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28 08 07
Era para ser o último round da Tríplice Corôa

Paraná (PR) 1 x 3 Cruzeiro

23/11/2003

O Campeonato Brasileiro de 2003 vinha chegando ao final e o iminente título celeste, a cada rodada,materializava-se ainda mais. Era somente uma questão de tempo para que o grito de campeão ecoasse mais uma vez, por toda Minas Gerais, saindo da garganta de cada um dos milhões de cruzeirenses.


A partida contra o Paraná em Curitiba (PR) foi válida pela 43ª rodada, o Cruzeiro com seus 88 pontos não garantia o título, matematicamente, se somente vencesse o jogo. Ainda nesta rodada, torceria por uma derrota do Santos-SP contra o Fluminense-RJ na Vila Belmiro e, consumando-se a vitória sobre o Paraná, sagraria-se campeão com quatro rodadas de antecipação.


Em Belo Horizonte, a concentração era total, enquanto os rivais locais pareciam se esconder dentro de casa com seus pijamas, a cidade estava linda, toda azul e branca vibrando com seu grande campeão.


Mais uma vez era o Cruzeiro que levava o nome do estado para todo o Brasil e o mundo, a parcial imprensa paulista teimava em colocar o Santos com chances, pelo menos tinham chances teóricas. O Santos tinha, realmente, um belo time, tinha sido um adversário à altura. Porém, naquele momento, nenhum time no mundo superaria em tão poucas rodadas aquela terceira academia celeste, liderada pelo curitibano Alex.


O anfitrião, maestro do time naquela campanha, sonhara em conquistar o título em sua terra natal, seria mais um momento marcante daquela campanha. O técnico Luxemburgo concentrara a time para o jogo na quarta-feira para o jogo no domingo seguinte, dedicação total. Além disso, o comandante técnico relacionou todo o elenco para a viagem a capital paranaense. Eles tinham chegado aquela disputa juntos e seriam campeões todos unidos, esta era a intenção e expectativa do técnico.Na quarta a noite o elenco completo presenciou o jogo da Seleção Brasileira no mesmo Pinheirao, onde Alex e Leandro em ação e se concentrariam para a decisão logo a seguir. Além deles, se juntariam ao grupo mais quatro jogadores que defendiam a Seleção Pré-olímpica, quais sejam, Edu Dracena, Gomes, Wendell e Maicon. Efetivamente, aquele grupo celeste era mais do que uma constelação de estrelas.


Este round não aconteceria sem a costumeira guerra de nervos, era claro que o Santos estava dando apoio e a famosa "mala preta" aos atletas paranistas era previsível. O armador Diego, do Santos, que estava na Seleção, em Curitiba, aproveitou e comprou uma camisa do Paraná declarando que havia se tornado um novo torcedor. A diretoria tricolor proibira o Cruzeiro de fazer o jogo-treino contra o Iraty no seu estádio. Era o momento de entrar em campo a tradicional astúcia da "raposa". Os dirigentes cruzeirenses agiram rápido e utilizaram uma velha tática para amolecer os adversários. Deixaram vazar para a imprensa que existia o interesse pela contratação de alguns jovens jogadores do Paraná que despontavam naquele esforçado time, os nomes dos jogadores Marquinhos e Fernandinho (que viria a ser lateral esquerdo do Cruzeiro em 2007), eram os alvos principais..


De Belo Horizonte a torcida celeste se programava em varias excursões para ir a Curitiba trazer a taça, a expectativa era enorme. Provavelmente, uma das histórias mais impressionantes era da pensionista Carmita Costa Silva que, com seus 78 anos, embarcou em um dos dezoito ônibus da caravana de cruzeirenses que rumaram para aquela decisão, tinham a esperança que aquele seria mais um jogo imortal, mais uma página heróica, mais um título nacional. A grande cruzeirense declarou na época “farra é comigo mesma, Não tenho esse negócio de ficar em casa vendo a vida passar. Os outros torcedores me respeitam, sou pé quente e vou trazer o título”, disse confiante.


E foi empurrado por estes guerreiros que o time estrelado entrou em campo em busca de mais uma vitória que poderia ser mais um marco histórico. O Paraná partiu para cima nos quinze minutos iniciais desperdiçando boa chance com Renaldo, apenas aos 16min o Cruzeiro conseguiu preocupar a meta do goleiro Flávio. Marcio Nobre lançara Alex que driblaria o goleiro. Porém, na finalização, a bola caprichosamente acertaria a trave. O jogo continuou no toma lá e dá cá com boas chances para as duas equipes, tanto que o goleiro Gomes e o adversário Flávio fizeram importantes e difíceis intervenções. Mas o Paraná não conseguiria segurar aquele time cruzeirense por muito tempo. Aos 37min, Alex bate falta rapidamente, cruza para cabeçada de Márcio Nobre e no rebote do goleiro Flávio, Aristizábal marca o 86° gol do Cruzeiro no Brasileiro e 21° do atacante.


