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41 Anos Depois. A Mesma Camisa 7.

Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG

18/09/66

Uma das muitas batalhas do Cruzeiro, retratadas no livro "Jogos Imortais", aconteceu em setembro de 1966. Um clássico, com uma vitória sofrida, com uma promessa cumprida para o cruzeirense Mário Lúcio. O livro destaca a parte do penâlti perdido por Tostão e a sua promessa ao pequeno Mário.

O gol feito pelo atacante Guilherme, neste 29 de julho de 2007, quase 41 anos depois, nos remete a uma memória de outro gol, com a mesma camisa 7, e que nos obriga a complementar mais memórias daquele jogo, que não foram colocadas no livro.

Como são interessantes essas reminiscências, e o que leva alguns torcedores a fazerem observações que poucas pessoas mantêm na memória. É aqui o espaço de resgate destas preciosidades e detalhes que se tornam imortais.

O Mineirão era um estádio recém inaugurado e um time vestindo azul com cinco estrelas no peito havia se preparado, graças à perspicácia de seu grande dirigente Felício Brandi, e já fazia naquele palco espetáculos inesquecíveis. Era um esquadrão liderado pelo craque Tostão, o príncipe Dirceu Lopes, e pelo eterno capitão Wilson Piazza. Um time de garotos que, encantando o Brasil, tinha no ataque um ponteiro que escreveu com gols, principalmente contra o rival citadino, sua história com a camisa celeste.

Seu nome era Natal. Vestia sempre a camisa 7, que fez história no futebol mineiro e continuaria fazendo com outros jogadores do Cruzeiro após a inauguração do Mineirão, e como parece que vai fazer muito bem ao atacante Guilherme.

Um ano após a inauguração do estádio, Natal seria autor do gol mais bonito da história do Mineirao. Era um clássico, adversário preferido do veloz ponta, contra o maior rival, e Natal decidiria o jogo, como os muitos decisivos que fez, mas daquela feita, de uma forma que nem Pelé fez.

Assim como Guilherme abriu o placar no último domingo, um time preto e branco desafiava o loiro ponteiro cruzeirense. Natal decidiu o jogo com um gol do meio de campo e comemorou com a torcida celeste imortalizando aquela camisa 7.

Quis a história que aquele belíssimo gol demorasse 41 anos para ser repetido e, mais uma vez, por um garoto recém saído das divisões de base do Cruzeiro, e que nas costas carregaria, naquela tarde-noite contra o Botafogo, a camisa 7.

Guilherme fez história, assim como Natal. Nós, fervorosos torcedores cruzeirenses, pedimos bençãos para que, como o antigo ídolo, este garoto continue escrevendo seu nome na história do futebol e que conquiste muitos títulos pelo Cruzeiro.

Guilherme, assim como Natal, já fez nosso rival sofrer em clássicos, já fez gol do meio de campo, e está apenas começando a carreira. Falta nos presentear com um título nacional assim como Natal ajudou o Cruzeiro a conquistar em 1966. Esta historia que se repete quase 41 anos vai continuar. Vamos torcer para que, assim como Natal que fez o gol do título nacional 41 anos atrás, este ano os pés de Guilherme honrem esta camisa 7 imortal.

Não é uma mera questão de sonhar, é uma questão de acreditar que as promessas e páginas imortais são determinadas para aqueles que lutam e acreditam. Assim como o pequeno Mário acreditou e confiou, a torcida confia e acredita.


Ficha Técnica
Cruzeiro 2 x 0 Atlético (MG)
Campeonato Mineiro - Mineirão - BH
Público - 97.965 / Renda - Cr$137.927.000
Árbitro - Aírton Vieira de Morais (RJ)

Gols: Tostão 25' e Natal 40'

Cruzeiro: Raul; Ílton Chaves. William, Cláudio e Neco; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão e Hilton Oliveira. Técnico: Aírton Moreira
Atlético (MG) : .Hélio; Grapete, Vânder, Procópio, Décio Teixeira, Aírton, Buglê (Paulista); Buião, Santana, Roberto Mauro e Tião. Técnico: Gradim.

Dedicatória.
Ao ex-jogador Natal de Carvalho, injustiçado, em termos de seleção brasileira, em prol de jogadores tecnicamente muito piores. Um ponta daqueles considerados natos. Tipo de jogador que tinha que ser marcado individualmente. Certos times até contrataram jogadores especialmente para marcá-lo, em vão. O "Diabo Loiro" infernizava a vida dos adversários e era especialista em marcar gols decivisos, como o primeiro feito pelo Guilherme dias atrás. Nascido em 1946 na capital mineira, teve no Cruzeiro sua grande vitrine. Esta memória é dedicada aos seus gols em 1966 que não tiveram placa homenageando, mas que ainda podem ter, e se não tiverem que fique aqui registrado como mais um episódio dos nossos eternos Jogos Imortais.

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