Minha gente, que jogo!
Mais um para entrar para a história, dessa vez da prateleira de cima, daqueles para você comentar com os amigos, ou contar para os filhos daqui a alguns anos...
Há muito não se via um time do Cruzeiro tão comprometido com a disputa, como esse grupo formado pelo Adílson Batista.
Como já havíamos comentado em resenhas passadas, a despeito de alguns desastres passados que tiveram motivações específicas, a cara do time na temporada é a fibra e comprometimento passada pelo treinador.
Claro que só isso não se ganha jogo, mas sem isso, da mesma forma, também não se conquista nada, mesmo com os melhores craques.
O Cruzeiro foi impecável do goleiro ao último atacante. Aliás, gato escaldado tem medo de água fria, e que partidaça do Fábio, dando segurança a todo o time ao longo do jogo. Fez uma defesa importantíssima quando o jogo estava equilibrado, próximo dos cinco, dez minutos, e depois fez outras boas intervenções garantindo a solidez da defesa que contava com partida excelente do bom zagueiro Espinosa, e também de Tiago Heleno.
Marquinhos Paraná, que embora tenha jogado com a camisa 2, não era lateral direito, mas sim um volante que cobria o lado esquerdo e liberava o Jadílson para criar as jogadas (lembram que eu alertei isso aqui na última resenha?) foi um leão em campo, e só não foi o melhor em campo, porque Wagner fez uma partida para reverenciá-lo!
Todo o time foi bem. A grata surpresa foi a volta do bom futebol de Charles, e o comprometimento de Wagner que conseguiu unir produtividade de sua inegável habilidade, com entrega ao jogo.
Marcelo Moreno foi bem, e Guilherme, pra variar, deixa sua marca com o contumaz brilho. Tudo bem, que ele perdeu o quarto gol ainda no primeiro tempo chutando sobre o goleiro Juninho que saiu bem em cima dele, mas o cara é fantástico... além de fazer um gol com extrema categoria, de encher os olhos, construiu a jogada do quinto, trombando com o marcador em seu próprio campo para ganhar a posse da bola, arrancar em velocidade, atrair a marcação para si, e jogar a bola na medida para o avanço de Leandro Domingues... a jogada é de cair o queixo!
Não há muito o que falar de um jogo, onde o time enche os olhos. O time construiu uma marca jamais produzida na era Mineirão em clássicos entre os dois rivais: 5x0 fruto de muita luta e determinação de todos os jogadores.
O time entrou mordendo, e novamente demonstrando que sabia o que queria: ganhar o campeonato em um jogo para seguir a viagem para a Argentina com o torneio estadual garantido. Resultado concretizado e com maestria.
Melhor em campo indiscutivelmente, Wagner por todo o brilho, visão e entrega. Colocou seus companheiros em todas as situações de gol do ataque por todas as vezes que tocou na bola, e ainda atraía a marcação para si sem se intimidar. Nota 10 para o camisa 10. Não teve pior em campo do lado azul, ninguém conseguiu se destacar negativamente. Henrique foi bem, e Jadílson deu muita velocidade e qualidade pelo lado esquerdo com a tranqüilidade das conteções do Atlético com a partida perfeita de Marquinhos Paraná, que só não foi o melhor em campo porque Wagner estava inspirado, e era o responsável pela criação das jogadas, que em um jogo de 5x0 sempre fala mais alto.
BRAVO!
Que o time siga para a Argentina com o mesmo espírito de competitividade que mostrou hoje, e que não repita o erro da altitude, quando o Cruzeiro preocupou mais com o fenômeno do que com seu próprio futebol.
Daí, como sempre faço ao final de cada resenha, vai a minha sugestão: Cruzeiro, não se preocupe com o fenômeno Bombonera, preocupe-se em jogar futebol, que a vitória virá.
O time do Boca é bom, o estádio é místico, mas o Cruzeiro tem futebol de qualidade para superar isso. E eu vou estar lá, em companhia da TFC e da Máfia Azul que também se farão presente em grande número, para ver mais uma página heróica imortal a se escrever no cenário internacional.
Força Cruzeiro!!!
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