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30 08 07
Quem tem medo de quebrar tabus?

Palmeiras (SP) 2 x 3 Cruzeiro

31/08/1995

A partida era válida pelo Campeonato Brasileiro de 1995. Um destes tabus, que começava a incomodar parte da torcida celeste. O Cruzeiro não vencia o Palmeiras, no Estádio Palestra Itália, desde 17/09/1969, na vitória por 1 a 0, com um gol de Tostão, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Já eram passados mais de 25 anos. Aquele tinha sido a primeira, e única, vitória do Cruzeiro no domínio palmeirense. O período é muito longo mas o número de confrontos é pequeno, o que serve, de certa maneira, para minorar o tamanho do tabu. O confronto foi disputado cinco vezes no Estádio do Palestra com quatro vitórias do Palmeiras. Se consideradas as partidas disputadas no Pacaembu, no mesmo período, foram 11 jogos com 7 vitórias dos paulistas, o que elevava o tamanho do déficit. Até então nunca havia sido fácil bater o "Verdão" em seu gramado e a quebra do incomodo tabu era expectativa pela torcida celeste.

O Cruzeiro, 4º colocado no grupo A do campeonato, com 4 pontos em dois jogos; O Palmeiras era o 3º colocado com 6 pontos. Os lideres do grupo na época eram, respectivamente, o Paraná com 9 pontos em 3 jogos e o Botafogo com 7 pontos em 3 jogos.Tudo isto fazia a vitória fora de casa mais importante ainda. Contávamos com a "velha raposa", Ênio Andrade, que se preparou para um Palmeiras todo no ataque. A equipe paulista tinha na saída rápida de bola sua arma forte e somente o perfeito posicionamento do meio de campo celeste, principalmente a cobertura feita pelo volante Fabinho, garantiria um resultado positivo.

O Palmeiras era comandado pelo técnico Carlos Alberto Silva recém-saído do Cruzeiro e, para a diretoria celeste, a vitória tinha um sabor especial de conquista e jogo imortal, seria também, uma leve vingança, já que o técnico tinha abandonado o clube mineiro no meio de uma competição, para assumir a direção técnica do time paulista dando a entender que os times eram tão diferentes que não vaia a pena ficar em Minas.


No primeiro semestre, o Cruzeiro tinha feito fraca campanha ficando em terceiro no Campeonato Mineiro e ainda fora eliminado da Copa do Brasil. No segundo semestre, uma vitória fora de casa sobre a partida considerada uma decisão, formataria a esperança de novos ares vitoriosos. Por coincidência, seria o time com o qual disputaríamos a vaga na final para vencer o primeiro turno e irmos à final do Brasileiro.


O jogo começou, assim como a "velha raposa" esperava, o Palmeiras veio para cima e o Cruzeiro teve que se segurar nos primeiros 15 minutos de partida. O goleiro Dida era a muralha de sempre e a zaga celeste estava bem postada. Aos poucos o Cruzeiro foi tomando conta do jogo, dominando a meia cancha e empurrando o adversário contra seu próprio campo, dentro de seus próprios domínios. Foi então que aos 31 do primeiro tempo o Cruzeiro abriu o marcador, Roberto Gaúcho cruzou da lateral, o atacante Marcelo Ramos dominou, deu um corte no ex-cruzeirense Célio Lucio e rolou para Paulinho Mclaren empurrar livre ao gol.


Logo na saída de bola, o guerreiro Fabinho levou uma pancada criminosa do volante argentino Mancuso do Palmeiras. Enquanto Fabinho teve que deixar o campo contundido o volante palmeirense nem chegou a ser admoestado pelo árbitro, as arbitragens como sempre apoiando os times do eixo Rio-São Paulo. O Palmeiras cresceu e conseguiu o empate aos 38 minutos numa bola cruzada na área por Edílson, o centroavante Nilson subiu mais que Vanderci e igualou o marcador.


