Foi sofrido, mas no final deu tudo certo!
O Cruzeiro consegue o que queria, a sua 100ª vitória em Brasileiros, os três pontos como mandante, e a reconquista da liderança do torneio.
Não foi com a superioridade que se esperava, diante de um adversário burocrático, mas Brasileirão é assim mesmo: um minuto de cochilo, e aqueles protagonistas que passariam a partida desapercebidos, aparecem de um nada, roubam a cena, e lhe tiram a obrigação da vitória como mandante. Seriam os casos de Leandro Amaral ou Edmundo, únicos potenciais possíveis responsáveis por uma situação dessas, que graças à luta do Cruzeiro, não se confirmou.
O time azul mandou no primeiro tempo do jogo, foi responsável por inúmeras criações de jogadas ofensivas com alternância de lances pela esquerda, onde é mais forte, e pela direita, onde não é tão melhor assim, aparecendo naquele setor, o atacante Jajá que dividia a atenção dos expectadores com Jadílson pela esquerda.
O Cruzeiro ia muito bem do meio pra frente usando as laterais e em algumas ocasiões até mesmo o meio, mas pecava excessivamente nas conclusões por preciosismo ou insegurança. Fato é que o primeiro tempo terminou sem nenhuma chance clara ao Vasco, senão em uma jogada de velocidade do ataque, mas sem risco efetivo de gol, e com várias delas criadas pelo Cruzeiro, com muito ímpeto, e pouca objetividade.
No segundo tempo, o Cruzeiro trocou Jajá por Fabinho, e o time continuou tomando as ações do jogo, e o Vasco parecia satisfeito em apenas praticar o anti-jogo, ao revés de tentar o ataque.
Após perder uma chance com Wagner aos 11 minutos, aos 16 Ramirez é lançado pela direita na entrada da área, e é derrubando dentro dela com marcação correta de penalidade máxima. Guilherme bate no canto com pouca força, e o goleiro defende, dando rebote, e Guilherme volta a perder o gol.
Esse momento era decisivo, porque se o jogo já estava difícil, com o abalo psicológico da perda da chance máxima, não se sabia como reagiria o time. Demonstrando ter incorporado o espírito da Libertadores, o time continuou lutando, e aos 26 minutos após um vacilo do goleiro do Vasco, que cometeu falta ao abafar a bola com a mão, espalmando-a, e deixando-a ao campo, pretendeu pegá-la novamente, quando da presença de Guilherme.
Tiro livre indireto, dentro da área, muito bem aproveitado pelo time, que ao revés de tentar o chute desvairado ao montoado de jogoadores que se formou à frente na barreira, optou pela solução mais inteligente, rolando-a rasteiro para o meio da área, onde Charles chuta cruzado em direção ao canto direito do goleiro, e abre o placar.
À partir da vantagem no placar, o Cruzeiro continuou tentando buscar o gol, mas com uma certa administração do resultado, e nessa oportunidade, o Vasco cresceu, e criou algumas boas chances, onde a defesa azul, pressionada, passou alguns sustos na torcida, como excesso de toque de bola atrás, sem usar dos chutões quando necessário.
Quando o Vasco crescia, Adílson Batista saca Jadílson do time, e coloca Jonathan, em uma alteração, que eu sinceramente não entendi. Se não foi por cansaço, não penso que teria sido a melhor opção, ainda que usando o lateral Jonathan para compor o setor e mandar o Paraná para a esquerda, já que nessas circunstâncias, com o Vasco pressionando, perderia as boas opções de apoio na esquerda com o lateral de origem. Mas deu certo, optando por não trocar o certo pelo duvidoso, o treinador conseguiu o que queria, mesmo não tendo Jonathan atuado como se esperava, e o time passando maus bocados ao fim do jogo.
O que interessa são os três pontos e a liderança de volta, em companhia do Flamengo. Há quem diga que o Cruzeiro esse ano, seguirá os passos do São Paulo do ano passado, ou seja, fará jogos difíceis, amarrados, e seguirá o regulamento que é o de pontuar mais que os concorrentes, ainda que sem brilho.
Se for mesmo para ser campeão, que assim seja, mas uma coisa é certa: os números não mentem, e todos eles são favoráveis ao time, desde o início do ano. A defesa não tem levado gols como vinha levando, e já são 4 vitórias em cinco jogos, e pouco importando como elas se deram, elas aconteceram.
Wagner, a meu ver, foi um dos melhores em campo, e mostrou, mais uma vez, estar ligado e interessado no jogo, participando da maioria das jogadas do ataque. Que a torcida tenha paciência com o garoto Guilherme, que ainda que não tenha brilhado hoje, é um jogador que merece atenção, e apoio. Nem todos craques atuam todos os jogos com destaque, e Guilherme tem tudo pra virar um deles com críticas conscientes e com trabalho e suporte do treinador e da torcida.
Diante do Palmeiras, agora todos os olhos se voltam ao treinador, já que nos jogos como mandante, pouco se comenta dele, já que as vitórias tem vindo, e por outro lado, como visitante, sempre é questionado. O que fará Adílson para jogar em São Paulo? Vai se limitar a tentar parar o time verde, ou vai consciente de que pode vencer? A escalação pode sugerir o propósito...
De qualquer forma, o time azul tem um bom retrospecto por lá, e o Palmeiras vive momento de oscilação. Que venha a vitória! Força Cruzeiro!
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