Cruzeiro 4 x 2 São Paulo (SP)
06/04/2003
Que o Cruzeiro é um gigante do futebol nacional e sulamericano quase todo mundo já sabia. Mesmo sendo obrigado a lutar contra as mais terríveis adversidades e inimigos, a historia celeste é, cada vez mais, recheada de grandes vitórias.
Destas grandes vitórias, provavelmente o ano de 2003 foi o mais recheado delas, e o jogo contra o São Paulo no Morumbi foi sim o primeiro grande triunfo no Brasileiro daquele ano imortal.
O Cruzeiro já conquistara o título mineiro, ganhando inclusive com goleada de virada sobre o rival, mas para se firmar o time teria que bater os grandes times do resto do país naquele Campeonato Nacional que se iniciava.
Na estréia, no Mineirão, mesmo com um gol de placa do talento Alex, o Cruzeiro cedeu empate ao São Caetano-SP e a vitória sobre o São Paulo fora de casa era necessária para arrancar bem na cometição. O time paulistano vinha com um grande elenco, liderado pelo centroavante Luiz Fabiano, até então o queridinho da mídia do eixo RJ-SP. O São Paulo entraria na partida com total favoritismo. Parecia que todos os noticiários tinham se esquecido de notar que o São Paulo não batia o Cruzeiro em seus domínios há mais de sete anos, além do fato de que a terceira academia celeste liderada pelo talento Alex, estava invicta com 20 vitórias e 3 empates em diversas competições.
Mesmo no inicio do campeonato a expectativa para o jogo era grande, seria o ataque cruzeirense mais forte que a defesa saopaulina?
Logo no início da partida já dava percebia-se que aquele não seria um jogo normal, a partida começou em um ritmo alucinante.
Aos 4 minutos, Deivid rolou bola açucarada para Alex mandar uma bomba para fora. O São Paulo recuou parecendo que não jogava em seu próprio campo e diante de sua torcida.
Aos 11 minutos, Maurinho faria jogada espetacular passando a bola por entre as pernas de seu marcador e centrando na área, o craque Alex apareceu fulminante para, de frente a Roger, fuzilar o gol tricolor abrindo o marcador.
Aquele time do Cruzeiro mostrava-se diferenciado, mesmo tendo conseguido a vantagem logo no inicio da partida, não parava de atacar, acuando o adversário.
Aos 15 minutos, pegando rebote de uma bela defesa de Roger, o colombiano Aristzabal tocou para Deivid ampliar, em apenas 4 minutos o Cruzeiro balançava as redes duas vezes do tradicional rival. O time vinha bem postado em campo, jogando com três zagueiros e liberando o triunvirato de ouro formado por Ari, Deivid e Alex.
Porém, o time do São Paulo era valente, aos 30 minutos Gustavo Nery soltou uma bomba obrigando o jovem goleiro Gomes a praticar um de seus milagres, o Cruzeiro contra atacou e Deivid novamente quase fez outro.
O primeiro tempo chegou ao fim e na saída de campo os atletas saopaulinos acreditavam que a segunda etapa seria melhor para eles.
Logo no reinicio da partida, parecia que eles estavam com a razão. Aos 3 minutos da etapa final Fabiano cruzou para Luis Fabiano diminuir, o ritmo da partida recomeçara assim como terminara o primeiro tempo, de forma alucinante.
Na saída de bola, Ari lançou Martinez que invadiu a área e foi derrubado por Jean. Pênalti bem marcado pelo árbitro, que Deivid converteu calando os tricolores que estavam animados pelo gol feito pouco antes. Eram decorridos apenas 7 minutos do segundo tempo e os gols continuavam saindo.
O São Paulo não desanimou e continuou tentando reverter o placar adverso. Aos 17 minutos, Giuliano Bozzano, que à época apitava pelo estado de Santa Catarina, compensou o pênalti que havia dado a equipe celeste. Depois que Fabiano foi derrubado por Luisão na área, em lance duvidoso, o artilheiro Luis Fabiano cobrou e diminuiu a vantagem do time mineiro.
O Cruzeiro recuou tentando diminuir o ritmo da partida enquanto o adversário, empurrado pela torcida, tentava o gol de empate a todo custo.
Alex era um show a parte, toda bola tomada pelo meio de campo ele dominava com maestria, seus lançamentos para Aristizabal e Deivid eram precisos. Aos 25 minutos, mais uma penalidade, o velocista Maurinho invadiu a área e foi derrubado por Kléber. Deivid então cobrou e marcou seu terceiro gol na partida. O milésimo do Cruzeiro em Campeonatos Brasileiros desde 1971.
Após o quarto gol, o São Paulo não teve mais forcas para reagir e, por diversas vezes, o Cruzeiro quase marca o quinto gol. Uma vitória imortal que calou o Morumbi e que, para sempre, deve ficar na memória de todo cruzeirense.
Ficha Técnica Cruzeiro 4 x 2 São Paulo Campeonato Brasileiro - Morumbi - São Paulo Público - 5.580 / Renda - R$ 82.508,00 Árbitro - Giuliano Bozzano (SC) Gols: Alex
aos 10min e Deivid aos 14min do primeiro
tempo para o Cruzeiro, Luís Fabiano aos 3min e aos 17min para o São Paulo, Deivid aos 8min e aos 23min do segundo
tempo para o Cruzeiro.
Cruzeiro : Gomes; Luisão, Edu Dracena e Thiago; Maurinho, Recife, Martinez, Alex (Wendell) e Leandro; Deivid (Jussiê) e Aristizábal (Marcelo Ramos). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
São Paulo : Roger, Gabriel (Marco Antônio), Jean e Gustavo Nery; Fabiano, Fábio Simplício, Júlio Batista, Ricardinho e Kléber (Paulo Klaus); Luís Fabiano e Reinaldo. Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Dedicatória. A cada dedicatória aumenta-se a dúvida sobre quem devemos homenagear. Estaríamos comentendo aguma injustiça? Algum esquecimento? O ano de 2003 serviu para homenagearmos todo mundo, de atletas a torcedores. Este jogo, em especial, não fica dúvida sobre o homenageado. Deivid, atacante de futebol coletivo e refinado, matador silencioso, que mesmo tendo rápida passagem pelo Cruzeiro conseguiu ser marcante e fazer história no Cruzeiro. Marcou muitos gols foi artilheiro da Copa do Brasil com recorde, não queria ser a estrela da companhia e nas poucas partidas que fez pelo Brasileiro daquele ano registrou seu nome na história marcando o gol 1000 do Cruzeiro em Brasileiros da era moderna (pós 1970). Nossos agradecimentos e reconhecimento a este artilheiro que ainda atua nos campos do mundo.
ESPECIAL: Para ver todos os detalhes deste jogo, para saber como foi lance a lance esta magnífica partida do Cruzeiro, veja a FICHA TÉCNICA e se delicie com detalhes que você não vai encontrar em mais nenhum outro lugar.
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