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18 09 07
O Mágico e a Foca.

Cruzeiro 4 x 3 Atlético (MG)

16/09/2007

Todo clássico é especial, Cruzeiro versus Atlético-MG tem o poder de consagrar gênios, de fazer cabeças-de-bagre ficarem imortalizados pelas suas lambanças e, em alguns casos, meros figurantes viram heróis.


Provavelmente, o sonho de todos que foram ao estádio no dia 16 de setembro de 2007, especialmente os cruzeirenses acostumados a isso, era no sentido de que o clássico se transformasse em um jogo imortal.


O Cruzeiro vinha de derrota para o Flamengo em pleno Maracanã, de maneira incompreensível para a maioria dos torcedores e ainda perderao volante Ramires para o clássico, suspenso, pelo terceiro cartão amarelo. Para piorar, nos dias que antecederam ao confronto foi confirmada a ausência do artilheiro Alecsandro e do lateral direito titular Jonathan, que estava num crescente de produção e agradando a muitos.


A torcida celeste que não fugiria à luta e sabia que deveria empurrar nossos guerreiros rumo a vitória. Numa demonstração de força e confiança, mesmo com o mando de campo do rival e com ingressos absurdamente caros, nossa torcida esgotou sua cota de ingressos para arquibancada superior e começou a adquirir parcela do adversário.


Depois de varias más noticias, o Cruzeiro ganhou um grande reforço, o técnico Dorival Júnior foi absolvido pelo STJD e estava livre para comandar o clube da lateral do campo. Era nítido como o time celeste jogava melhor sendo regido pelo seu maestro do lado do campo.


Da parte do rival, seus diretores mais uma vez pareciam influenciados por alguma substancia alucinógena, afinal mesmo estando no final da tabela e perto de um novo rebaixamento, ainda que tivessem a apenas um ano saído da segunda divisão nacional, faziam varias declarações de que eles iriam se reabilitar sobre o Cruzeiro e chegar a zona de classificação da Libertadores no ano do seu centenário. Fazendo piada disto existia uma faixa na torcida Máfia Azul escrito “Gaylo 100 anos - O importante é competir.” ironizando o centenário a ser comemorado pelo rival com apenas um titulo de reconhecida importância.


Ambos os times foram a campo debaixo de um sol escaldante e o Cruzeiro empurrado por sua torcida, em maior número, começou dominando a maioria dos lances. Logo no primeiro minuto de jogo, um lance mostrou o que seria a partida, Éder Luís recebeu na lateral do campo e o volante celeste Charles chegou rasgando fazendo a falta e jogando o adversário pela lateral. A partida já começara em ritmo alucinante com ambos os times atacando, porém, a qualidade técnica superior cruzeirense prevaleceria. Aos 11 minutos Coelho tentou o lançamento e Fernandinho interceptou puxando o contra ataque passando a Roni livre pela esquerda. O centroavante invadiu a área, olhou para Marcelo Moreno como se fosse cruzar e fuzilou o gol de Edson marcando o primeiro gol cruzeirense.

O Cruzeiro continuava avassalador. Aos 23 minutos Maicossuel entra driblando pela lateral da defesa rival, Thiago Feltri fez a falta quando o meia entrava na área e o árbitro mal colocado marcou a penalidade. Roni que não tinha nada a ver com isto, bateu e marcou o segundo gol celeste.


Prenúncio de uma goleada, afinal nem na metade do primeiro tempo havíamos chegado e já parecia que a partida estava decidida. Mas o rival era valente e lutou contra o placar adverso. Aos 31 minutos, Coelho bateu falta da intermediária e Fábio fez defesa parcial com a bola batendo na trave e sobrando livre para o volante Gérson diminuir.


O Cruzeiro sentiu o primeiro gol do rival e este viu que poderia empatar. Depois de perder boa chance aos 35, com Leandro Almeida, conseguiu o empate aos 37. Em batida de escanteio Marinho subiu mais que Fernandinho e empatou a partida.


O rival, animado pela superação, voltou no segundo tempo mais animado e esperando sua arma mortal. Logo no inicio da etapa final aos 4 minutos Fernandinho bateu falta e Roni cabecearia rente ao poste de Edson perdendo gol incrível.


O castigo viria a seguir, aos 11 minutos em uma falha na marcação, Thiago Feltri recuperou a bola de um escanteio e puxou o contra-ataque. O lateral passou ao ex-cruzeirense Marcinho que saiu na cara do goleiro Fabio que fechou o ângulo, o meia atleticano tentou o drible e se jogou. O árbitro, como que compensando o erro do primeiro tempo, novamente errou e marcou pênalti. Marinho cobrou e virou a partida de forma surpreendente para a maioria da torcida presente ao estádio.


Foi então que o técnico Dorival resolveu mudar na equipe. Colocou em campo o armador Kerlon e o atacante Guilherme, que vem se notabilizando por, entre outras coisas, marcar gols sobre o rival. Guilherme é um daqueles jogadores diferenciados e, não é àtoa que toda a nação cruzeirense presente no estádio gritava seu nome bem antes do técnico colocá-lo em campo.


