RESENHA DO MIXA
INTERNATIONAL SCORE
Após a boa vitória do time do Cruzeiro na quinta-feira pela Copa Libertadores, o treinador não exitou em escalar o time principal para enfrentar o Tupi na tarde deste domingo.
Mais uma vez exaltamos a postura do treinador que encara todos os desafios do clube com muita seriedade e consciência da importância de cada um. Decisão acertada, e premiada com resultado conquistado.
Tá certo que não foi um jogo fácil. O Cruzeiro jogou com muita determinação, mas mais uma vez sem muita exuberância técnica ou de qualidade.
Teve maior volume de jogo nos dois tempos, e mesmo sofrendo com a implacável marcação do adversário, até muitas das vezes violenta, não mostrou tanta agudez e objetividade no ataque, senão a competência de sempre.
No primeiro tempo, o time jogou com aplicação tática, e cumpria à risca as determinações de Adílson de triangulação na entrada da área adversária, usando a velocidade de Apodi pela direita, e a ótima apresentação de Jadílson nas avançadas pela esquerda.
O time tinha muito volume de jogo, e a regular dificuldade de entrada na área adversária, o que acabou sendo castigado com o gol do Tupi ao fim do primeiro tempo, nos acréscimos, em lance em que o atacante acertou forte chute no canto do Fábio no alto, sem chance de defesa.
No segundo tempo, o time voltou determinado a conseguir o empate, e este ponto já seria suficiente para garantir o primeiro lugar, sendo que o Cruzeiro ainda atuaria com alguns reforços: um jogador a mais, em função da expulsão de um marcador do Tupi, e a saída de Marcinho para entrada do Guilherme, e a saída de Apodi para entrada de Elicarlos.
Adílson quis movimentar o ataque colocando o Guilherme no lugar de Marcinho, o que, após o final do jogo, pode-se ver como traduzido em indiferença, já que Guilherme agira como seu substituído: com alguma participação, mas pouca produtividade.
Penso que ambos não produziram muito face a forte marcação do Tupi, mas atacante tem que saber driblar essas dificuldades, e mostrar diferença nessas horas. Os dois não foram bem, mas continuo confiando nos dois. São bons jogadores que podem render pro time no futuro. Só não podem ser creditados como salvadores da pátria, ou matadores diferenciados, porque hoje, estão longe de ser isso.
A entrada de Elicarlos no lugar de Apodi foi para dar mais força na lateral direita com Marquinhos Paraná se deslocando para aquela posição, e o Eli cobrindo o espaço de volante deixado por Marquinhos.
Gostei da alteração, e ela foi importante, dado o vigor físico e a força com que as jogadas eram disputadas. Certamente, iam acabar machucando o Apodi, que é muito ágil e aparentemente frágil. Penso que ele atuara de forma regular, empregando velocidade nas jogadas, mas pecando nos cruzamentos.
A arbitragem foi criteriosa e rigorosa distribuindo muitos cartões, todos justíssimos, e ainda assim o ritmo de força não diminuía...
O Cruzeiro empatou com muita luta num lance de cruzamento na área e cabeçada que atingiria o travessão esquerdo do goleiro do Tupi, voltaria à pequena área, e em ferrenha disputa pela posse, viria sobrar para o zagueiro Espinoza para fazer o gol azul.
O Tupi ainda teve muitos bons momentos no segundo tempo, e por pouco não marcava seus gols, não fossem ótimas intervenções de Fábio. Duas delas, podem ser destacadas como aquela do chute forte cruzado na frente do gol em que ele toca com a ponta dos dedos, e outra em chute à queima-roupa na entrada da área. Com certeza, essas defesas fizeram a diferença, confirmando a ótima temporada de Fábio que poderá ir para a Itália no meio do ano. Que vá trilhar seu futuro, mas não sem antes conquistar a Libertadores para o maior de Minas.
E o segundo gol do Cruzeiro viria sempre da mesma forma: a incansável luta de Moreno. Recebe a bola disputada na entrada da área, e acerto o canto certeiro do goleiro, sem muita força, mas suficiente para entrar no cantinho... o gol é a cara de Moreno: dedicação, comprometimento.
Os meus destaques positivos do jogo são o goleiro Fábio, o lateral Jadílson, com ótimas jogadas e opções de enfrentamento por seu lado, Wagner, e a sempre presença incansável de Marcelo Moreno.
Se fosse pra escolher o melhor, ficaria com Marcelo Moreno, por tudo que ele representa ao time. Seu comprometimento com a partida é algo extraordinário, e contamina todo o time, como parece ocorrer com Wagner, que alternava bons e maus momentos em jogos passados.
Deu gosto ver o Wagner hoje, ainda sem a exuberância técnica e muita produtividade, tomar gosto pela voluntariedade de Moreno, e aparecer o jogo inteiro. Por pouco não faz um golaço, em ataque pela esquerda em que acertou o travessão, e que poderia acionar Guilherme livre no meio da área.
O destaque negativo vai por conta de Guilherme. Não que tenha ido tão mal. De fato não foi bem, mas o destaque vai por conta de tudo que se pode esperar dele, já que tem enorme potencial. Não vou crucificar o garoto, que é bom de bola, mas ele tem que mostrar que quer fazer algo mais, mostrar que quer ser diferente, como faz Moreno com talvez menos qualidade.
Vi um Cruzeiro determinado, mostrando poder de superação, e mesmo sem muito brilho, buscar a vitória por todo o tempo sendo coroado com o objetivo em lances que foram a cara do time: lutador.
Espera-se que a seqüência de jogos dê mais confiança a todo o time, como vem fazendo a Moreno e Wagner, e dê mais liga e entrosamento àqueles jogadores que são considerados titulares.
Que venham as semi-finais, e jogando no Parque do Sabiá, um campo quase neutro, o time pode render mais que na Fazendinha, um estádio com dimensões acanhadas de campo e estrutura. O Cruzeiro poderá passar com traqüilidade, se continuar jogando com a seriedade de seu treinador.
Mixa.
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