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Até o `Galinho` é freguês.

Cruzeiro 2 x 0 Flamengo (RJ)

26/11/1989

Foram poucas as fases vitoriosas da história do Clube de Regatas Flamengo. Uma delas, coincidiu com a entressafra de títulos do Cruzeiro, nos fatídicos anos 80, única década desde a construção do Mineirão que o Cruzeiro não ganhou nenhum título de expressão.


Para os cruzeirenses, havia a simpatia pelo rubro-negro carioca pois foi o time que inaugurou o Estádio Barro Preto na década de 20 e nos aliviou de alguns contratempos ao manter a escrita de não deixar nenhum outro clube de minas ganhar títulos importantes no início da década.


Liderados por Zico e Júnior, a equipe flamenguista conquistou 4 quatro Brasileiros, uma Libertadores e um Mundial Interclubes justamente nos anos de glória de nosso maior rival, que limitou-se a comemorar alguns vices campeonatos.


Como os deuses do futebol são justos, e o verdadeiro vingador foi criado no Barro Preto, naqueles anos de penitência coube ao Cruzeiro ser o maior carrasco do time carioca e do "Galinho de Quintino". Ate o jogo de 1989, o meia Zico nunca havia marcado contra o Cruzeiro um gol sequer.


Naquele Nacional, jogando no Mineirão, mais uma vez Cruzeiro e Flamengo se enfrentariam. Mal sabiam os jogadores que aquela seria a ultima partida de Zico nos gramados do segundo maior estádio coberto do mundo.


O final da década de 80 já indicava que o time recomeçava a formar bons times, nacionalmente, e a revelar jogadores para a Seleção Brasileiro. O time celeste tinha os excepcionais Careca e Ademir no meio campo, além do esforçado Balú na lateral direita. Era um time que comandado pela "raposa" Ênio Andrade, jogava sério e honrava as tradições da camisa com cinco estrelas no peito.


Para apimentar ainda mais o clássico nacional daquele ano, o meia atacante Careca prometera responder as criticas da imprensa carioca. O jogador cruzeirense era muito criticado sendo até rotulado de peladeiro, a mídia não aceitava a suas poucas convocações para a Seleção e isto o incomodava muito.


A partida começou com domínio total dos locais, a torcida apoiava e empurrava o time para frente acuando os cariocas. Logo aos 4 minutos Heyder passou por Leandro e tocou na área para Careca, o meia atacante deu um drible desmoralizante em Júnior, que caiu sentado. Na seqüência, Careca mandou uma bomba que passou raspando a trave. Aos 17, novamente numa bela arrancada de Heyder, avançou e chutou forte para difícil defesa de Zé Carlos. Só dava Cruzeiro e o gol não ia demorar, um minuto depois da bela jogada de Heyder coube a Ademir receber uma bola no meio de campo e fazer lançamento primoroso para Édson. O ponteiro avançou e ao driblar o goleiro foi derrubado. Pênalti bem marcado pelo árbitro. Porém, o próprio Édson cobrou para fora na seqüência, perdendo a chance de abrir o placar.


O primeiro tempo foi todo celeste, na metade, Careca quase cumpriu sua promessa de antes do jogo de calar a imprensa carioca quando saiu sozinho na frente do gol mas justo quando invadia a área foi ao chão em dores. Ele acabava de sofrer uma seria lesão muscular e fora obrigado a deixar a partida para a entrada do júnior Luís Gustavo. Foi assim que terminou a primeira etapa, com total pressão do time celeste enquanto Zico, Júnior e compania eram obrigados a jogar para não perder.


O esquema que a "velha raposa" Ênio Andrade tinha treinado surtira efeito no primeiro tempo mesmo com o placar em branco. O Cruzeiro voltou com a mesma pegada e, na segunda etapa, o gol haveria de sair. Foi então que, numa boa tabela de Édson e Eduardo, o ponteiro cruzou na área, o jovem Luis Gustavo fez o corta-luz e Heyder entrou firme para abrir o placar da partida.


Com a vantagem no marcador, o time azul continuou dominando, onde o adversário praticamente não jogava e era pela lateral direita que Balú fazia a festa. O segundo gol teria que sair daquele lado do gramado. Aos 36 minutos, Paulo Isidoro ganhou uma dividida de Júnior e rolou para Balu. O lateral, com um corte sêco, limpou dois marcadores e bateu firme para ampliar a vantagem celeste.


Com o 2 a 0 garantido o final do jogo foi uma festa. Zico na saída de campo declarou, “o Flamengo não suportou o ritmo e o Cruzeiro foi mais time, mereceu vencer”, mal o craque imaginava que aquela seria a última vez que jogaria contra o Cruzeiro. Em sua carreira o craque enfrentou o grande campeão mineiro seis vezes, venceu uma, empatou outra, e perdeu quatro. Não marcou nenhum gol. Talvez fato inédito na carreira do jogador contra uma equipe que teve tantos confrontos.


Encerrou sua carreira contra o Cruzeiro da mesma forma que havia iniciado em 1973 com derrota. Mesmo atuando na pior década de nossa história, Zico só deu alegrias à torcida celeste, tanto por sempre sair derrotado jogando contra o Cruzeiro, quanto pelas várias e significativas vitórias contra o rival local.

Ficha Técnica
Cruzeiro 2 x 0 Flamengo (RJ)
Mineirão - Belo Horizonte (MG)
Público - 36.992/
Renda - NCz$ 604.950
Árbitro - Renato Marsiglia (RS)
Gols: Heyder aos 21min e Balu aos 38min do segundo tempo (Édson perdeu penâlti aos 20min do primeiro tempo).

Cruzeiro : Paulo César Borges; Balu, Gílson Jáder, Adílson e Eduardo; Ademir, Paulo Isidoro e Careca (Betinho); Heyder, Hamilton (Luiz Gustavo) e Édson. Técnico: Ênio Andrade.

Flamengo (RJ) : Zé Carlos; Uidemar, Rogério, Júnior e Leonardo (Leandro); Renato Carioca (Borghi), Aílton e Zico; Luís Carlos, Nando e Zinho. Técnico: Valdir Espinosa.


Dedicatória.

Muitos agradecimentos só são realizados após descobrirmos que injustiças são cometidas no calor das disputas futebolísticas. Um dos jogadores cujas atuações eram alvo de grandes polêmicas era o lateral Balu. Numa década de poucos ídolos e muitos jogadores de qualidade técnica duvidosa, Balu era um jogador acima da média e reforçada com uma aplicação incomum que lembava o antigo ídolo Pedro Paulo.
Naquela aridez de jogadores, grande parte da torcida pediu a sua convocação para Seleção Brasileira. Fosse nos dias de hoje teria convocação garantida além de espaço em muitos times europeus.
Esta página é dedicada ao incansável e raçudo Balu.
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