindo eles narrarem títulos e mais títulos, jogos imortais e mais jogos imortais. Eternizados nas grandes conquistas e só temos a lamentar o fato de não mais ouvir um deles "rindo àtoa".

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17 10 07
1000 gols em grande estilo

Cruzeiro 4 x 2 São Paulo (SP)

06/04/2003

Que o Cruzeiro é um gigante do futebol nacional e sulamericano quase todo mundo já sabia. Mesmo sendo obrigado a lutar contra as mais terríveis adversidades e inimigos, a historia celeste é, cada vez mais, recheada de grandes vitórias.


Destas grandes vitórias, provavelmente o ano de 2003 foi o mais recheado delas, e o jogo contra o São Paulo no Morumbi foi sim o primeiro grande triunfo no Brasileiro daquele ano imortal.


O Cruzeiro já conquistara o título mineiro, ganhando inclusive com goleada de virada sobre o rival, mas para se firmar o time teria que bater os grandes times do resto do país naquele Campeonato Nacional que se iniciava.


Na estréia, no Mineirão, mesmo com um gol de placa do talento Alex, o Cruzeiro cedeu empate ao São Caetano-SP e a vitória sobre o São Paulo fora de casa era necessária para arrancar bem na cometição. O time paulistano vinha com um grande elenco, liderado pelo centroavante Luiz Fabiano, até então o queridinho da mídia do eixo RJ-SP. O São Paulo entraria na partida com total favoritismo. Parecia que todos os noticiários tinham se esquecido de notar que o São Paulo não batia o Cruzeiro em seus domínios há mais de sete anos, além do fato de que a terceira academia celeste liderada pelo talento Alex, estava invicta com 20 vitórias e 3 empates em diversas competições.


Mesmo no inicio do campeonato a expectativa para o jogo era grande, seria o ataque cruzeirense mais forte que a defesa saopaulina?


Logo no início da partida já dava percebia-se que aquele não seria um jogo normal, a partida começou em um ritmo alucinante.


Aos 4 minutos, Deivid rolou bola açucarada para Alex mandar uma bomba para fora. O São Paulo recuou parecendo que não jogava em seu próprio campo e diante de sua torcida.


Aos 11 minutos, Maurinho faria jogada espetacular passando a bola por entre as pernas de seu marcador e centrando na área, o craque Alex apareceu fulminante para, de frente a Roger, fuzilar o gol tricolor abrindo o marcador.


Aquele time do Cruzeiro mostrava-se diferenciado, mesmo tendo conseguido a vantagem logo no inicio da partida, não parava de atacar, acuando o adversário.


Aos 15 minutos, pegando rebote de uma bela defesa de Roger, o colombiano Aristzabal tocou para Deivid ampliar, em apenas 4 minutos o Cruzeiro balançava as redes duas vezes do tradicional rival. O time vinha bem postado em campo, jogando com três zagueiros e liberando o triunvirato de ouro formado por Ari, Deivid e Alex.


Porém, o time do São Paulo era valente, aos 30 minutos Gustavo Nery soltou uma bomba obrigando o jovem goleiro Gomes a praticar um de seus milagres, o Cruzeiro contra atacou e Deivid novamente quase fez outro.


O primeiro tempo chegou ao fim e na saída de campo os atletas saopaulinos acreditavam que a segunda etapa seria melhor para eles.


Logo no reinicio da partida, parecia que eles estavam com a razão. Aos 3 minutos da etapa final Fabiano cruzou para Luis Fabiano diminuir, o ritmo da partida recomeçara assim como terminara o primeiro tempo, de forma alucinante.


Na saída de bola, Ari lançou Martinez que invadiu a área e foi derrubado por Jean. Pênalti bem marcado pelo árbitro, que Deivid converteu calando os tricolores que estavam animados pelo gol feito pouco antes. Eram decorridos apenas 7 minutos do segundo tempo e os gols continuavam saindo.


O São Paulo não desanimou e continuou tentando reverter o placar adverso. Aos 17 minutos, Giuliano Bozzano, que à época apitava pelo estado de Santa Catarina, compensou o pênalti que havia dado a equipe celeste. Depois que Fabiano foi derrubado por Luisão na área, em lance duvidoso, o artilheiro Luis Fabiano cobrou e diminuiu a vantagem do time mineiro.


