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05 05 08
Cruzeiro2x1Atletico - NAsce o Palhinha artilheiro

Cruzeiro 2 x 1 Atlético – MG – 1972

Nasce o Palhinha artilheiro!

            Um jogo clássico decidiria o Campeão Mineiro do ano de 72, título que o Cruzeiro buscava, depois de ter dominado a década de 60 e visto o Atlético ser Campeão Brasileiro em 1971. Era época de mudança. O Cruzeiro renovava a primeira academia, e craques consagrados, como Tostão e Dirceu Lopes, davam espaço para a garotada celeste, liderada por um fenomenal centroavante artilheiro, de nome Palhinha.

            Dirceu ainda era o comandante do meio campo, um craque inigualável, mas uma fatalidade – uma fratura na perna – o tirara da decisão, impedindo-o de entrar em campo. A torcida atleticana ficara toda animada, afinal, Dirceu nunca havia perdido uma decisão contra o maior rival.

            Pelo lado atleticano, o ídolo era um centroavante atabalhoado, mas com fama de artilheiro, de nome Dario; mesmo desengonçado, ele levantava a torcida adversária com vários gols. No Cruzeiro, o substituto de Dirceu seria Palhinha, uma grande promessa das divisões de base, mas que estava com apenas 19 anos e já tinha nas costas o peso enorme de substituir um ídolo eterno da torcida celeste.

            Os dois times foram ao gramado para mais uma decisão estadual. No banco celeste, apoiando os companheiros, se via Dirceu Lopes, com a perna toda engessada. O jogador fizera questão de estar lá, e isto seria uma força importante para o Cruzeiro carimbar a faixa de campeão brasileiro diante da torcida atleticana.

Do lado adversário, todo mundo queria a vitória, pois, que quando o Atlético fora Campeão Brasileiro, um ano antes, não tinha vencido o Cruzeiro, o que incomodava a torcida atleticana que, afinal, passara uma década sofrendo nas mãos de Tostão, Dirceu, Piazza e companhia.

No começo da partida, a maior técnica cruzeirense prevalecia; o Atlético jogava com muita raça, mas era envolvido no início. Palhinha era perseguido pelos zagueiros atleticanos, que tentavam intimidá-lo, mas o garoto tinha no sangue a raça de campeão, de que todo craque cruzeirense necessita. Até aos 36 minutos, o futebol envolvente do Cruzeiro prevaleceu. Roberto Batata correu pela esquerda e, quando ia cruzar, foi interceptado por Raul Fernandes, que cedeu o córner. Lima cobrou para Roberto Batata, que subiu mais que Raul e tocou de cabeça para Palhinha, que chutou forte para dentro do gol, sem chance para o goleiro Uruguaio Mazurklewicz.

             O primeiro tempo foi todo de domínio celeste e a torcida fez a festa, mas o Atlético, no segundo tempo, veio para o tudo ou nada. Dario perdera duas boas chances, uma aos 2 minutos e outra aos 4. Do banco celeste, Dirceu Lopes, geralmente calado, gritava, orientando os companheiros. Numa jogada, Palhinha machucou o joelho e ainda bateu com a cabeça no chão, precisando ficar alguns minutos de fora. Era o momento que o Atlético esperava, mas, por incrível que pareça, o domínio cruzeirense continuou!

            Mesmo com dez, o Cruzeiro jogava melhor, e Lima, numa bela jogada, em que passara a bola por debaixo das pernas de Oldair, quase marcou! Palhinha, que acabara de voltar, fez linda tabela com o experiente Piazza e, de cara para o gol, perdeu a chance de aumentar!

            Mais uma vez, o velho ditado do futebol, “quem não faz, toma”, provou ser verdadeiro. Aos 17 minutos do segundo tempo, Dario não perdoou uma falha do goleiro Hélio e empatou a partida!

            O jogo passou a ser dramático. Aos 21 minutos, Palhinha penetrou pelo meio da área, depois de ser lançado, e quis forçar o pênalti, jogando-se no chão quando foi empurrado por Raul Rodrigues. Os jogadores celestes partiram para cima do árbitro, pedindo pênalti, mas ele não deu!

            Após uma falta de Vanderlei em Dario, alguns funcionários do Atlético invadiram o gramado aos gritos, provocando os jogadores celestes e também o juiz e os bandeirinhas. O jogo acabou empatado e foi para a prorrogação. Então a estrela do garoto brilhou mais forte: aos 9 minutos do segundo tempo da prorrogação, Palhinha mandou uma bomba, estufando as redes atleticanas e fazendo o gol do título, para desespero da torcida adversária!

            A comemoração do título foi linda. O garoto Palhinha correu para o banco, onde estava Dirceu, com a perna engessada, para abraçá-lo, mostrando a união daquele time. Dirceu foi ainda carregado pelos jogadores e, junto com Palhinha, chorando, foi até bem perto da geral, comemorar com a torcida mais um título e a renovação final da primeira para a segunda academia celeste!

 •Escalação:

Cruzeiro: Hélio, Lauro, Darci Menezes, Fontana, Vanderlei, Piazza, Zé Carlos, Luis Carlos, Palhinha, Roberto Batata (Baiano) e Lima

 

Atlético: Mazurklewicz, Oldair, Raul Fernandes, Vantuir, Cláudio, Vanderlei, Toninho, Guerrido (Serginho), Dario, Lula e Romeu

 

 

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