Busca
ENQUETE Você acha que a transmissão de radio deve ser cobrada pelo cruzeiro?
  • Sim
  • Não
  • Somente para Radio Itatiaia




23 08 07
Nós pés de Palhinha & Cia - Um baile no Independência

Cruzeiro 4 x 0 Corínthians (SP)

24/04/96

Na Copa do Brasil de 1996, o Cruzeiro teria mais uma oportunidade de colocar em prática a sua verdadeira fama de vingador, afinal, o Corínthians, era a equipe que cinco anos antes tirara o time mineiro da Copa do Brasil e, mais uma vez, os dois rivais interestaduais voltavam a se encontrar. O motivo era a primeira partida das duas previstas para o mata-mata.

Todos já esperavam que a apaixonada torcida celeste lotaria o pequeno estádio do Horto tentando empurrar o seu time a classificação. O Cruzeiro vinha formando um time forte e raçudo com jogadores experientes e que agora buscavam glórias pelo time azul, era uma mudança de planos, afinal o presidente Zezé Perrela trocara, à época, dois jovens talentos e promessas, o volante Belletti e o lateral Serginho, por 5 jogadores experientes do São Paulo, sendo que o principal deles, sem dúvida nenhuma, era um mineiro que tinha o nome de um eterno ex-ídolo cruzeirense. Palhinha, o Jorge Ferreira da Silva, escreveria, pela segunda vez, este apelido no coração da torcida celeste.


Levir Culpi escalara dois volantes juntos como titulares. Esta foi uma das primeiras oportunidades que o carioca Fabinho e o prata da casa Ricardinho jogariam juntos tendo a obrigação de ganhar o domínio sobre o meio campo paulista.
Poucos imaginavam que os dois volantes ainda fariam muita historia no Cruzeiro, sempre jogando com muita raça e amor à camisa estrelada, deixando bem acostumada a torcida que, sempre viu volantes honrando a posição que já fora de Piazza e Zé Carlos.

Do lado rival, no banco de reservas, estava outra figura histórica para o time celeste. O técnico do time paulista era o ex-jogador, cruzeirense, Eduardo Amorim que, coincidentemente, chegava a seu jogo de numero 100 no comando do alvinegro paulistano, justo contra o time que o projetara como atleta para o futebol nacional.

O jogo começara com o Cruzeiro apresentando um futebol vistoso e envolvente, com toques rápidos e o adversário sendo envolvido.
Aos 20 minutos, Uéslei roubou uma bola e tocou rápido para Roberto Gaúcho, o ponteiro cruzou certeiro para Palhinha que dominou mas o chute saiu perigosamente raspando a trave de Maurício.

O Corínthians ameaçou dar o troco, aos 32 minutos, ainda na etapa inicial, Marcelinho "Paulista" mandou uma bomba; Willian Andem defendeu parcialmente e Marcelinho "Carioca" chutou logo de bate-pronto. Mais uma vez, o arqueiro camaronês estava lá para fazer a defesa.

Ainda no final do primeiro tempo, Marcelo Ramos perdera ótima
chance ao chutar um contra ataque nas mãos de Mauricio. E foi então que, no lance seguinte, a partida começou a ser decidida, Palhinha tomou a bola de Marcelinho "Paulista" e levou um ponta-pé. O árbitro deu o segundo cartão amarelo e expulsou o jogador corinthiano antes do intervalo. Se o time mineiro já tinha sido melhor no primeiro tempo com igualdade de jogadores o que esperar de um tempo inteiro, com um jogador a mais?


A torcida cruzeirense se animara,cantou o intervalo inteiro e animou-se mais ainda no início do segundo tempo. Mas logo no inicio, Uéslei, que já tinha o cartão amarelo, colocou a mão na bola e foi expulso, igualando o jogo, pelo menos em numero de jogadores.


Os deuses do futebol parecem, quase sempre, serem justos.Aos 17 minutos da etapa final, o ataque celeste perdeu duas chances seguidas, mas na terceira, a bola sobrou para Nonato chutar com raiva, mesmo prensado por Henrique, abrindo o placar para o time que se apresentava melhor até aquele momento.


