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A conquista da Recopa Sulamericana

Cruzeiro 3 x 0 River Plate-ARG

23/09/99

A falta de datas para a realização da Recopa Sulamericana era uma dor de cabeça para os cartolas brasileiros e argentinos, afinal Cruzeiro e River Plate teriam que se enfrentar para disputar mais uma decisão em 98. A falta de datas e de um patrocinador adiou a disputa para o ano de 1999.

O Cruzeiro como Campeão da Libertadores de 97 e o River Plate como o campeão da Supercopa dos Campeões da Libertadores do mesmo ano, disputariam a terceira edição daquela competição sendo também a terceira oportunidades que estes times se enfrentariam numa decisão de torneio no continente. Nas duas primeiras a Libertadores de 1976 e a Supercopa de 1991 o temido time mineiro tinha levado a melhor. Um detalhe, porém, fazia a diferença: seria a primeira vez que o jogo decisivo (a segunda partida de volta) seria na Argentina no Estádio Monumental de Nuñes, cancha na qual, raramente, um time brasileiro conseguia sair vitorioso.

Outro fato inusitado cercou a disputa. Os jogos que decidiriam o titulo da Recopa seriam os mesmos dos válidos pela 1ª fase da Copa Mercosul, com o consentimento da Confederação Sulamericana de Futebol - Conmebol, assim o resultado das duas partidas valeriam o título da Recopa e a classificação para a fase seguinte a Copa Mercosul.

No Mineirão, O cruzeiro jsaíra em vantagem ao vencer por 2 a 0 com gols de Muller e Geovanni. O jogo de Buenos Aires traria preocupações adicionais aos problemas de todas as partidas na Argentina. Os desfalques que o time celeste teria, por conta das contusões musculares, eram significativos. O volante Donizete seria poupado,e em seu lugar entraria Paulo Isidoro, além desta troca, Valdo e Djair sairiam para entrada de Ricardinho e Marcos Paulo. Com isto, o técnico Levir Culpi acreditava que o time ganhava em marcação e na saída rápida para o ataque, mas perdia na qualidade do passe e na posse de bola. Esta era a razão do técnico celeste preferir a experiência da dupla Djair e Valdo. A previsão era escalar Geovanni ao lado de Alex Alves, no ataque, para surpreender a defesa Argentina na base da velocidade já que, com os dois, os contra-ataques poderiam ser mortais.

Com este time bem mais avançado que o habitual, o Cruzeiro tomou os gramados do Monumental acreditando que poderia conquistar mais aquela taça, a sua sétima internacional. O empate favorecia os mineiros e o técnico do River Plate afirmava confiante: “Quantos gols temos que fazer para ganhar a Recopa? Três? Bom, então faremos três,” afirmou Ramón Diaz. O mesmo Ramón Diaz que já perdera em 1991 como jogador o título da Supercopa para o Cruzeiro, em condições muito semelhantes, o Cruzeiro precisa fazer três e fez. Oito anos depois, o argentino iria , mais uma vez, confirmar a fama de freguês de carteirinha de "la bestia negra".

Já o técnico cruzeirense acreditava que o jogo seria violento; “Vamos com espírito de decisão, pois o adversário é argentino”, avisou. No coletivo anterior ao jogo, aconteceram lances ríspidos e até um desentendimento entre o zagueiro paraguaio Espínola e o atacante Geovanni. “Deixei o pau quebrar, porque o que eles vão encontrar no jogo vai ser muito pior”, preconizava o treinador.

Mas o Cruzeiro tornou o jogo mais simples até do que o mais fanático cruzeirense imaginava. Logo no inicio, aos 18 minutos, Marcos Paulo lançou Geovanni, o atacante entrou livre na área e com um lindo toque encobriu o goleiro Bonano, que saltou chegando a tocar com a mão na bola mas não evitando o gol celeste.

Apenas dois minutos depois, em outra bela jogada, Ricardinho arranca pela direita e lança Geovanni, que chuta de primeira violentamente acertando a trave direita do goleiro Bonano O River Plate, assustado, conseguiu reagir e, aos 25 minutos, Cuevas acertara belo chute que explode no travessão do goleiro André. A partida vinha em ritmo alucinante e aos 36 minutos Alvarez entra na área pela esquerda e toca para o meio da área. Cardetti chuta, o "xerifão" Cris evita o gol e o goleiro André completou rebatendo com o pé, tirando a chance do empate portenho. No lance seguinte o árbitro,adotando claramente uma postura pró-anfitrião, marca sobrepasso discutível do goleiro celeste. Para sorte dos mineiros, Ramos cobra a falta de dentro da área por cima do gol. No contra ataque, em outra bela jogada de Giovanni, Paulo Isidoro acertara mais uma vez a trave argentina e assim o primeiro tempo acabou-se, com um belo futebol apresentado por ambas as equipes.

