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Camarões versus Brasil - É barbada?

Cruzeiro 1 (5) x (3) 1 Atlético-MG

10/08/1995


Alguns jogos de futebol têm uma característica interessante. Se todos torcedores que dizem ter estado presentes, estivessem mesmo, o público não caberia no estádio. Este é um destes jogos. Decisão e um dos piores públicos da história dos clássicos com o rival local. Mesmo assim muita gente diz que se lembra e que esteve lá


Estávamos em meados dos anos 90 e eram freqüentes os duelos nos clássicos entre os grandes goleiros.


Pelo rival, quem defendia o gol era o titular da Seleção Brasileira, Cláudio Taffarel, campeão mundial, inclusive defendendo pênalti na final contra a Itália um ano antes.

Do lado barropretano, quem fazia historia era o goleiro da seleção de Camarões. Seu nome era William Andem, goleiro com boas atuações, e principalmente, com personalidade marcante, alegre e que cativara a todos. Era reserva de um jovem goleiro chamado e seria assim que passaria a maior parte de sua carreira no Cruzeiro.


Porém, queriam os deuses do futebol que, mesmo passando a maior parte do tempo no banco de reservas, o arqueiro William Andem escrevesse seu nome na historia celeste e numa decisão de título.


No final de 1995, devido a reformas no gramado do Mineirão, e disponibilidade no calendário, o Cruzeiro marcou um amistoso para o domingo no Estádio Independência, contra o Botafogo. Nosso rival local , tentando equilibrar frente ao amistoso celeste, marcou para o sábado anterior um amistoso no mesmo estádio contra o Fluminense, também carioca.


Posteriormente, ambas as diretorias, reuniram-se e adotaram a idéia de se fazer um torneio quadrangular em homenagem ao Governador do Estado de Minas Gerais, ambos os times cariocas não concordaram com a realização do torneio, pois alegaram que haviam vindo a Belo Horizonte somente para disputar um amistoso. De qualquer maneira tanto Cruzeiro quanto o rival venceram seus amistosos por 1 a 0, marcando para o meio da semana um clássico que decidiria um troféu em homenagem ao Governador.


Este seria mais um momento histórico do futebol mineiro já que eram decorridos 30 anos que o Estádio Independência não recebia o clássico local, o último tinha sido realizado em 1965 com vitória celeste por 3 a 1, quando o Mineirão não havia sido finalizado. Aquele jogo não acabara devido a uma pancadaria generalizada, aos 43 minutos do segundo tempo. Mais de meio século que que o "Gigantinho do Horto" presenciasse o "Clássico das Multidões".


A semana do clássico tinha sido tensa com o rival passando uma tremenda vergonha, o Fluminense retornou ao Rio reclamando que havia tomado um tremendo calote em sua cota do amistoso, coisa que na época vinha se tornando cada vez mais comum nas finanças do rival. Os cariocas ameaçavam retaliar debitando dos rivais a diferença quando estes fossem jogar no Rio de Janeiro, afinal, da cota de R$25mil acertada, o rival só pagara R$7mil.


Mesmo com esta noticia nos jornais, clássico era clássico, e o Cruzeiro estrearia vários reforços, como Paulinho Maclaren, Alberto e o paraguaio Sotelo. Do lado do rival o maior reforço era o ex-zagueiro celeste Paulão.


O jogo começou morno, com os dois times muito preocupados com a marcação, logo aos 17 minutos em uma bobeira o Atlético-MG abriu o marcador. Canela cobrou escanteio e Renaldo aproveitando falha do zagueiro Rogério e do goleiro Andem marcou o primeiro gol do clássico.


A partir do gol, o Cruzeiro lançou-se ao ataque enquanto o rival se fechou todo e procurava sair nos contra ataques. Rogério cobrou uma falta com muita violência, o goleiro Taffarel espalmou e Belleti não conseguiu aproveitar o rebote.


O primeiro tempo acabou com pressão do Cruzeiro. O rival levando perigo e ameaçando ampliar e decidir a partida nos contra golpes.