Aos 17 minutos, enquanto a torcida rival comemorava, coube ao mágico receber passe de Kérlon, preparar e executar um chute de longa distância. Como que por encanto, o campo se abriu e Guilherme avançou e vislumbrando uma oportunidade, não teve medo de, mais uma vez ,escrever seu nome na historia do clássico. Soltou a bomba rasteira no canto do goleiro Édson que pulou sem chance, era o gol do empate. O gol do cala a boca, o gol que provava que o jogo ainda não tinha terminado, como imaginavam alguns torcedores do adversário.


A torcida celeste cresceu, seu jovem ídolo em campo decidira mais uma vez e havia tempo para a virada. O outro jovem talento celeste também já começara a aterrorizar a defesa emplumada, aos 31 minutos Kérlon deu drible desmoralizante em Vinícius e invadiu a área. O jovem craque levantou a cabeça e cruzou para Roni mas o lateral Coelho cortou antes que o centroavante pudesse receber.


Então, aos 32, o mágico apareceria de novo para decidir, Roni recebeu na área e girou mandando a bomba, Édson fez a defesa parcial e a bola procurou quem a melhor lhe tratava, foi parar no pé de Guilherme que fuzilou virando a partida e enlouquecendo de vez a torcida cruzeirense.


A partir daí, o Cruzeiro dominava no gramado e nas arquibancadas. Aos 34 minutos, Charles lançou Guilherme, o mágico driblou o goleiro e quando ia finalizar deixou para Kérlon. O "Foca" chutou forte para o gol vazio, porém Gerson apareceu de carrinho para salvar aquele que seria o quinto gol celeste.


Foi então que o momento imortal fez a história do clássico para ser contada para filhos e netos. Kérlon recebe na lateral e fazendo justiça ao seu apelido de "Foca" coloca a bola equilibrada na cabeça e sai correndo em direção da área adversária. O lateral Coelho, totalmente descontrolado, vem como um louco e agride o jovem meia cruzeirense, uma confusão se forma e Coelho é expulso, provavelmente ninguém imaginava que ambos estavam a partir dali entrando para a historia do futebol. Kérlon como o malabarista que inventara uma jogada de habilidade, e Coelho como o mais novo joão-ninguém da história do futebol. Joões assim como Kanapkis foi ao ficar engatinhando atrás de Ronaldinho, Joões assim como Cincunegui foi ao ser deitado por Natal, Joões assim como Cerezo que devolveu o troféu de 1977 depois de duas derrotas para o matador Revétria. Todos uns joões, como eram denominados por Garrincha. Joões como todos os outros que fazem os 100 anos de vexame do rival.


O que mais impressiona é que no paralelo da historia da história dos dois clubes, enquanto o Cruzeiro é exemplo de superações e conquistas, nosso rival é apenas conhecido por derrotas humilhantes, vexames públicos e manchetes policiais.


Kerlon deve seguir sua promissora carreira, enquanto Coelho será, graças a ele, imortalizado ate que apareça o novo João vestido de preto e branco para nos alegrar ou seria o novo Kanapkis? Ou o novo Coelho?


Esta é a beleza do futebol, mesmo a partida tendo presenciado um mágico em campo chamado Guilherme, no dia seguinte só discutia-se, nacionalmente, sobre drible da foca, prova da beleza do esporte.


A partida recomeçou com tempo ainda para o próprio Kérlon perder mais dois gols cara a cara com o goleiro. O Cruzeiro sairia com a vitória e continuaria no encalço do São Paulo na briga pelo título nacional, ao rival coube apenas a derrota, o drible, e a preocupação de passar o ano de seu centenário novamente na segunda divisão.


Ficha Técnica
Cruzeiro 4 x 3 Atlético-MG
Campeonato Brasileiro - Mineirão - Belo Horizonte
Público -
40.697 / Renda - R$ 757.657,00
Árbitro - Evandro Rogério Roman (PR)
Gols: Roni aos 11min e 24min, Gérson aos 30min e Marinho aos 37min do primeiro tempo, Marinho aos 12min, Guilherme aos 16mine aos 32min do segundo tempo.

Cartões Amarelos: Vinícius, Danilinho, Éder Luís, Coelho (Atlético-MG);
Luís Alberto, Fábio (Cruzeiro).
Cartão Vermelho: Coelho (ATL).

Cruzeiro : Fábio; Mariano, Émerson, Thiago Heleno e Fernandinho; Luís Alberto, Charles, Maicosuel (Jardel) e Wágner (Kerlon); Roni e Marcelo Moreno (Guilherme). Técnico Dorival Júnior.

Atlético (MG) : Édson; Coelho (expulso), Lenadro Almeida, Vinícius e Thiago Feltri (Vanderlei); Thaigo Carpini, Gérson, Marcinho e Danilinho; Éder Luís (Lúcio) e Marinho. Técnico: Emérson Leão.

Dedicatória.

Este capítulo do Blog Jogos Imortais é dedicado a todos os atletas celestes que vestiram a camisa naquele jogo, honrando os que a vestiram antes e enchendo de orgulho uma nação por não ter jogadores no campo e sim guerreiros.
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