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A arrancada para o primeiro tricampeonato

Palestra 5 x 2 Atlético-MG


24/11/29


Seja no passado, ou nos dias de hoje, vencer uma competição com 100% de aproveitamento não é coisa normal. Atualmente, nem ficar invicto tem sido algo comum de se presenciar. Mas aquele time de 1929 tem títulos, recordes, ídolos e muita História para contar. Ao contrário de certas equipes que tiveram suas taças de gelo perdidas à época.


Ate hoje, muito se fala sobre o lendário campeonato do gelo que os rivais regionais alardeavam como campeonato mundial. O rico time do Atlético-MG fizera excursão a Europa voltara para casa com a imprensa mineira declarando este título que aliás a taça nunca se viu em lugar nenhum (certamente no centenário deles alguém cuidará de nos apresentar referido troféu). Se ate hoje a imprensa mineira mantem estas lendas imaginem em 1929 aonde realmente nosso rival ate entao dominava o futebol regional.

Na decada de 20 e 30 o rival era liderado pelo habilidoso e excepcional atacante, Mário de Castro, e entendiam que aquele time dominaria facilmente a década. Ledo engano afinal o Palestra vinha formando calado o seu primeiro grande esquadrão que iria ser o primeiro grande time de futebol de Minas Gerais.


Para alegria palestrina uma família começaria ali a escrever seu nome na historia do clube, era a Família Fantoni que nos brindaria com três magistrais personagens. Eram os irmãos Niginho e Ninão e o primo Nininho, até hoje o maior artilheiro em confrontos contra nosso maior rival. Naquela época o então presidente da Federação Mineira de futebo,l Aníbal Matos, instituíra um belo troféu da Liga Mineira de Futebol, Aníbal era também presidente do nosso adversário na cidade, e alardeava na cidade toda como aquele bonito troféu enfeitaria sua sala de troféus no nobre bairro de Lourdes, afinal o clube que ganhasse a Liga três vezes seguidas ou cinco alternadamente, ficaria com ele definitivamente Nosso rival venceu em 1926 e 1927 e justo quando tudo parecia certo surge o Palestra para melar a festa ganhando o titulo de 1928 com amplo domínio sobre o rival.


Em 1929 o time foi 100%, ganhou tudo, aplicou goleadas homéricas, foi impiedoso com adversários fracos e os nobres de Lourdes viam seu troféu bater asas para o operário time do Barro Preto.


Liderados por Ninão e Nininho o Palestra chegara a final invicto aos jogos finais, já tendo aplicado uma goleada na primeira fase sobre o rival por 3 a 1 no campo de Lourdes. Agora a final seria no estádio do Barro Preto, estádio este construído com esforço e amor pelos rejeitados palestrinos que uma década antes eram impedidos de entrar nos nobres e ricos clubes da capital (apesar de hoje ser considerado chique ser europeu naquela época os imigrantes italianos eram segregados e vistos como pessoas de segunda classe pelas famílias quatrocentonas representantes das oligarquias e castas locais).


O estádio do Barro Preto ficara entupido para a final, extrapolando a sua capacidade, na época a torcida palestrina já começava a crescer encantada pelos maravilhosos gols dos Fantonis. O fato mais engraçado da decisão de 29 foi o fato de o artilheiro Ninão ter virado a noite que antecedia ao clássico na jogatina, segundo consta a lenda levado por amigos atleticanos na esperança de que sua atuação não fosse decisiva na finalissima. Mas a estratégia não adiantou muito já que Ninão, além de vencer no carteado, teria papel fundamental na goleada daquele dia.


A final começara e o primeiro esquadrão Palestrino já iniciara destruidor. Logo aos 7 minutos, Piorra centraria a Ninão que de cabeça deixaria Armandinho livre para marcar. O jogo mal começara e o Palestra já abria o marcador com facilidade impressionante.


