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O Jogo Imortal de Cada Um

Cruzeiro 0 x 0 Rio Branco-ES

27/09/86

Nas conversas, e nos e-mails que tenho recebido. após o lançamento do livro Jogos Imortais uma coisa que predomina é a preferência do torcedor por este ou aquele jogo. Dependendo da faixa etária de cada torcedor, o jogo está contemplado no livro.

Uma coisa porém intriga, quando se fala em mais de um jogo sempre aparece algum com um jogo diferente e que caiu no esquecimento da maioria. O relato passado sobre o jogo contra o Sporting Lisboa foi assim.

Neste post, vamos sair do lugar comum dos 86 jogos do livro, vamos falar de um jogo que poucas pessoas o têm como "imortal": O jogo nem teve vitória do Cruzeiro sobre o fraco Rio Branco do Espírito Santo que muito nos atrapalhou na história.

O jogador que tem este jogo como imortal na sua lembrança chama-se José Reinaldo de Lima, o próprio. Tido como o maior ídolo do nosso rival local e que recentemente protagonizou uma aposta com o Serginho "cruzeirense" do programa Alterosa Esportes e, prá variar, perdeu e não pagou. Arrumou uma conversa mais do que descabida para não pagar a aposta. Isto tem revoltado alguns torcedores que sabem que ele tem o jogo contra o Rio Branco como o jogo de seus sonhos, seu "jogo imortal".

A revolta dos torcedores que têm entrado em contato com este blog é pelo fato que o ex-jogador, à época, disse em entrevista ao Diário da Tarde (18/8/1986) que seu desejo era se tornar o "Rei Azul" e não se continha na expectativa de estrear com a camisa celeste. Disse ainda, segundo o jornal, que a torcida do Cruzeiro era mais vibrante e que empurrava o time mais do que a torcida do time que ele jogava anteriormente na cidade. Para corroborar este sonho e expectativa o ex-jogador entrou em campo com seus dois filhos, Daniel e Tiago, devidamente paramentados com o uniforme completo celeste.

Depois de dar declaração desta natureza, o hoje comentarista e defensor das causas indenfensáveis, ficar fazendo onda para entrar na Toca da Raposa 2, por uma aposta perdida não é de bom tom.

Não cumprir uma aposta perdida pode até parecer natural para os que torcem para o time do outro lado da lagoa, agora renegar o que o próprio disse ao final da carreira, virar a cara e fazer pouco caso de quem o acolheu de braços abertos depois de passagens pífias como a que teve pelo Rio Negro-AM antes de vir para o Cruzeiro não é coisa que deva ser normal, daí a compreensão que tenho da revolta de alguns cruzeirenses.

Então este jogo é para relembrar ao ex-jogador que o jogo imortal da vida dele, o grande sonho dele foi realizado num 27 de setembro, há mais de 20 anos atrás, pois durante este tempo o ex-jogador mudou muito e deve ter se esquecido de coisas básicas que fez e falou.

É bom lembrar que ele também falou à época que "...queria ver a cidade colorida de azul e branco com a torcida fazendo a festa na arquibancada e ele fazendo a festa nos gramados...".

A festa foi completa, volta no estádio com a bandeira cruzeirense, muitos beijos nas cinco estrelas que ele carregava no peito. Na sua estréia com a camisa celeste o árbitro não poderia deixar de ser outro além do competentíssimo José Roberto Wright, melhor árbitro de Brasil naqueles tempos.

Infelizmente, apesar da grande festa a passagem de Reinaldo pelo Cruzeiro, o ex-jogador não rendeu o esperado. Não ganhou nenhum título e, em poucos jogos (inclusive no jogo dos sonhos dele) perdeu a posição por deficiência técnica para o centroavante Hamilton. Assim, com poucos jogos, Reinaldo encerrou sua carreira no Cruzeiro, mas claro tendo realizado seu sonho e dos seus filhos. Com Hamilton de centroavante no ano seguinte o Cruzeiro foi campeão mineiro novamente, pena que nesta volta olímpica o "Rei Azul" não estava mais lá, pois seria campeão como muitos de seus ex-companheiros só foram jogando pelo Cruzeiro e realizando o sonho de quase todos eles. Mas isso é história para outro papo.

Ficha Técnica
Cruzeiro 0 x 0 Rio Branco (ES)
Copa Brasil (1a. Fase) - Mineirão - BH
Público - 32.828 / Renda - Cz$588.802
Árbitro - José Roberto Wright (RJ)

Cruzeiro: Gomes, Balu, Geraldão, Gilmar Francisco e Genílson; Douglas, Ernani, Eduardo; Robson (Gil), Reinaldo (Hamilton) e Édson. Técnico: Carlos Alberto Silva.
Rio Branco (ES) :Rodolfo; Nenê, Nenê Carioca, Paulo e Nonoto; Sidney, Cardim e Mazolinha (Édson), Édson Foguete, Jones e Márcio Fernandes (China). Técnico: Paulinho de Almeida.


Dedicatória.
Ao ex-jogador José Reinaldo de Lima, tido por alguns como o maior craque da era do Mineirão e que teve nesta partida a realização de seu sonho como ele proprio declarou. E que esta lembrança o ajude a pagar uma simples aposta que não deveria doer tanto assim dadas as lembranças aqui postadas.
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