VALEU, ZÊRO!
Foi o que ninguém queria, mas futebol é assim mesmo.
O Cruzeiro entrou na fase de mata-mata como primeiro colocado de seu grupo, enfrentando o Boca Juniors, segundo colocado do grupo dele.
O time tinha melhor campanha e melhor futebol, e foi encarar justamente um adversário com muita experiência não só no futebol, mas no torneio, e ostentando o status de atual campeão dele.
No jogo de ida, a despeito da questionável postura tática adotada para a partida, o que já foi objeto de questionamento na resenha passada, o resultado não foi dos piores, embora ficasse o gostinho de possibilidade de melhor sorte.
É que futebol é assim mesmo. Naquele jogo que o Cruzeiro merecia tomar uns 4,5 gols pela postura tática de medo, temor, e abdicação do futebol, que era melhor que o adversário (ainda tenho convicção disso!), o resultado era enganoso... houve um pênalti não marcado a favor do Cruzeiro, e o segundo gol validado do Boca era irregular, já que em impedimento.
Como explicar? O adversário melhor em campo, podendo fazer 4, 5 gols, mas que ficara só no 2x1, e com gol irregular, e pênalti não assinalado. Não bastasse isso, ficara aquela sensação que se o time tivesse saído para jogar futebol lá, poderia ter vencido o jogo e trazido melhor sorte para o jogo de cá.
O time veio para o jogo em BH com a situação não complicada. Vitória simples, 1x0, classificaria o Cruzeiro. O time entra em campo com uma volúpia contumaz, embalado pela empolgação da torcida, e com ataques agudos, muita criação, e pouca finalização efetiva, se expondo demasiadamente aos contra-golpes.
Em dois deles, o Boca Juniors matou o jogo. Não jogou bola. Com toda a experiência que tem nesse tipo de eliminação e principalmente do torneio, ficou assistindo o Cruzeiro pressionar sem lá muita efetivadade, como uma presa que aguardo o momento certo para dar o bote. E assim o fez. Deu dois deles, certeiros, e acabou com o equilíbrio emocional do time da casa.
Hoje, como profeta do acontecido, já ouvi torcedor dizendo: ?Ah, o Cruzeiro deveria ter esperado o Boca, para somente depois partir para cima?. Ora, como fazê-lo com 70 mil pessoas empurrando o time, e com o temor do adversário gostar da inércia, e ainda nessa ocasião encaixar um ataque e fazer um gol? Como se explicaria essa postura, e não ser taxado de retranqueiro?
Enfim, digo isso para eximir, na minha visão, responsabilidade exclusiva do treinador pelo fracasso, como gostam de preconizar alguns. A postura foi aquela que ele pensou ser a melhor, e sabe-se lá qual seria mesmo a mais produtiva. O São Paulo passou por isso, perdeu lá de 2x1, e fez o resultado de 1x0 na Sulamericana de 2007 ou 2006, não me recordo ao certo, cozinhando o jogo inteiro da volta, e fazendo o gol num lance casual já ao fim do jogo...
Penso que faltou um pouco de quase tudo indispensável para vencer: experiência, maturidade, equilíbrio, e sorte. A postura tática, não me arrisco a indicar qual teria sido a melhor. Porém, destaco que não faltaram entrega, luta, e comprometimento por todo o tempo.
Na parte técnica, ao que me parece, o Cruzeiro perdeu o jogo pelas laterais. Jadílson fez muita, mas muita falta na esquerda, e Jonathan não apoiou como de costume, falhando na marcação, seu único destaque no setor. O time ficou capenga, e sem qualquer apoio nas laterais, seja na esquerda ou na direita.
E em se tratando de futebol sul-americano, e nesse tipo de competição, precisando fazer o resultado, e sem usar as laterais, o meio se congestiona, e se complica, como foi visto...
O time criou, lutou, fez o que pode, e a experiência e sorte fizeram a diferença também. Não critico o treinador. A única observação que faço, é para o relacionamento pessoal dele no que toca a dois bons jogadores do time: Jadílson e Leandro Domingues.
O que realmente está acontecendo? Alguém se arrisca a explicar, ou especular, já que os fatos não são públicos? Jadílson não jogou por estar machucado, ou há algo mais? E Leandro Domingues, por que com tanta produção no futebol, não vem tendo chances, ao passo que Marcinho tem todas as possíveis e impossíveis? Com certeza há resposta, já que não vivemos o dia-a-dia do clube, mas gostaria que elas fossem públicas para que não ficássemos especulando sobre justiça ou injustiça sobre as ações dos atletas e também a do treinador.
Os dois fizeram falta no jogo de ontem, e poderiam ter feito a diferença. O lateral Apodi é muito veloz, entrou bem no jogo, e ratifico o pensamento do treinador de colocá-lo somente no segundo tempo. Seria muito temerário começar com ele no início do jogo, com todo o espaço que poderia ser criado... tá certo que o resultado foi o mesmo com o Jonathan, e agravado sem a criação, mas só descobrimos isso depois do acontecido...
Concluindo: o Cruzeiro jogou bem, tinha mais futebol, mas ficou de fora. Que a comissão técnica faça a meaculpa e reflita sobre o que possa ser aprendido com a eliminação.
Como torcedor, a meu ver, de tudo tiro o crescimento do Wagner na temporada, não só no futebol mas na personalidade de encarar o jogo com seriedade e dedicação. Ele está ganhando maturidade, e seu futebol crescendo junto. O outro é o espírito que Marcelo Moreno dá ao time. É a cara do treinador, sério, aguerrido, dedicado, e lutador por todo o tempo.
Que o Cruzeiro siga seu caminho no Brasileiro, com o objetivo de conquista ou pelo menos de acesso à Libertadores do ano que vem, para que possamos ?cobrar? da diretoria melhores investimentos, já que com o elenco preparado para essa temporada, seria factível e não surpreendente uma eliminação, já que os investimentos técnicos foram limitados, e apostávamos na tradição, camisa, e em expectativas de surgimento de craques em nomes desconhecidos para a conquista do título.
Vamos, com fé, China Azul, agora o foco é o Brasileirão! Parabéns a todos que se esforçaram para apoiar o time no jogo de ontem, e também ao Cruzeiro que não se entregou até o último minuto. Isso também, é reflexo do espírito do treinador, personalizado no Moreno em campo. Vamos agora lutar pra ganhar o Brasileirão!!! Ficou o gostinho de querer mais, mas ainda assim, valeu, Zêro!
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