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11 07 07
Academia Celeste encanta Di Stéfano

Cruzeiro 6 x 0 Sporting-POR

05/09/74

Alfredo Di Stéfano foi um dos maiores gênios que o futebol mundial conheceu, jogou pelo River Plate-ARG e Real Madrid-ESP, time que o tem, até hoje, como maior ídolo. Fez 818 gols em 1115 partidas, um artista da bola a desfilar na Europa nas décadas de 50 e 60 do século passado.

No Real Madrid participou provavelmente do maior time já feito por um clube de futebol jogando ao lado do húngaro Puskas e do "maestro" Didi. Don Alfredo, como era conhecido, encerrou a carreira em 1965 e logo se arriscou na função de técnico de futebol tentando passar, aos menos abençoados, um pouco de sua qualidade e talento.

Queria o destino que, 9 anos após sua aposentadoria, o craque encontrasse em Belo Horizonte uma Academia que voltaria a o encantar.

Em 1974 foi realizado um torneio comemorativo dos 9 anos da inauguração do estádio do Mineirão. Para jogar contra Cruzeiro e Atlético-MG foram convidados o Benfica, do craque Eusébio, e o Sporting de Lisboa, treinado, à época, por Don Alfredo.

Na primeira rodada do torneio, numa partida fantástica, o Benfica levou a melhor sobre o Cruzeiro, de Dirceu Lopes, vencendo-o por 2 a 1. O Sporting, campeão português, iria "pagar o pato" e o craque Di Stéfano sairia voltaria à Europa com uma goleada na bagagem.

Antes do jogo, o técnico cruzeirense Hilton Chaves animava seus jogadores para a reabilitação: “Vamos com garra, disputar todos os espaços do gramado, lutar do começo ao fim. Porque hoje tem que haver vingança, reabilitação no duro. Eu mais uma vez estou tranqüilo confio em vocês!”.

O Cruzeiro entrou em campo com determinação e mostrando as qualidades daquele time que há dez anos encantava todo o Brasil. Começou arrasador e, logo aos 4 minutos, o jovem ponteiro Eduardo recebeu pela direita, caminhou e chutou violentamente. Damas, goleiro da Seleção Portuguesa, cedeu rebote nos pés de Dirceu Lopes. Coube ao craque da camisa 10 celeste apenas empurrá-la para o gol e abrir o marcador.

O Cruzeiro continuava impondo seu jogo e, aos 14 minutos, fez o segundo tento. Palhinha foi a linha de fundo e cruzou para a entrada de Zé Carlos, o "mestre Zelão", mandou a bomba que estufou a rede adversária. Enquanto isto Di Stéfano passava a mão nos ralos e poucos cabelos, em poucos minutos o "baile" já tomava forma.

A Academia mostrava o futebol arte de sempre, Eduardo, aos 23 minutos, fez mais uma bela jogada, driblando três jogadores portugueses com extrema habilidade, deixando-os para trás. Centrou na área, onde Joãozinho esperava para, de cabeça, vencer mais uma vez o goleiro Damas. O "bailarino da bola" também deixava sua marca.

No banco de reservas celeste Hilton Chaves não desistia gritava com os jogadores “Vamos insistir que podemos marcar mais gols!”, esta era a ordem do comandante. O Cruzeiro massacrava e, do túnel do Sporting, o velho craque pouco falava, somente fazia o gesto característico de passar a mão na cabeça a cada ataque celeste. Aos 40 minutos, em mais um lançamento de Eduardo, Palhinha agora invadiu sozinho a área adversária, driblou o goleiro e tocou para as redes marcando o quarto gol.

Os portugueses passaram o primeiro tempo todo acuados e apenas tentavam atacar com o jogador Dé, porém, este era anulado com habilidade pelo capitão Wilson Piazza. E foi do capitão, o gran finale daquela obra de arte dos primeiros 45 minutos. Palhinha, aos 41 minutos, mais uma vez caindo pelas pontas, centrou e o capitão apareceu de surpresa na área, com classe, para finaliza de cabeça no fundo das redes, marcando o quinto gol.

Quase por misericórdia o árbitro encerrou o primeiro tempo, o Cruzeiro goleava o campeão português, em 45 minutos de futebol, por 5 a 0. A torcida, maravilhada, aplaudia de pé seus artistas. Di Stéfano, meio que desnorteado, dirigiu-se aos vestiários em silêncio. No retorno, o Cruzeiro aliviou o ritmo poupando energias para o clássico decisivo. Ainda assim, criou várias chances de gol mas so conseguiu marcar em uma oportunidade, Palhinha recebeu de Joãozinho, após um dos costumeiros carnavais feitos na área lusa, e chutou forte e o goleiro Damas soltando novamente, desta feita aos pés de Roberto Batata que entrou no lugar de Dirceu Lopes fechou a goleada.

Naquele dia Don Alfredo Di Stefano conhecera o cruzeiro esporte clube, não éramos mais um pequeno clube de imigrantes, éramos agora um grande clube a nível mundial.


Dedicatória.
Ao Príncipe DIRCEU LOPES, ídolo eterno e um dos atletas mais injustiçados em toda a história da Seleção Brasileira. Por ter sido preterido em favor de jogadores menos qualificados, Zagallo será eternamente lembrado pela torcida do Cruzeiro como incapaz e pouco correto.

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