Que baile!
O Cruzeiro fez um jogo hoje daqueles de encher os olhos do torcedor!
Desde o primeiro ao último lance do jogo, o time mostrou um comprometimento com a partida, que chega a encantar...
Quando dizíamos na resenha passada da felicidade em se ver prevalecer o brio do time em uma partida tão difícil como foi a contra o Botafogo, e ainda que sem brilho, fazer prevalecer a volúpia do mandante com a superação de todas as adversidades, é porque reconhecemos a grandeza da competitividade de um torneio como o campeonato brasileiro, e a importância da vitória, ainda que naquelas circunstâncias. É isso que quis destacar.
E se naquele domingo o Cruzeiro fora eficaz, sem brilho, hoje conseguiu unir as duas coisas e encantar o mais cético dos torcedores. O time entrou em campo com muita pegada na marcação, e usando de muita velocidade nas saídas de bola com Wágner, Jajá e Guilherme.
As jogadas de ataques eram muito velozes, e coincidência ou não, já que o time começou jogando o ataque pelo lado da torcida, onde gosta de fazê-lo no segundo tempo, teve talvez mais volume de jogo no primeiro do que no segundo tempo, ainda que os gols tenham saído em sua maioria no segundo.
O Cruzeiro foi muito agudo nas jogadas, e a defesa do Santos não conseguia acompanhar as jogadas de velocidades acionadas por Ramirez, Jadílson, e seqüenciadas por Wagner, Jajá e Guilherme.
Jajá, com um jogo, caiu nas graças da torcida por vários fatores: por ter se destacado no jogo com muita velocidade e deslocamentos, por se ter criado muita expectativa sobre a sua entrada no time, e por fim, pela ineficiência de seu substituído, o finalizador Jonathas, a quem a torcida não queria mais ver no time.
Esperava-se a entrada de Jajá apenas em substituição a Jonathas, mas para surpresa de todos, ele começou o jogo como titular, e atendeu a todas as expectativas. Pode ser o velocista que o treinador tanto queria...
De Guilherme, a quem sempre espero o brilho do craque que é, a meu ver, as jogadas de finalização e os gols concluídos dizem tudo: só quem conhece futebol faz o que ele faz. No primeiro gol, dada a rapidez da jogada, fez o simples, chutou de bico, reto, de forma a impedir qualquer ação do goleiro. Dito e feito. No segundo, um corte seco ao zagueiro dentro da área, e o chute de perna esquerda, colocado, tirando a bola do alcance do goleiro, golaço!
Agora, o que dizer de Wágner? Surpreendendo aos críticos, vem fazendo a melhor temporada individual do Cruzeiro no ano, e também a melhor temporada dele no clube desde sua chegada. Tem jogado com o que sempre lhe faltou: personalidade, aliada a muita disposição e interesse no jogo. Palmas para ele e ao treinador. Ele é hoje o referencial do time, e responsável quase que direto pela maioria das jogadas de efeito no setor ofensivo da equipe. Deixou sua marca com belo gol, e ainda perdeu um gol ?quase feito? no primeiro tempo, mas que não fez por tentar deslocar a bola do goleiro ao máximo, e carimbar a trave. Não foi preciosismo, foi calibragem mesmo!
Completaram os gols o jovem Maicossuel com uma belíssima jogada de velocidade e de conclusão com força e categoria. Deu gosto!
Em uma partida com tantos gols, não pode se deixar de destacar as atuações de Ramirez, Fabrício, e de Tiago Heleno, que vem atuando com muita eficácia. Na companhia deles, destaco ainda o goleiro Fábio que vem se sobressaindo jogo após jogo com belas defesas, como as do jogo de hoje, uma no primeiro tempo, e outra no segundo muito difíceis, transmitindo muita segurança para todo o time.
Difícil fazer um destaque negativo, onde até o lateral Jonathan, que entrou em substituição a Jadílson, lesionado, se teve bem no jogo. Como pior em campo, não consigo fazer destaque, e como melhor, mesmo sabedor de incidir em eventual injustiça, já que muitos foram os destaques, escolheria o atacante Guilherme pela regularidade de ânsia, correria, e regularidade por todos os 90 minutos, sem falar nos gols.
São 3 jogos. O Cruzeiro ainda não perdeu, não levou gols, e fez todos os pontos que podia. Não gosto de oba-oba, e o outro extremo também é péssimo, então, volto a pedir votos de confiança ao treinador, que como todos sabem, sou fervoroso defensor, sem esquecer de seus defeitos, mas sem taxá-lo de péssimo e tumultuar seu ambiente de trabalho. Ele não se tornou o melhor do mundo ontem, e nem é o pior como querem pintar alguns, criando problema onde não há. O time vai levar gols, vai perder jogos, e vai deixar de pontuar, mas quanto mais longe isso ocorrer, lembrando que os concorrentes mais qualificados não estão pontuando agora, melhor, e pode fazer toda a diferença lá na frente.
Olhos em Inter, Flamengo, Palmeiras, Fluminense e São Paulo. Não passarão desses os adversários mais chatos a obstaculizar o caminho do Cruzeiro rumo ao título 2008.
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