O Cruzeiro recuou tentando diminuir o ritmo da partida enquanto o adversário, empurrado pela torcida, tentava o gol de empate a todo custo.


Alex era um show a parte, toda bola tomada pelo meio de campo ele dominava com maestria, seus lançamentos para Aristizabal e Deivid eram precisos. Aos 25 minutos, mais uma penalidade, o velocista Maurinho invadiu a área e foi derrubado por Kléber. Deivid então cobrou e marcou seu terceiro gol na partida. O milésimo do Cruzeiro em Campeonatos Brasileiros desde 1971.


Após o quarto gol, o São Paulo não teve mais forcas para reagir e, por diversas vezes, o Cruzeiro quase marca o quinto gol. Uma vitória imortal que calou o Morumbi e que, para sempre, deve ficar na memória de todo cruzeirense.


Ficha Técnica
Cruzeiro 4 x 2 São Paulo
Campeonato Brasileiro - Morumbi - São Paulo
Público -
5.580 / Renda - R$ 82.508,00
Árbitro - Giuliano Bozzano (SC)

Gols: Alex aos 10min e Deivid aos 14min do primeiro tempo para o Cruzeiro, Luís Fabiano aos 3min e aos 17min para o São Paulo, Deivid aos 8min e aos 23min do segundo tempo para o Cruzeiro.

Cruzeiro : Gomes; Luisão, Edu Dracena e Thiago; Maurinho, Recife, Martinez, Alex (Wendell) e Leandro; Deivid (Jussiê) e Aristizábal (Marcelo Ramos). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

São Paulo : Roger, Gabriel (Marco Antônio), Jean e Gustavo Nery; Fabiano, Fábio Simplício, Júlio Batista, Ricardinho e Kléber (Paulo Klaus); Luís Fabiano e Reinaldo. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Dedicatória.

A cada dedicatória aumenta-se a dúvida sobre quem devemos homenagear. Estaríamos comentendo aguma injustiça? Algum esquecimento? O ano de 2003 serviu para homenagearmos todo mundo, de atletas a torcedores. Este jogo, em especial, não fica dúvida sobre o homenageado.
Deivid, atacante de futebol coletivo e refinado, matador silencioso, que mesmo tendo rápida passagem pelo Cruzeiro conseguiu ser marcante e fazer história no Cruzeiro. Marcou muitos gols foi artilheiro da Copa do Brasil com recorde, não queria ser a estrela da companhia e nas poucas partidas que fez pelo Brasileiro daquele ano registrou seu nome na história marcando o gol 1000 do Cruzeiro em Brasileiros da era moderna (pós 1970). Nossos agradecimentos e reconhecimento a este artilheiro que ainda atua nos campos do mundo.


ESPECIAL: Para ver todos os detalhes deste jogo, para saber como foi lance a lance esta magnífica partida do Cruzeiro, veja a  FICHA TÉCNICA  e se delicie com detalhes que você não vai encontrar em mais nenhum outro lugar.


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09 10 07
Uma Goleada Monumental

Cruzeiro 4 x 0 Colo-Colo (CHI)

06/09/1996

Nos últimos anos, especialmente após os anos 80 do século XX, a imprensa de língua espanhola, notadamente a chilena, cunhou a expressão La Bestia Negra em referência ao Cruzeiro e as disputadas entre o time brasileiro e as equipes chilenas. Estava ficando previsível o resultado de cada confronto dos times chilenos quando enfrentavam o Cruzeiro pelos torneios continentais.


Em 1996, pela semifinal da Supercopa daquele ano, mais uma vez uma equipe chilena enfrentaria o Cruzeiro. Novamente o Colo Colo, que vinha em grande fase, estando a apenas um ponto de conquistar o titulo nacional de seu país, estaria frente ao Cruzeiro e jogando em seus domínios esperava reverter o placar adverso da partida de ida realizada no gigante da Pampulha, onde o Cruzeiro levara a melhor em um jogo difícil.


