FORÇA ADÍLSON
A resenha de hoje tem um destinatário específico.
Embora ele não tenha sido herói do bom resultado (o melhor só poderia ser a vitória, e o pior a derrota) conquistado pelo time, dedico a ele a homenagem da semana, com um objetivo claro: o contra-peso.
Digo isso porque a despeito de não concordar com algumas das formações táticas escolhidas por ele, o que é direito dele, na condição de treinador, e minha na condição de observador, também não concordo, e mais ainda, lado outro, com a histeria coletiva que tem virado a análise sobre seu trabalho.
Já tive a oportunidade de dizer que o jogo de Potosi foi das coisas mais bizonhas que já vi na história do Cruzeiro, e critiquei não só a formação tática, como a psicológica sobre o superdimensionamento do efeito altitude, que levou à falta de atitude, e castigou o time com a eliminação precoce na Libertadores, já que com um mero empate naquela partida, enfrentaríamos LDU, ou outro adversário teoricamente mais fraco que o Boca naquela ocasião.
Enfim, digo isso, porque a despeito de defensor do treinador, também critico seu trabalho, e sei que ele é inteligente e aprende com erros. Agora, daí, a querer tirar o mérito de seu trabalho, e dizer que qualquer coisa que ele faça de diferente é invenção, covardia, ou que ele é treinador de time pequeno e não merece a colocação no clube, é digno de desconhecimento de seu trabalho.
No jogo de hoje, a formação com quatro volantes no meio, Charles, Ramirez, Fabrício e Marquinhos Paraná, embora possa mesmo parecer estranha, e de fato é, não trouxe o congestionamento que se pudesse presumir. Até porque, não são quatro volantes exclusivamente de contenção, já que todos eles sabem sair para o jogo.
O time entrou bem, e mesmo sofrendo pressão natural, parecia exercer algum controle das investidas do Coxa, ainda que sem muito poderio ofensivo. De fato, essa formação, sobrecarregou o jogo sobre Wagner, que não conseguia companhia na armação das jogadas, vez que Guilherme ficava isolado e sem ter com quem jogar.
O time sofreu o gol mal anulado pelo bandeira, no momento em que melhor se achava no jogo, no quesito contenção. Em seguida, o defensor Espinoza disputa uma bola com o ataque do Coritiba, e a arbitragem marca falta fora da área, ao passo que o lance ocorrera dentro da área, e a meu ver, nem falta fora, já que Espinoza toca na bola antes de trombar o corpo com o atacante. Enfim, se fosse falta, como apitado, era pra ser pênalti, mas não vi assim. E digo isso, porque dois lances capitais, poderiam deixar o Coxa em vantagem de 2x0.
No segundo tempo, o time verde veio disposto a pressionar mais, e logo no início, aos 03 minutos abre o placar em disputa da bola na pequena área entre dois defensores azuis, o atacante adversário, e o goleiro Fábio.
O Cruzeiro não se abate com o reverso, e partindo pra cima, consegue o empate em excelente jogada pela esquerda com ótimo cruzamento de Jadílson, para a entrada fulminante do cabeceio de Ramirez dando igualdade ao placar. O jogo seguiu com oportunidades alternadas, destacando-se excelente defesa do goleiro Fábio, que mais uma vez, garantiu o resultado, em cabeceio a queima-roupa no canto direito da meta celeste, e outra do Cruzeiro, ao fim do jogo, no último lance, que poderia ter dado a vitória ao time azul, que ainda que injusta, seria comemorada.
O time não jogou mal. A formação estranha, não tornou o time medroso, conforme afirmam alguns periódicos regionais por motivações que todos conhecemos, mesmo embora se reconheça que tenha chamado mais o adversário para seu campo. O que importa é o resultado, e o empate é o meio termo entre a derrota, o pior, e a vitória, o melhor. Isso foi a cara do time.
Lembro alguns aspectos a quem adora criticar e exagerar na dose. Futebol não é ciência exata. Não dá pra afirmar que se o treinador colocasse em campo o time da vitória contra o Santos, haveria vitória com certeza. Poderia ganhar, ou poderia perder. O Palmeiras, campeão paulista, foi lá com Luxemburgo, e time completo, e perdeu de 2x0. O São Paulo, com time completo, empatou com o time paranaense, jogando no Morumbi.
Portanto, vamos com calma, para não criar problemas, onde não tem. Não quero dizer com isso, que não possamos questionar as formações táticas escolhidas pelo treinador, longe disso, a análise do futebol é tão boa quanto a duração das partidas. O que eu gostaria de ver é mais consciência futebolística nas críticas, já que não há lógica e tampouco simetria rígida de ciência exata nesse esporte, como há em uma equação de 2+2.
O meu receio sobre isso, é a criação de um clima desfavorável de trabalho, e a possibilidade de perda do treinador que conseguiu dar consciência competitiva a um grupo que não se encontrou no ano passado no quesito comprometimento, e que nessa temporada vem sendo responsável por ótimos números desde o campeonato mineiro, Libertadores, e agora o brasileiro.
Afinal de contas, o que nos restam, senão os números? São com eles que seremos campeões. Vamos com calma, minha gente! E, Adílson, mesmo sabendo que você não inventa, que tal experimentar mais ousadia nas partidas como visitante? É só um palpite... Mas força, acima de tudo, você é o treinador, o líder, e eu um expectador, posso falar do que não sei. O que sei, é que a vitória domingo é essencial, e em casa, mostrando a força do mandante, seguiremos líderes do torneio, enquanto os adversários de expressão ainda cochilam.
Força Adílson, força Cruzeiro!
|