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A volta do carrasco Niginho

Palestra 4 x 0 Atlético-MG

05/02/1939

Em se tratando de clássicos sempre a palavra "carrasco" é utilizada para o atacante que costuma marcar gols sobre o rival. Não precisa, na maioria dos casos que sejam mais de um gol por partida. Existem "carrascos" que fizeram não mais do que meia dúzia de gols em jogos diferentes e eram temidos. Bastava entrarem em campo que os rivais locais tremiam. Atualmente, basta apenas um jogador marcar de maneira duas partidas sejam decididas com gols seus, já se julga no direito de usar esta denominação. Porém, em toda a historia do maior clássico de Minas Gerais, ninguém foi mais carrasco que o imortal Niginho. Carrasco de verdade. Daqueles que fazem muitos gols numa partida e só de entrarem em campo provocava calafrios nos adversários.


Nosso herói, de família de futebolistas, surgiu nas divisões de base do Palestra em 1926 mas só  foi jogar sua primeira partida no time principal em 1929. Com a venda de Ninão e Nininho para a italiana Lazio, coube a Niginho assumir a posição de ídolo palestrino. Posto este que, provavelmente, ele nunca imaginara carregaria para toda eternidade, seria para sempre o carrasco que em sua primeira passagem pelo Palestra marcara 6 vezes em 11 classicos.


Transferiu-se para a Lazio em 1932 retornando ao futebol brasileiro em 1935, fugindo de uma convocação pelo exercito Italiano para lutar na guerra da Absinia. Na sua volta continuou sua saga de carrasco marcando mais dois gols contra o rival em onze confrontos até ser vendido ao cruzmaltino carioca e se consagrar também no Rio de Janeiro até merecer a convocação para uma Copa do Mundo onde seria o suplente do cracaço Leônidas da Silva.


Em 1939, nosso craque passava férias em sua Belo Horizonte quando fora convocado, seu amado Palestra precisava mais uma vez dele. Seu time de coração sofria um tabu de dez jogos sem bater o rival, num período de poucos confrontos isso significa quase dois anos sem triunfos. Era necesário, então, sua categoria, sua qualidade e sua fama para colocar as coisas em seu devido lugar. Foi atendendo a esta convocação que Niginho mais uma vez vestira a camiseta esmeralda e rubra.


Para o desespero do famoso e folclórico goleiro Kafunga, já no primeiro tempo da partida, as arrancadas de Niginho praticamente decidiram o resultado. Foram dois gols extremamente parecidos, com o "tanque palestrino" deixando deitados vários adversários. Niginho balançaria duas vezes as redes adversárias.


Na segunda etapa, o massacre continuaria com mais dois gols, um de Zezé e outro do artilheiro-matador, agora num cabeceio indefensável, mostrando as várias qualidades do atacante.


Depois da goleada a diretoria palestrina percebeu o quanto Niginho era importante para aquele jovem clube. Sócios e torcedores fizeram um esforço tremendo tirando dinheiro do próprio bolso trazendo o carrasco de volta ao clube que ele nunca deveria ter deixado.


Com Niginho o palestra foi campeão de 1940,1943,1944, e 1945, além dos títulos o atacante foi o maior artilheiro da historia de confrontos contra o rival com 25 gols.

Ficha Técnica
Palestra 4 x 0 Atlético-MG
Competição - Amistoso
Estádio Berro Preto
- Belo Horizonte - MG
Público - Não disponível / Renda - Não disponível
Árbitro - Tristão Braga

Gols: Niginho (2) e Zezé no 1º tempo; Niginho no 2º tempo

Cruzeiro : Geraldo, Caieira, Canário, Souza, Juca, Caieirinha, Lodô, Carlos Alberto, Niginho, Geninho e Zezé. Técnico: Matturio Fabbi.

Atlético (MG) : Kafunga, Linthom, Quim, Cafifa, Alcindo, Alberto, Hélio (Elair), Selado, (Paulista), Itália, Nicola e Rezende. Técnico: Evandro Becker.

Dedicatória.

Que o "tanque" Niginho era o terror dos adversários do Palestra não há dúvida. Que o grande atacante poderia ter melhor sorte na Copa do Mundo de 38 era voz corrente. No seu retorno ao futebol mineiro, depois de voltar ao Brasil e jogar no futebol carioca, o atacante da família Fantoni não perdeu o costume, cuidou logo de mandar três balaços nas metas do famoso Kafunga e mostrar que o maior carrasco da história dos clássicos estava de volta, e em grande estilo iniciando a lenda dos artilheiros que fazem três gols nos rivais e tornam-se ídolos imortais.

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