Logo depois na saída de bola o Palestra logo parte novamente ao ataque e agora, aos 12 minutos, mostraria a maior arma daquele time, o forte chute do artilheiro Ninão. O defensor adversário, Ewando fizera falta perto da área, sobre Carazo, Ninão soltaria a bomba e marcaria o segundo gol palestrino. O pobre goleiro Osvaldo nada pode fazer.


Depois do segundo gol o Atlético foi para o ataque já que a diferença no placar so tendia a aumentar, e para alegria da maioria de torcedores presentes no estádio aos 24 minutos Ivo bateria falta na cabeça de Mário de Castro que com lindo toque deixaria Orlando livre para diminuir. O gol enchera de esperança a torcida rival de que uma zebra aconteceria, porem antes do final do primeiro tempo mais uma vez Ninão, aos 40 minutos agora em belíssima arrancada invade a área, dribla o goleiro Osvaldo e marca o terceiro gol da final.


O Palestra iria para o intervalo com esta bela vantagem e o titulo já parecia perto, mas nosso rival era valente e venderia caro aquele titulo. Logo no inicio da segunda etapa Jairo de cabeça diminuiria a vantagem Palestrina.


Após o segundo gol do adversário, o Palestra cresce na partida e um bombardeio sobre o gol rival nosso ataque propiciou. O goleiro Oswaldo fez belas defesas, só depois dos trinta minutos é que o rival volta a ameaçar com Mário de Castro, parecia que, como os Palestrinos, dificuldade em definir a partida o rival crescera. Foi então que mais uma vez o ataque palestrino decidiu, com um gol e a vantagem aumentara com o tíulo definido.


Ainda sobrara tempo para um lance cômico, pressionado pela ofensiva Palestrina o zagueiro Binga atrasara bola para o goleiro Osvaldo e este não conseguiria defende-la. Seria então o 5 gol palestrino fechando a goleada. O titulo de 1929 era nosso e faltava apenas um para finalmente ficarmos em definitvo com o troféu.

Em 1930 novamente o time Palestrino se sairia imbatível e levara o tri campeonato, o campeonato havia se encerrado em agosto de 1930, mas até o mês de abril de 1931, o Cruzeiro não havia recebido o troféu e passou a pressionar o presidente da Federação Mineira, Aníbal Matos, que também era o presidente do Atlético. Diante da pirraça, a diretoria cruzeirense expôs uma bola na vitrine da sede do clube, na rua caetés, com a seguinte inscrição: Palestra 5, Athletico 2. Ate hoje esta bola esta na entrada da sede administrativa do cruzeiro! Dias depois o presidente da Federação marcou uma solenidade e fez a entrega do troféu, porem exposto mesmo ficou a bola, para sempre nosso maior símbolo da conquista.

Mas quem precisa de troféu quando temos tantos jogos imortais para narrar?


Ficha Técnica
Palestra 5 x 2 Atlético (MG)
Campeonato da Cidade - Estádio Barro Preto - Belo Horizonte-MG
Renda - Não disponível
Árbitro - Antônio Silva Pinto
Gols: Ninão (4 gols) e Carazo
Cruzeiro: Armando; Para-Raio, Rizzo, Bento, Pires e Nininho; Piorra, Ninão e Bengala; Carazo e Armandinho. Técnico: Matturio Fabbi.
Atlético (MG) :Oswaldo; Binga, Ewando, Cordeiro, Brant e Ivo; Dalmy, Orlando e Jairo; Mário de Castro e Cunha. Técnico: Marinetti.


Dedicatória.
Este capítulo é dedicado a duas famílias que ajudaram a construir este gigante chamado Cruzeiro Esporte Clube, primeiro Palestra. São integrantes destas famílias que sempre arranjaram formas de construir; sempre estiveram presentes. Uma das família é a FANTONI, de grandes jogadores que desfilaram sua bravura pelo mundo agora. Outra família é dos Ianni, que desde que aqui aportaram souberam identificar suas origens e defender o Cruzeiro nas arquibancadas por gerações que só aumentam a paixão da torcida do Cruzeiro.

Obrigado Fantonis e Iannis!!!

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