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Até amistoso é prá ganhar

Cruzeiro 2 x 1 Botafogo-RJ

02/02/1957

Na década de 50, do século passado, o escrete botafoguense era considerado uma seleção de futebol, que serviria de base para as conquistas de 58 e 62 da Seleção Brasileira, e o Cruzeiro deveria fazer as honras da casa e lhes dar boas vindas.

A Seleção Brasileira, depois dos fracassos das copas de 50 e 54, seguia buscando a formação de sua base para o mundial que seria disputado na Suécia em 58. Para formar o time o técnico Feola armara um conjunto com base nos melhores times do Brasil na época: o Botafogo e o Santos. Os velhos rivais dos torneios Rio-São Paulo da época dividiam a hegemonia no futebol brasileiro e a preferência da mídia. Infelizmente, os times mineiros na época tinham pouca visibilidade pois só disputavam torneios regionais e apenas em amistosos podiam medir forças contra as maiores equipes do Brasil.


Em 1957, o Cruzeiro envidou esforços e entendeu-se com o Botafogo para sua vinda, com todos os seus titulares, a Belo Horizonte. Aquilo seria um acontecimento.


Os cariocas vinham de um bom resultado internacional ao vencer o AIK da Suécia por 5 a 1. Ambas as diretorias acertaram um amistoso para um sábado de gala, à noite, no Estádio do Barro Preto.


Neste amistoso, o Botafogo destinaria sua cota na renda em benefício do zagueiro Gérson, que havia retornado do alvinegro carioca para o Cruzeiro. Também ficou combinado um amistoso contra do time carioca, aproveitando a visita à cidade, contra o rival local cruzeirense, no domingo, a tarde, no Independência, como parte do pagamento do passe do jogador Paulinho, que o time da estrela solitária comprara do alvinegro mineiro.


Para esta partida, aguardada por todos em Belo Horizonte, o Cruzeiro jogaria desfalcado, já que o atacante Nilo estava servindo a Seleção Mineira e ainda o clube celeste procurava um treinador sendo que neste jogo seria comandado pelo técnico dos aspirantes.


Mesmo assim, a equipe barropretana era brava e enfrentaria o clube botafoguense com toda força na esperança de bater o melhor time do Brasil na época.


No primeiro tempo, um ponteiro de pernas tortas, dribalava a tudo e a todos de forma até cômica, seu nome já conhecido pelo Brasil era Garrincha. Aquele craque mal sabia que seria dali a alguns anos se transformaria num ídolo nacional eterno. Nem tinha a idéia de que no final de carreira vestiria a camisa mais gloriosa das Minas Gerais num outro amistoso.


No meio campo, desfilava sua classe, um negro esguio e clássico, Didi, um gênio que dava efeitos magníficos na bola e batia faltas como ninguém que, no ano seguinte, também bém viraria ídolo eterno do futebol Brasileiro.


Na lateral esquerda do escrete carioca, o magistral Nilton Santos que apoiava o ataque mais do que os modernos alas e sempre levando perigo à meta dos adversários.


Foi assim que terminou o primeiro tempo com o jovem time mineiro batalhando com raça, enquanto os botafoguenses dominavam a partida.


Foi então que, no inicio do segundo tempo, ocorreu o que a torcida mineira temia.


Aos 17 minutos do segundo tempo Didi bate Nozinho , sensacionalmente, com um drible e, dentro da área, fulmina as redes guarnecidas por Mussula, era o gol botafoguense.


O jovem time cruzeirense não se abateu e lutando mais do que antes buscava uma virada que seria espetacular dadas as circunstâncias e o adversário.


Mostrando que aquela camisa celeste nunca se abateria nem mesmo contra o mais forte adversário. O atacante Gilberto seria o destaque da partida, primeiro aos 33 minutos aproveitando rebote de Natero para empatar a partida. E então, a virada, no finalzinho, aos 44 minutos do segundo tempo, novamente com Gilberto arriscando um chute na entrada da área e desta vez o goleiro paraguaio Pereira Natero levando um frango histórico.


O Cruzeiro batia o melhor time do Brasil de virada para desespero da torcida alvinegra e personalidades que assistiam o jogo das arquibancadas do Estádio do Barro Preto.


No dia seguinte, mordidos pela derrota, os alvinegros cariocas descontaram com uma goleada sobre o rival local do Cruzeiro, em inapeláveis 3 a 1.


Infelizmente, os cruzeirenses não veriam mais aqueles ídolos desfilando seu futebol contra o Cruzeiro em Minas. Apenas Garrincha, já em final de carreira, vestiria a camisa celeste em um jogo comemorativo, mas naquele sábado de 57. O jovem time cruzeirense honrara, mais uma vez, sua historia e tradição.


Ficha Técnica
Cruzeiro 2 x 1 Botafogo-RJ
Amistoso - Estádio Barro Preto - Belo Horizonte
Renda - Cr$56.160
Árbitro - Honver Bilate (RJ)
Auxiliares - Manoel do Couto Ferreira Pires (RJ) e Carlos Henrique Alves Lima (RJ).
Gols: Didi, 17min do
2º tempo, Gilberto aos 33min e aos 44min do 2º tempo.

Cruzeiro : Mussula; Nozinho, Gérson, Adelino e Lazarotti; Pireco (Salvador), Raimundinho, Gilberto e Pelau; Cabelinho e Airton. Técnico (interino): Colombo.

Botafogo (RJ) : Amauri (Pereira Natero); Orlando Maia, Bob Dr, Nilton Santos, Bob, Pampolini, Juvenal, Neivaldo, Didi, Gato (Paulinho), Garrincha e Gainete . Técnico: Não informado.

Dedicatória.

Este capítulo é dedicado a uma dupla muito vibrante. Alberto Rodrigues e Carlos Cesar "Pingüim". Ambos, desde a minha adolescência, formavam uma dupla espetacular nas narrações do rádio. Cresci ouvindo eles narrarem títulos e mais títulos, jogos imortais e mais jogos imortais. Eternizados nas grandes conquistas e só temos a lamentar o fato de não mais ouvir um deles "rindo àtoa".

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