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29 02 08
Seu time tem mêdo de ser campeão?

Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG

14/07/96

Em toda sua história, o Cruzeiro Esporte Clube teve, em várias oportunidades, sua valentia testada e, em 1996, não seria diferente.


Nossa história foi construída sempre com luta e conquistas, sempre levamos o nome de Minas mais alto que qualquer outro clube do estado, batalhar pela vitória até o último minuto é um sinônimo de nossa grandeza.


Mas tudo isto parecia ter sido esquecido pela imprensa mineira em 1996, nosso time não vinha bem no campeonato rural. Tínhamos sido derrotados no primeiro clássico regional e faltando apenas quatro jogos para o final do campeonato a vantagem do rival era de seis pontos.


Para irritar ainda mais a torcida celeste o ex-lateral cruzeirense, Paulo Roberto, à época atuando pelo rival, declarou ao final da primeira partida: ´´Já estive do lado de lá, e sei do medo que eles tem quando enfrenta esta camisa``.

Em toda sua história, quem tem vários exemplos de amarelar em decisões é justamente nosso rival. Porém, a parcial imprensa mineira, mais uma vez, esqueceu disto. Após a vitória atleticana sobre o América o jornal Diário da Tarde estampou em sua manchete “Este titulo esta no papo!”. O jornal ainda concluiu que o Atlético poderia reservar em sua sala de troféus um espaço já para o troféu de campeão mineiro. O adversário contribuiu e mandou fazer os posteres da conquista, antes de conquistá-la.


Como os deuses do futebol são justos, começara ali a maior amarelada da história de todos os campeonatos estaduais que o torcedor mineiro presenciara. Enquanto no campo o Cruzeiro bateu a Caldense, em Poços de Caldas, por 2 a 1 o rival teve seu primeiro tropeço contra o Villa Nova empatando sem gols em Nova Lima. A diferença então cairia para 4 pontos e o clássico se tornara decisivo, uma vitória atleticana daria o titulo com duas rodadas de antecedência, já uma vitória celeste colocaria fogo no campeonato e passaria toda a pressão para que o rival ganhasse as duas partidas seguintes.


O lateral atleticano Lira contrariando as instruções do técnico Procópio de não fazer declarações polemicas antes do clássico, afirmou que não conseguia nem dormir já sonhando com o titulo ao final da partida. Mais uma vez o Diário da Tarde provocou e no dia do clássico estampou a manchete “Galo pronto para a volta olímpica!”. Pobres atleticanos mais uma vez seria provado que quem morre na véspera da festa são as aves e não as raposas.


Com uma raça fora do comum e conscientes que iriam mais uma vez calar a boca da imprensa mineira o time celeste começou a partida indo com tudo para cima. Acuado coube ao time atleticano recuar enquanto das arquibancadas a torcida celeste empurrava o imortal time azul para frente. Logo aos 11 minutos Roberto Gaúcho cobrou um escanteio, Marcelo Ramos cabeceou com força e Tafarrel não segurou soltando a bola nos pés de Gelson que fuzilou o gol abrindo o marcador.


A torcida celeste comemorando sem parar cantou então provocando “EL, EL, EL SAI QUE É SUA FRANGARELL”.


O lateral Lira aquele mesmo que “sonhara” com o titulo mostrou a diferença de espírito de cada time. Logo após o gol pos a mão na coxa e pediu para sair sendo substituído por Daniel, seria mesmo os atletas cruzeirenses que tinham medo?


O Cruzeiro continuou dominando e a dupla Palhinha e Marcelo Ramos levava ao terror a defesa atleticana, apenas aos 30 minutos o rival teve uma chance de gol em um lance que Doriva tabelou com Clayton com William Andem saiu providencialmente abafando a jogada.


No segundo tempo, o jogo começou morno com o Cruzeiro recuado tentando aproveitar os contra ataques, o rival tentava atacar mas pouco perigo levava ao gol do goleiro Camaronês.


Aos 20 minutos, Palhinha foi lançado e antes de marcar o segundo gol celeste foi abafado por Tafarell, aos 28 minutos foi a vez de Euller invadir a área celeste e William Andem praticou perfeita defesa.


Aos 34, o golpe de misericórdia, Ailton entrou pela direita, livrou-se dos seus marcadores e rolou para Cleisson que chutou com raiva marcando op segundo gol celeste. A partir daí a festa foi completa, o Cruzeiro mais uma vez fizera seu papel, tirou mais três pontos do adversário.


No finalzinho, o jogo quase virou uma goleada, Roberto Gaúcho cabeceou a queima roupa e Tafarell fez bela defesa.


O jogo acabou. O zagueiro Gelson disparou “o pessoal do lado de la falou demais, ética nunca faz mal a ninguém, com humildade vamos buscar o titulo.”.


Cleisson perguntava aos repórteres quem era que tremia mesmo , numa alusão as declarações de Paulo Roberto no primeiro clássico.


Nas duas rodadas finais o que se viu foi a maior amarelada da história, a diretoria atleticana ofereceu uma bonificação aos jogadores Uberlandenses para que eles vencessem o Cruzeiro e facilitassem a vida do rival. Na última rodada, a situação se inverteu e foi a vez do diretor de futebol do Cruzeiro, o ex-zagueiro Moraes, viajar com a mala preta para Uberlândia. O time trinagulino endureceu o jogo e segurou o empate sem gols. Enquanto isso, no Mineirão, o Cruzeiro venceu o América por
1 a 0 conquistando o titulo.


Este seria apenas mais um campeonato mineiro, título de pouca importância para o Cruzeiro Esporte Clube. Na verdade ele só valeu mesmo para provar que, historicamente, quem treme em decisões não é o clube celeste das Minas Gerais e sim o clube fanfarrão que veste preto e branco e que em 100 anos conquistou apenas um título importante.

Ficha Técnica
Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG
Competição - Campeonato Mineiro (Finais)
Estádio -Mineirão
- Belo Horizonte-MG
Público - 35.904 / Renda - R$327.012,50
Árbitro - Dacildo Mourão (CE)
Gols: Gelson
aos 11' do 1º tempo e Cleisson aos 33' do 2º tempo

Cruzeiro : Willian Andem; Vítor (Marcos Teixeira), Célio Lúcio, Gelson e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Cleisson e Palhinha (Aílton); Marcelo Ramos (Donizete) e Roberto Gaúcho . Técnico: Levir Culpi.

Atlético (MG) : Tafarell; Paulo Roberto Costa, Rogério Pinheiro, Alexandre e Lira (Daniel); Doriva, Fábio Augusto, Bruno e Cleiton (Leandro); Euller e Renaldo (Ézio). Técnico: Procópio Cardoso.

Cartão vermelho: Daniel (ATL-MG) e Aílton (CRU)

Dedicatória.

Se a diretoria do Cruzeiro, em determinado momento de alucinação, pensou em homenagear o ex-lateral do Cruzeiro, Paulo Roberto Costa, sobre o que teria dito. Fica nossa homenagem pois tem que ter coragem para falar bobagem e sustentar. Recentemente o jogador, querendo agradar alguém, afirmou que suas palavras não foram bem interpretadas e que ele queria é dar um incentivo adicional ao clássico. Só que quem ficou com medo pois equipe dele e os colegas dele. Perderam um campeonato praticamente ganho. O que aconteceu? Tiveram MÊDO? Vai ficar, para sempre, marcado pela "amarelada" que tiveram naquele 1996.

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