No segundo tempo, infelizmente, a violência tomaria conta da partida. Após outra bola no travessão, desta vez chutada por Gancedo, este se desentendeu com o zagueiro Cris e o árbitro expulsou os dois. A bravura e raça do defensor cruzeirense não o deixava ninguém intimidá-lo e o jovem zagueiro celeste que já mostrava certa personalidade.

Logo após, aos 7 minutos, Trotta fez falta dura em Paulo Isidoro e também foi para o chuveiro mais cedo, agora jogando com 10 contra 9 a força da camisa celeste iria parecia prevalecer. O Cruzeiro perdera várias chances de ampliar o placar, o gol estava maduro no jargão dos boleiros, mas teimava em não acontecer. Coube ao goleador, Marcelo Ramos, que tinha acabado de entrar , balançar mais uma vez as redes adversárias, aos 38 minutos. O lateral/ala André Luiz cruza para a área e Paulo Isidoro é agarrado quando estava pronto para finalizar ao gol. O árbitro marca o pênalti, que o "Flecha Azul" cobra com muita qualidade marcando o segundo gol celeste.

A partir daí foi só festa com o cruzeiro já com a taça garantida procurando aumentar o placar, e aos 47minutos já no final da partida Paulo Isidoro lançara o lateral Gustavo que entrara livre para marcar o terceiro gol celeste e dar números finais ao placar.

Ao final da partida os jogadores permaneceram no gramado por três minutos à espera do troféu. Perceberam que não havia nenhum representante da Conmebol para entregar a taça. Foram avisados que a receberiam a bela taça no vestiário, sem nenhuma explicação lógica ou racional. O capitão Marcelo Djian, que saiu da partida com um corte no joelho direito, recebeu a taça das mãos do paraguaio Figueiredo Britez, secretário geral da Conmebol, e desabafou: “Isso é coisa de argentinos que não sabem perder”.

Mas até que era compreensível. O Cruzeiro tornava-se o primeiro time brasileiro e bater o River Plate no Monumental e o Boca na "Bombonera" e isto numa mesma década. Alem disto, era a terceira decisão continental em que os mineiros saiam vitoriosos sobre o escrete milionário riverplatense. Mais uma vez o Cruzeiro levava o nome de Minas Gerais mais alto para fora das fronteiras brasileiras, mais uma vez o Cruzeiro provava aos maiores clubes sulamericano a dificuldade que era enfrentar o "Gigante das Alterosas".

Enquanto isso, um pequeno grupo de torcedores, que não puderam estar em Buenos Aires, se preparavam para encontrar com o time que jogaria dias depois em Campinas, contra a Ponte Preta. A viagem foi árdua e outra batalha estaria sendo travada. Mas o prazer de tirar fotos com o troféu da Recopa, antes mesmo da chegada dele a Beagá foi garantido por aquele grupo de torcedores. Mas isso é parte de outra página imortal.


Ficha Técnica
Cruzeiro 3 x 0 River Plate (ARG)
Recopa S1998 / Mercosul (1a. Fase) - Monumental de Nuñes - Buenos Aires
Público - Não Disponível / Renda - US$41.217
Árbitro - Ubaldo Aquino (PAR)

Gols: Geovanni 18', Marcelo (P) 37' do 2o. tempo e Gustavo aos 45'

Cruzeiro: André; Gustavo, Cris, Marcelo Djian e André Luíz; Marcos Paulo, Donizete Amorim (Djair), Ricardinho e Paulo Isidoro; Geovanni (Marcelo Ramos) e Alex Alves (Espínola). Técnico: Levir Culpi.
River Plate (ARG) : .Bonano; Lombardi, Trotta, Ramos e Acosta; Escudero (Gómez), Pereyra (Garce), Gancedo e Álvarez (Castillo); Cuevas e Cardetti. Técnico: Ramón Diaz.

Cartões Vermelhos: Cris (CRU), Gancedo e Trotta (RIV)

Dedicatória.
Muitos torcedores do Cruzeiro cometem equívocos imortais. Estas páginas tentam mostrar que não importa se estes "alguns" torcedores estejam certos ou errados. Estas páginas mostram o que aconteceu, como cada torcedor se comporta e como deveria sempre se lembrar de páginas como esta. Este Jogo Imortal é dedicado ao jogador Geovanni, jovem à época, e que foi decisivo em ambas as partidas que deram o título ao Cruzeiro, ao contrário dos que falam que foi jogador de uma decisão somente. Nossa homenagem a este jogador de caráter e que será sempre ídolo dos cruzeirenses que sabem reconhecer os serviços presstados. Que sirva também para que os novos jogadores celestes saibam que é possível e factível defender as cores celestes com cinco estrelas e sem bem sucedido no futebol mineiro, brasileiro e mundial.

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