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15 09 07
Meu jogo imortal - Anisio Ciscotto

Cruzeiro 3 x 1 Atlético (MG)

09/10/1977

O jogo que mais marcou da minha vida é também da maioria de  cruzeirenses que pertencem à minha faixa etária. Talvez não seja nenhum jogo excepcional para muitos cruzeirense, especialmente para os da nova geração, mas é um jogo mais do que marcante, foi uma página heróica, um jogo imortal.

Estou me referindo ao jogo da decisão do Campeonato Mineiro de 1977. Aliás, há que se ressaltar que falo do terceiro jogo, pois na época As decisões poderiam ter um, dois, três e até quatro jogos seguidos entre os adversários numa overdose de clássicos.

O patético tinha o melhor time da história deles (que nunca ganhou nada de importante) e venceu o primeiro clássico por 1x0. Depois do jogo, os galináceos levaram a taça para seu vestiário e Cerezzo não teve papas na língua para dizer que "enquanto ele, Reinaldo , Marcelo e outros jogassem lá, o Cruzeiro não ganharia nada que eles disputassem".

Eles tinham um goleiro fantástico, o Ortiz, que jogava de bermudão, camisa laranjada e uma fita no enorme cabelo. Ao invés de pegar as bolas com as mãos, humillhava os adversários matava a bola no peito, fazia gols de pênalti, driblava os atacantes adversários sem necessidade. Era um Argentino que nos atormentava e para piorar ofuscava a supremacia do goleiro Raul que durava mais de uma década como o goleiro-atração do futebol mineiro.

Mas a diretoria do Cruzeiro teve uma indicação de ouro e importou o atacante uruguaio Revétria, que tinha sido algoz do goleiro Ortiz quando os dois jogavam no Uruguai (diziam as más línguas que Ortiz viera para BH fugindo dos muitos gols de havia levado de Revétria no país de origem dos dois).

Veio a segunda partida e vencemos por 3x2, três gols de Revétria, num jogo em que eles abriram o marcador logo aos 5 minutos de jogo assustando a torcida do Cruzeiro e levando à loucura a torcidinha deles. Viramos com três de Revétria e embora fôssemos em menor número, gritamos como se fôssemos dez e calamos a boca da cachorrada.

Tudo seria decidido num terceiro jogo e o discurso e empáfia deles não diminuía. Aos 35 da etapa inicial, Reinaldo, que havia feito o segundo gol da partida anterior, fez um gol e foi comemorar perto da nossa torcida, que mais uma vez estava em menor número que a torcida deles.

Foi o que bastou para as coisas mudarem de rumo.

Aos 25 do segundo tempo, ele, nosso "RE(I)VÉTRIA fez um belo gol e empatou a partida para desespero de Ortiz e companhia.

Revétria correu para nossa torcida, justamente perto de onde eu me encontrava e comemorou muito, fazendo com que a torcida comemorasse mais ainda e passasse a acreditar que o jogo anterior se repetiria. Acendeu a esperança de novo em todos nós.

A história se repetiria?

Eles ficaram com mêdo?

Aquele empate no terceiro jogo, levava a decisão para uma prorrogação, onde o adversário teria, mais uma vez, a vantagem de empatar para ser campeão. Na primeira etapa da prorrogação Lívio Damião (irmão gêmeo do lateral Luiz Cosme) marca o segundo e Joãozinho, de forma magistral aos 14 enterrou as esperanças galináceas.

Foi uma vitória da superação e da "Raposa" Felício Brandi que trouxe Revétria e desequilibrou emocionalmente o goleiro cabeludo. Revétria é daqueles ídolos que todos que viveram aqueles momentos mágicos se lembrarão. Um guerrreiro, um bravo que mesmo ficando pouco tempo no Cruzeiro estará na lembrança de todos.

Eu fui, a pé, do Mineirão até o Santo Antônio, onde eu morava, gritando com meus amigos: "REI, REI, REI! REIVÉTRIA É NOSSO REI!

Recentemente tive o prazer de encontrar Revétria, Joãozinho e Lívio e recordar tal jogo com eles. Aliás a foto com o Reivétria está no meu perfil do Orkut.

Forza Azzurra! Forza Palestra!

Este post foi escrito por Anísio Ciscotto Filho, 46 anos, Gerente Geral da Caixa Econômica Federal, natural de Aimorés-MG.

Ficha Técnica
Cruzeiro 3 x 1 Atlético-MG
Campeonato Mineiro- Mineirão - Belo Horizonte
Público - 122.534 / Renda - Cr$ 4.194.550,00
Árbitro - Márcio Campos Salles (SP)
Gols: Reinaldo aos 35'
do 1º tempo, Revétria aos 25' do 2º tempo, Livio aos 7' e Joãozinho aos 14' do 1º tempo da prorrogação.
Cartão Vermelho: Lívio (CRU).

Cruzeiro : Raul; Nelinho, Zezinho Figueiroa, Darci Meneses e Vanderley; Flamarion, Valdo (Eli Carlos), Elivélton e Eduardo; Revétria (Lívio) e Joãozinho. Técnico: Procópio.

Atlético (MG) : Ortiz; Alves, Márcio, Vantuir e Dionísio; Toninho Cerezo, Danival (Heleno), Marinho, Reinaldo, Paulo Isidoro (Marcinho) e Marcelo. Técnico: Barbatana.

Dedicatória.

Artilheiro de poucos jogos e poucos gols, não figura nem na relação dos maiores artilheiros do Cruzeiro (com mais de 50 gols) e seria facilmente esquecido como tantos outros artilheiros que passaram por times do futebol brasileiro e mundial. Sua carreira poderia ser a de mais um que passou por aqui. NÃO É! Este jogo imortal é dedicado ao atacante Revétria. Poderia ser outro jogo? Sim. Poderia ser o jogo em que ele marcou três gols, mas queremos dedicar este pela sua bravura e por ter calado a bôca de quem deveria ficar eternamente calado.
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