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Freguêses e iludidos desde 1921

Cruzeiro 3 x 0 Atlético-MG

17/04/21

O dia 17 de abril de 1921, alguns meses após a fundação oficial, ficará, para sempre, marcado na história do futebol mineiro. Afinal, foi neste dia que, Cruzeiro e Atlético-MG realizaram o primeiro clássico citadino. Foi a primeira partida, de caráter amistoso, entre a recém surgida equipe palestrina e o time que já tinha quase duas décadas de existência.


Naquela época, O Cruzeiro tinha sido fundado com outro nome, era o Societá Sportiva Palestra Itália, formado em Belo Horizonte, basicamente integrado por atletas italianos ou da colônia italiana, que na época impossibilitados de atuar por outros clubes como América e Athlético, fundaram sua própria agremiação.


Mal suspeitavam os adversários que, aquele clube se tornaria um dos maiores times de futebol do mundo, ao contrário do imaginário deles que esperavam uma surra sobre o time recém fundado para "...colocar os italianos no devido lugar...". A transformação da Societá Sportiva Palestra Itália em Cruzeiro Esporte Clube deu-se por motivações absurdas como a intolerância e, talvez, isto tenha reforçado a tenacidade e luta dos oriundi mantidas até os dias de hoje. Para sempre seríamos o Cruzeiro, carregando o mesmo uniforme azul da Seleção Italiana, com as cinco estrelas do Cruzeiro do Sul e do brasão de República Federativa do Brasil no peito, coisa que raros times de futebol no mundo podem se orgulhar de ter.


Naquela época, nosso rival também tinha outro nome, era chamado de Athlético Mineiro e já era um clube grande da cidade, o seu passado e a história de seu uniforme são nebulosas, nunca se soube porque, sendo originados de um time que existia com o nome de Higiênicos, nunca reconheceram esta origem preferindo criarem histórias fantasiosas sobre o nome e o uniforme, dando a impressão que mudanças não era coisa que eles tinham feito.
Com sua sede em Lourdes o Athletico (ex-Higiênicos) era o clube dos ricos e abastados da cidade, fundado em 1908 e que, anos depois, mudaria, novamente, seu nome por estética. Para sempre isto diferenciaria os dois clubes, enquanto o Cruzeiro era obrigado a mudar de nome por questões persecutórias, nosso rival o fez por estética, para parecer mais bonito aos da época.


O primeiro clássico foi marcado pelo favoritismo do rival, afinal era o clube mais velho, com mais dinheiro, e com títulos, os quais o Cruzeiro não possuía. O Cruzeiro, à época Palestra, como sempre faria a partir daquele momento histórico, foi para o jogo disposto a superar adversidades, afinal vencer nunca foi nosso ideal sempre foi nossa meta, nossa obrigação, nosso destino.


Iniciada a partida, o Cruzeiro mostrou que o ataque e o futebol bem jogado seria a tônica da partida e daquele time. A marcação era forte, logo aos dois minutos, Attíllio avança em bela jogada e com um lindo chute marca o primeiro gol daquele que seria, dali em diante, o "Clássico das Multidões". Attílio era o nome do guerreiro que fez o primeiro gol no confronto direto com os ex-Higiênicos.


Aproveitando as falhas de Fernando, center-half do adversário, o Cruzeiro dominava inteiramente a partida, Nani, que tinha sido autor, dias antes, do primeiro gol do Cruzeiro, era quem comandava o centro da cancha. Attillio transformava-se na primeira dor-de-cabeça dos "ex-higiênicos", o que viria a ser uma constante para a defesa rival. Antes do final da primeira etapa o próprio Attílio balançaria novamente as redes adversárias, tornando-se também o primeiro atacante a fazer dois gols numa mesma partida no clássico. Os primeiros 45 minutos do clássico terminaram com vantagem cruzeirense de 2 a 0.


Na segunda etapa o baile de futebol apenas se confirmou, os novatos cruzeirenses marcariam mais uma vez agora com Nani (seu terceiro gol em duas partidas depois da fundação), em jogada individual, batendo o arqueiro Walter e dando números finais ao primeiro clássico.


O Cruzeiro começara ali sua gloriosa história, sempre lutando, contra tudo e contra todos. Esta página heróica, cantada à época pelo hino de Buzzacchi e Miraglia: "...fazendo desporto/ não temo em mira/ nem ódio, nem ira/ mas sim prosperar/..."


Atualmente, a torcida entoa vários cânticos como um dos que resgata este espírito heróico e guerreiro dos cruzeirenses do primeiro clássíco. Um deles, conhecido como "Guerreiro dos Gramados", explica, em poucos versos, explica essa paixão. Nela tem destaque e é cantada a plenos pulmões pelos torcedores: “... Zerôôô, sua história é tão bonita/ faz parte da minha vida/ pros meus filhos vou contar...", como excepcionalmente descreveu o Alexandre Pinheiro, vulgo "alemão" da TFC. Orgulhosos de sermos cruzeirenses, desde 1921, Palestrinos sem nenhum arrependimento ou omissão, sabedores da nossa história de conquistas e de glórias, somos o "guerreiro dos gramados", desde aquele 17 de abril de 1921.

Ficha Técnica
Cruzeiro 3 x 0 Atlético (MG)
Amistoso - Prado Mineiro - BH
Público - Não disponível / Renda - Não Disponível
Árbitro - Aleixanor Pereira (BH)

Gols: Attílio 2' e 31' do primeiro tempo e Nani aos 28' do segundo tempo

Cruzeiro: Scarpelli, Polenta e Ciccio; Checchino, Américo e Kalin; Lino, Spartaco, Nani, Henriqueto e Attílio.

Atlético (MG) : Walter, Furtado, Alvim, Fernando, Eduardo, Coutinho, Hernani, Zica, Amaral, Monotti e Márcio..

Dedicatória.
Esta página heróica é dedicada a todos os guerreiros que faziam de cada batalha uma página que, ganhando ou perdendo, se mostraria heróica. Uma dedicação especial ao jogador palestrino, Atílio, que não tinha a mínima noção do que estava iniciando naqueles longínquos anos 20 do século passado. Aquele confronto de caráter amistoso nos daria a dimensão do que é ser cruzeirense e daria a noção aos adversário do que vinha a ser sofrimento constante. A medalha de outro conquistada pelo Cruzeiro (ex-Palestra), contra o Atlético-MG (ex-Higiênicos e ex-Athletico) e ofertada pela Associação Mineira de Cronistas Desportivos (AMCD) ao vencedor do prélio, é virtualmente dedicada a Atílio, o guerreiro do primeiro clássico.

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