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01 02 08
Nem o Defensores del Chaco segura um Supercampeão!

Cruzeiro 1 x 0 Olímpia-PAR

04/11/92


Era o primeiro jogo da semifinal da Supercopa de 1992. O Cruzeiro viajara para Assunción, no Paraguai, para enfrentar o Olímpia – time mais tradicional daquele do país. Com uma bela campanha, o Cruzeiro chegara à semifinal eliminando o River Plate, em Buenos Aires; enquanto isso, do outro lado da chave, os paraguaios eliminavam o grande time do São Paulo, que, mais tarde, no mesmo ano, conquistaria o Mundial Interclubes.


Era óbvio que as duas equipes vinham motivadas ao máximo, e o primeiro jogo seria a chance de os paraguaios abrirem uma vantagem e segurarem o Cruzeiro no temido Mineirão. Alguns jornais paraguaios falavam até em goleada, desconhecendo o belo futebol que os mineiros vinham apresentando até então.


O jogo começou com os torcedores paraguaios cantando e empurrando o time, como era de se esperar. Era uma torcida que lotava o estádio, pequeno se comparado ao "Gigante da Pampulha", famosa pelo fanatismo e pelos atos de violência. A pequena torcida do Cruzeiro que se fez presente passou por apuros inimagináveis e até hoje desconhecidos pela maioria dos torcedores do Cruzeiro. Até da própria Polícia que era para cuidar dos torcedores cruzeirenses, os corajosos que lá estiveram buscaram maneiras de se proteger.


No início do jogo, o Cruzeiro abafou. Logo nos primeiros 5 minutos, mostrou que era o time mais copeiro do Brasil, sabia jogar com o regulamento "debaixo do braço", mesmo com as tentativas de finalização perdidas por Renato Gaúcho. Aos 15 minutos, o Cruzeiro dava um banho no Olímpia, parecia que jogava em casa: Paulo Roberto cobrou escanteio, Goycochea soltou a bola na coxa de Renato, que dominou e chutou forte. A bola bateu na trave, e , caprichosamente, voltou para o goleiro.


Aos 19 minutos do primeiro tempo, o Cruzeiro sofreu o primeiro ataque paraguaio, parecia que eles jogavam fora de casa. Amarilla puxou o contra-ataque e tocou para Caballero. O atacante ajeitou e mandou a bomba, mas Paulo César fez boa defesa.


O Cruzeiro dominava territorialmente e o gol não tardaria. Aos 33 minutos do primeiro tempo, Luis Fernando lançou, da direita, para Nonato, na esquerda. O lateral se aproximou da entrada da área e cruzou. Nervoso, o zagueiro Ayala furou, não conseguindo cortar o cruzamento, e Goycochea não saiu do gol – ficou parado, enquanto a bola cruzava a área. A bola passou também por Renato Gaúcho, mas não por Luis Fernando: o baixinho bom de bola fechou surpreendentemente, cabeceando para dentro do gol e calando todo o Defensores del Chaco. Começava a preocupação adicional para os cruzeirenses presentes no estádio. A garantia é que o jogo de volta seria em Belo Horizonte.


A reação paraguaia não tardou. Logo depois do gol cruzeirense, o Olímpia teve uma outra chance com Amarilla, que recebeu na entrada da área e, quando tinha dois companheiros livres, preferiu chutar, mandando a bola para a linha de fundo. Era o sinal de que eles não se davam por vencidos e sabiam que uma derrota em casa era a condenação a serem eliminados na semifinal.


O técnico Jair Pereira amarrou o Olímpia no primeiro tempo com um esquema tático muito seguro. Mas, no segundo tempo, o ex-zagueiro celeste Roberto Perfumo, que era o técnico do Olímpia, mudou seu esquema de jogo e criou problemas para o Cruzeiro. O Olímpia voltou com três atacantes e seu meio-campo bem mais avançado.


Nos primeiros 20 minutos, o Olímpia sufocou, mas o experiente volante Douglas era uma rocha à frente da zaga celeste. Aos 19 minutos da etapa final, o Olímpia teve sua melhor chance de empatar, mas Nonato salvou em cima da linha do gol.


Depois dos 30 minutos, o Olímpia cansado, pelo esforço e pressão feitas naquele segundo tempo alucinante, fez com que permitisse  e o Cruzeiro voltasse a assumir o controle da partida. Renato Gaúcho ainda perdeu mais duas chances e o jogo terminou com uma bela vitória celeste por 1 a 0.


O Defensores del Chaco estava mudo. A festa era do Cruzeiro e de um grupo de torcedores que saíra de ônibus de Belo Horizonte para ver o jogo no Paraguai. Aquele era um passo decisivo rumo ao  sonhado SuperBiCampeonato.

Ficha Técnica
Cruzeiro 1 x 0 Olímpia-PAR
Competição - Supercopa da Libertadores (semifinal)
Estádio - Defensores del Chaco - Assunción-PAR
Público - 23.677 / Renda - G 169.567.000
Árbitro - Jorge Orellana (EQU)
Gols: Luis Fernando
aos 32' do 1º tempo

Cruzeiro : Paulo César Borges; Paulo Roberto, Célio Lúcio, Arley Álvares e Nonato; Douglas, Rogério Lage, Luis Fernando (Édson) e Betinho; Renato Gaúcho e Roberto Gaúcho. Técnico: Jair Pereira.

Olímpia (PAR) : Goycochea; Cáceres, Ayala (Miguel Sanabria), Ramirez e Suarez; Adolfo Jará, Sanabria, Romerito e Gonzales; Amarilla e Caballero (Samaniego). Técnico: Roberto Perfumo.

Dedicatória.

O "baixinho bom de bola" participou de jornadas memoráveis envergando a camisa do Cruzeiro. Jogou com verdadeiros craques e sempre se mostrou solícito, um garçon da melhor estirpe, sem vaidades ou senões. Um guerreiro que "carregava pianos como ninguém". Este jogador, vez por outra, desequilibrava e colocava tudo nos eixos. O relato desta vitória é dedicada ao Luiz Fernando que, ainda hoje, atua com futebol das categoria de base e ao marcar um gol no "caldeirão" do Defensores del Chaco mostrou que não é impossível o Cruzeiro vencer onde quer que seja, quanto mais nos classificarmos. Homenageamos este belo jogador de futebol e que ele sirva de exemplo para aqueles que lutarão contra o Cerro Porteño. Que esta história sirva de inspiração para homenagearmos outros guerreiros no futuro.

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