Ênio Andrade, a velha raposa, mudou o time para o segundo tempo. Entrou o atacante Marcelo Ramos com a obrigação de decidir o clássico. Logo no começo, o matador mandou uma bola na trave, fazendo crescer a torcida celeste. Os minutos passavam e o jogo ia ficando dramático, a taça ia se aproximando do luxuoso bairro de Lourdes e mesmo com a pressão exercida pelo Cruzeiro, todas as tentativas celestes barravam ou nas mãos de Taffarel ou na trave, para piorar, o Cruzeiro ainda teve o zagueiro Rogério expulso.


Quando a torcida rival já comemorava o titulo, o meia Alberto recebeu de costas na entrada da área, no giro se livrou de Éder Lopes que, sem ter outra opção, derrubou o meia celeste. Pênalti marcado e que Marcelo Ramos executou com perfeição empatando o jogo mesmo com o Cruzeiro atuando com um jogador a menos.


O jogo acabou logo depois e a decisão do troféu ficou para os pênaltis.


Na cabine da Radio Itatiaia o comentarista-chefe soltou no ar que decisão nos pênaltis com Taffarel contra Andem seria covardia. Só deixou no ar para quem ia ser covardia.


No primeiro pênalti Nonato converteu.
O zagueiro atleticano Ronaldo se preparou para bater e chutou forte; William como que para calar a boca do comentarista voou para defender, o rebote que já não valia mais nada o zagueiro embicou a bola para o gol de raiva por ter perdido o pênalti. William mais uma vez ignorou o lance parado e pulou novamente para fazer a segunda defesa (pena que só uma valeu) a torcida celeste foi a loucura enquanto o camaronês comemorava.
Depois da defesa, Cruzeiro e Atlético alternaram pênaltis convertidos ate que sobrou para Marcelo Ramos decidir. Nosso oficial, mandou para as redes com confiança, marcando o gol do titulo e fazendo o Cruzeiro dar mais uma volta olímpica, 30 anos depois no mesmo estádio.

Ficha Técnica
Cruzeiro 1 (5) x (3) 1 Atlético-MG - (penâltis)
Troféu Governador do Estado - Independência - Belo Horizonte
Público - 6.498
/ Renda - R$ 89.270,00
Árbitro - Lincoln A. Bicalho (MG)
Auxiliares - José Eugênio (MG) e Valdir Nascimento (MG)

Gols: Renaldo aos 10min do primeiro tempo para o Atlético-MG e Marcelo Ramos (P) aos 8min e aos 37min do segundo tempo para o Cruzeiro.

Cartão Vermelho: Rogério (CRU)

Cruzeiro : Willian Andem; Paulo Roberto, Vanderci, Rogério e Nonato; Ademir, Beletti, Alberto e Sotelo (Marcelo Ramos); Paulinho MacLaren e Roberto Gaúcho. Técnico: Ênio Andrade.

Atlético-MG : Taffarel; Alcir, Paulão (Ademir), Ronaldo e Paulo Roberto Prestes; Éder Lopes, Gutemberg (Carlos), Canela e Ézio (Euller); Renaldo (Cairo), e Clayton. Técnico: Gaúcho.

Dedicatória.

Homenagear jogadores estrangeiros não é para qualquer time, seja no Brasil, na Argentina, na Europa ou em qualquer outro país/continente. Este jogo é dedicado ao folclórico Willian Andem (45jogos, 35 gols sofridos, atuou entre os anos de 1994 e 1996).
Brincalhão, alegre mas ao mesmo tempo extremamente profissional enquanto esteve no Cruzeiro. Cumpriu a sua missão de se colocar ao nível do goleiro Dida, foi além ao conseguir um título sobre o rival local numa disputa e ainda por cima sobre o goleiro campeão do mundo em decisão por penais.
O camarônes mais que deixou saudade pelos casos folclóricos e suas brincadeiras, deixou sua marca pela garra com a qual defendeu o time do Cruzeiro. Será lembrado eternamente pela torcida do Cruzeiro.
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