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Um Jogo Imortal para Adilson Batista

Cruzeiro 0 x 2 River Plate-ARG

28/10/92


Páginas Heróicas Imortais, destacadas eternamente no Hino do Cruzeiro, são construídas com "Jogos Imortais" e com momentos imortalizados por personagens ilustres ou anônimos. Um grande clube/time pode ter momentos imortais que são protagonizados por uma ou várias pessoas. É destes momentos que vamos falar neste espaço, além dos Jogos Imortais que são intermináveis.


A inauguração desta modalidade de "página imortal" começaria com as grandes história e momentos de vários de nossos presidentes, ou de nossos ídolos imortais, que tanto honraram nossa historia.


A contratação do ex-jogador Adilson Batista, o momento vivido no clube e a angústia da torcida sobre as perspectivas dos resultados como o novo técnico, me levam a relatar um destes momentos heróicos e imortais, vivido pelo zagueiro Adílson.


O ano era 1992 e o Maior das Alterosas havia despertado dos anos difíceis escuros da década de 80 onde a conquista somente de títulos regionais não satisfazia a torcida. O Cruzeiro conquistara, um ano antes, o título de Campeão "Supercopa da Libertadores da América", sendo o primeiro clube brasileiro conseguir tal triunfo. Na final batemos o antigo rival sulamericano, o gigante argentino River Plate, em um jogo memorável e de muita superação dentro do Mineirão.


No ano seguinte, o presidente César Masci fez um timaço. Investiu em craques renomados como Renato Gaúcho; trouxe promessas como Roberto Gaúcho; repatriou ídolos celestes como Douglas, o Príncipe da Bola, e ainda contratou um ídolo do rival locao, o zagueiro Luisinho.


Com este time, a esperança de toda torcida era que novamente fossemos vencer a Supercopa da Libertadores, sendo Supercampeào mais uma vez. Era este o projeto. O time vinha apresentando um futebol majestoso, a torcida era um show à parte mantendo uma média de quase 80 mil torcedores por partida e todos esperavam o titulo. Este público é reconhecido como um recorde mundial de média de público para uma mesma competição. Porém, na Argentina, o velho rival River Plate armara uma arapuca já que o caminho dos dois gigantes se cruzariam novamente. Na primeira partida no Brasil o Cruzeiro saiu vitorioso pelo placar de 2 a 0. Restava a batalha do "Monumenta de Nuñez".


Os jornais argentinos noticiavam que esta seria a terceira vez que ambos os times se enfrentariam de forma decisiva e que nas duas anteriores (Libertadores-1976 e na Supercopa-1991) o Cruzeiro levara a melhor.


O clima era de revanche por parte dos portenhos. Na Argentina exigiam o troco, o jogo, como previsto, foi tenso. Provavelmente, foi o maior teste que o Cruzeiro enfrentou na sua história de batalhas heróicas. Nossos jogadores foram ameaçados, os vidros do ônibus quebrados com uma chuva de paus e pedras na entrada do estádio, os jogadores temiam até por suas vidas. O capitão Douglas, à época um experiente jogador depois da passagem pea Europa, tentava manter a calma do time que, bravamente, segurava o empate que daria a classificação.


Foi então que o momento mais marcante da carreira de Adilson ocorreu. O zagueiro estava voltando de uma grave contusão (fratura na perna) e fora chamado a entrar na partida. Era sua volta aos gramados e justo naquela batalha aterrorizante.


O árbitro tentava, de todas as formas, ajudar a equipe Argentina e, escandalosamente, expulsara o zagueiro Luisinho por demora em cobrar um tiro de meta.


O técnico Jair Pereira, rapidamente, sacou o atacante Betinho e mandou Adílson para o jogo. Ai, de maneira imprevisível, o momento mais triste de sua carreira. Antes mesmo de tocar na bola, no seu primeiro lance de jogo, recebeu um carrinho criminoso. Pessoas que estavam no gramado, declaram que o estalo pode ser ouvido de longe. Sua perna acabara de ser novamente fraturada. Aos prantos ele deixou o campo de maca para comoção de todos jogadores celestes. Até os adversários ficaram assustados com o lance.

Como sempre, em nossa historia, o que abalaria qualquer grupo fortaleceu a equipe celeste. O drama do jogador comoveu a todos e encheu-os de brio. Mesmo jogando com um único zagueiro, correndo risco de outras agressões covardes, mesmo com o árbitro marcando dois pênaltis para o River nos últimos 5 minutos da partida, contra tudo e contra todos, nosso time bateu o River nos pênaltis numa das maiores batalhas de nossa historia.