O Cruzeiro não se encolheu e após o empate retomou as rédeas da partida, Ênio Andrade concentrara os ataques pela ponta esquerda com Nonato e Roberto Gaúcho e não poderíamos ir para o intervalo com a derrota parcial. Aos 41 minutos o sempre eficiente Raimundo Nonato que lançou o ponteiro Roberto Gaúcho na corrida. O camisa 11 chutou e a zaga rebateu de qualquer maneira, Alberto de fora da área apanhou o rebote e com uma bomba desempatou a partida.


Assim o jogo foi para o intervalo com o Cruzeiro na frente e faltando só 45 minutos para a quebra do tabu. O segundo tempo iniciou-se de maneira idêntica ao primeiro, com pressão palmeirense, Müller e Edílson obrigaram Dida a fazer grandes defesas, porem nos contra-ataques o cruzeiro sempre era perigosíssimo. Aos 20 minutos, em outro cruzamento de Nonato, Paulinho Mclaren cabeceou e a bola raspou a trave palmeirense. Aos 25, em entrada criminosa em Alberto, o palmeirense Wagner foi para o chuveiro mais cedo, a partir daí só dava Cruzeiro na partida e tanto Alberto quanto Paulinho perderam grandes chances.

Foi então que veio o castigo aos 30 da etapa final. Müller tabelou com Edílson e bateu sem defesa para Dida, era o gol do empate e a quebra do tabu parecia que não aconteceria. Logo na saída de bola, o Palmeiras ainda quase conseguiu a virada com linda finalização de Edílson e se não fosse Dida fazer um de seus costumeiros milagres o pior teria acontecido.

Foi então que, já nos acréscimos, aos 46 da etapa final a justiça da partida foi feita, Alberto lançou Belletti que tocou de cobertura sobre Velloso, o goleiro palmeirense fez a defesa parcial mas no rebote Paulinho, sempre ele, desempatou a partida e quebrou o incomodo tabu que durava um quarto de século.

Desde aquela vitória, a história mudou e nas décadas seguintes o Cruzeiro passou a dar sorte no Palestra Itália inclusive ganhando títulos la dentro. Sempre, quanto mais difícil, a esquadra celeste busca forças, não se sabe de onde, para buscar seus maiores triunfos, e assim todo jogador que veste nossa camisa tem este exemplo a seguir.

Ficha Técnica
Palmeiras (SP) 2 x 3 Cruzeiro
Campeonato Brasileiro - Palestra Itália - São Paulo
Público - 3.587 / Renda - R$39.990,00
Árbitro - Sidrack Marinho (SE)
Gols: Paulinho McLaren, 31min, Edílson 41min e Alberto aos 41min do
1º tempo, Müller aos 30min e Paulinho McLaren aos 45min do 2º tempo.

Cruzeiro : Dida, Paulo Roberto, Vanderci,Rogério e Nonato; Fabinho (Ademir), Beletti, Alberto e Marcelo Ramos (Luiz Fernando); Paulinho McLaren e Roberto Gaúcho. Técnico: Ênio Andrade.

Palmeiras (SP) : Velloso; Índio (Fred), Antônio Carlos, Célio Lúcio e Wágner; Mancuso, Amaral, Flávio Conceiçào e Nílson (Rogério); Edílson e Müller. Técnico: Carlos Alberto Silva.

Cartão Vermelho - Wagner (Palmeiras).

Dedicatória.

Uma página demorada, mais de um quarto de século, injusta que tivesse demorado tanto, e mais injusta ainda que tivesse sido longe da torcida do Cruzeiro.
Roberto Jusceli Weber, ponta-esquerda, daqueles "das antigas", jogou entre 1992 e 1997 pelo Cruzeiro. Neste período marcou 52 gols mas foi autor de dezenas de iniciativas, constituindo-se no 38o artilheiro da história do Cruzeiro. O Roberto "Gaúcho", como ficou conhecido pelo povão, nào fazia muitos gols mas, certamente, colocava alguns (muitos!),
nos pés, na cabeça de muito atacante que nunca deve ter agradecido a este atacante.

Fica o exemplo, sejam mais solidários, como era Roberto Gaúcho e não temam nenhuma armadilha ou tabu. Nossa homenagem é para este falso ponta esquerda, mas um grande homem, que enganava a todos para que vários ídolos fizessem seu nome/marca.

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