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Sete Segundos

Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG

22/06/1950

Dedicatória.

Começaremos esta página heróica, que trata de um Jogo Imortal esquecido, de maneira diferente das demais. É uma dedicatória à Nonô, recentemente falecido e que é a prova inconteste de que nenhum jogador precisa de mais do que 7 segundos para se tornar um Imortal que construiu as páginas heróicas do Cruzeiro.

Que o nosso eterno Nonô II descanse em paz.

Em junho de 1949, chegou ao Cruzeiro um jovem atacante revelado na equipe amadora do Inconfidência de Belo Horizonte. O jogador tinha o apelido de Nonô e vibrava com a chance de seguir carreira profissional numa grande equipe.

No entanto, já havia um outro Nonô no time, um artilheiro conhecido em todo o estado, e para distinguir o desconhecido do famoso resolveram chamá-lo de Nonô Segundo.


O que o jovem garoto não podia imaginar é que, justamente, esse nome tomaria um outro sentido, ou seja, aquele que fraciona o minuto em sessenta partes, na sua curta trajetória nos clássicos.


Nonô Segundo ou Nonô II, como os jornais escreviam, marcou o gol mais rápido da história do confronto como nosso tradiconal rival local, antes que o ponteiro do relógio completasse a primeira volta.


Em junho de 1950, Belo Horizonte respirava um momento diferente: a Copa do Mundo. Foi a primeira e única vez que o maior evento do futebol foi disputado no Brasil. Os jornais da capital acompanhavam os treinos das seleções da Suíça, Iugoslávia, Estados Unidos, Inglaterra, Bolívia e Uruguai que disputaram jogos no Estádio Independência.


O Campeonato da Cidade teve o seu início adiado para o mês seguinte para não concorrer com os jogos da Copa.


Com o futebol da capital paralisado, as diretorias de Atlético e Cruzeiro resolveram armar dois clássicos para arrecadar dinheiro.


A primeira partida foi num domingo, no estádio de Lourdes, e o jovem time do Cruzeiro venceu por 3 a 1.


A revanche foi marcada para a quinta-feira à noite, dia 22 de junho, no Barro Preto. Nas arquibancadas estavam presentes as delegações da Suíça e da Iugoslávia que foram acompanhar de perto um dos grandes clássicos do futebol brasileiro.


O Cruzeiro, treinado pelo ex-lateral Souza, era conhecido pelo futebol rápido e produtivo, mas naquela noite exagerou. Na saída de bola, Guerino apanha um lançamento e passa a Nonô II que, na área, chuta forte. A bola toca na trave direita e entra.


Eram 7 segundos de jogo.


Um gol fulminante que ficou marcado como o mais rápido nos confrontos entre Atlético e Cruzeiro e que colocou o atacante no hall da fama dos clássicos.


Naquela noite, Nonô II ainda marcou mais um gol, aos 12 minutos do 2o tempo. Após um cruzamento de Sabu, disputa a bola com Oswaldo. Nonô II ajeita e marca sem dificuldades fazendo 2 a 0.


O placar não sofreu alterações e o Cruzeiro venceu o amistoso. Naquela época, o clube estava cheio de problemas e atravessava uma grave crise financeira que chegou às portas da falência. O regime profissional foi abandonado provisoriamente e os jogadores receberam passe livre. A maioria foi tentar a sorte nas equipes do futebol paulista e carioca. Muitos tornaram-se famosos, alguns mantiveram sua fama, e de outros nunca mais se ouviu falar, dentre eles, o Nonô... aquele dos 7 segundos.



Esta página dos Jogos Imortais foi escrita por Henrique Ribeiro, autor do Almanaque do Cruzeiro e, responsável por várias das pesquisas dos jogos escritos neste blog.



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