Depois da vitória e superação daquele tradiociona e difícil adversário, os jogadores ainda tiveram que enfrentar uma chuva de objetos na saída do estádio. Douglas, que cobrou o ultimo pênalti , após convertê-lo deu um soco no ar. Na saída do estádio, no caminho do hotel, o ônibus da delegação foi cercado por carros que buzinavam e gritavam muito. Assustados, os jogadores acharam que seriam mais torcedores do River querendo agredi-los. Qual o quê! Eram torcedores do Boca, aplaudiam e saudavam nosso time e cantando em plenos pulmões que o Cruzeiro era o terror das galinhas (os torcedores do River em Buenos Aires são apelidados, pejorativamente de galinhas).


A vitória foi dedicada ao abatido Adílson que, novamente, teria que passar por nova fase de recuperação, o zagueiro pensou até em abandonar os gramados. Na chegada a BH, os jogadores foram recebidos como heróis pela torcida, Adílson abatido desceu do avião de cadeira de rodas. Rapidamente ele foi cercado por torcedores que, aplaudindo e gritando seu nome, incentivavam o jogador a continuar pois ainda contavam com o zagueiro, diziam que ele era Supercampeão, como todos naquele grupo. Adílson , ainda no saguão do Aeroporto, desabou em lágrimas, comovendo a todos.


O Cruzeiro seguiu seu caminho sendo Supercampeão. Adílson seguiu sua carreira, sendo inclusive campeão da Copa Libertadores, anos depois, atuando pelo Grêmio e na condição de capitão do time. Em sua história no Cruzeiro, Adílson chegou a ser titular da seleção brasileira e com muito profissionalismo sempre honrou nossa camisa.


Assumindo o comando da Comissão Técnica, mesmo que não obtenha os resultados sonhados pela torcida cruzeirense, o ex-jogador Adilson merece pelo que ele fez com a camisa do Cruzeiro. Os torcedores mais novos devem saber e conhecer estas histórias para não cometerem injustiças com quem, no passado, sacrificou-se e doou até momentos de alegria para os torcedores em troca de tristezas particulares. É mais um grande jogador que passará pela provação de ser técnico no time que obteve sucesso e glória.


Ficha Técnica

Cruzeiro 0x 2 River Plate (ARG)
Supercopa da Libertadores da América (Quartas-de-final)
Estádio Monumental de Nuñez - Buenos Aires - ARG
Público - 7.279 / Renda - 317.960 Pesos
Árbitro - Enrique Marin (CHI)

Gols: Ramon Diaz 43' e Silvani 46' (P) do segundo tempo.

Cruzeiro: Pauo César; Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luisinho e Nonato; Douglas, Boiadeiro, Luís Fernando e Betinho (Adílson); Renato Gaúcho e Roberto Gaúcho (Édson) . Técnico: Jair Pereira.

River Plate (ARG) : Comizzo; Basualdo, Cáceres, Rubem e Altamirano; Ciaut (Toresani), Zapata, Ortega (Silvani) e Da Silva; Ramon Diaz e Medina Bello. Técnico: Daniel Passarella.

CV: Luisinho e Boiadeiro (Cruzeiro)

Pênaltis: Cruzeiro 5 x 4 (Silvani 1 a 0; Paulo Roberto 1 a 1, Da Silva 2 a 1, Nonato 2 a 2, Medina Belo 3 a 2, Roberto Gaúcho 3 a 3, Zapata 4 a 3, Luiz Fernando 4 a 4, Ramon Diaz perdeu 4 a 4, Douglas 4 a 5).


Dedicatória.

Este capítulo é dedicado a Adílson Dias Batista, zagueiro de excepcional qualidade e que honrou a camisa celeste. Que atinja no Cruzeiro o ápice de sua carreira, que conquiste títulos internacionais como a Libertadores de 2008, mostrando, também, as suas qualidades como técnico.

Somos cruzeirenses e vencedores, Adílson sabe o que significa isso e é parte da nossa história como jogador, agora mostrará que pode construir nossa história como técnico. Somos torcedores e apoiaremos todo trabalho sério, feito por gente séria e que respeita a torcida do Cruzeiro.

Que Deus o ilumine nesta nova campanha, onde terá o nosso apoio.

Para ver os dados da carreira do ex-jogador e técnico consulte o verbete "Adílson Dias Batista" no Wikipedia.

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