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15 02 08
Libertadores é prá quem pode.

Cruzeiro 1 x 1 San Lorenzo-ARG

02/12/98


Dos grandes clubes argentinos, o San Lorenzo é o único que nunca ganhou um titulo internacional da magnitude de uma Libertadores da América, nem títulos com Sulamericana, Mercosul e outros menos expressivos. É um simpático time argentino, respeitado em todo o continente, mas que nunca teve o mesmo sucesso em competições internacionais como seus rivais locais. Apesar de sempre mostrar força em torneios nacionais, ser campeão doe algum certame continental é o sonho da sua torcida.


Provavelmente, uma das maiores chances de quebrar este tabu para o time centenário argentino, foi em 1998 durante a Copa Mercosul, um time forte portenho chegara a semifinal daquele torneio e enfrentaria o já famoso Bicampeão da América, o terror dos argentinos dentro dos seus domínios, o Cruzeiro Esporte Clube.


Aquele também vinha sendo um ano mágico para nós cruzeirenses, com uma equipe mesclando jovens e veteranos em igual proporção. Nosso time fazia uma brilhante campanha tanto na Copa Mercosul quanto no Campeonato Brasileiro disputando a semifinal contra a Portuguesa-SP.


Antes das duas decisões, uma grande especulação sobre o cansaço do time celeste e se o técnico Levir Culpi iria poupar algum titular na Copa Mercosul priorizando a competição nacional.


A discussão ganhava as arquibancadas quando os torcedores se dividiam entre dedicar a uma das competições ou ir com a força máxima nas duas. A decisão do comandante na época foi que o time do Cruzeiro não estava cansado e que iriam atrás dos dois títulos.



No primeiro jogo, tudo correu bem e o Cruzeiro bateu os argentinos no Mineirão, como tradicionalmente faz com argentinos e sulamericanos, por 1 a 0 com um gol do ponteiro Alex Alves. Os argentinos deixaram o "gigante da pampulha" comemorando a derrota, acreditavam que reverteriam a desvantagem em seus domínios.


O centroavante argentino Acosta declarara que a concentração era total rumo ao titulo enquanto o eterno capitão Wilson Gottardo questionava os argentinos que comemoravam não ter tomado uma goleada, imaginando que o time teria facilidades no Nuevo Gasômetro.


A situação do clube argentino era completamente diferente da cruzeirense, já sem chances no torneio apertura todas as forças estavam concentradas na copa continental. Inclusive, durante a semana, escalaram um time praticamente amador para jogar no torneio nacional empatando com o Belgrano em 2 a 2.


A torcida argentina foi convocada e compareceu em peso na esperança de ver o seu sonho realizado e que seu time finalmente conseguisse o sonhado título internacional. A pressão antes do jogo era grande, porém, o time celeste era muito experiente e começou a partida recuado segurando a pressão inicial que com certeza seria aplicada pelos donos da casa.


Os primeiros 20 minutos foram de total pressão argentina, aos 2 minutos, Esteves marcou mas o juiz segurando a pressão marcou corretamente falta em um lance anterior. O Cruzeiro deu o troco com um chute de Alex Alves, que bateu forte obrigando Passet a fazer bela defesa. Aos 17, novamente ataque portenho com Coudet cruzando e Acosta cabeceando para bela defesa de Paulo César Borges.


A partir daí, o Cruzeiro melhorou em campo e começou a levar perigo ao gol adversário. Fábio Júnior perderia duas boas chances aos 21 e 28, em jogos decisivos na casa do adversário não se pode perder oportunidades e o castigo veio minutos depois. Aos 38, Basavilbaso entrou nas costas do lateral Gustavo e recebendo passe de Coudet abriu o marcador. O estádio Nuevo Gasômetro quase veio a baixo de tanta comemoração.


Muller mostrava o melhor de seu futebol numa noite inspiradíssima e o setor defensivo do San Lorenzo conseguia segurar a vitória, a duras penas. O primeiro tempo acabou e este resultado não era bom para ninguém já que levava a decisão para os pênaltis.


