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09 01 08
Para sempre, Imortal, Carmine Furletti

Quando fui informado sobre o falecimento do grande Carmine Furletti fiquei triste. Muito triste. Não tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas as pesquisas que fiz para construir o livro Jogos Imortais, sempre reforçaram a imagem de que era um grande cruzeirense.


O pouco que posso dizer para a família é que sua memória será,  para sempre, lembrada por todos nós cruzeirenses, e por todos que viveram aqueles anos mágicos das décadas de 60 e 70.


Busquei na minha memória o que poderia escrever sobre Carmine, que historia de glórias e como foi difícil conquistar, para todos nós, esta aura de vencedor que todos nos carregamos ate hoje.


Acho que nada exemplifica mais Carmine Furletti do que os depoimentos dos antigos ídolos que viveram com ele. Certa vez,  conversando com nosso eterno capitão Wilson Piazza, sobre o titulo roubado de 1974, ouvi este depoimento. “Após o jogo contra o Santos no Morumbi em que vencemos e classificamos para o jogo extra contra o Vasco eu deixei o campo aos prantos, porque em um lance bobo o árbitro Armando Marques tinha me dado o cartão amarelo que me tiraria da final. Eu chorava copiosamente até chegar ao vestiário, inconformado, fui um jogador que nunca agredira ninguém e que tinha sido punido por gastar o tempo da partida. Ao entrar no vestiário, o primeiro abraço foi do Furletão que me consolando não parava de falar que seriamos campeões em minha homenagem".


Este foi Carmine, um "boleiro", como uma vez me disse Joãozinho. Segundo nosso maior ponta, Furletti fazia uma dupla perfeita com o também imortal Felício Brandi. Segundo João, enquanto Felício se concentrava nas contratações e em formar o time, Carmine administrava o dia a dia do time com maestria controlando os egos de todos e sempre focando os atletas em conquistar títulos, foi assim em 1976 quando depois do gol do título da primeira Libertadores Joãozinho só não apanhou de nosso técnico Zezé Moreira porque Carmine entrou no meio falado o óbvio: "o titulo era nosso!"


Carmine Furletti entrou no Cruzeiro em 1953 e só saiu em 1985, uma vida dedicada às coisas do futebol e que em nada se parecem com o que acontece hoje em dia com dirigentes e cartolas. Aquela época romântica do futebol e do Cruzeiro se devem a pessoas como Carmine Furletti. Tinha defeitos e virtudes, mas o Cruzeiro no topo era sempre o motivo de errar e acertar.


Um dos lances mais marcantes protagonizado por Furletti ocorreu em Araxá, quando foi desafiado pelo então técnico Yustrich. Na época, todos em Minas tinham medo do ex-técnico que ficara famoso por ameaçar e bater em jogadores e até por obrigar um então presidente do nosso rival a abaixar e pegar uma caneta do técnico que tinha caído em clara demonstração de poder. Estas fanfarronices não colariam com o capo Furletti. Yustrich  desautorizou Roberto Batata a entregar sua camisa a um garoto cruzeirense da cidade interiorana. Ao ver os acontecimentos , imediatamente, Furletti deu a ordem a Batata de retornar ao campo e entregar a camisa ao garoto. Furioso Yustrich se dirigiu ao garoto para tomar a camisa. Sem gritar, mas com a autoridade de sempre, Furletti foi curto e grosso “Aqui você não manda nada. Aqui você é empregado e ponto final!”, a camisa ficou com o garoto e o falastrão durou pouco no cargo. Com certeza ali nasceu mais um cruzeirense.


Este foi Carmine Furletti para sempre em nossas memórias como um dirigente imortal. Como diria nosso capitão Piazza “Obrigado por tudo Furletao!”.


Descance em paz e que o Cruzeiro seja tricampeao da Libertadores 2008 numa justa homenagem a este grande e imortal cruzeirense.


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