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09 10 07
Uma Goleada Monumental

Cruzeiro 4 x 0 Colo-Colo (CHI)

06/09/1996

Nos últimos anos, especialmente após os anos 80 do século XX, a imprensa de língua espanhola, notadamente a chilena, cunhou a expressão La Bestia Negra em referência ao Cruzeiro e as disputadas entre o time brasileiro e as equipes chilenas. Estava ficando previsível o resultado de cada confronto dos times chilenos quando enfrentavam o Cruzeiro pelos torneios continentais.


Em 1996, pela semifinal da Supercopa daquele ano, mais uma vez uma equipe chilena enfrentaria o Cruzeiro. Novamente o Colo Colo, que vinha em grande fase, estando a apenas um ponto de conquistar o titulo nacional de seu país, estaria frente ao Cruzeiro e jogando em seus domínios esperava reverter o placar adverso da partida de ida realizada no gigante da Pampulha, onde o Cruzeiro levara a melhor em um jogo difícil.


O resultado, em Belo Horizonte, tinha sido 3 a 2, o time celeste caíra de produção na segundo tempo o que deu, aos chilenos, confiança de que levar o jogo para seu estádio seria a oportunidade de ganhar bem e eliminar o Cruzeiro. Mudaram a partida para o estádio David Arellano que era bem menor que o já conhecido Estádio Nacional. A intenção da mudança era usar a força da torcida para intimidar os jogadores celestes e conseguir a vitória.


Outra razão de ânimo para os chilenos era o retôrno de três titulares, Guevara, Sierra, e Barciccioto. Com os três a esperança de chegar a final da competição por parte da imprensa local era muito grande. O Cruzeiro, conhecido naquelas bandas de La Bestia Negra, sempre inspirava medo já que aquela camisa já dera muitas tristezas a torcida chilena, mas a esperança deles que a lenda não se repetisse crescia.


O jogo começara com cânticos de guerra entoados pela torcida que pressionava desde o início. Porém, naquela noite, parecia que a torcida cantaria para ver o baile que seu time estava prestes a levar. Aos 6 minutos Palhinha tabelou com Paulinho MacLaren e, recebendo cruzamento certeiro, cabeceou na trave, a bola caprichosamente bateu nas costas do goleiro Arbiza e morreu no fundo da rede.


Mesmo em desvantagem, os chilenos não se deram por vencidos e cantavam cada vez mais, era um espetáculo a parte, imaginavam que, a qualquer momento um time com o apoio deles, sairia de qualquer situação difícil.


Naquela noite os craques do Cruzeiro pareciam em casa, parecia que eles estavam sendo apoiados pela torcida. Aos 34 minutos, Cleisson invadiu a área adversária e chutou forte, Arbiza fez a defesa parcial; a bola sobrou no pé do craque Palhinha que empurrou-a para o fundo das redes pela segunda fez.


Após o segundo gol, a torcida chilena, ao contrario do que todos imaginavam, passou a cantar ainda mais. Era incompreensível. Estariam imaginando que a torcida reverteria o resultado?


A noite era celeste e também de Palhinha. O camisa 10 jogava solto e mostrava o melhor de seu futebol. Aos 43 minutos recebeu novo cruzamento de Paulinho MacLaren e, antes do intervalo do jogo, fez o terceiro gol celeste e dele. Nem o mais otimista cruzeirense esperava uma diferença de três gols no campo do adversário.


O mais estranho era que a torcida do Colo Colo não dava sinais de abatimento. Continuava a cantar cada vez mais forte enquanto os jogadores celestes, inspirados e motivados, davam um espetáculo.


Na volta do segundo tempo, parecia que enfim o Colo Colo escutara a torcida e, por duas vezes, o gol de Dida fora ameaçado com chutes de fora da área por Sierra. Nossa sorte e azar chileno era que nosso goleiro já era uma muralha, raramente os chutes de fora da área entravam. Duas magistrais defesas que esfriaram a reação chilena mas não sua torcida, que continuava a empurrar o time.


Foi então que Ailton, que entrou no lugar de MacLaren, daria números finais ao placar, aos 31 minutos da etapa final o meia recebera lançamento perfeito de Palhinha e marcaria o quarto.


Um show de bola que o time celeste propiciava a todos presentes. Ao final do jogo Mario Perez, ex-jogador da Seleção Chilena na Copa de 1982, destacou: “uma arte que não víamos desde 1962, quando o Brasil ganhou aqui o título mundial”, o atacante Barticcioto afirmou, “eles não precisavam de sorte, foi futebol mesmo”.


Quando pararam de cantar a torcida local promoveu uma quebradeira histórica afinal esta era a maior goleada já sofrida em seu estádio para um time estrangeiro.


Ao Cruzeiro coube a festa e a alegria de mais uma vez honrar Minas Gerais e o Brasil mundo afora.




Ficha Técnica
Cruzeiro 4 x 0 Colo Colo (CHI)
Supercopa dos Campeões da América - David Arellano - Santiago (Chile)
Público -
45.000 / Renda - Não disponível
Árbitro - Júlio Matto (URU)
Gols: Palhinha 6min, 34min, 43min do primeiro tempo, Aílton aos 31min do segundo tempo.

Cruzeiro : Dida; Vítor (Marcos Teixeira), Célio Lúcio, Gilmar e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Donizete Oliveira, Cleisson (Aílton), Palhinha, Paulinho MacLaren (Luiz Fernando). Técnico Levir Culpi.

Colo Colo (CHI) : Arbiza; Fernandez, Reyes, Gonzalez (Henriquez) e Guevara; Pereira, Salas (Rubio), Espina e Sierra; Barticciotto (Ferrero) e Basay. Técnico: Gustavo Benitez.

Dedicatória.

Este jogo merece uma dedicação especial. Jorge Ferreira da Silva, o Palhinha, segundo no apelido mas valente e magistral como o primeiro. Meia de muita categoria que nos deu títulos importantes e calou aqueles que o criticaram quando veio para o Cruzeiro.
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