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23 07 07
34 Defesas de Geraldo II que Valem um Ídolo

Cruzeiro 2 x 1 Siderúrgica


09/07/44



Bem no início da década de 40, a maioria da população mundial , em todos continentes, sofria com a Segunda Guerra Mundial, e o Cruzeiro, como sempre em sua historia, tinha que lutar contra tudo e contra todos.

Um decreto autoritário, em 1942, proibira qualquer menção a países do Eixo (Alemanha, Japão, Itália). Com isto um clube de Belo Horizonte foi obrigado a mudar de nome.

Desaparecia o tão combatido Palestra Itália/Mineiro e suas cores vermelha, branca e verde, oriundas do pavilhão italiano, surgindo para o mundo o Cruzeiro Esporte Clube de Jogos Imortais que não demorariam a se repetir como na época do Palestra.

Numa decisão, que demonstraria a astúcia de uma Raposa (que seria adotada como mascote tempos depois), os conselheiros fizeram com que o Palestra passasse a jogar com as cores da Azzurra. No peito para sempre traríamos as cinco estrelas da constelação do Cruzeiro do Sul, usada pelo italiano Américo Vespúcio para descobrir a América. Seriamos para sempre um time do povo mas sem deixar as origens marcadas nas cores e no peito.

Aqueles anos, após a mudança de nome, foram difíceis para o Cruzeiro, que vinha sendo construído por pessoas humildes e operários. Ninguém retratava melhor estas dificuldades e a determinação dos cruzeirenses (ex-palestrinos) do que um brasileiro chamado Geraldo Domingos e, para nós cruzeirenses, imortalizado como Geraldo II.

Ele, como pedreiro, trabalhara, muitas vezes de graça, construindo com suas próprias mãos e suor, no Barro Preto, o Estádio JK. Porém, Deus lhe dera um talento maior que o de apenas edificar coisas. Com suas mãos Geraldo II defenderia por anos a meta do Cruzeiro, sendo o maior goleiro mineiro da época e um mais um dos muitos injustiçados em relação à Seleção Brasileira.

No campeonato de 1944 Geraldo nos brindaria com sua maior apresentação, o Cruzeiro vinha em segundo no campeonato e revolucionara o futebol regional com um esquema aonde todos ajudavam na marcação. Tinha no ataque o magistral Niginho e no gol a barreira Geraldo II e com a dupla já vinha mostrando que mesmo lutando contra todos aquele clube tinha nascido para ser campeão.

O simpático Siderúrgica de Sabará era uma das potências do Estado à época e naquela partida decisiva do campeonato viera com tudo buscando superar o Cruzeiro e seguir rumo ao título. As esperanças do "Esquadrão de Ferro" esbarrariam nas mãos de nosso herói.

O jogo começara e logo o Siderúrgica veio para cima e logo no primeiro ataque contra o gol de Geraldo II, o "Esquadrão de Ferro" balançou as redes do Cruzeiro. Eram passados dois minutos, quando Fantoni atrasou para Arlindo que, de fora da área, chutou de bico abrindo o marcador.

Quem achava que o Cruzeiro partiria para cima, estava errado. O que se viu, durante todo o jogo, foi um bombardeio à meta do goalkeeper Geraldo II. Foram, ao todo, 34 defesas durante a partida o que até no futebol de hoje é um numero que impressiona. O time barropretano conseguiu, heroicamente, virar aquele jogo. Primeiro com um gol de pênalti, de Alcides. Depois, aos 39 minutos do segundo tempo, Niginho recebeu passe de Ismael e com um toque de craque colocou a bola no canto esquerdo do gol de Princezinha revertendo o placar.

Esta foi a arrancada cruzeirense para o bicampeonato. Mostrou que nenhuma lei, por mais sectária e fora de propósito, nos faria deixar de ser o time vencedor que nos tornamos. Nascemos vencedores graças a homens como Geraldo II que, literalmente, construíram nossa historia.


Ficha Técnica
Cruzeiro 2 x 1 Siderúrgica (MG)
Campeonato da Cidade - Estádio Praia do Ó - Sabará-MG
Renda - Cr$2.455
Árbitro - Raimundo Sampaio (MG)
Gols: Arlindo 2, Alcides (P) 44, Niginho 84
Cruzeiro: Geraldo II; Gérson, Bituca, Bibi, Juca, Juvenal, Braguinha, Lazzarotti, Niginho, Ismael e Alcides. Técnico: Bengala.
Siderúrgica (MG) :Princezinha, Perácio, Oldack, Edílson, Aziz, Carango, Zezinho, Arlindo, Orlando, Paulo e Rômulo. Técnico: Mascote.


Dedicatória.
Ao eterno construtor de vitórias e glórias, ao imortal Geraldo II, o Geraldo Domingos, injustiçado, mas cioso de suas possibilidades e qualidades. Dedicamos à memória dele e aos seus familiares, na certeza de que são ídolos eternos da torcida do Cruzeiro, dos Palestrinos e dos amantes do football.

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