O resultado, em Belo Horizonte, tinha sido 3 a 2, o time celeste caíra de produção na segundo tempo o que deu, aos chilenos, confiança de que levar o jogo para seu estádio seria a oportunidade de ganhar bem e eliminar o Cruzeiro. Mudaram a partida para o estádio David Arellano que era bem menor que o já conhecido Estádio Nacional. A intenção da mudança era usar a força da torcida para intimidar os jogadores celestes e conseguir a vitória.


Outra razão de ânimo para os chilenos era o retôrno de três titulares, Guevara, Sierra, e Barciccioto. Com os três a esperança de chegar a final da competição por parte da imprensa local era muito grande. O Cruzeiro, conhecido naquelas bandas de La Bestia Negra, sempre inspirava medo já que aquela camisa já dera muitas tristezas a torcida chilena, mas a esperança deles que a lenda não se repetisse crescia.


O jogo começara com cânticos de guerra entoados pela torcida que pressionava desde o início. Porém, naquela noite, parecia que a torcida cantaria para ver o baile que seu time estava prestes a levar. Aos 6 minutos Palhinha tabelou com Paulinho MacLaren e, recebendo cruzamento certeiro, cabeceou na trave, a bola caprichosamente bateu nas costas do goleiro Arbiza e morreu no fundo da rede.


Mesmo em desvantagem, os chilenos não se deram por vencidos e cantavam cada vez mais, era um espetáculo a parte, imaginavam que, a qualquer momento um time com o apoio deles, sairia de qualquer situação difícil.


Naquela noite os craques do Cruzeiro pareciam em casa, parecia que eles estavam sendo apoiados pela torcida. Aos 34 minutos, Cleisson invadiu a área adversária e chutou forte, Arbiza fez a defesa parcial; a bola sobrou no pé do craque Palhinha que empurrou-a para o fundo das redes pela segunda fez.


Após o segundo gol, a torcida chilena, ao contrario do que todos imaginavam, passou a cantar ainda mais. Era incompreensível. Estariam imaginando que a torcida reverteria o resultado?


A noite era celeste e também de Palhinha. O camisa 10 jogava solto e mostrava o melhor de seu futebol. Aos 43 minutos recebeu novo cruzamento de Paulinho MacLaren e, antes do intervalo do jogo, fez o terceiro gol celeste e dele. Nem o mais otimista cruzeirense esperava uma diferença de três gols no campo do adversário.


O mais estranho era que a torcida do Colo Colo não dava sinais de abatimento. Continuava a cantar cada vez mais forte enquanto os jogadores celestes, inspirados e motivados, davam um espetáculo.


Na volta do segundo tempo, parecia que enfim o Colo Colo escutara a torcida e, por duas vezes, o gol de Dida fora ameaçado com chutes de fora da área por Sierra. Nossa sorte e azar chileno era que nosso goleiro já era uma muralha, raramente os chutes de fora da área entravam. Duas magistrais defesas que esfriaram a reação chilena mas não sua torcida, que continuava a empurrar o time.


Foi então que Ailton, que entrou no lugar de MacLaren, daria números finais ao placar, aos 31 minutos da etapa final o meia recebera lançamento perfeito de Palhinha e marcaria o quarto.


Um show de bola que o time celeste propiciava a todos presentes. Ao final do jogo Mario Perez, ex-jogador da Seleção Chilena na Copa de 1982, destacou: “uma arte que não víamos desde 1962, quando o Brasil ganhou aqui o título mundial”, o atacante Barticcioto afirmou, “eles não precisavam de sorte, foi futebol mesmo”.


Quando pararam de cantar a torcida local promoveu uma quebradeira histórica afinal esta era a maior goleada já sofrida em seu estádio para um time estrangeiro.


Ao Cruzeiro coube a festa e a alegria de mais uma vez honrar Minas Gerais e o Brasil mundo afora.




Ficha Técnica
Cruzeiro 4 x 0 Colo Colo (CHI)
Supercopa dos Campeões da América - David Arellano - Santiago (Chile)
Público -
45.000 / Renda - Não disponível
Árbitro - Júlio Matto (URU)
Gols: Palhinha 6min, 34min, 43min do primeiro tempo, Aílton aos 31min do segundo tempo.

