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A Segunda Nunca Sairá de Você!

Cruzeiro 1 x 0 Atlético-MG

16/10/2005

Cruzeiro versus Atlético-MG é um jogo diferente, isso todos nós sabemos. Em noventa minutos ou em até menos tempo, grandes jogadores podem transformar-se em verdadeiros pernas-de-pau e pipoqueiros, ficando marcados, negativamente, para o resto da vida, assim como jogadores limitados e até mesmo medíocres podem ser lembrados como ídolos, guerreiros e bravos defensores da camisa celeste. A diferença costuma ser um lance, um gol, uma pixotada.


Medíocres serem lembrados e exaltados é mais freqüente, não só no clássico, mas em decisões e, nestes casos, o torcedor costuma esquecer fatos passados, jogadas ridículas, e comportamentos execráveis só para exaltar quem lhe deu alegrias contra adversários diretos, mesmo que efêmeras. Acontece que, por apenas um lance, este jogador horrível fica marcado para sempre na historia.


Para felicidade de muitos cruzeirenses, isto aconteceria exatamente num dos clássicos de 2005. O personagem se chama Adriano "Gabiru" e seu nome ficará marcado na historia do Cruzeiro mas, especialmente, do seu rival local. Não fosse aquele gol, a história contada hoje poderia ser outra. Uma alegria comparável a dos torcedores colorados que prestam homenagem ao mesmo "Gabiru" pelo gol do título intercontinental mesmo depois do jogador sair do Brasil com toda a torcida querendo a sua dispensa.


O ano vinha difícil para os cruzeirenses, havíamos perdido o titulo estadual para o Ipatinga, sendo que o bravo time do interior jogara aquele ano praticamente com todo o elenco de jogadores cedidos pelo próprio Cruzeiro. Havia uma grande expectativa pois, diz a lenda do clássico que, o time em piores condições no momento do clássico costuma usá-lo para mudar a sorte e afundar o adversário.


De bom mesmo, só as vitórias sobre o rival na semi-final do Mineiro e no primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Outro fato promissor era o surgimento de um novo ídolo, o centroavante Fred que, sozinho, vinha demonstrando raça e técnica e conquistara a torcida. No meio do ano, entretanto, seduzido pelos Euros, em mais uma transferência substancial, foi contratado pelo Lyonnais e abandonou o time minutos antes de uma partida. A coisa não estava nada animadora.


A torcida celeste já esperava a ruptura dos 15 anos consecutivos comemorando ao menos um titulo oficial por ano. Para desanimar mais ainda, não existiam craques e nem mesmo jogadores bons naquele time do segundo semestre e o futebol de qualidade e vencedor, parecia distante. O símbolo-residual daquele resto de temporada era o camisa 10, o meia Adriano "Gabiru", que chegara ao Cruzeiro, a peso de ouro e com fama de craque do furacão de alguns anos antes. Só apresentou um futebol burocrático que nem conseguia justificar o uso daquela camisa 10 vestida outrora por craques como Dirceu Lopes, Palhinha e Alex.


Depois de algumas apresentações bisonhas e de um péssimo futebol, não demorou para a torcida exigir mais empenho do jogador. Instigado pela imprensa, demonstrando alguma ingenuidade, "Gabiru" vacilou e disse que aqueles que o vaiavam eram "todos cachaceiros, otários e babacas". Era o que faltava, virou inimigo número 1 da torcida. Pagar para ver um jogador de performance sofrível e ainda ser obrigado a escutar ofensas do mesmo em rádio, TV e jornais era demais.


As semanas corrriam e, para a grande maioria da torcida, nada que "Gabiru" fizesse poderia fazer com que os fiéis torcedores celestes o perdoassem. Alguns, mais exaltados nas arquibancadas, exigiam a todo momento que ele fosse sumariamente expulso do Cruzeiro. Neste clima, o time entrava para a disputa de mais um clássico. Do lado do rival o otimismo para a vitória era claro, o rival já tinha batido o Flamengo, no Rio por 2 a 1, e uma vitória no clássico tiraria o time de vez do perigo do rebaixamento. A torcida adversária confiava no restrospecto em brasileiros mesmo antes de entrar em campo. Era a esperança, também, da maioria da imprensa mineira que torce escondida no armário e acreditava que a vitória os tiraria da zona de rebaixamento.

Pelo rival, a imprensa enaltecia o retorno de alguns jogadores como se os mesmos fossem dignos de figurar em clássicos decisivos. Cáceres, Marquinhos e George Lucas eram os "reforços" e mesmo com o Cruzeiro saindo-se melhor nos confrontos diretos recentes, a confiança deles extrapolava só pelo fato do matador Fred não atuar mais. O mêdo tinha dado lugar a uma enorme confiança.


A torcida celeste fez a sua parte, como sempre, foi em massa à Toca III para apoiar seu time, mais uma vez era maioria já que a lendária torcida rival mais uma vez não comparecera.