Mesmo com a vantagem mínima, o título parecia próximo e o segundo tempo começou da mesma forma que o primeiro, com pressão do tricolor paranista. Aos 18 minutos Luxemburgo modificara o time, na esperança de reconquistar o domínio da partida e o suplantar o meio-campo adversário, sacou Felipe Melo e Aristizábal, colocando o tetracampeão mundial Zinho e o matador arretado Mota, que havia se transformado no xodó da torcida.


Wendell, como sempre, esteve perfeito, taticamente, e sofreu uma falta na entrada da área, logo aos 22 minutos. O talentoso Alex cobrou, no estilo que se tornou uma marca registrada naquele time mágico de 2003, Wendell antecipou-se a defesa, convertendo, de cabeça, o segundo gol celeste. A festa tomou conta do Pinheirao e

a torcida cruzeirense cantava e comemorava sem parar.


Depois do segundo gol, o domínio passou a ser todo cruzeirense, Maldonado aos 34 minutos mostraria que sua especialidade ia além de somente ser marcador, fez lindo lançamento a Márcio Nobre que na entrada da área matou no peito, invadiu a mesma livrando-se da marcação e marcou de perna esquerda no canto esquerdo do goleiro Flávio, o terceiro gol estrelado. O Paraná, imediatamente após, ainda descontaria com Éverton mas este seria apenas o gol de honra, pois os dois minutos de acréscimos não seriam suficientes para mudança do resultado final.


Com a vitória do Santos sobre o Fluminense, naquela rodada, o Cruzeiro fez a sua parte mas adiou o nocaute para o round seguinte. O elenco, a comissão técnica, a diretoria e, principalmente a torcida, teria que esperar mais um jogo para soltar o grito de ”É Campeão!”. Enquanto encerrava-se a rodada, torcedores cruzeirenses do Brasil inteiro se preparavam, como valorosa Carmita, para o último e derradeiro round. Tinha que ser no próximo. A historia seria merecia o final mais feliz imaginado. Um título destes merecia ser comemorado no Mineirão, a nossa casa, estádio este que somente assistira, desde a sua construção, a títulos de expressão nacionais ou internacionais, protagonizados pelo Cruzeiro. Deve-se considerar, pelos que entendem de futebol, que o único título, meritório de referência, conquistado pelo nosso rival, não fora obtido em domínios mineiros o que, diga-se de passagem, deve ser um sofrimento sem fim.


O ponto decepcionante sófoi percebido e compreendido mais tarde. O cartão amarelo que o árbitro aplicara no craque Alex, o tiraria do confronto decisivo. Contra o Paysandu, o maior jogador da temporada não estaria jogando. Como e o que passa pela cabeça de um jogador quando percebe que, finalmente chegava o momento de comemorar o nocaute com a torcida e não poderia entrar em campo. Mas o papel estava definido e a vitória consolidou a possibilidade de definição matematica na próxima batalha.

Ficha Técnica
Paraná (PR) 1 x 3 Cruzeiro
Campeonato Brasileiro - Pinheirão - Curitiba
Público - 15.996 / Renda - R$187.629,00
Árbitro - Wagner Tardelli (Fifa-RJ)
Auxiliares - Manoel do Couto Ferreira Pires (RJ) e Carlos Henrique Alves Lima (RJ).
Gols: Aristizábal, 37min do
1º tempo, Wendel aos 22min, Márcio Nobre aos 38min e Éverton aos 39min do 2º tempo.

Cruzeiro : Gomes; Maurinho, Cris, Edu Dracena e Leandro; Maldonado, Felipe Melo (Zinho) Wendell (Sandro) e Alex; Aristizábal (Mota) e Márcio Nobre. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Paraná (PR) : Flávio; Valentim, Cristiano Ávalos e Ageu; Fabinho (Rodrigo Silva), Fernando Miguel, Pierre (Éverton), Marquinhos e Fernandinho; Caio e Renaldo. Técnico: Saulo de Freitas.

Cartões Amarelos - Ageu, Caio e Éverton (Paraná); Alex (Cruzeiro).

Dedicatória.

Uma página esperada, segundo capítulo de uma espera que se iniciou no confronto anterior, expectativa de ser campeão brasileiro, é dedicada ao atacante Márcio Nobre, de rápida passagem pelo Cruzeiro mas que viveu intensamente aquele momento e teve atuações decisivas para que o caminho fosse trilhado como estava escrito nas estrelas. Vitórias e bons resultados que culminariam na conquista máxima daquele ano.

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