Bola da vez.
Estava demorando para aparecer um culpado. Primeiro, a desculpa foi a altitude, vexame em Potosi. Depois, veio a história da mística da Bomboneira, vexame no jogo, e sorte no placar, derrota por apenas um gol, e agora a história do gramado para justificar a derrota em Recife.
Fico me perguntando quando é que o Cruzeiro vai superar os obstáculos normais de qualquer partida fora de casa, e atuar como um time que quer algo mais na competição, a não ser figurar do meio para cima na tabela.
Embora a rodada tenha ajudado o time, e mesmo com a derrota, por mais paradoxal que possa ser, ele tenha subido de terceiro para segundo, a continuar da forma como vem atuando, em poucos jogos, oscilará no meio da tabela.
É que a despeito de ter até atuado bem no primeiro tempo, o que se vê da postura do treinador, é que o temor pela derrota é muito maior que o instigante desafio da vitória.
Após fazer um primeiro tempo com várias chances boas de gol com Guilherme e Wágner, e terminar a etapa com a fraca atuação do time de Pernambuco, veio o segundo tempo com as alterações do treinador.
Ele saca o Jadílson, um lateral ofensivo, quase um ponta antigo, que cria inúmeras boas jogadas pela esquerda, ao argumento de ele ?dava muito espaço para as jogadas adversárias?. Vamos à filosofia: quem quer vencer se preocupa em não levar gols, ou em fazê-los?
Resposta rápida: quem quer vencer, tem como objetivo fazer gols, mas como o Cruzeiro que vinha bem na primeira etapa, não os fez, o treinador cuidou de se preocupar em não levá-los, e mudar o sistema das laterais, sacando Jadílson, e colocando o Marquinhos Paraná que se limita a marcar no seu lugar, à esquerda, e entrando o lateral direito de origem, Jonathan, que também só se limita a marcar.
Conclusão: o gol não saiu no primeiro tempo, com o time jogando bem, e o adversário, que é um time regular e não tinha feito absolutamente nada no primeiro tempo, não ameaçava o gol azul, e agora o que não faltaria é marcação. Os dois laterais só na marcação, o meio com todos os volantes, e a criação só com Wágner.
E faria gol assim? Com o excessivo temor de levar o gol, diante da leitura feita pelo treinador do jogo, de que ?Jadílson dava muitos espaços em seu setor?, ele abdicou da postura de fazer o adversário se preocupar com o ataque do Cruzeiro e da eminente possibilidade de levar o gol, para fortalecer o sistema de marcação.
A dicotomia é a de sempre: fazer gols ou não levá-los? O treinador insiste em se preocupar em não levá-los, até porque foi atleta da zaga a vida inteira, e parece carregar isso para a postura dos times a que treina.
Se o time estava bem, e Jadílson dava espaços, parece ser esse o preço pago para se criar, e armar jogadas ofensivas, se se quer buscar o gol, não? Para quê tanta preocupação em levá-los, se mesmo com os supostos espaços de Jadílson, era o Cruzeiro quem encurralava o Sport?
Não seria mais fácil trabalhar a cobertura aos avanços do Jadílson, do que abrir mão de sua qualidade nas jogadas ofensivas, já que o time tem tantos bons volantes? A resposta todos já sabem.
A história se repetiu, o time perdeu rendimento, e mesmo atraindo o adversário para seu campo, só não levou os gols da derrota, porque o Sport jogou uma partida fraquíssima, digna de pastelão, como foi o gol da vitória, onde em jogada cruzada na área, aquele que seria o responsável pela ?cobertura dos buracos do Jadílson?, Marquinhos Paraná, cabeceia contra o patrimônio.
Ironia do destino? Nada disso, lição escrita a cada desculpa nas justificativas da derrota do time nas atuações de visitante. E a cada retrocesso nas ações do time nas renúncias da busca ao gol, mais o treinador vai aumentando a antipatia do treinador com suas ações mirabolantes, galgadas na suposta leitura inteligente da partida.
Essa estória todo mundo já viu. E vai continuar vendo. Esse time do Cruzeiro não luta pelo campeonato. Luta pelo campeonato, aquele time que busca a vitória em qualquer praça, pagando o preço que for, mesmo que dê espaços em demasia, e tome os gols, mas sempre em prol da vitória. Flamengo é exemplo claro disso, quando mesmo abrindo espaços para ganhar do São Paulo, tomou os gols da derrota, embora buscando a vitória. Perdeu aquele jogo. E os demais? Não é à toa, que luta pelo hexa campeonato e segue no topo. Tem tudo para consegui-lo, a se manter a filosofia de vencer onde for jogar.
O time do Cruzeiro, tem tudo para lutar por uma vaga na Libertadores, já que o campeonato é muito fraco, e os times de cima, Grêmio, São Paulo, Palmeiras, não tem nada de expressivo, são times fracos, apenas regulares, e sem jogadas de expressão.
A torcida do Cruzeiro não agüenta mais, mas tem que agüentar. Adílson, a despeito de sua filosofia covarde como visitante, é bom treinador. E a troca agora seria terrível, seja pelo desmoronamento de um projeto do ano (que além da comissão técnica envolve os próprios atletas), seja pela completa inexistência de substituto, ou mesmo pela esperança de que isso possa mudar, já que nos outros quesitos ele tem se mostrado muito bom profissional.
Vamos com fé nessa semana decisiva, já que o Ipatinga já aprontou o que tinha que aprontar, e o Cruzeiro tem que vencê-lo para pontuar e jogar o clássico no domingo com moral e atitude. Força Cruzeiro!
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