O jogo começou com o Atlético-MG pressionando, logo no primeiro minuto de jogo Marques tocou de calcanhar para Catanha que chutou fora. Parecia que o prognóstico da imprensa mineira iria concretizar-se. Nos trinta minutos seguintes, foram três chances de abrir o placar. Na melhor delas Marques invadiu a área e na cara do gol chutou no travessão, no rebote a zaga celeste aliviou.


Como que sentindo o momento desfavorável do time a torcida celeste entoava a plenos pulmões um cântico que significava tudo naquele momento. Das arquibancadas se escutava o grito: “Ô Cruzeiro, não da mole não! manda esta "coisa" pra segunda divisão!”. Os jogadores estavam escutando. Aos 40, Diego fez um carnaval pela esquerda, chegou a linha de fundo e chutou forte, a bola cruzou toda a área e no segundo poste foi encontrar ele, Adriano "Gabiru" o mais odiado do momento. O meia apenas teve o trabalho de escorar a bola e mandar para o fundo das redes do goleiro Bruno.


Era o gol do perdão!


A torcida celeste explodiu, enquanto a rival ficava, cada vez mais, calada.


Na segunda etapa as mexidas do técnico adversário não surtiram efeito e o Cruzeiro passou a dominar a partida, perdendo uma chance histórica de aplicar uma goleada. Aos 22 minutos, mais uma vez, Diego cruzou para Adriano que chutou forte com a bola explodindo no travessão. Aos 42 minutos Wando saiu na cara de Bruno e de cobertura bateu para fora.


O rival era um time entregue e o maior exemplo era seu maior ídolo e sua atuação em campo. Marques fizera naquela importante partida o mesmo que sempre fazia contra o Cruzeiro, amarelou. Aos 47 minutos, o atacante recebeu em claro impedimento, com a ajuda do auxiiar de arbitragem, que não paralisou o lance, invadiu a área e cara a cara com o goleiro Fábio chutou para fora a chance do empate, para o delírio da torcida cruzeirense.


No momento após este lance o juiz decretou o final de jogo, o Atlético-MG sofreu a segunda derrota para o Cruzeiro num mesmo campeonato e , desta vez, eles não se recuperariam.


Ao final daquele ano, a alegria foi toda da torcida celeste de ver o rival finalmente no lugar que era dele por direito a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. De onde nõ deveria ter saído, mas que ficará, indelevelmente marcado na história deles.


Adriano "Gabiru" foi negociado ao final daquele ano, provocando, sem dúvida, um grande prejuízo financeiro aos cofres cruzeirenses. Porém , apesar do péssimo ano e da baixíssima qualidade do futebol apresentado, "Gabiru" terá, para sempre, um lugar na lembrança de muitos cruzeirenses. Afinal, foi dele um dos gols mais importantes da história do clube, foi dele o gol da queda, o gol do perdão.


Tá perdoado Gabiru!


Será que o título desta página heróica, ao invés do aqui colocado, ficaria melhor com "Tá perdoado Gabiru!" ?


Ficha Técnica
Cruzeiro 1 x 0 Atlético-Mg
Campeonato Brasileiro - Mineirão
Público - 42.476 /
Renda - R$ 374.092,50
Árbitro - Djalma Beltrami (RJ)
Auxiliares - Carlos Henrique Lima (RJ) e Eurivaldo Lima (RJ)
Gol: Adriano "Gabiru" aos 40 min do primeiro tempo.
Cartões Amarelos: Maldonado, Diogo, Kelly, Adriano "Gabiru" e Jonathan (CRU), Rafael Miranda, Henrique, Walker e Marques (ATL-MG)

Cruzeiro : Fábio; Jonathan, Marcelo Batatais, Moisés e Wágner; Marabá, Maldonado (Diogo), Adriano"Gabiru", Kelly (Leandro SIlva); Diego (Wando) e Alecsandro. Técnico: Paulo César Gusmão.

Atlético-MG : Bruno; Cáceres, Marquinhos, Lima e Rubens Cardoso; Edílson (Luís Mário) (Ramon); Walker, Rafael Miranda e Uéslei; Marques e Catanha (Rodrigo Fabri). Técnico: Marco Aurélio.

* o jogo marcou as festividades dos 40 anos do Mineirão - Troféu.


Dedicatória.
Esta Página
Imortal é dedicada a todos que pensam e atuam como se a torcida do Cruzeiro fosse um bando de cachaceiros, babacas e otários. Desde jogadores que são influenciados a darem declarações desastrosas até repórteres e jornalistas mal intencionados que quando não podem publicar ou falar mal do Cruzeiro e de sua torcida procuram provocar a cizânea entre torcedores ou entre jogadores e torcida.
Neste quadro, encaixam-se profissionais que usam de alguns exemplos ou da ocorrência feita por alguns poucos torcedores, para distorcer a realidade. Como aqueles mentirosos que narraram  "a torcida do Cruzeiro comemorou o gol do rival que lhe daria classificação para a Libertadores". Este tipo de comportamento deve ser evitado e esta Página Imortal é exemplar para que se lembrem que entrar para a história pela porta da frente é correto e não pelo buraco da fechadura da saída de emergência com tem acontecido com alguns destes "falsos profissionais da mídia".


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