Cruzeiro : Dida; Vítor (Marcos Teixeira), Célio Lúcio, Gilmar e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Donizete Oliveira, Cleisson (Aílton), Palhinha, Paulinho MacLaren (Luiz Fernando). Técnico Levir Culpi.

Colo Colo (CHI) : Arbiza; Fernandez, Reyes, Gonzalez (Henriquez) e Guevara; Pereira, Salas (Rubio), Espina e Sierra; Barticciotto (Ferrero) e Basay. Técnico: Gustavo Benitez.

Dedicatória.

Este jogo merece uma dedicação especial. Jorge Ferreira da Silva, o Palhinha, segundo no apelido mas valente e magistral como o primeiro. Meia de muita categoria que nos deu títulos importantes e calou aqueles que o criticaram quando veio para o Cruzeiro.
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02 10 07
Adeus Pelé!

Cruzeiro 3 x 1 Santos (SP)

28/07/1974

O Campeonato Nacional de 1974 decidiu-se em um quadrangular final entre Cruzeiro, Internacional-RS, Santos-SP e Vasco-RJ. Cada jogo era uma verdadeira batalha, dentro e fora das quatro linhas.


O Cruzeiro, liderado por seu capitão Wilson Piazza, era a equipe melhor formada, apesar de enfrentar duas máquinas no quadrangular, o Santos do "Rei Pelé" e o jovem time do Internacional, que, anos depois, travaria batalhas imortais contra o próprio Cruzeiro, tanto no Campeonato Brasileiro quanto pela Libertadores da América. O quarto time do quadrangular era o esforçado representante carioca que, apesar de ser muito inferior tecnicamente aos outros três, vinha com esperanças e interesses da mídia em se tornar o primeiro clube carioca campeão nacional.


Naquela época, era publico e notório que para a CBD o interessante era um time carioca ser campeão, o título não poderia ficar de fora do Rio mais uma vez na quarta edição. Os erros de arbitragem naquele quadrangular foram, coincidentemente, todos a favor do time representante do Rio de Janeiro.


Na semana decisiva do campeonato, o Cruzeiro abalado por ter empatado contra o time carioca no Mineirão em 1 a 1, num jogo tumultuado, teria que bater o Santos, no Morumbi, e torcer para que o Inter vencesse o time carioca no Rio de Janeiro. Neste caso, seria campeão pela melhor campanha no quadrangular. Caso o Cruzeiro vencesse o Santos e houvesse empate no Rio, uma partida extra, decisiva, seria marcada para Belo Horizonte, entre a equipe carioca e o Cruzeiro e o local seria a capital mineira pelo fato do Cruzeiro ter a melhor campanha em toda a competição.


A semana tinha sido agitada já que a revolta cruzeirense contra a arbitragem da partida anterior era estampada em todos os jornais. O pernambucano Sebastião Rufino tinha conduzido a partida claramente ajudando o time carioca, chegando a não marcar um pênalti, escandaloso, de Alcir sobre Palhinha. O próprio Alcir ao sair de campo admitira que cometera a infração.


O diretor celeste, Carmine Furletti, e o técnico Ílton Chaves , que chegaram a invadir o gramado, eram os mais revoltados,“De norte a sul do pais cada um tem uma história para contar a respeito desse juiz”, observou Furletti. Já Ílton Chaves desabafou “como o Vasco chegou aqui e arrancou este empate de 1 a 1, ajudado por desonestos, podemos chegar no Pacaembu, jogar o que sabemos, faturar o Santos e no Rio acontecer o que para ninguém será surpresa a queda do Vasco, que já foi longe demais”.

Porém, para chegar ao título, o Cruzeiro teria que mais uma vez bater o Santos fora de casa o que não seria tarefa fácil para nenhum clube no mundo. O jogo ainda tinha um toque imortal já que esta poderia ser a última partida do "Rei" do futebol. Pelé já vinha dando sinais que sua aposentadoria estava próxima e que desejava parar no auge, ganhar o título nacional seria a coroação final da brilhante carreira. O Rei estava abismado com as falcatruas em prol dos cariocas declarou na época “felizmente vamos decidir contra uma equipe de talento e que procura jogar futebol. Será um grande espetáculo”. O Santos também estava na mesma posição cruzeirense. Em caso de vitória e tropeço carioca o título iria mais uma vez para a Vila Belmiro.


