Tabu mantido
Mais um jogo com o São Paulo no Mineirão, e mais um ano sem vitória.
O Cruzeiro jogou bem, com objetivo claro de vencer, tomando a iniciativa do jogo por todo o primeiro tempo. O São Paulo se limitava a defender desde o minuto zero, incrível, e por pouco não levou mais do que um gol no primeiro tempo.
O lado esquerdo da defesa do São Paulo mostrava alguma fragilidade e o time azul explorava bem aquele setor com jogadas de velocidade. O gol saiu em uma delas em cruzamento de Jonathan pela direita, e conclusão de Guilherme, dentro da área, em chute rasteiro, desviado em um dos defensores paulistas à frente de Rogério, que nada pode fazer.
Acabou o primeiro tempo, e 1x0 foi pouco pelo tanto que o Cruzeiro construiu. Curioso, é que dava impressão, que à partir disso, o time da casa poderia devolver a estratégia de receber o impulso do adversário, já que com a vantagem no placar, não precisaria de tanta iniciativa, e poderia explorar os contra-ataques na necessidade do São Paulo reverter a desvantagem.
Mas não deu tempo! Em menos de um minuto o Cruzeiro já levava o gol, em jogada rápida de ataque dentro da área azul, drible de corpo no defensor, e bola no fundo do gol.
À partir daí, desespero pouco é bobagem. O time da casa voltara para a estaca zero, tendo de volta toda a dificuldade que teve no primeiro tempo para fazer seu gol, agravada pela pressão psicológica do baque sofrido com o revés, e também pelo descontentamento da torcida após cada erro cometido.
Como se tudo isso não bastasse, a cereja do bolo veio com a mexida do treinador: Saca o único centro-avante de ofício do time, Weldon, para entrada de mais um meia, na vã e já experimentada e frustrada tentativa de colocar Wágner no ataque.
Essa estória a gente já viu. Tudo do mesmo jeito, o mesmo filme. Wágner não funciona no ataque (alguém avise o treinador, urgente!), o adversário sente a ineficiência e parte pra cima (lembram do jogo do Palmeiras?), e o Cruzeiro que jogava no Mineirão, parecia jogar no Morumbi, tamanha era a pressão do São Paulo, que só não saiu com a vitória por conta de uma defesa espetacular e salvadora de Fábio.
Tem coisas no futebol que a gente não entende. Como pode um ótimo profissional como o treinador Adílson, que possui tantas qualidades na maioria das variantes do ofício de treinador, e se diz estudioso do seu time e dos adversários, não conseguir enxergar que suas alterações na postura tática do time tem sido INEFICIENTES, para não se dizer equivocadas?
Equívoco na alteração é um conceito muito subjetivo e levaria a várias especulações, mas a ineficiência é um resultado concreto, que se vê com clareza, aonde os efeitos estão sendo contrários às pretensões.
Isso, o Adílson que é uma pessoa inteligente tem que enxergar, a despeito de sua convicção em teses pessoais. Fato é que nos principais jogos em que o Cruzeiro precisou de uma alteração que lhe desse mais ofensividade, o que se viu foi justamente o contrário.
Não seria apologia à ousadia, que a despeito de defendê-la, faz parte da decisão pessoal do treinador, mas da manutenção do padrão do time no momento em que mais se precisa de agredir o adversário.
Nos jogos com Palmeiras, e agora com o São Paulo, o que se viu, após as alterações, foi a impressão de o Cruzeiro temer o adversário, e isso qualquer torcedor não perdoa. Adílson tem que enxergar isso a tempo de evitar a sua degola, já que está preparando aos poucos a sua forca com suas próprias ações.
Convicção é bom, mas inteligência mais ainda. Adílson não é burro como entoa a torcida a cada alteração questionável no time, mas tem que aprender a conter o ímpeto das investidas do torcedor contra ele, ainda que transpondo suas convicções pessoais em momentos chaves, já que está trazendo a torcida contra ele. Ontem, se ao sacar Weldon, se recolocasse outro avante, como o Reinaldo alagoano, ainda que perdesse o jogo, a torcida não o ofenderia em coro como ocorrido. Onde estaria Jajá ou Camilo naquela hipótese, já que nem o banco compunham?
Enfim, não é o caso de pedir a cabeça do treinador, como muitos já fazem, mas é o caso de ele próprio usá-la em seu proveito pessoal, eis que já começa a ser rotulado como retranqueiro (ontem foi comparado aos berros a Marco Aurélio, o mestre da retranca, por um torcedor esbravejado a meu lado!), e provocando ira na torcida, que justamente ou não, não aceita o Cruzeiro, na condição de time grande, jogar com tanto temor ao adversário, como times de pouca expressão, agravado por atuar em seus próprios domínios.
Que Adílson enxergue o jogo por outra ótica, além da técnica e de suas convicções pessoais, antes que seja tarde demais! Torço pra que isso aconteça, já que o apóio acima de tudo, embora jamais de covardia.
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