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05 09 07
Prá variar, só o Cruzeiro honra o nome de Minas

Cruzeiro 5 x 0 Juventude (RS)

12/11/1998

A derrota do Cruzeiro para o Juventude, nos domínios do adversário, na mais recente rodada do Brasileiro, pareceu para muitos como uma vergonha, vexame ou determinante para que o Cruzeiro deixe de lado ambição de conquistar mais um brasileiro. Esta é a visão de quem só olha o resultado de uma partida. Esquecem-se que estamos numa competição por pontos corridos. Longa e difícil.

Aqui, retomamos uma página heróica, jogo imortal, dentre os vários do Campeonato Brasileiro de 1998 e que vinha chegando ao final da chamada temporada regular. A partir daquela rodada derradeira seriam os playoffs e com o primeiro colocado jogando contra o oitavo segundo contra o sétimo, terceiro contra o sexto e o quarto contra o quinto.

Aquela temporada chegara a última rodada com uma briga de vários clubes pelas últimas vagas nos playoffs. O Atlético Mineiro estava em 7º lugar com 35 pontos e o Cruzeiro em 8º lugar com 34 pontos. Em posições inferiores estavam Vasco, Flamengo e Grêmio: todos com 33 pontos ganhos. Em seguida o Internacional com 32 pontos. Enquanto o Cruzeiro decidiria sua sorte contra o Juventude, nosso rival rural teria que decidir contra a Ponte Preta em Campinas. O Juventude já estava eliminado da fase final. Grêmio, Internacional, Flamengo, Vasco e Atlético Mineiro tinham oferecido um prêmio aos jogadores gaúchos, a famosa "mala preta" caso vencessem o Cruzeiro e abrissem outra vaga nos playoffs.


Além destas circunstâncias, outras curiosidades cercavam o confronto. O garoto Fábio Júnior, sensação-revelação do Cruzeiro, na véspera deste ,raspara a cabeça, parecia querer pegar as boas energia de outro careca da época: O espetacular Ronaldo Nazário de Lima, também centroavante, nascido para o futebol no Cruzeiro e que era na época o melhor jogador do mundo eleito pela Fifa, ostentava careca semelhante. Outra curiosidade era que no Estádio Independência outro nosso rival estaria jogando uma partida de vida ou morte para se manter na primeira divisão do campeonato.


Logo na entrada do gramado o time azul estrelado já era saudado por sua torcida maravilhosa que cantando parecia que empurraria o time a classificação. Nestes momentos mais adversos que o Cruzeiro Esporte Clube, movido pela sua fanática torcida, cresce e conquista suas maiores vitórias e páginas mais heróicas que constroem e recheiam a sua historia de cheia de fatos assim. Cabe ressaltar que todas as partidas da última rodada foram realizadas no mesmo horário e iniciaram-se as 16 horas por conta dos direitos televisivos, além de ter errado FEIO quem achou que iria pouco público. Ainda com meia hora de jogo ainda chegavam torcedores cruzeirenses.


Nesta partida, a torcida não demoraria muito para tirar o grito de gol da garganta, logo aos 3 minutos o maestro Valdo cobra escanteio na cabeça de Gottardo que sobe alto e ajeita com açúcar para Marcelo Ramos abrir o marcador.


O que se viu depois foi um bombardeio celeste ao gol de Gilmar. Em um destes lances, Caio acertou forte chute rasteiro e só não aumentou o placar porque o goleiro gaúcho fez grande defesa. Mas a barreira adversária não iria segurar a pressão por muito tempo. Aos 28 minutos, novamente Valdo cobra escanteio da direita, e como se fosse um replay, Gottardo ganha de cabeça deixando novamente para Marcelo Ramos ampliar.


Era o segundo gol cruzeirense e a torcida já começava a esperar uma goleada, aos 34 minutos o terceiro gol saiu. Marcos Paulo tabelou com Marcelo Ramos e, da entrada da área, mandou a bomba indefensável. A torcida celeste dava espetáculo, cantava sem parar. Após o terceiro gol todo Mineirão cantava a pleno fôlego “...caiu na rede é peixe, eeeaaaaa, Cruzeirão vai golear...”.