O publico lotou o Morumbi esperando que daquele jogo saísse o campeão nacional, afinal um campeonato daquela importância merecia um campeão de fato e não de armação. No Rio, já se esperando outra armação favorecendo os cariocas, atrasaram o começo do jogo em 5 minutos para que a partida terminasse depois de encerrado o confronto do Morumbi e que, com o resultado na mão, pudessem comemorar o título.


O Cruzeiro começara a partida com tudo porém, logo no inicio, aos 6 minutos os alto falantes do Morumbi noticiaram o primeiro gol do Vasco marcado por Roberto. Aquele anúncio gerou desânimo nas duas equipes. Ao Cruzeiro cabia somente esquecer a partida do Rio e fazer a sua parte buscando a vitória a qualquer custo. Aos 15 minutos, Palhinha quase marcou. Mais dois minutos e o príncipe Dirceu Lopes, aproveitando lançamento de Piazza chutou com violência para a defesa de Cejas.


O Cruzeiro jogava como por musica e colocava o Santos na roda. Aos 24 do primeiro tempo, nova chance com Dirceu Lopes que recebeu de Palhinha e aplicou um drible desmoralizante em Vicente, na saída de Cejas tocou rasteiro para o gol, porém, antes da bola entrar, o zagueiro santista se recuperou e salvou um gol certo.


Foi então que, no alto-falante do estádio, a péssima noticia foi dada, o time carioca acabara de marcar o seu segundo gol através de Zanata e a torcida no Rio já soltava o grito de campeão. Aos jogadores celestes parecia que o sonho do título acabara, mesmo assim cabia a eles uma saída honrosa do campeonato e buscando forças, ninguém sabe de onde, o time abriu o marcador. Aos 30 minutos, Dirceu Lopes, no meio de três marcadores, cria um espaço e lança Roberto Batata que passa por Turcão e cruza para Palhinha mandar para o fundo das redes.


Logo na saída de bola santista, aos 31 minutos, o Cruzeiro retoma rapidamente, Nelinho recebe na lateral, avança, passa por três aversários e solta a bomba, um golaço. O chute saiu tão forte que todos achavam que havia sido uma das costumeiras bombas de pé direito do lateral porem o mais incrível foi que o gol foi de canhota.


A academia celeste mostrava sua face avassaladora e dominava todo o campo, aos 37 minutos, o eterno capitão Wilson Piazza cobraria uma falta lançando Zé Carlos. O "Mestre Zelão" tocara de primeira para Dirceu Lopes que, com sua costumeira categoria, limpou o lance e marcou o terceiro gol celeste. Parecia inacreditável, em apenas 7 minutos o Cruzeiro marcara três gols em um dos times mais fortes do mundo. Pelé via a tudo dando bronca em todos jogadores santistas, parecia que o filme da goleada de 1966 iria se repetir.


Para a sorte do Santos o primeiro tempo acabou com a goleada parcial e o Cruzeiro foi para o intervalo desanimado pois todos imaginavam que o titulo já estava perdido. O segundo tempo começou e aos 4 minutos Pelé ganhou de toda defesa cruzeirense e tocou para Nenê, antes que a bola entrasse apareceu Perfumo para salvar.


Logo na seqüência, Wilson Piazza, aproveitando uma falta no meio de campo, jogou a bola para cima fazendo cêra, o árbitro, Armando Marques, veio correndo e lhe aplicou o cartão amarelo. Cartão este que o tiraria da partida extra, caso o resultado do jogo no Rio se alterasse e o Inter virasse a história.


Mas ai, como que em um filme de script inimaginável, a maré de sorte começou a mudar, os alto falantes do estádio do Morumbi anunciaram que o Inter acabara de diminuir com um gol de Lula. O jogo continuou tenso com os minutos se passando e o titulo indo para os lados da Rua da Alfandêga. Aos 32 minutos da etapa final o Santos marcaria seu gol de honra. Nenê recebeu lançamento de Léo e de frente para Perfumo mandou o chute rasteiro. Indefensável!