No segundo tempo, os dois times teriam que buscar o gol e para surpresa de todos o Cruzeiro continuou melhor, com mais presença em campo e levando mais perigo. Aos 7 minutos, da etapa final, Alex Alves cruzou e Muller perdeu ótima chance.


Era o sinal para que o sonho dos argentinos começasse a virar pesadelo. Aos 20 minutos, Valdo cobra falta para Djair que solta a bomba e empata a partida calando o Nuevo Gasômetro. Após o gol celeste o time argentino foi com tudo ao ataque. Porém, todas as suas investidas paravam na forte defesa cruzeirense. Nos contra-ataques, era o Cruzeiro que chegava mais perto do gol e da vitória. Foi assim até os 44 minutos do segundo tempo quando o goleiro Paulo César foi expulso ao retardar uma cobrança de tiro de meta, para piorar o técnico celeste já tinha feito as substituições permitidas. Sempre, nestas circunstâncias, um jogador da linha teria que defender o gol. Coube ao matador Marcelo Ramos a ingrata posição. O árbitro anotou que daria quatro minutos de acréscimo e um gol levaria a disputa para os pênaltis. Foram quatro minutos de ataques incessantes durante os quais muitas bolas cruzadas na área celeste não levavam pergio direto mas rondavam a cidadela do arqueiro Marcelo Ramos. Se saísse um gol a disputa de penaltis seria até covardia. Porém , nossos zagueiros cresceram e naqueles eternos 4 minutos cortaram todas as bolas com a devida proteção ao arqueiro-artilheiro.


O até franzino atacante, Marcelo Ramos, parecia uma criança que veste uma camisa de adulto. Mesmo assim encontrou forças para salvar o time e não disputar penaltis. Aos 48 minutos do segundo tempo, quando em mais uma bola jogada na área nosso “goleiro” teve que sair do gol e antes Lussenholf marcasse fez arrojada defesa para um atacante.


Para desespero da torcida local o sonho acabara, como sempre em sua história. Os jogadores cruzeirenses foram guerreiros arrancando a classificação. Marcelo Ramos marcou sua carreira no Cruzeiro balançando as redes adversárias, porém, em uma vez, o matador teve que ser goleiro na Argentina e em um jogo decisivo. Como sempre fez em sua carreira, o bom baiano não decepcionou os torcedores celestes, nem como goleiro.


Ficha Técnica
Cruzeiro 1 x 1 San Lorenzo-ARG
Competição - Copa Mercosul (semifinal)
Estádio - Nuevo Gasômetro - Buenos Aires-ARG
Público - 41.000 / Renda - Não Disponível
Árbitro - Ubaldo Aquino (PAR)
Gols: Basasilbaso
aos 32' do 1º tempo e Djair aos 20' do 2º tempo

Cruzeiro : Paulo César Borges; Gustavo, Marcelo Djian, Gottardo e Gilberto; Marcos Paulo, Djair (Valdir), Valdo, Muller (Caio); Alex Alves e Fábio Júnior (Marcelo Ramos) . Técnico: Levir Culpi.

San Lorenzo (ARG) : Passet; Tuzzio, Ameli, Córdoba e Cloudet (Paredes); Rivadero (Borelli), Basavilbaso, Lusennhoff e Gorosito; Estévez (Biaggio) e Acosta. Técnico: Alfio Basile.

Cartão vermelho: Paulo César Borges (CRU)

Dedicatória.

No momento em que se discute a contratação de jogadores para o ataque cruzeirense e, passados dez anos desta partida, o atacante Marcelo Ramos segue fazendo seus golzinhos pelos campos de futebol, muito torcedor cruzeirense pede para que o jogador seja recontratado. A experiência do Cruzeiro em recontratar jogadores algum tempo depois que eles saem não tem se revelado profícua. Melhor lembrar partidas heróicas, melhor lembrar gols históricos e eternos. Esta página de Jogos Imortais é dedicada a um dos maiores artilheiros da história do Cruzeiro sem que retorne e corra o risco do torcedor de memória curta crucificá-lo por coisas que não faria mais da mesma forma. Esta partida é uma página heróica em que o artilheiro mostrou-se eficiente jogando no gol.
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