A vantagem, embora mínima, deu tranqüilidade suficiente ao time para mostrar seu verdadeiro jogo. Ninguém esperava resultado diferente mas ainda estava porvir o melhor. O Cruzeiro continuou em cima buscando o segundo gol. Foi então que aos 27 minutos Nonato cobrou escanteio pelo lado esquerdo, a defesa adversárias falhou, Marcelo Ramos tocou de cabeça e a bola, caprichosamente, bateu na trave. Na volta, sobrou para o zagueiro Célio Lúcio que chutou forte e marcou o segundo gol cruzeirense. Trinta minutos e o placar construído por dois defensores. O ataque não ajudava, perdia várias chances e mais uma vez um defensor foi lá e resolveu, como elemento surpresa e salvador.


O Corínthians, depois do segundo gol, se perdeu por completo em campo e o Cruzeiro pressionou até fazer o terceiro. Já no final da partida, aos 43 minutos Cleisson, que acabara de entrar, como substituto de Marcelo Ramos, subiu mais alto que a defesa adversária escorando um tiro de canto cobrado por Ricardinho. A bola passou entre o goleiro e a trave e balançou, pela terceira vez, as redes  paulistanas.  A torcida  foi ao delirio pois o resultado parecia irreversível.


Enquanto a torcida corinthiana deixava o estádio, o Cruzeiro partia para cima, com a torcida e o time acreditando que ainda havia tempo para mais um gol e o fechamento do confronto com uma goleada histórica e grande vantagem para o jogo de volta. Nonato dominou a bola em seu campo, levantou a cabeça e fez o passe para Palhinha, que entrava livre pela meia direita. O craque dominou, caminhou para o gol e na saída do goleiro Maurício, tocou no canto direito, encerrando a goleada histórica com um gol do maestro do time.


Poucas vezes o Corínthians tinha sido dominado de tal forma em uma partida, contrariando toda a sua história de time valente e brigador. Mostrando um futebol envolvente o Cruzeiro abriu uma goleada para ser lembrada por gerações. Aquele meio de campo com Palhinha, Ricardinho, Fabinho e Cleisson faria história naquela competição e no Cruzeiro e muitas histórias começaram a ser escrita naquela noite fria, de muita vibração da torcida e de uma goleada no Independência para ficar na memória do torcedor cruzeirense e do amante de futebol de Minas Gerais como uma Página Heróica, Imortal e de vingança para o futebol mineiro.


Ficha Técnica
Cruzeiro 4 x 0 Corínthians (SP)
Copa do Brasil - Independência - BH
Público - 13.698 / Renda - R$132.327.000
Árbitro - Dacildo Mourão (CE)

Gols: Nonato 17', Célio Lúcio 27', Cleisson 43' e Palhinha 45' do segundo tempo

Cruzeiro : Willian Andem, Vítor (Marcos Teixeira), Jean, Célio Lúcio e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Uéslei e Palhinha; Marcelo Ramos (Cleisson), Roberto Gaúcho (Luis Fernando). Técnico: Levir Culpi.

Corínthians (SP) : Maurício; Carlos Roberto (Marquinhos), André Santos, Henrique e Silvinho; Bernardo, Marcelinho Paulista, Souza e Marcelinho Carioca (Tupãzinho); Edmundo e Leonardo (Júlio César). Técnico Eduardo Amorim.

Cartões Vermelhos: Marcelinho Paulista e Bernardo (COR), Uéslei (Cruzeiro).

Dedicatória.
Esta página heróica é um pedido de desculpas aos leitores e adquirentes do Livro "Jogos Imortais", constituindo-se numa errata das divergências publicadas no livro, relativas a esta partida.

Uma página heróica, dedicada ao capitão Raimundo Nonato, que defendeu, brilhantemente, e honrou a galeria dos imortais da camisa 6 do Cruzeiro e que, naquela partida, inaugurou o placar num campo apertado e que foi literalmente invadido pela torcida do Cruzeiro, tornando aquele confronto mais um jogo imortal.

P.S. Pedimos desculpas aos leitores que visualizaram este POST antes da liberação da edição final do mesmo.

(8) Comentários > Comentar