Cruzeiro x Botafogo
O jogo de ontem mostrou que o Cruzeiro não vai se abalar com a eliminação pela Libertadores, pelo contrário, vai crescer com o espírito de competitividade vivido no torneio.
Gostei do que vi hoje. O time entrou em campo disposto a vencer, a jogar futebol, e ser ofensivo.
Guilherme e Wagner se movimentaram muito, criando boas jogadas na frente, que nem sempre eram aproveitadas por eles próprios e do próprio finalizador de área, o centro-avante Jonathas.
No decorrer do jogo, cada um deles, Wagner, Guilherme e Jonathas perderam chances incríveis, cada um a seu modo: por intranqüilidade, preciosismo, ou mesmo aparente falta de habilitação técnica para a função, como aparenta ser o caso deste último...
Fazendo um balanço do jogo, viu-se um Cruzeiro sério, comprometido, e que mesmo criando muitas oportunidades, e perdendo a chance de concluí-las, e garantir melhor tranqüilidade na partida, não se abatia, e seguia mostrando força nos avanços e na defesa.
Foi um jogo duro. O Botafogo correu o jogo inteiro, impressionante! Não se entregou, e valorizou a vitória do Cruzeiro. A defesa azul, mais uma vez, foi muito eficiente, garantida por mais uma partida de tranqüilidade e segurança do goleiro Fábio, com boas defesas e intervenções, e também da dupla de zaga com a proteção do xará Fabrício.
O jogo mostrou uma vez mais que o lateral Jadílson é imprescindível para o time, e não se pode abrir mão de um jogador dessa qualidade, seja qual for o pretexto. Já o lateral direito, mostrou o que sabe: jogar com o físico avantajado, o que o limita a praticar futebol de marcação, sem conseguir qualquer apoio no seu setor. As jogadas de apoio, assim, se concentravam do lado esquerdo, onde o Botafogo concentrava forte marcação, e sobrecarregavam as ações no setor... por pouco o time não pagaria o preço de praticamente não "usar" a ala direita.
Gostei das alterações do treinador: sacou Jonathan que não dava opções de avanços na direita para ganhar em velocidade e criação com Apodi, mesmo sabendo dos riscos que corria com a exposição.
Em seguida, tirou o grandalhão Jonathas, que aparenta até ser desengonçado, para a entrada do meia Bruno, e remessa de Wagner e Guilherme para mais próximos da área. Fez certo, a meu ver. O garoto não se acertava, e pecava nas conclusões. A alteração fazia sentido, e se daria certo ou não é outra estória.
A última alteração, que pode causar algum questionamento, a saída do lateral Jadílson para a entrada do volante Elicarlos pode ter várias explicações, como cansaço do lateral que correu o jogo inteiro, mas uma só basta: o jogo caminhava para o final, com o time perdendo várias oportunidades, e as opções de reposição do setor eram mais ofensivas do que de proteção, e o treinador sabia o preciosismo de se garantir a vitória naquela instante, optando por uma formação que lhe garantisse, com mais segurança, os três pontos, sem correr maiores riscos. Penso que agiu bem.
A despeito de toda a dificuldade do jogo, vi um time disposto a ganhar a qualquer preço, e enfrentando as dificuldades de cabeça erguida. Parabéns aos jogadores e ao treinador por mais uma vitória, que mesmo com placar magro garantem a pontuação máxima.
Agora é buscar a terceira vitória contra o Santos com o mesmo espírito, e a volta do atacante Marcelo Moreno para se pontuar o máximo possível no momento de dispersão dos concorrentes ao título em torneios paralelos.
E que a diretoria não se esqueça da necessidade de reforçar o elenco para dar chances reais de disputa do título a esse treinador, que seguramente, me arrisco a dizer que vem demonstrando ser o melhor já escolhido pelo Cruzeiro nos últimos dez anos, à exceção de Luxemburgo.
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