Esta foi a última vez que o "Rei Pelé" enfrentou o Cruzeiro e, assim como tinha sido na primeira vez, saiu de campo derrotado. Aquela camisa azul certamente não traria as melhores lembranças na brilhante carreira do rei do futebol, sua aposentadoria de campos brasileiros seria atrasada mais algumas partidas.


Não havia tempo para a reação santista e no finalzinho da partida a noticia, vinda mais uma vez pelos sistema de som do estádio, era que o Internacional empatava, desta feita com Escurinho.


A final do campeonato ficaria para um jogo extra no Mineirão. No vestiário, o capitão celeste se lembrou do cartão e emocionou a todos chorando fortemente emocionado. Carmine Furletti se aproximou e declarou que o título seria dedicado ao maior cruzeirense de todos, mas para Piazza nada importava mais, ele estava fora da final e mesmo já sendo consagrado no mundo todo como campeão mundial a tristeza era insuperável.


De volta a Belo Horizonte, na terça-feira, Piazza foi comunicado que não tinha recebido o cartão amarelo e que estava apto a jogar a final, uma surpresa tomou conta de todos, a partida tinha sido transferida de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro devido a invasão de campo do técnico cruzeirense algumas rodadas antes.


Até hoje existem varias versões do porquê a diretoria celeste pouco protestou pela absurda mudança.


A historia do jogo final todos nós sabemos, aquele árbitro pouco afeito a futebol de verdade, nos prejudicou, escandalosamente, usurpando o título do Cruzeiro ao marcar vários lances duvidosos e ao anular um gol legitimo de Zé Carlos.


Depois que anulou o gol, nosso capitão chegou ao árbitro falando um monte de palavrões e ele na maior soberba do mundo virou para Piazza e falou “o senhor não era nem para estar jogando, não tem moral para reclamar“.


A verdade é que o Cruzeiro sofreu uma das maiores injustiças da historia do futebol nacional. Este foi o único título que faltou nos 14 anos de carreira de Wilson Piazza, nosso eterno capitão. Atleta que em toda sua carreira profissional vestiu apenas duas camisas: a do Cruzeiro e a da seleção brasileira. Foi campeão e capitão nas duas. Merece todo o reconhecimento do torcedor celeste.


Ficha Técnica
Cruzeiro 3 x 1 Santos-SP
Campeonato Nacional (finais) - Morumbi - São Paulo
Público - 40.618 / Renda - R$346.677,00
Árbitro - Armando Marques (SP)
Gols: Palhinha 30min; Nelinho 31min e Dirceu Lopes 36min do
1º tempo, Nenê aos 32min do 2º tempo.

Cruzeiro : Vítor; Nelinho, Perfumo, Darci Meneses e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos, Roberto Batata (Cândido) e Dirceu Lopes; Palhinha e Eduardo (Joãozinho). Técnico: Ílton Chaves.

Santos (SP) : Cejas; Hermes, Vicente, Marinho e Turcão; Clodoaldo, Brecha (Léo), Fernandinho e Nenê; Pelé e Mazinho. Técnico: Tim.

Dedicatória.

Cada página dos JOGOS IMORTAIS é dedicada a um personagem que tem alguma relação com as mesmas. Nem sempre este personagem é alguém famoso ou conhecido do torcedor cruzeirense. Muitas das vêzes serão cruzeirenses anônimos mas que fazem a história deste time e torcida.

Este capítulo é dedicado a um torcedor anônimo, Afrânio Gonçalves de Oliveira, filho do "Zé Bonitinho", cruzeirense de pai palestrino e com filhos e muitos sobrinhos cruzeirenses por sua influência. Neste jogo, que seria a despedida de Pelé, Seu Afrânio fez a despedida das arquibancadas acompanhando o Cruzeiro. Ele acreditava no título e foi a São Paulo para sair de lá campeão. Não viu o titulo. Alimentou a esperança de ver naquele jogo cercado de muitos mistérios até hoje. Infelizmente, no dia da decisão, sofreu um acidente automobilistico que levou-o a morte e não pôde ver a final no Rio de Janeiro. Hoje, um dos seus filhos, carrega a tarefa de torcer e unir os cruzeirenses em torno do Cruzeiro no site www.Cruzeiro.Org levando nossa bandeira para todo o mundo. É o Evandro Oliveira, do qual tenho orgulho de ser amigo.

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