O Cruzeiro ainda perderia boas chances antes do final do primeiro tempo, com Fábio Júnior e o final da goleada teve que esperar o segundo tempo.


O técnico Levir Culpi, mesmo com o time jogando bem, resolveu colocar sua arma secreta do segundo tempo: o veloz Alex Alves. O ponteiro era muito rápido e o técnico esperava que nos contra ataques a goleada aumentasse, e foi assim aos 30 minutos quando Gustavo cruzou da direita e Alex Alves cabeceou o goleiro Gilmar fazendo uma defesa parcial, Vágner (volante defensivo) só teve o trabalho de empurrar para o fundo das redes, marcando o quarto gol celeste.

A torcida celeste fazia a festa na arquibancada e de repente começou a vibrar como se fosse outro gol, no alto falante do estádio anunciava que o rival tinha empatado com a Ponte Preta sem gols e que o Grêmio acabara de fazer 3 a 2 de virada sobre a Portuguesa tirando nosso rival do campeonato. Mais uma vez, como manda a tradição, eles morreriam na praia e para completar o Palmeiras marcara o gol de empate sobre o América-MG jogando outro tradicional rival para as divisões inferiores de onde ate hoje não saiu.

Para completar a festa ainda havia tempo para o quinto gol. Alex Alves, em brilhante arrancada, bateu dois marcadores e finalizou marcando o quinto gol celeste e encerrando a goleada com a garantia de classificação.


O Atlético Mineiro sofreria, naquela quinta-feira, uma dupla eliminação. Além do empate sem gols contra a Ponte Preta, em Campinas, que resultou na desclassificação para as quartas de final dentro de campo, o alvinegro também sofreu uma goleada no julgamento do TJD da CBF. Como é sua especialidade histórica, procura ganhar, fora das quatro linhas, em recursos pontos que nào ganha em campo. Há muito, protelava os pontos da partida contra o Santos, de 19/08/98, que terminou em 4 a 4. O clube alegava que o atacante santista Aristizabal não estava com a situação regularizada. No julgamento o Atlético foi derrotado por 6 a 1. também dando adeus ao campeonato no tapetão.


Fora uma quinta histórica mais uma vez provando que na hora da decisão enquanto o Cruzeiro goleia, com habitualidade impressionante no Mineirào, seus rivais ou são eliminados ou rebaixados a segunda divisão!

consolidou a possibilidade de definição matematica na próxima batalha.

Ficha Técnica
Cruzeiro 5 x 0 Juventude-RS
Campeonato Brasileiro - Mineirão - Belo Horizonte
Público - 36.258 / Renda - R$324.927,50
Árbitro - Paulo César de Oliveira (Fifa-SP)
Gols: Marcelo Ramos, 3min e 28min, Marcos Paulo 34 do
1º tempo, Vágner aos 30min e Alex Alves aos 43min do 2º tempo.

Cruzeiro : Dida; Gustavo, Gottardo, Marcelo Djian e GIlberto; Marcos Paulo, Djair (Vágner), Caio (Reginaldo) e Valdo; Marcelo Ramos e Fábio Júnior (Alex Alves) Técnico: Levir Culpi.

Juventude (RS) : Gilmar; Borges Neto, Capone, Índio e Silvan (Rogério); Marcão, Júlio César, Dênis e Wallace (Fábio Melo); Luiz Antônio e Rodrigo Gral (Marco Aurélio). Técnico: Cláudio Duarte.

Dedicatória.

Um jogo que poderia complicar a vida do Cruzeiro. Um confronto que poderia abreviar a participação naquela competição, poderia inclusive frustrar muitos torcedores que acreditavam no time e que proporcionaram um público fantástico para um jogo as 16 horas da tarde num dia de trabalho normal. A torcida compareceu em peso por estar ciente do seu papel de empurrar o time para a vitória e conquistas. Este jogo é dedicado ao jogador Marcos Paulo que simbolizou toda a reação cruzeirense naquele ano e que foi sacado do time de maneira muito estranha pelo treinador, barrando a escalada do Cruzeiro rumo ao título após a sua saída. Mais do que um dos gols da goleada, Marcos Paulo foi o diferencial daquelas partidas que levaram o Cruzeiro da zona de rebaixamento à classificação para os playoffs.

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