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12 06 08
Cruzeiro 2x1 Palmeiras - Uma muralha chamada Dida!
Cruzeiro 2 x 1 Palmeiras Uma muralha chamada Dida

            Em 1996, o Palmeiras tinha montado um time espetacular, talvez o melhor de sua história. No Campeonato Paulista, em que tinha acabado de se sagrar campeão, o Palestra Paulista tinha feito uma média assombrosa de mais de três gols por partida, ultrapassando a marca dos 100 gols no Campeonato. Comandados pelo técnico Wanderlei Luxemburgo, o time palmeirense tinha se consagrado por atacar sempre, mesmo vitorioso, e por seu meio de campo sensacional, comandado por craques como Rivaldo, Djalminha e Muller. Esse time parecia jogar por música e lembrava o carrossel holandês, que encantou o mundo na Copa de 1974. Na Copa do Brasil, o Palmeiras foi eliminando seus adversários com a mesma facilidade vista no Campeonato Paulista, passando pelo grande rival do Cruzeiro, o Atlético Mineiro, em uma das fases. No jogo contra o Atlético, que tomava uma goleada, um lance ficou marcado: um jogador do Atlético ia entrar em campo já no final do jogo e, quando um repórter lhe perguntou o que iria fazer, respondeu que ia “tentar fazer alguma coisa, mas contra este time palmeirense é difícil!” Pode parecer chacota hoje, mas era o pensamento geral na época. O Palmeiras parecia invencível, principalmente para a imprensa paulista.

            Por sua vez, o Cruzeiro avançou mineiramente pela Copa do Brasil daquele ano, eliminando seus adversários com o talento do meio campo Palhinha, que veio do São Paulo, e com o espetacular goleiro Dida, que era uma barreira quase intransponível. No Brasil, o Palmeiras tinha a preferência absoluta ao título, principalmente depois do empate por 1 a 1 no primeiro jogo das finais, disputado no Mineirão. Mais uma vez, a imprensa paulista desrespeitava o time mineiro, contando com uma goleada fácil no jogo da volta. A torcida palmeirense compareceu em massa, esperando comemorar o título; porém, um fato passou despercebido por quase todos: um dos maestros do time, e talvez o jogador palmeirense mais importante, o veterano Muller, não iria jogar, por problemas contratuais, já que tinha acertado sua transferência para o São Paulo. A diretoria palmeirense comeu mosca, mais por causa da prepotência, porque achavam que o jogo iria ser fácil e que o título já estava na mão!

            O jogo começou e a festa palmeirense parecia ser apenas uma questão de tempo – aos 5 minutos, o Cruzeiro perdeu a bola no meio de campo. O lateral esquerdo Junior lançou para o meia Djalminha. Este tocou rápido na ponta para Rivaldo, que havia se deslocado nas costas do lateral cruzeirense Vitor; este, na subida para o ataque, tinha desguarnecido a defesa. Rivaldo, com a classe que lhe era peculiar, fez um cruzamento certeiro para o centroavante Luisão tocar de primeira e abrir o marcador.

            A torcida palmeirense comemorava, esperando um placar delatado, mas, do outro lado do campo, o Cruzeiro honrava como poucos a sua gloriosa história. Não era uma academia como a dos anos 60 e 70; ao contrário, tinha o que poucos times tinham: a raça dos vencedores corria no sangue dos atletas. Surpreendentemente, os mineiros partiram para cima e Palhinha perdeu uma boa oportunidade, chutando forte, rente à trave de Veloso. Aos 25 minutos, o estádio Palestra Itália se calou: o volante Amaral perdeu a bola para Roberto Gaúcho, que penetrou e bateu firme por baixo de Veloso para empatar a partida!

            O silêncio tomou conta do estádio, e os poucos cruzeirenses comemoravam. Longe dali, em Belo Horizonte, o céu novamente se iluminou com fogos de artifício. Mas, dessa vez, quem os soltava eram os torcedores celestes.

            O primeiro tempo acabou com o jogo empatado, o que levaria a decisão para os pênaltis. O técnico palmeirense, Wanderlei Luxemburgo, corajoso como sempre, tirou o zagueiro Cláudio e colocou o centroavante Reinaldo, velho conhecido da torcida cruzeirense – o mesmo da batalha contra Ronaldinho. Pelo lado cruzeirense, o time era o mesmo. Depois do reinício da partida, a cada minuto que se passava, os torcedores pareciam acreditar mais no título. Então a estrela de Dida começou a brilhar; foram inúmeras defesas milagrosas. Seguidamente, os atacantes palmeirenses perdiam gols incríveis nas mãos do jovem goleiro baiano, um deus de ébano. Embaixo das traves, Dida voava de um lado ao outro do gol. Aquela atuação cativante do goleiro cruzeirense parecia tirar o ânimo do Palmeiras e a paciência da torcida. Os narradores da transmissão televisiva torciam descaradamente para o time palmeirense, mas o jogo parecia decidido pelos deuses do futebol; afinal, com Dida naquela forma esplendorosa, a decisão nos pênaltis era favorável aos mineiros. Mas as penalidades não seriam necessárias, já que o campeão sairia nos noventa minutos da partida!

            No final do jogo, Roberto Gaúcho fez um cruzamento despretensioso na área. O goleiro palmeirense Veloso subiu para segurar a bola, mas ela, caprichosamente, escapou de suas mãos, caindo nos pés do matador Marcelo Ramos, que tocou para o fundo das redes! Era o gol do título, o gol histórico! Agora, para ser campeão, o Palmeiras teria que passar por Dida, não uma, mas duas vezes, o que era impossível naquela noite.

            O juiz apitou o final da partida e o Cruzeiro se sagrou bicampeão da Copa do Brasil, calando mais uma vez a imprensa paulista, que parecia não aprender a lição. Os jogadores se abraçavam e comemoravam, enquanto Belo Horizonte virava o palco de uma grande festa. No dia seguinte, mais de 100 mil pessoal foram receber os heróis e comemorar o título nas ruas de BH, debaixo de uma chuva de papel picado. Sem dúvida nenhuma, o Cruzeiro fazia jus ao refrão do seu hino: “Cruzeiro, Cruzeiro querido / tão combatido / jamais vencido!”

•Escalação:

Cruzeiro: Dida, Vítor, Gelson, Célio Lúcio e Nonato, Fabinho, Ricardinho, Gleison e Palhinha (Edmundo), Marcelo e Roberto Gaúcho – Téc. Levir Culpi

 

Palmeiras: Veloso, Cafu, Sandro, Cléber e Júnior, Cláudio (Reinaldo), Amaral, Marquinhos (Cris) e Djalminha, Luizão e Rivaldo – Téc. Wanderlei Luxemburgo

 

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